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“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 7 de outubro de 2016
sexta-feira, 22 de julho de 2016
Manifesto Pela Reconstrução do PT
Sexta, 22 de julho de 2016
Pela Reconstrução do PT
– Chega de Conciliação!

Encontro Extraordinário do PT (9, 10 e 11 de dezembro)
MANIFESTO DO DIÁLOGO E AÇÃO PETISTA
Pela Reconstrução do PT
– Chega de Conciliação!
Companheiras e companheiros petistas,
O golpe reacionário pró-imperialista do impeachment da presidente
Dilma criou uma situação de emergência nacional para o povo brasileiro.
O golpe também expôs as contradições dos 13 anos de governo de
conciliação que levou à essa derrota, que hoje ameaça as organizações
populares – a própria sobrevivência do PT em crise profunda, está em
risco!
Os petistas, muitos trabalhadores e amplos setores populares se perguntam: como chegamos a isso?
Nós recusamos a auto-indulgência da cúpula do PT que pára o balanço
nas alianças “obrigadas pela composição do Congresso”, assim como
recusamos o oportunismo de setores da “esquerda” que diz que “sempre se
opôs à conciliação”, quando compartilhou as principais políticas,
alianças inclusive.
O que não quer absolutamente dizer, que a solução esteja com os
esquerdistas e movimentistas fora do PT que, até hoje, não entenderam o
golpe e tentam forjar um “3o campo”.
A solução está nos compromissos históricos no terreno da defesa do PT, atacado de todos os lados.
Nós não pretendemos ser os donos da verdade. Mas não fugimos da
discussão e procuramos nos guiar pela independência política dos
trabalhadores, como instrumento da polarização dos amplos setores
sociais oprimidos e explorados, necessários para a transformação social
em um país como o nosso.
Nós reivindicamos as modestas e importantes conquistas do povo no
último período, em termos de emprego e salário, os programas sociais e,
sobretudo, o novo marco regulatório do pré-sal que aponta para um
projeto emancipatório.
Mas ele implica enfrentar o imperialismo materializado nas
instituições de dominação que, no Brasil como no resto do mundo, aperta o
cerco: hoje mesmo vemos na América Latina a ofensiva contra a
Venezuela.
Os movimentos e partidos como o nosso, tem a alternativa de encarar a
situação e se desenvolver na cabeça da resistência popular à dominação
imperialista e às oligarquias subordinadas, ou desaparecer rapidamente
sob os golpes da reação e da frustração popular.
Vamos falar claro!
Os erros já se manifestavam no primeiro governo Lula quando, ao invés
de priorizar a Constituinte Soberana para a reforma política, a cúpula
do PT preferiu adaptar-se às instituições submetidas ao capital
financeiro. Conviveu com a ditadura do superávit primário (“Carta aos
Brasileiros”) e às práticas da “política de alianças”, temperadas com
uma pitada de “democracia participativa”.
Na verdade, a Constituinte era e é o meio de superar as instituições
corruptas, inclusive o Judiciário, para avançarmos com reformas
populares.
Assim, depois que se esgotaram as limitadas medidas redistributivas e se fechou o boom das commodities, veio o impasse.
O capital financeiro internacional progressivamente realinhou todos
os setores da classe dominante ao seu programa, enquanto o PT no governo
fazia concessões a ele e a coalizão, sem freá-lo, ao contrario,
alimentado o reagrupamento. O que desmoralizou nossa base social e
facilitou para o golpismo. O Judiciário, não questionado desde a Ação
Penal 470 (“mensalão”), se revelou seu instrumento.
O resultado foi o PT ganhar apertado as eleições presidenciais,
perdendo nos grandes centros em 2014, especialmente no “cinturão
vermelho”, em São Paulo. Depois que Dilma assumiu o 2o mandato e frustrou as esperanças do 2o turno, até os redutos petistas esfriaram.
Hoje, após o PT adotar tardiamente em fevereiro um programa de
medidas populares dirigido a Dilma -quando devia tê-lo feito no
Congresso de junho de 2015, como propuseram 400 sindicalistas petistas
da CUT – hoje, a situação é muito difícil.
Inclusive porque segue a escalada do Judiciário e da Polícia Federal,
os ataques da Operação Lava-jato contra o PT e os direitos
democráticos, sem resposta à altura. Lideranças do PT continuam presas.
Depois de um ano e meio de atos de rua contra o ajuste e golpismo,
começados pela CUT e outras organizações, depois apoiados pelo PT, isso
não foi suficiente para reverter o quadro.
O PT pede a Dilma uma Carta de Compromissos. De fato, o interesse
popular é sinalizar a defesa do emprego e do serviço público e não do
superávit fiscal – como foi com Levy e Barbosa – a defesa do pré-sal e
das estatais, um compromisso com a reforma política numa Constituinte,
como ela falou em 2013, quando o vice Temer disse “não” e ela recuou,
mas 8 milhões reafirmaram no plebiscito popular.
Para reconstruir o PT, a primeira coisa é rearmar o PT com uma
plataforma de emergência, liberta das contradições de 13 anos,
plataforma de defesa dos trabalhadores, dos direitos sociais dos
oprimidos e das garantias nacionais.
Fora Temer, Nenhum Direito a Menos, esta é a questão
central. Tudo deve ser feito para derrotar o golpe. Por isso, foi um
grave erro apoiar o golpista Maia (DEM) para presidente da Câmara, onde
vai encaminhar os projetos de lei que atacam os trabalhadores.
Neste momento, a CUT discute um movimento de greve geral. O PT deve
se engajar nesse movimento. A Frente Brasil Popular também, como
importante instrumento unitário de mobilização, mas que não substitui o
PT.
O Fora Temer deve significar também a ruptura com as
políticas dos governos federais de “acordo nacional com o PMDB” para o
verdadeira plataforma popular:
- fim do superávit fiscal primário, derrubada dos juros e centralização cambial,
- nenhuma privatização, petróleo 100% estatal, reestatização da Vale
- reindustrialização e proteção comercial
- reforma agrária, titulação da terras quilombolas e demarcação das terras indígenas
- reforma urbana
- não a reforma da previdência
- fim das OS’s, verbas públicas apenas para o serviço público
- vagas para todos nas universidades públicas
- desmilitarização da polícias, revogação da lei de anistia e punição dos criminosos
- defesa dos direitos das mulheres, como direito ao aborto
- contra toda forma de discriminação e opressão
O Fora Temer deve enquadrar a campanha eleitoral municipal – uma luta extrema em defesa do PT – com a recusa de acordos com golpistas no 1o turno e também no 2o turno.
Defendemos alianças, sim, mas com PCdoB e PSOL, além dos setores
populares de partidos como do PDT e PSB, com base numa plataforma de
medidas populares:
- pontos a serem concretizados em cada município, de transporte, de saúde, de educação, de moradia, de creches, de política para os servidores e outros.
Propostas urgentes para reconstruir o PT:
São várias as questões, os petistas sabem onde o calo dói, mas tudo
começa pela reforma no PT, aliás, necessária para a própria reforma
política.
E começa pelo Fim do PED, modelo decalcado das instituições do sistema político corrupto ao qual o PT se adaptou, fator de degeneração do partido.
Um partido de massas não tem que ser uma partido de massa de manobra!
Falando claro: fracassaram todas as meias-reformas “moralizadoras” e
as maquiagens dos últimos congressos. Não há alternativa à democracia de
base militante. Portanto, fim do PED, com a volta a eleição de
delegados e direções em encontros de base deliberativos. Fundo eleitoral
interno exclusivo para as chapas.
A reforma prosseguirá com medidas para imprensa partidária, a mudança
de relação com as bancadas, rodízio parlamentar, efetiva política de
nucleação e setoriais etc.
Convidamos todos os petistas, grupos e tendências,
dispostos a, sobre essa base, se associar desde o princípio à uma
discussão livre que desemboque numa tese completa no Encontro
Extraordinário.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
O PT abandonou o programa republicano
Sexta, 26 de fevereiro de 2016
Do Correio da Cidadania
www.correiocidadania.com.br
Escrito por Mário Maestri*
O
princípio de governo para o bem do povo nasceu quando da democracia
ateniense. Porém, então, povo restringia-se aos cidadãos e excluía
cativos, libertos, estrangeiros. A Revolução de 1789 procurou
institucionalizar o salto de qualidade que ensejou no relativo aos
direitos, ao governo e à ética republicana. Na Europa, partidos
socialistas, expressando os trabalhadores, radicalizaram os programas
levantados por forças burguesas na luta contra o absolutismo.
Recuperavam-nos, ao proporem suas limitações, por não revolucionar o
coração do mundo social: a propriedade e as relações de produção.
Na descontinuidade qualitativa, há muito de confluência entre o
programa republicano e o programa socialista. O primeiro propõe que o
segundo vai muito além do desejável; o segundo defende que, até mesmo
para a realização dos preceitos republicanos e democráticos, é
necessário revolucionar os fundamentos sociais, de onde emanam – para se
reproduzirem – as desigualdades de todo o tipo.
O republicanismo exigia honestidade estrita na administração, com
respeito sagrado aos bens públicos. É seu preceito maior a separação
radical das atividades públicas e privadas, com destaque para a vida
civil e doméstica. O administrador republicano deve ter comportamento
exemplar. A ele pede-se recato, sobriedade e austeridade, pública e
pessoal. Ele deve ser intransigente defensor do laicismo, da separação
da religião e Estado, espaço de convivência da sociedade como um todo.
A educação pública de qualidade foi referência primordial da ordem
que se pensou republicana. Na França, na Itália etc., no geral, os
colégios privados são ainda para os alunos endinheirados que não
suportam as exigências elevadas do ensino público. No contexto de visão
de que os direitos civis mínimos deviam ser garantidos para todos,
assegurou-se o acesso da educação superior a todos os jovens que
terminavam o ensino secundário.
O programa republicano secularizou os cemitérios e os registros civis
e, atualizando-se, avançou o reconhecimento dos direitos das mulheres
ao voto, ao mesmo salário, à autonomia no casamento, a decidir sobre
seus corpos - ou seja, de interromper a gestação. Em países de forte
catolicismo - Itália, Espanha etc. -, republicanos e socialistas lutaram
juntos por essa conquista. O direito à expressão e à igualdade da
homoafetividade ganha enorme espaço nos últimos anos, apoiado na
tradição de tais embates.
PT: do que foi ao que é
Nos seus primórdios, o Partido dos Trabalhadores deu-se como programa
a realização dos princípios republicanos e democráticos, no processo de
luta por sociedade socialista. Muito cedo, na luta pela conquista e
permanência na gestão do Estado, a direção petista abandonou a defesa
dos pontos programáticos iniciais. Primeiro, rejeitou-se a proposta da
revolução da estrutura social e passou-se a propor ampliação - que alguns prometiam radical - da sociedade capitalista.
Alguns teóricos da debandada programática anunciaram uma próxima “economia social de mercado”. Ou seja, um capitalismo social
onde todos, exploradores e explorados, se sentariam à mesa do consumo,
com pratos e garfos diversos, é claro. Nos últimos anos, para festejar
essa conquista, definiu-se arbitrariamente o Brasil como sociedade
dominada por uma “nova” classe média, dita “emergente”. Milagre obtido
com a ajuda de institutos públicos de estatística, que promoveram
famílias afundadas na necessidade a núcleos acaudalados, por terem refrigerador, televisão, computador.
Para os que queriam ver, não houve surpresa na derrapagem incessante
do petismo, a serviço do grande capital desde o primeiro governo
presidencial. A enfermidade da adesão ao Estado já se revelara na
administração das prefeituras e estados; em vereadores, deputados,
senadores, funcionários etc. O socialismo não era mais proposto, nem
mesmo em dia de festa, sequer para os horizontes mais distantes. A
grande surpresa foi o rompimento com o programa republicano. A política
como forma de progressão social se alastrou como vírus nas hostes
petistas. As mordomias foram distribuídas e disputadas com a
sem-cerimônia dos partidos da direita tradicional.
Com o passar dos anos, a corrupção geral, os favores, os
apadrinhamentos, as afinidades estranhas, o “é dando que se recebe” etc. alcançaram níveis inimagináveis. Progrediram esposas, filhos, sobrinhos, amantes. O luxo explícito passou a ser qualidade, não desaire
em militante social. Automóveis, apartamentos, sítios, restaurantes,
cirurgias plásticas, viagens de jatinho, hotéis deslumbrantes,
contubérnio com os maiores donos da riqueza e do poder do país. Tudo era
pouco, nada era demais. A festa parecia não ter fim.
No Templo de Salomão
Na luta insana para manter-se no governo, as concessões começaram a
ser feitas em esferas antes inimagináveis. As religiões e seus
ministros, nas suas expressões ditas elevadas e nas reconhecidamente
mais prostituídas, foram cortejados e cobertos de favores e privilégios.
Para elegerem-se, os maiores líderes do petismo beijaram as mãos de
papas, de bispos, de padres, de pastores, alguns deles estelionatários
de dimensão internacional. Diante dos olhos do Brasil republicano
perplexo, Dilma Rousseff se ajoelhou no Tempo de Salomão.
Para garantir as eleições, os recursos públicos foram incinerados em
renúncias fiscais faraônicas; em juros subsidiados, à custa da
população, para o grande capital; em programas de cedência miserável de
recursos para os necessitados, enquanto se estimavam valores miseráveis
para o salário mínimo; na concessão de todos os favores e facilidades
para o capital bancário. Não houve setor que não fosse irrigado,
sabendo-se que, a seguir, seria a população e os trabalhadores a pagarem
a conta. Como agora já pagam.
Na procura de manter o acasalamento promíscuo com o poder,
mercadejou-se com o fundamentalismo religioso os direitos civis e
republicanos mais elementares. Não houve exigência do integralismo
religioso que não fosse facilitada. Manteve-se e mantém-se a mulher à
margem do direito da interrupção voluntária da gravidez, mesmo quando a
despreocupação com a sanidade e a saúde do país ameaça os fetos nos
próprios úteros maternos. Não se reconhece os mais mínimos direitos à
homoafetividade.
Na reconversão em partido da ordem e de governo a qualquer curso, o
PT renunciou, sem qualquer delonga, ao programa socialista e, a seguir,
aos princípios democrático e republicano, para se transformar em
organização populista pró-capitalista. E, nesse momento, para não ser
defenestrado da sinecura federal, empreende ataque geral aos salários,
ao consumo popular, ao emprego, aos direitos civis, à legislação
trabalhista etc.
Passa, portanto, a depender essencialmente da burocracia que
construiu em sua longa jornada e da indiscutível satisfação do grande
capital, que compreende que retorna aos bons tempos de Collor e de FHC,
onde tudo era possível.
Leia também:
*Mário Maestri, 67, é historiador.
A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania
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sábado, 13 de fevereiro de 2016
Vídeo de Lula no aniversário do PT (36 anos) : cerimônia de ocultação de esqueletos na penitência da Quarta-Feira de Cinzas do início da Quaresma 2016
Sábado, 13 de fevereiro de 2016
PT, 36 anos: ocultando esqueletos na Quaresma
"Dez de Fevereiro de 2016, Quarta-Feira de Cinzas do calendário cristão: não poderia ter sido mais simbolicamente melancólica e depressiva a data comemorativa da passagem dos 36 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores o PT. Salvo se ocorresse uma nova etapa da Lava Jato (que alguns previam mas não aconteceu). O Japonês da Federal, ou outro agente da PF, batendo na porta de alguns de seus maiorais, às primeiras horas da manhã, em apartamentos, mansões, sítios e condomínios privados de São Paulo, Brasília, Rio ou Salvador."
Leia aqui a íntegra do artigo do jornalista Vitor Hugo Soares, editor do Blog Bahia em Pauta.
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sábado, 10 de outubro de 2015
A verdade é revolucionária. O maniqueismo, uma muleta para simplórios e fanáticos
Sábado, 10 de outubro de 2015
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
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| A crise de identidade dos 35 anos está sendo pior ainda... |
Neste sábado (10) trouxe para cá um artigo magistral
de Demétrio Magnoli, pelo qual muitos companheiros normalmente
passariam batidos por puro preconceito. Dei-lhes a chance de conhecerem
um dos mais eloquentes libelos já lançados contra a guerra ao terror de George Bush e toda a paranoia referente ao terrorismo.
Magnoli é um dos muitos críticos do petismo que estão longe de serem
reacionários e/ou vendidos à direita, mas que ficaram com tal pecha
graças à faina repulsiva dos assassinos de reputações.
Trata-se de uma das práticas mais chocantes de uma esquerda desvirtuada e
aburguesada, que um dia pregou a revolução mas hoje se limita a buscar,
manter e tentar expandir seus nacos de poder dentro do capitalismo,
pois agora é movida pelo poder, só o poder e nada mais do que o poder;
crava os dentes no osso com tal sofreguidão que até os trinca...
É por isto que em 2015 foi escorraçada das ruas; seu habitat natural
hoje são os gabinetes luxuosos dos governos e a sede de entidades e
sindicatos cada vez mais inócuos e domesticados.
Quanto mais a esquerda chapa branca
se afasta da revolução, mais investe no maniqueísmo e na satanização
para desqualificar seus críticos e opositores. Como na última campanha
presidencial, quando desconstruiu Marina Silva com métodos de fazerem
inveja a Joseph Goebbels, seu longínquo inspirador.
![]() |
| O grande guru da rede chapa branca |
Marina marchava para uma vitória inevitável, pois tinha tudo para chegar
ao 2º turno, sepultando as chances de reeleição de Dilma Rousseff, já
que os tucanos, fora do páreo, necessariamente despejariam seus votos na
ex-seringueira. Então, os petistas transtornados com a perspectiva de
perderem suas boquinhas
e míopes a ponto de não perceberem que seria uma grande roubada
governarem o país quando o grande capital exigia um devastador arrocho
fiscal (e eles jamais ousariam deixar de atendê-lo!), optaram por
desconstruírem-na a qualquer preço.
Chegaram ao cúmulo de apontá-la como fantoche do Banco Itaú, apenas
porque uma herdeira entediada da família proprietária lhe dava apoio,
tanto quanto apoiara o candidato petista a prefeito (Fernando Haddad) na
eleição anterior. Bastaria um pingo de honestidade e uma pesquisa de
três minutos na internet para se constatar que a tal Neca Setúbal não
apitava nada nas decisões do grupo, limitando-se a receber sua gorda
mesada e gastá-la em cruzadas edificantes. [Paradoxalmente, seria Dilma
quem comeria nas mãos do presidente do Banco Itaú, Luís Carlos Trabuco, a
ponto de convidá-lo para ministro da Fazenda e, face à recusa, aceitar
que ele indicasse para o posto um de seus funcionários menores, o
inexpressivo Joaquim Levy].
Isto não impediu que, repetindo dia e noite esta e outras mentiras cabeludas
(como a de que a autonomia do Banco Central fosse uma espécie de fim do
mundo...), a central de guerra psicológica e desinformação petista
acabasse por desviar de Marina votos de classe média em proporção
suficiente para alijá-la do 2º turno, assegurando a reeleição de Dilma,
seu impeachment vindouro e a destruição do PT, que talvez nunca mais
eleja um presidente como consequência de sua extrema desmoralização em
2015. Mágica mais besta, impossível!
![]() |
| E o que foi que a Dilma e o Levy fizeram?! |
É da mesma forma, embora com menos fúria homicida, que são tratados
muitos intelectuais independentes, como Magnoli, que não rezam sempre
pela cartilha petista nem se alinham em todas as questões com a direita.
Nos bons tempos da esquerda civilizada, procurava-se atrair pessoas
desse tipo, principalmente quando eram brilhantes, ao invés de
hostilizá-las encarniçadamente, como se o desejável fosse atirá-las nos
braços do inimigo.
Faço questão de registrar que alguns petistas andam incomodados com meus artigos I-N-D-E-P-E-N-D-E-N-T-E-S
e começaram a postar comentários na mesma linha goebbelsliana. P. ex.,
um me acusou de copiar um reaça menor que eu nem sequer conhecia, não
aceitou minha negativa, voltou à carga alegando que eu publicara uma
imagem qualquer da Dilma que havia saído no blogue do dito cujo e
novamente ignorou minha paciente explicação de que garimpo imagens no
Google e nunca me interessei por sua proveniência, só por sua
pertinência.
Como ele insistisse no seu delírio inicial, deixei de autorizar seus
comentários, pois não vejo sentido nenhum em debater com quem quer me
fazer passar por mentiroso. Não sou nenhum moleque, tenho uma trajetória
de quase cinco décadas de luta contra a direita e seus porta-vozes.
Na esteira veio mais um fanático batendo na mesmíssima tecla e ainda
botando outra ovelha negra na relação dos meus pseudos-inspiradores, o
Olavo de Carvalho. Seria cômico se não fosse trágico pois, quando alguns
esquerdistas fugiam covardemente dos reiterados desafios lançados pelo
OC, fui eu que ergui a luva e polemizei com ele, provando que não
passava de um tigre de papel (vide aqui).
A mim, jamais intimidarão! Muito menos recorrendo a tolices e chutes na virilha...
| A esquerda precisa muito mais de militantes que de votantes |
Sempre afirmei que deter presidências da República, para revolucionários, tem importância meramente TÁTICA, não sendo nem de longe para nós um objetivo ESTRATÉGICO.
Quando estão ajudando a alavancar a revolução, devem ser defendidas.
Quando se tornam baluartes do neoliberalismo, que os banqueiros as
defendam. É simples assim.
Se houver ameaça de tanques nas ruas, arriscarei novamente a vida para
evitar outra ditadura. Mas, enquanto a coisa se mantiver nos marcos
constitucionais, estarei priorizando é a reconstrução da esquerda, pois
depois do tsunami teremos muito o que fazer, juntando os cacos e
tentando reencontrar nosso caminho.
Torço e darei minha melhor contribuição para que a esquerda extraia
deste desastroso 2015 a lição de que precisa desesperadamente voltar às
raízes, reassumindo suas bandeiras históricas e recolocando como
objetivo supremo o fim do capitalismo e a construção de uma sociedade
fundada na justiça social e na verdadeira liberdade.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2015
'Ou se rompe totalmente com o PT ou seremos engolidos pela onda conservadora’
Segunda, 28 de Setembro de 2015
Do Correio da Cidadania
Escrito por Gabriel Brito e Paulo Silva Junior, da Redação (jornalistas)
O Brasil continua observando a
crise política que a cada dia parece imobilizar mais o governo Dilma, que agora
promove reforma ministerial para atender às mais recentes chantagens de seu
principal “aliado”, como se vê na pasta da Saúde. Ao lado disso, mais de 260
petistas eleitos se desfiliam do partido e começam a configurar um novo
cenário. Sobre o complexo quadro político, conversamos com o sociólogo carioca
Marcelo Castañeda.
“É uma pena que a justa indignação
seja capitaneada por segmentos mais conservadores da direita. No momento, mantém-se uma polarização, que é
sórdida, entre PT e PSDB e sua alternância, ou não, no governo federal. Está
faltando à institucionalidade uma via diferente, que rompa com isso. Não é o
PMDB e tenho dúvidas também se a Marina e a Rede seriam tal alternativa, ainda
mais depois da última campanha eleitoral”, analisou Marcelo.
Para o sociólogo, mais entusiasta
da micropolítica, como demonstra sua atuação no grupo de formação Círculos de
Cidadania, o país vê fechar-se uma brecha democrática aberta pelas
manifestações de junho de 2013. A seu ver, elas sepultaram de vez o PT como esperança
de uma sociedade mais justa. Por isso, e por acreditar que o governo Dilma “não
tem muito mais a fazer”, defende a ruptura definitiva com o lulopetismo.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Dilma poderá ser lembrada como uma guerreira derrubada pelas elites ou uma guerrilheira que virou suco
Sexta-feira, 11 de setembro de
2015
Deu no que deu. O fato de, na campanha eleitoral, haver jurado
solenemente que não faria o que incumbiu Levy de fazer, deixou em
frangalhos a popularidade de Dilma. E um governo fraco e sem
credibilidade não consegue fazer com que burguesia, trabalhadores e
sanguessugas consintam em sacrificar-se para que as contas públicas
voltem a um mínimo equilíbrio. Os três contingentes defendem seus
interesses e Levy foi imobilizado e anulado, enquanto a situação
econômica se deteriora cada vez mais.
Dilma está desmoralizada demais para qualquer acordo entre o capital, o trabalho e a ociosidade ser firmado em seu governo. O governo cairá antes, pois o que se empenham em derrubá-lo não têm motivo nenhum para recuarem agora, que estão com a faca e o queijo nas mãos. É simples assim.
Então, as opções que lhe restam hoje não passam de duas:
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Na abertura do seu clássico Conversa na Catedral, Mario Vargas Llosa perguntou em que momento o Peru tinha se f... No caso do PT, eu apontaria três momentos:
- quando a votação pífia que obteve na eleição de 1982 levou os dirigentes a decidirem evitar dali em diante a identificação com a resistência à ditadura. Naquele pleito, a propaganda eleitoral gratuita, obedecendo à Lei Falcão, restringia-se à leitura de dados e exibição de fotos dos candidatos. Muitos do PT, orgulhosamente, citaram o tempo de cárcere cumprido como presos políticos. A direita retrucou com desqualificações do tipo "eles não têm currículos, têm fichas criminais". E, ao invés de defenderem o direito que os seres humanos dignos deste nome tinham de combater a tirania, os petistas passaram a não tocar mais no assunto em campanhas eleitorais. Foi quando negaram a revolução pela primeira vez.
- quando, respondendo às acusações públicas de um militante exemplar contra o safado que pilotava o primeiro grande esquema de desvio de recursos dos cofres públicos para o partido, expulsou o acusador, emitindo sinal verde para a corrupção (vide aqui). Foi quando, optando pela moral deles e sepultando a nossa, o PT negou a revolução pela terceira vez.
O resto foi consequência: ao colocar a conquista do poder sob o
capitalismo como objetivo supremo, evidentemente acima da revolução,
preparou o caminho para o pacto sórdido firmado com os donos do Brasil em 2002: se
vocês não interferirem, deixando-nos ganhar a eleição e assumir o
poder, abdicaremos de fixar nós mesmos as diretrizes macroeconômicas,
acatando fielmente as determinações do grande capital e contemplando
sempre seus interesses. Lula assumiu com autonomia apenas sobre os ministérios das miudezas, pois quem dava as cartas nos ministérios econômicos era a burguesia.
No início o esquema funcionou a contento por se tratar de um período altamente favorável às commodities brasileiras, tanto que sob Lula o PIB cresceu 4% ao ano. Era o suficiente para saciar o pantagruélico apetite dos grandes capitalistas, sobrar um tantinho a mais do que antes para colocar na mesa dos pobres (insuficiente, contudo, para caracterizar a emergência de uma nova classe média, mera propaganda enganosa...) e ainda queimar rios de dinheiro em barganhas com os partidos fisiológicos, comprando seu apoio mediante o loteamento de Pastas e cargos, além, é claro, do por fora de mensalões e petrolões.
No início o esquema funcionou a contento por se tratar de um período altamente favorável às commodities brasileiras, tanto que sob Lula o PIB cresceu 4% ao ano. Era o suficiente para saciar o pantagruélico apetite dos grandes capitalistas, sobrar um tantinho a mais do que antes para colocar na mesa dos pobres (insuficiente, contudo, para caracterizar a emergência de uma nova classe média, mera propaganda enganosa...) e ainda queimar rios de dinheiro em barganhas com os partidos fisiológicos, comprando seu apoio mediante o loteamento de Pastas e cargos, além, é claro, do por fora de mensalões e petrolões.
A maré virou no primeiro governo de Dilma Rousseff, quando a evolução do
PIB caiu para a metade (2,1%). Então, tornou-se impossível contentar,
ao mesmo tempo, o grande capital, os trabalhadores e os sanguessugas da
política. As receitas se tornaram insuficientes para bancar os
privilégios da burguesia e a gastança do Estado.
O poder econômico passou a exigir um arrocho fiscal e uma recessão purgativa, que faria os outros dois contingentes perderem espaços conquistados, enquanto os burgueses manteriam sua prosperidade escandalosa.
Eu alertei que um partido dito dos trabalhadores implementar uma política econômica tão desfavorável aos trabalhadores o destruiria. Era o momento de o PT, ou renegar o pacto mefistofélico firmado em 2002 e propor uma alternativa à ortodoxia capitalista, ou deixar em outras mãos o acatamento das exigências do grande capital (bastaria, p. ex., não ter desconstruído a candidatura de Marina Silva com a campanha de satanização mais falaciosa da política brasileira em todos os tempos).
Nem uma coisa, nem outra. Dilma se reelegeu na bacia das almas e, de imediato, pôs-se a satisfazer aos verdadeiramente poderosos, entregando a condução da economia ao neoliberal convicto e assumido Joaquim Levy (ademais, um economista de segunda categoria, sem currículo à altura do posto).
O poder econômico passou a exigir um arrocho fiscal e uma recessão purgativa, que faria os outros dois contingentes perderem espaços conquistados, enquanto os burgueses manteriam sua prosperidade escandalosa.
Eu alertei que um partido dito dos trabalhadores implementar uma política econômica tão desfavorável aos trabalhadores o destruiria. Era o momento de o PT, ou renegar o pacto mefistofélico firmado em 2002 e propor uma alternativa à ortodoxia capitalista, ou deixar em outras mãos o acatamento das exigências do grande capital (bastaria, p. ex., não ter desconstruído a candidatura de Marina Silva com a campanha de satanização mais falaciosa da política brasileira em todos os tempos).
Nem uma coisa, nem outra. Dilma se reelegeu na bacia das almas e, de imediato, pôs-se a satisfazer aos verdadeiramente poderosos, entregando a condução da economia ao neoliberal convicto e assumido Joaquim Levy (ademais, um economista de segunda categoria, sem currículo à altura do posto).
Dilma está desmoralizada demais para qualquer acordo entre o capital, o trabalho e a ociosidade ser firmado em seu governo. O governo cairá antes, pois o que se empenham em derrubá-lo não têm motivo nenhum para recuarem agora, que estão com a faca e o queijo nas mãos. É simples assim.
Então, as opções que lhe restam hoje não passam de duas:
- a renúncia antes de ser impedida, para não conceder triunfo tão apoteótico aos inimigos; ou
- uma guinada corajosa à esquerda, decidindo que o aumento da arrecadação deve ser em detrimento dos que têm demais e sempre foram privilegiados e não dos trabalhadores sempre tosquiados, além de extinguir o sem-número de Pastas e cargos que só servem como moeda de barganha política e cabides de emprego.
Sem ilusões, é tarde demais para Dilma salvar seu mandato. Mas pode, ainda, salvar a reputação.
Se tiver a burguesia (até o Trabuco...) coesa contra si e os
parlamentares contrariados sequiosos de retaliarem com o impeachment, a
queda virá a toque de caixa. E daí? Por acaso é preferível à atual
agonia lenta, com o mesmíssimo desfecho no final da linha?
Mas, pelo menos Dilma seria lembrada como uma guerreira derrubada pelas elites e não como uma guerrilheira que virou suco (por ter passado a defender os interesses burgueses e mesmo assim recebido da burguesia um solene pé na bunda).
Mas, pelo menos Dilma seria lembrada como uma guerreira derrubada pelas elites e não como uma guerrilheira que virou suco (por ter passado a defender os interesses burgueses e mesmo assim recebido da burguesia um solene pé na bunda).
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
"QUEM ESTÁ TIRANDO DILMA DO PODER (...) SÃO OS RATOS QUE O PT NÃO TEVE CORAGEM DE EXPULSAR"
Segunda, 10 de agosto de 2015
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
O PT é indefensável –cavou esse abismo com seus pés. Mas assim como não
fomos nós que elegemos Lula, engana-se quem vai às ruas e acha que está tirando
Dilma do poder. Quem está movendo essa ação de despejo são os ratos que o PT
não teve coragem de expulsar. (Gregorio Duvivier)
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Há alguns anos eu venho sendo adversário do PT, não em função de um inverossímil desagrado
com o que ele tem de esquerda, mas sim por, coerentemente, não me conformar com o
quanto ele deixou de ser de esquerda.
Seus rolos compressores virtuais,
contudo, sempre confundiram esta nuance, colocando todos os opositores no mesmo
saco de inimigos das conquistas sociais,quinta-colunas a serviço
da burguesia, coxinhas, etc. Praticam um terrorismo pior do que
estalar bombinhas onde não tem ninguém à noite.
Então, é com muito prazer que vejo o
inconformismo com a direitização do PT --pois, noves fora, se trata disto--
aflorar em todos os cantos. O embuste acabou. O PT hoje desagrada tanto à
direita que quer tomar-lhe o poder, quanto à esquerda que gostaria que ele
fizesse um uso mais digno e coerente do poder. E confundir maliciosamente os
dois universos não engana mais ninguém.
De quantos agora estão vindo a
público expressar seu desencanto, um dos melhores texto é este Por que
odiar o PT, do ator e escritor Gregório Duvivier. Vale a pena reproduzi-lo
na íntegra:
A primeira vez que me deparei
com uma urna eletrônica foi para votar no Lula. E Lula se elegeu, depois de
três tentativas malfadadas. Lágrimas grossas escorriam pelo meu rosto: com a
prepotência característica dos 16 anos, tive a certeza de que era o meu voto
que tinha feito toda a diferença.
A rua estava cheia de pessoas da
minha idade que tinham essa mesma certeza. O Brasil tinha acabado de ganhar uma
Copa do Mundo, mas a euforia agora era ainda maior: foi a gente que fez o gol
da virada. Parecia que o Brasil tinha jeito, e o jeito era a gente –essa gente
que nasceu de 1982 a 1986 e votava agora pela primeira vez.
Acabaram-se os problemas do Brasil –a
gente chegou. Lembro das ruas cheias, das bandeiras do PT, lembro de abraçar
desconhecidos na Cinelândia –Lula lá, brilha uma estrela.

Logo vi que não era o meu voto que
tinha feito o Lula se eleger, nem o dos meus amigos, nem o da minha geração.
Quem elegeu o Lula –isso logo ficou claro– foi o José Alencar, os Sarney, o
Garotinho, foi aquela Carta aos Brasileiros e a promessa de que o Lulinha era
Paz, Amor e Continuidade. Sobretudo continuidade.
Lula só alugou esse apartamento por
quatro anos porque assinou um contrato de locação onde prometia entregar o
imóvel i-gual-zi-nho. E Lula, por quatro anos, foi um inquilino dos sonhos
–tanto é que renovou o contrato e ainda foi fiador da locatária seguinte.
Fizeram algumas mudanças –as empregadas passaram a ganhar mais–, mas não
fizeram o mais importante: uma desratização. Muito pelo contrário: os ratos de
sempre fizeram a festa.
Caros amigos que odeiam o PT: podem
ter certeza de que odeio o PT tanto quanto vocês –mas por razões diferentes.
Odeio porque ele cumpriu a promessa de continuidade. Odeio porque ele não
rompeu com os esquemas que o antecederam. Odeio por causa de Belo Monte e do
total descompromisso com qualquer questão ambiental e indígena. Odeio porque
nunca os bancos lucraram tanto. Odeio pela liberdade e pelos ministérios que
ele deu ao PMDB. Odeio pelos incentivos à indústria automobilística e à indústria
bélica. Odeio porque o Brasil hoje exporta armas para Iêmen, Paquistão, Israel
e porque as revoltas do Oriente Médio foram sufocadas com armas brasileiras.
Odeio porque acabaram de cortar 3/4 das bolsas da Capes.
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quinta-feira, 25 de junho de 2015
Aliança maldita deu no que deu
Quinta, 25 de junho de 2015
'A direção do Partido dos Trabalhadores, pelas opções que fez, pelo caminho que escolheu e pela aliança maldita com os donos do capital, é sim a grande responsável pela difícil conjuntura do país, com grave crise econômica e política e com acelerado agravamento da situação social.'
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'A direção do Partido dos Trabalhadores, pelas opções que fez, pelo caminho que escolheu e pela aliança maldita com os donos do capital, é sim a grande responsável pela difícil conjuntura do país, com grave crise econômica e política e com acelerado agravamento da situação social.'
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Do Correio da Cidadania
Escrito por Hamilton Octavio de
Souza
O povo brasileiro está pagando caro, agora, o preço de uma
aventura política e eleitoral iniciada em 2002 quando a principal liderança do
PT, Luiz Inácio Lula da Silva, conduziu o partido a uma aliança com as forças
tradicionais do empresariado e do conservadorismo nacional. Desde então, o que
se viu foi o ataque paulatino às esquerdas, dentro e fora do PT, a completa
domesticação dos sindicatos e movimentos sociais mais combativos na área de
influência petista, a despolitização da luta de classes e uma escalada ainda incompleta
de concessões ao capital, à direita e aos postulados do neoliberalismo.
Anteriormente, os governos de Collor de Mello e de Fernando
Henrique Cardoso já haviam bombardeado as atribuições do Estado, desmantelado a
Constituição de 1988, retirado direitos dos trabalhadores e escancarado o país
aos interesses mais mesquinhos e predadores dos capitais nacional e
internacional. Vivemos o pior dos horrores de 1990 a 2002, com a liquidação do
patrimônio público nos leilões das privatizações, com a “flexibilização” das
leis trabalhistas e a entrega das atividades essenciais, entre as quais saúde e
educação, ao jogo dos mercados.
Mas, até então, amplos setores populares e a maioria das
organizações sociais e de esquerda formavam as mais diferentes trincheiras da
oposição. Os campos de delimitação entre esquerda e direita, progressistas e
conservadores, defensores da soberania nacional e entreguistas, defensores do
Estado prestador de serviços públicos e privatistas, ambientalistas e
predadores dos recursos naturais, defensores dos direitos humanos e apoiadores
da truculência punitiva contra os mais pobres e excluídos, estavam bem mais
claros e definidos, sem a confusão de uma geleia geral.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
PT está preso em um labirinto
Quarta, 17
de junho de 2015
Do site
Operamundi
Por Breno
Altman
A percepção de muitos observadores e participantes,
finalizado o V Congresso, é que nada mudou no Partido dos Trabalhadores.
Quem assim conclui, registra alguns fatos inquestionáveis:
não houve alteração em seu núcleo dirigente, o partido continua prestando apoio
à política econômica do governo, o sistema de alianças não foi revisto e a
forma de eleições internas permanece essencialmente intacta.
Mas este diagnóstico de paralisia é versão superficial dos
fatos.
A situação tem características mais originais e perigosas:
o PT, desde 2013, com idas e vindas, vem trilhando elaboração estratégica que
colide com decisões práticas para a ação política.
Diversas resoluções partidárias, especialmente depois das
eleições presidenciais de 2014, identificam o esgotamento do modelo econômico
marcado por políticas distributivas sem reformas estruturais, pregam por
estratégia de mobilização como fator de governabilidade e apontam para uma nova
política de alianças que tenha como núcleo os setores mais progressistas.
No 5º Congresso, a crise do PT persiste, mas a resistência cresce
Quarta, 17
de junho de 2015
Deu no dialogopetista, em 16/6
O 5º Congresso do PT, cuja segunda etapa foi realizada
neste final de semana, terminou sem que fossem dadas respostas concretas aos
principais problemas enfrentados pelo partido. A corrente majoritária conseguiu
fazer aprovar o apoio à política econômica de Dilma-Levy e impediu a volta dos
encontros de base, mantendo o PED.
As votações apertadas, porém, indicam que a crise interna
permanece e que aumenta a resistência da base partidária à política de
adaptação da direção, que leva o partido à paralisia.
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