Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Manifesto Pela Reconstrução do PT

Sexta, 22 de julho de 2016

TituloManifesto

Encontro Extraordinário do PT (9, 10 e 11 de dezembro)

MANIFESTO DO DIÁLOGO E AÇÃO PETISTA


Pela Reconstrução do PT

– Chega de Conciliação!

Companheiras e companheiros petistas,

O golpe reacionário pró-imperialista do impeachment da presidente Dilma criou uma situação de emergência nacional para o povo brasileiro.

O golpe também expôs as contradições dos 13 anos de governo de conciliação que levou à essa derrota, que hoje ameaça as organizações populares – a própria sobrevivência do PT em crise profunda, está em risco!

Os petistas, muitos trabalhadores e amplos setores populares se perguntam: como chegamos a isso?

Nós recusamos a auto-indulgência da cúpula do PT que pára o balanço nas alianças “obrigadas pela composição do Congresso”, assim como recusamos o oportunismo de setores da “esquerda” que diz que “sempre se opôs à conciliação”, quando compartilhou as principais políticas, alianças inclusive.

O que não quer absolutamente dizer, que a solução esteja com os esquerdistas e movimentistas fora do PT que, até hoje, não entenderam o golpe e tentam forjar um “3o campo”.

A solução está nos compromissos históricos no terreno da defesa do PT, atacado de todos os lados.

Nós não pretendemos ser os donos da verdade. Mas não fugimos da discussão e procuramos nos guiar pela independência política dos trabalhadores, como instrumento da polarização dos amplos setores sociais oprimidos e explorados, necessários para a transformação social em um país como o nosso.

Nós reivindicamos as modestas e importantes conquistas do povo no último período, em termos de emprego e salário, os programas sociais e, sobretudo, o novo marco regulatório do pré-sal que aponta para um projeto  emancipatório.

Mas ele implica enfrentar o imperialismo materializado nas instituições de dominação que, no Brasil como no resto do mundo, aperta o cerco: hoje mesmo vemos na América Latina a ofensiva contra a Venezuela.

Os movimentos e partidos como o nosso, tem a alternativa de encarar a situação e se desenvolver na cabeça da resistência popular à dominação imperialista e às oligarquias subordinadas, ou desaparecer rapidamente sob os golpes da reação e da frustração popular.

Vamos falar claro!

Os erros já se manifestavam no primeiro governo Lula quando, ao invés de priorizar a Constituinte Soberana para a reforma política, a cúpula do PT preferiu adaptar-se às instituições submetidas ao capital financeiro. Conviveu com a ditadura do superávit primário (“Carta aos Brasileiros”) e às práticas da “política de alianças”, temperadas com uma pitada de “democracia participativa”.

Na verdade, a Constituinte era e é o meio de superar as instituições corruptas, inclusive o Judiciário, para avançarmos com reformas populares.

Assim, depois que se esgotaram as limitadas medidas redistributivas e se fechou o boom das commodities, veio o impasse.

O capital financeiro internacional progressivamente realinhou todos os setores da classe dominante ao seu programa, enquanto o PT no governo fazia concessões a ele e a coalizão, sem freá-lo, ao contrario, alimentado o reagrupamento. O que desmoralizou nossa base social e facilitou para o golpismo. O Judiciário, não questionado desde a Ação Penal 470 (“mensalão”), se revelou seu instrumento.

O resultado foi o PT ganhar apertado as eleições presidenciais, perdendo nos grandes centros em 2014, especialmente no “cinturão vermelho”, em São Paulo. Depois que Dilma assumiu o 2o mandato e frustrou as esperanças do 2o turno, até os redutos petistas esfriaram.

Hoje, após o PT adotar tardiamente em fevereiro um programa de medidas populares dirigido a Dilma -quando devia tê-lo feito no Congresso de junho de 2015, como propuseram 400 sindicalistas petistas da CUT – hoje, a situação é muito difícil.

Inclusive porque segue a escalada do Judiciário e da Polícia Federal, os ataques da Operação Lava-jato contra o PT e os direitos democráticos, sem resposta à altura. Lideranças do PT continuam presas.

Depois de um ano e meio de atos de rua contra o ajuste e golpismo, começados pela CUT e outras organizações, depois apoiados pelo PT, isso não foi suficiente para reverter o quadro.

O PT pede a Dilma uma Carta de Compromissos. De fato, o interesse popular é sinalizar a defesa do emprego e do serviço público e não do superávit fiscal – como foi com Levy e Barbosa – a defesa do pré-sal e das estatais, um compromisso com a reforma política numa Constituinte, como ela falou em 2013, quando o vice Temer disse “não” e ela recuou, mas 8 milhões reafirmaram no plebiscito popular.

Para reconstruir o PT, a primeira coisa é rearmar o PT com uma plataforma de emergência, liberta das contradições de 13 anos, plataforma de defesa dos trabalhadores, dos direitos sociais dos oprimidos e das garantias nacionais.

Fora Temer, Nenhum Direito a Menos, esta é a questão central. Tudo deve ser feito para derrotar o golpe. Por isso, foi um grave erro apoiar o golpista Maia (DEM) para presidente da Câmara, onde vai encaminhar os projetos de lei que atacam os trabalhadores.

Neste momento, a CUT discute um movimento de greve geral. O PT deve se engajar nesse movimento. A Frente Brasil Popular também, como importante instrumento unitário de mobilização, mas que não substitui o PT.

O Fora Temer deve significar também a ruptura com as políticas dos governos federais de “acordo nacional com o PMDB” para o verdadeira plataforma popular:
  • fim do superávit fiscal primário, derrubada dos juros e centralização cambial,
  • nenhuma privatização, petróleo 100% estatal, reestatização da Vale
  • reindustrialização e proteção comercial
  • reforma agrária, titulação da terras quilombolas e demarcação das terras indígenas
  • reforma urbana
  • não a reforma da previdência
  • fim das OS’s, verbas públicas apenas para o serviço público
  • vagas para todos nas universidades públicas
  • desmilitarização da polícias, revogação da lei de anistia e punição dos criminosos
  • defesa dos direitos das mulheres, como direito ao aborto
  • contra toda forma de discriminação e opressão
O Fora Temer deve enquadrar a campanha eleitoral municipal – uma luta extrema em defesa do PT – com a recusa de acordos com golpistas no 1o turno e também no 2o turno.

Defendemos alianças, sim, mas com PCdoB e PSOL, além dos setores populares de partidos como do PDT e PSB, com base numa plataforma de medidas populares:
  • pontos a serem concretizados em cada município, de transporte, de saúde, de educação, de moradia, de creches, de política para os servidores e outros.
Propostas urgentes para reconstruir o PT:

São várias as questões, os petistas sabem onde o calo dói, mas tudo começa pela reforma no PT, aliás, necessária para a própria reforma política.

E começa pelo Fim do PED, modelo decalcado das instituições do sistema político corrupto ao qual o PT se adaptou, fator de degeneração do partido.

Um partido de massas não tem que ser uma partido de massa de manobra!

Falando claro: fracassaram todas as meias-reformas “moralizadoras” e as maquiagens dos últimos congressos. Não há alternativa à democracia de base militante. Portanto, fim do PED, com a volta a eleição de delegados e direções em encontros de base deliberativos. Fundo eleitoral interno exclusivo para as chapas.

A reforma prosseguirá com medidas para imprensa partidária, a mudança de relação com as bancadas, rodízio parlamentar, efetiva política de nucleação e setoriais etc.

Convidamos todos os petistas, grupos e tendências, dispostos a, sobre essa base, se associar desde o princípio à uma discussão livre que desemboque numa tese completa no Encontro Extraordinário.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O PT abandonou o programa republicano

Sexta, 26 de fevereiro de 2016
Do Correio da Cidadania
www.correiocidadania.com.br
Escrito por Mário Maestri*
O princípio de governo para o bem do povo nasceu quando da democracia ateniense. Porém, então, povo restringia-se aos cidadãos e excluía cativos, libertos, estrangeiros. A Revolução de 1789 procurou institucionalizar o salto de qualidade que ensejou no relativo aos direitos, ao governo e à ética republicana. Na Europa, partidos socialistas, expressando os trabalhadores, radicalizaram os programas levantados por forças burguesas na luta contra o absolutismo. Recuperavam-nos, ao proporem suas limitações, por não revolucionar o coração do mundo social: a propriedade e as relações de produção.

Na descontinuidade qualitativa, há muito de confluência entre o programa republicano e o programa socialista. O primeiro propõe que o segundo vai muito além do desejável; o segundo defende que, até mesmo para a realização dos preceitos republicanos e democráticos, é necessário revolucionar os fundamentos sociais, de onde emanam – para se reproduzirem – as desigualdades de todo o tipo.

O republicanismo exigia honestidade estrita na administração, com respeito sagrado aos bens públicos. É seu preceito maior a separação radical das atividades públicas e privadas, com destaque para a vida civil e doméstica. O administrador republicano deve ter comportamento exemplar. A ele pede-se recato, sobriedade e austeridade, pública e pessoal. Ele deve ser intransigente defensor do laicismo, da separação da religião e Estado, espaço de convivência da sociedade como um todo.

A educação pública de qualidade foi referência primordial da ordem que se pensou republicana. Na França, na Itália etc., no geral, os colégios privados são ainda para os alunos endinheirados que não suportam as exigências elevadas do ensino público. No contexto de visão de que os direitos civis mínimos deviam ser garantidos para todos, assegurou-se o acesso da educação superior a todos os jovens que terminavam o ensino secundário.

O programa republicano secularizou os cemitérios e os registros civis e, atualizando-se, avançou o reconhecimento dos direitos das mulheres ao voto, ao mesmo salário, à autonomia no casamento, a decidir sobre seus corpos - ou seja, de interromper a gestação. Em países de forte catolicismo - Itália, Espanha etc. -, republicanos e socialistas lutaram juntos por essa conquista. O direito à expressão e à igualdade da homoafetividade ganha enorme espaço nos últimos anos, apoiado na tradição de tais embates.

PT: do que foi ao que é

Nos seus primórdios, o Partido dos Trabalhadores deu-se como programa a realização dos princípios republicanos e democráticos, no processo de luta por sociedade socialista. Muito cedo, na luta pela conquista e permanência na gestão do Estado, a direção petista abandonou a defesa dos pontos programáticos iniciais. Primeiro, rejeitou-se a proposta da revolução da estrutura social e passou-se a propor ampliação - que alguns prometiam radical - da sociedade capitalista.

Alguns teóricos da debandada programática anunciaram uma próxima “economia social de mercado”. Ou seja, um capitalismo social onde todos, exploradores e explorados, se sentariam à mesa do consumo, com pratos e garfos diversos, é claro. Nos últimos anos, para festejar essa conquista, definiu-se arbitrariamente o Brasil como sociedade dominada por uma “nova” classe média, dita “emergente”. Milagre obtido com a ajuda de institutos públicos de estatística, que promoveram famílias afundadas na necessidade a núcleos acaudalados, por terem refrigerador, televisão, computador.

Para os que queriam ver, não houve surpresa na derrapagem incessante do petismo, a serviço do grande capital desde o primeiro governo presidencial. A enfermidade da adesão ao Estado já se revelara na administração das prefeituras e estados; em vereadores, deputados, senadores, funcionários etc. O socialismo não era mais proposto, nem mesmo em dia de festa, sequer para os  horizontes mais distantes. A grande surpresa foi o rompimento com o programa republicano. A política como forma de progressão social se alastrou como vírus nas hostes petistas. As mordomias foram distribuídas e disputadas com a sem-cerimônia dos partidos da direita tradicional.

Com o passar dos anos, a corrupção geral, os favores, os apadrinhamentos, as afinidades estranhas, o “é dando que se recebe” etc. alcançaram níveis inimagináveis. Progrediram esposas, filhos, sobrinhos, amantes. O luxo explícito passou a ser qualidade, não desaire em militante social. Automóveis, apartamentos, sítios, restaurantes, cirurgias plásticas, viagens de jatinho, hotéis deslumbrantes, contubérnio com os maiores donos da riqueza e do poder do país. Tudo era pouco, nada era demais. A festa parecia não ter fim.

No Templo de Salomão

Na luta insana para manter-se no governo, as concessões começaram a ser feitas em esferas antes inimagináveis. As religiões e seus ministros, nas suas expressões ditas elevadas e nas reconhecidamente mais prostituídas, foram cortejados e cobertos de favores e privilégios. Para elegerem-se, os maiores líderes do petismo beijaram as mãos de papas, de bispos, de padres, de pastores, alguns deles estelionatários de dimensão internacional. Diante dos olhos do Brasil republicano perplexo, Dilma Rousseff se ajoelhou no Tempo de Salomão.

Para garantir as eleições, os recursos públicos foram incinerados em renúncias fiscais faraônicas; em juros subsidiados, à custa da população, para o grande capital; em programas de cedência miserável de recursos para os necessitados, enquanto se estimavam valores miseráveis para o salário mínimo; na concessão de todos os favores e facilidades para o capital bancário. Não houve setor que não fosse irrigado, sabendo-se que, a seguir, seria a população e os trabalhadores a pagarem a conta. Como agora já pagam.

Na procura de manter o acasalamento promíscuo com o poder, mercadejou-se com o fundamentalismo religioso os direitos civis e republicanos mais elementares. Não houve exigência do integralismo religioso que não fosse facilitada. Manteve-se e mantém-se a mulher à margem do direito da interrupção voluntária da gravidez, mesmo quando a despreocupação com a sanidade e a saúde do país ameaça os fetos nos próprios úteros maternos. Não se reconhece os mais mínimos direitos à homoafetividade.

Na reconversão em partido da ordem e de governo a qualquer curso, o PT renunciou, sem qualquer delonga, ao programa socialista e, a seguir, aos princípios democrático e republicano, para se transformar em organização populista pró-capitalista. E, nesse momento, para não ser defenestrado da sinecura federal, empreende ataque geral aos salários, ao consumo popular, ao emprego, aos direitos civis, à legislação trabalhista etc.

Passa, portanto, a depender essencialmente da burocracia que construiu em sua longa jornada e da indiscutível satisfação do grande capital, que compreende que retorna aos bons tempos de Collor e de FHC, onde tudo era possível.

Leia também:







*Mário Maestri, 67, é historiador.

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Vídeo de Lula no aniversário do PT (36 anos) : cerimônia de ocultação de esqueletos na penitência da Quarta-Feira de Cinzas do início da Quaresma 2016

Sábado, 13 de fevereiro de 2016

PT, 36 anos: ocultando esqueletos na Quaresma

"Dez de Fevereiro de 2016, Quarta-Feira de Cinzas do calendário cristão: não poderia ter sido mais simbolicamente melancólica e depressiva a data comemorativa da passagem dos 36 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores o PT. Salvo se ocorresse uma nova etapa da Lava Jato (que alguns previam mas não aconteceu). O Japonês da Federal, ou outro agente da PF, batendo na porta de alguns de seus maiorais, às primeiras horas da manhã, em apartamentos, mansões, sítios e condomínios privados de São Paulo, Brasília, Rio ou Salvador."

Leia aqui a íntegra do artigo do jornalista Vitor Hugo Soares, editor do Blog Bahia em Pauta.

sábado, 10 de outubro de 2015

A verdade é revolucionária. O maniqueismo, uma muleta para simplórios e fanáticos

Sábado, 10 de outubro de 2015
Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
A crise de identidade dos 35 anos está sendo pior ainda...
Neste sábado (10) trouxe para cá um artigo magistral de Demétrio Magnoli, pelo qual muitos companheiros normalmente passariam batidos por puro preconceito. Dei-lhes a chance de conhecerem um dos mais eloquentes libelos já lançados contra a guerra ao terror de George Bush e toda a paranoia referente ao terrorismo.
Magnoli é um dos muitos críticos do petismo que estão longe de serem reacionários e/ou vendidos à direita, mas que ficaram com tal pecha graças à faina repulsiva dos assassinos de reputações.
Trata-se de uma das práticas mais chocantes de uma esquerda desvirtuada e aburguesada, que um dia pregou a revolução mas hoje se limita a buscar, manter e tentar expandir seus nacos de poder dentro do capitalismo, pois agora é movida pelo poder, só o poder e nada mais do que o poder; crava os dentes no osso com tal sofreguidão que até os trinca...
É por isto que em 2015 foi escorraçada das ruas; seu habitat natural hoje são os gabinetes luxuosos dos governos e a sede de entidades e sindicatos cada vez mais inócuos e domesticados.
Quanto mais a esquerda chapa branca se afasta da revolução, mais investe no maniqueísmo e na satanização para desqualificar seus críticos e opositores. Como na última campanha presidencial, quando desconstruiu Marina Silva com métodos de fazerem inveja a Joseph Goebbels, seu longínquo inspirador.
O grande guru da rede chapa branca 
Marina marchava para uma vitória inevitável, pois tinha tudo para chegar ao 2º turno, sepultando as chances de reeleição de Dilma Rousseff, já que os tucanos, fora do páreo, necessariamente despejariam seus votos na ex-seringueira. Então, os petistas transtornados com a perspectiva de perderem suas boquinhas e míopes a ponto de não perceberem que seria uma grande roubada governarem o país quando o grande capital exigia um devastador arrocho fiscal (e eles jamais ousariam deixar de atendê-lo!), optaram por desconstruírem-na a qualquer preço. 
Chegaram ao cúmulo de apontá-la como fantoche do Banco Itaú, apenas porque uma herdeira entediada da família proprietária lhe dava apoio, tanto quanto apoiara o candidato petista a prefeito (Fernando Haddad) na eleição anterior. Bastaria um pingo de honestidade e uma pesquisa de três minutos na internet para se constatar que a tal Neca Setúbal não apitava nada nas decisões do grupo, limitando-se a receber sua gorda mesada e gastá-la em cruzadas edificantes. [Paradoxalmente, seria Dilma quem comeria nas mãos do presidente do Banco Itaú, Luís Carlos Trabuco, a ponto de convidá-lo para ministro da Fazenda e, face à recusa, aceitar que ele indicasse para o posto um de seus funcionários menores, o inexpressivo Joaquim Levy].
Isto não impediu que, repetindo dia e noite esta e outras mentiras cabeludas (como a de que a autonomia do Banco Central fosse uma espécie de fim do mundo...), a central de guerra psicológica e desinformação petista acabasse por desviar de Marina votos de classe média em proporção suficiente para alijá-la do 2º turno, assegurando a reeleição de Dilma, seu impeachment vindouro e a destruição do PT, que talvez nunca mais eleja um presidente como consequência de sua extrema desmoralização em 2015. Mágica mais besta, impossível!
E o que foi que a Dilma e o Levy fizeram?!
É da mesma forma, embora com menos fúria homicida, que são tratados muitos intelectuais independentes, como Magnoli, que não rezam sempre pela cartilha petista nem se alinham em todas as questões com a direita. Nos bons tempos da esquerda civilizada, procurava-se atrair pessoas desse tipo, principalmente quando eram brilhantes, ao invés de hostilizá-las encarniçadamente, como se o desejável fosse atirá-las nos braços do inimigo.
Faço questão de registrar que alguns petistas andam incomodados com meus artigos I-N-D-E-P-E-N-D-E-N-T-E-S e começaram a postar comentários na mesma linha goebbelsliana. P. ex., um me acusou de copiar um reaça menor que eu nem sequer conhecia, não aceitou minha negativa, voltou à carga alegando que eu publicara uma imagem qualquer da Dilma que havia saído no blogue do dito cujo e novamente ignorou minha paciente explicação de que garimpo imagens no Google e nunca me interessei por sua proveniência, só por sua pertinência.
Como ele insistisse no seu delírio inicial, deixei de autorizar seus comentários, pois não vejo sentido nenhum em debater com quem quer me fazer passar por mentiroso. Não sou nenhum moleque, tenho uma trajetória de quase cinco décadas de luta contra a direita e seus porta-vozes.
Na esteira veio mais um fanático batendo na mesmíssima tecla e ainda botando outra ovelha negra na relação dos meus pseudos-inspiradores, o Olavo de Carvalho. Seria cômico se não fosse trágico pois, quando alguns esquerdistas fugiam covardemente dos reiterados desafios lançados pelo OC, fui eu que ergui a luva e polemizei com ele, provando que não passava de um tigre de papel (vide aqui).
A mim, jamais intimidarão! Muito menos recorrendo a tolices e chutes na virilha...
A esquerda precisa muito mais de militantes que de votantes
Sempre afirmei que deter presidências da República, para revolucionários, tem importância meramente TÁTICA, não sendo nem de longe para nós um objetivo ESTRATÉGICO.
Quando estão ajudando a alavancar a revolução, devem ser defendidas. Quando se tornam baluartes do neoliberalismo, que os banqueiros as defendam. É simples assim.
Se houver ameaça de tanques nas ruas, arriscarei novamente a vida para evitar outra ditadura. Mas, enquanto a coisa se mantiver nos marcos constitucionais, estarei priorizando é a reconstrução da esquerda, pois depois do tsunami teremos muito o que fazer, juntando os cacos e tentando reencontrar nosso caminho. 
Torço e darei minha melhor contribuição para que a esquerda extraia deste desastroso 2015 a lição de que precisa desesperadamente voltar às raízes, reassumindo suas bandeiras históricas e recolocando como objetivo supremo o fim do capitalismo e a construção de uma sociedade fundada na justiça social e na verdadeira liberdade.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

'Ou se rompe totalmente com o PT ou seremos engolidos pela onda conservadora’


Segunda, 28 de Setembro de 2015
Do Correio da Cidadania

Escrito por Gabriel Brito e Paulo Silva Junior, da Redação (jornalistas)

O Brasil continua observando a crise política que a cada dia parece imobilizar mais o governo Dilma, que agora promove reforma ministerial para atender às mais recentes chantagens de seu principal “aliado”, como se vê na pasta da Saúde. Ao lado disso, mais de 260 petistas eleitos se desfiliam do partido e começam a configurar um novo cenário. Sobre o complexo quadro político, conversamos com o sociólogo carioca Marcelo Castañeda.

“É uma pena que a justa indignação seja capitaneada por segmentos mais conservadores da direita.  No momento, mantém-se uma polarização, que é sórdida, entre PT e PSDB e sua alternância, ou não, no governo federal. Está faltando à institucionalidade uma via diferente, que rompa com isso. Não é o PMDB e tenho dúvidas também se a Marina e a Rede seriam tal alternativa, ainda mais depois da última campanha eleitoral”, analisou Marcelo.

Para o sociólogo, mais entusiasta da micropolítica, como demonstra sua atuação no grupo de formação Círculos de Cidadania, o país vê fechar-se uma brecha democrática aberta pelas manifestações de junho de 2013. A seu ver, elas sepultaram de vez o PT como esperança de uma sociedade mais justa. Por isso, e por acreditar que o governo Dilma “não tem muito mais a fazer”, defende a ruptura definitiva com o lulopetismo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Dilma poderá ser lembrada como uma guerreira derrubada pelas elites ou uma guerrilheira que virou suco

Sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Na abertura do seu clássico Conversa na Catedral, Mario Vargas Llosa perguntou em que momento o Peru tinha se f... No caso do PT, eu apontaria três momentos:
  • quando a votação pífia que obteve na eleição de 1982 levou os dirigentes a decidirem evitar dali em diante a identificação com a resistência à ditadura. Naquele pleito, a propaganda eleitoral gratuita, obedecendo à Lei Falcão, restringia-se à leitura de dados e exibição de fotos dos candidatos. Muitos do PT, orgulhosamente, citaram o tempo de cárcere cumprido como presos políticos. A direita retrucou com desqualificações do tipo "eles não têm currículos, têm fichas criminais". E, ao invés de defenderem o direito que os seres humanos dignos deste nome tinham de combater a tirania, os petistas passaram a não tocar mais no assunto em campanhas eleitorais. Foi quando negaram a revolução pela primeira vez.

  • quando, respondendo às acusações públicas de um militante exemplar contra o safado que pilotava o primeiro grande esquema de desvio de recursos dos cofres públicos para o partido, expulsou o acusador, emitindo sinal verde para a corrupção (vide aqui). Foi quando, optando pela moral deles e sepultando a nossa, o PT negou a revolução pela terceira vez.
O resto foi consequência: ao colocar a conquista do poder sob o capitalismo como objetivo supremo, evidentemente acima da revolução, preparou o caminho para o pacto sórdido firmado com os donos do Brasil em 2002: se vocês não interferirem, deixando-nos ganhar a eleição e assumir o poder, abdicaremos de fixar nós mesmos as diretrizes macroeconômicas, acatando fielmente as determinações do grande capital e contemplando sempre seus interesses. Lula assumiu com autonomia apenas sobre os ministérios das miudezas, pois quem dava as cartas nos ministérios econômicos era a burguesia.

No início o esquema funcionou a contento por se tratar de um período altamente favorável às commodities brasileiras, tanto que sob Lula o PIB cresceu 4% ao ano. Era o suficiente para saciar o pantagruélico apetite dos grandes capitalistas, sobrar um tantinho a mais do que antes para colocar na mesa dos pobres (insuficiente, contudo, para caracterizar a emergência de uma nova classe média, mera propaganda enganosa...) e ainda queimar rios de dinheiro em barganhas com os partidos fisiológicos, comprando seu apoio mediante o loteamento de Pastas e cargos, além, é claro, do por fora de mensalões e petrolões.



A maré virou no primeiro governo de Dilma Rousseff, quando a evolução do PIB caiu para a metade (2,1%). Então, tornou-se impossível contentar, ao mesmo tempo, o grande capital,  os trabalhadores e os sanguessugas da política. As receitas se tornaram insuficientes para bancar os privilégios da burguesia e a gastança do Estado.

O poder econômico passou a exigir um arrocho fiscal e uma recessão purgativa, que faria os outros dois contingentes perderem espaços conquistados, enquanto os burgueses manteriam sua prosperidade escandalosa.

Eu alertei que um partido dito dos trabalhadores implementar uma política econômica tão desfavorável aos trabalhadores o destruiria. Era o momento de o PT, ou renegar o pacto mefistofélico firmado em 2002 e propor uma alternativa à ortodoxia capitalista, ou deixar em outras mãos o acatamento das exigências do grande capital (bastaria, p. ex., não ter desconstruído a candidatura de Marina Silva com a campanha de satanização mais falaciosa da política brasileira em todos os tempos).

Nem uma coisa, nem outra. Dilma se reelegeu na bacia das almas e, de imediato, pôs-se a satisfazer aos verdadeiramente poderosos, entregando a condução da economia ao neoliberal convicto e assumido Joaquim Levy (ademais, um economista de segunda categoria, sem currículo à altura do posto).

Deu no que deu. O fato de, na campanha eleitoral, haver jurado solenemente que não faria o que incumbiu Levy de fazer, deixou em frangalhos a popularidade de Dilma. E um governo fraco e sem credibilidade não consegue fazer com que burguesia, trabalhadores e sanguessugas consintam em sacrificar-se para que as contas públicas voltem a um mínimo equilíbrio. Os três contingentes defendem seus interesses e Levy foi imobilizado e anulado, enquanto a situação econômica se deteriora cada vez mais.

Dilma está desmoralizada demais para qualquer acordo entre o capital, o trabalho e a ociosidade ser firmado em seu governo. O governo cairá antes, pois o que se empenham em derrubá-lo não têm motivo nenhum para recuarem agora, que estão com a faca e o queijo nas mãos. É simples assim.

Então, as opções que lhe restam hoje não passam de duas:

  • a renúncia antes de ser impedida, para não conceder triunfo tão apoteótico aos inimigos; ou
  • uma guinada corajosa à esquerda, decidindo que o aumento da arrecadação deve ser em detrimento dos que têm demais e sempre foram privilegiados e não dos trabalhadores sempre tosquiados, além de extinguir o sem-número de Pastas e cargos que só servem como moeda de barganha política e cabides de emprego.

Sem ilusões, é tarde demais para Dilma salvar seu mandato. Mas pode, ainda, salvar a reputação.

Se tiver a burguesia (até o Trabuco...) coesa contra si e os parlamentares contrariados sequiosos de retaliarem com o impeachment, a queda virá a toque de caixa. E daí? Por acaso é preferível à atual agonia lenta, com o mesmíssimo desfecho no final da linha?

Mas, pelo menos Dilma seria lembrada como uma guerreira derrubada pelas elites e não como uma guerrilheira que virou suco (por ter passado a defender os interesses burgueses e mesmo assim recebido da burguesia um solene pé na bunda).

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"QUEM ESTÁ TIRANDO DILMA DO PODER (...) SÃO OS RATOS QUE O PT NÃO TEVE CORAGEM DE EXPULSAR"

Segunda, 10 de agosto de 2015

Do Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Há alguns anos eu venho sendo adversário do PT, não em função de um inverossímil desagrado com o que ele tem de esquerda, mas sim por, coerentemente, não me conformar com o quanto ele deixou de ser de esquerda.
Seus rolos compressores virtuais, contudo, sempre confundiram esta nuance, colocando todos os opositores no mesmo saco de inimigos das conquistas sociais,quinta-colunas a serviço da burguesiacoxinhas, etc. Praticam um terrorismo pior do que estalar bombinhas onde não tem ninguém à noite.
Então, é com muito prazer que vejo o inconformismo com a direitização do PT --pois, noves fora, se trata disto-- aflorar em todos os cantos. O embuste acabou. O PT hoje desagrada tanto à direita que quer tomar-lhe o poder, quanto à esquerda que gostaria que ele fizesse um uso mais digno e coerente do poder. E confundir maliciosamente os dois universos não engana mais ninguém.
De quantos agora estão vindo a público expressar seu desencanto, um dos melhores texto é este Por que odiar o PT, do ator e escritor Gregório Duvivier. Vale a pena reproduzi-lo na íntegra:
A primeira vez que me deparei com uma urna eletrônica foi para votar no Lula. E Lula se elegeu, depois de três tentativas malfadadas. Lágrimas grossas escorriam pelo meu rosto: com a prepotência característica dos 16 anos, tive a certeza de que era o meu voto que tinha feito toda a diferença.
A rua estava cheia de pessoas da minha idade que tinham essa mesma certeza. O Brasil tinha acabado de ganhar uma Copa do Mundo, mas a euforia agora era ainda maior: foi a gente que fez o gol da virada. Parecia que o Brasil tinha jeito, e o jeito era a gente –essa gente que nasceu de 1982 a 1986 e votava agora pela primeira vez.
Acabaram-se os problemas do Brasil –a gente chegou. Lembro das ruas cheias, das bandeiras do PT, lembro de abraçar desconhecidos na Cinelândia –Lula lá, brilha uma estrela.
Logo vi que não era o meu voto que tinha feito o Lula se eleger, nem o dos meus amigos, nem o da minha geração. Quem elegeu o Lula –isso logo ficou claro– foi o José Alencar, os Sarney, o Garotinho, foi aquela Carta aos Brasileiros e a promessa de que o Lulinha era Paz, Amor e Continuidade. Sobretudo continuidade.
Lula só alugou esse apartamento por quatro anos porque assinou um contrato de locação onde prometia entregar o imóvel i-gual-zi-nho. E Lula, por quatro anos, foi um inquilino dos sonhos –tanto é que renovou o contrato e ainda foi fiador da locatária seguinte. Fizeram algumas mudanças –as empregadas passaram a ganhar mais–, mas não fizeram o mais importante: uma desratização. Muito pelo contrário: os ratos de sempre fizeram a festa.
Caros amigos que odeiam o PT: podem ter certeza de que odeio o PT tanto quanto vocês –mas por razões diferentes. Odeio porque ele cumpriu a promessa de continuidade. Odeio porque ele não rompeu com os esquemas que o antecederam. Odeio por causa de Belo Monte e do total descompromisso com qualquer questão ambiental e indígena. Odeio porque nunca os bancos lucraram tanto. Odeio pela liberdade e pelos ministérios que ele deu ao PMDB. Odeio pelos incentivos à indústria automobilística e à indústria bélica. Odeio porque o Brasil hoje exporta armas para Iêmen, Paquistão, Israel e porque as revoltas do Oriente Médio foram sufocadas com armas brasileiras. Odeio porque acabaram de cortar 3/4 das bolsas da Capes.
O PT é indefensável –cavou esse abismo com seus pés. Mas assim como não fomos nós que elegemos Lula, engana-se quem vai às ruas e acha que está tirando Dilma do poder. Quem está movendo essa ação de despejo são os ratos que o PT não teve coragem de expulsar. (Gregorio Duvivier)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Aliança maldita deu no que deu

Quinta, 25 de junho de 2015
'A direção do Partido dos Trabalhadores, pelas opções que fez, pelo caminho que escolheu e pela aliança maldita com os donos do capital, é sim a grande responsável pela difícil conjuntura do país, com grave crise econômica e política e com acelerado agravamento da situação social.'
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Do Correio da Cidadania
Escrito por Hamilton Octavio de Souza
O povo brasileiro está pagando caro, agora, o preço de uma aventura política e eleitoral iniciada em 2002 quando a principal liderança do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, conduziu o partido a uma aliança com as forças tradicionais do empresariado e do conservadorismo nacional. Desde então, o que se viu foi o ataque paulatino às esquerdas, dentro e fora do PT, a completa domesticação dos sindicatos e movimentos sociais mais combativos na área de influência petista, a despolitização da luta de classes e uma escalada ainda incompleta de concessões ao capital, à direita e aos postulados do neoliberalismo.
Anteriormente, os governos de Collor de Mello e de Fernando Henrique Cardoso já haviam bombardeado as atribuições do Estado, desmantelado a Constituição de 1988, retirado direitos dos trabalhadores e escancarado o país aos interesses mais mesquinhos e predadores dos capitais nacional e internacional. Vivemos o pior dos horrores de 1990 a 2002, com a liquidação do patrimônio público nos leilões das privatizações, com a “flexibilização” das leis trabalhistas e a entrega das atividades essenciais, entre as quais saúde e educação, ao jogo dos mercados.
Mas, até então, amplos setores populares e a maioria das organizações sociais e de esquerda formavam as mais diferentes trincheiras da oposição. Os campos de delimitação entre esquerda e direita, progressistas e conservadores, defensores da soberania nacional e entreguistas, defensores do Estado prestador de serviços públicos e privatistas, ambientalistas e predadores dos recursos naturais, defensores dos direitos humanos e apoiadores da truculência punitiva contra os mais pobres e excluídos, estavam bem mais claros e definidos, sem a confusão de uma geleia geral.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

PT está preso em um labirinto

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Quarta, 17 de junho de 2015
Do site Operamundi
Por Breno Altman
A percepção de muitos observadores e participantes, finalizado o V Congresso, é que nada mudou no Partido dos Trabalhadores.
Quem assim conclui, registra alguns fatos inquestionáveis: não houve alteração em seu núcleo dirigente, o partido continua prestando apoio à política econômica do governo, o sistema de alianças não foi revisto e a forma de eleições internas permanece essencialmente intacta.
Mas este diagnóstico de paralisia é versão superficial dos fatos.
A situação tem características mais originais e perigosas: o PT, desde 2013, com idas e vindas, vem trilhando elaboração estratégica que colide com decisões práticas para a ação política.
Diversas resoluções partidárias, especialmente depois das eleições presidenciais de 2014, identificam o esgotamento do modelo econômico marcado por políticas distributivas sem reformas estruturais, pregam por estratégia de mobilização como fator de governabilidade e apontam para uma nova política de alianças que tenha como núcleo os setores mais progressistas.

No 5º Congresso, a crise do PT persiste, mas a resistência cresce

Quarta, 17 de junho de 2015
Deu no dialogopetista, em 16/6
O 5º Congresso do PT, cuja segunda etapa foi realizada neste final de semana, terminou sem que fossem dadas respostas concretas aos principais problemas enfrentados pelo partido. A corrente majoritária conseguiu fazer aprovar o apoio à política econômica de Dilma-Levy e impediu a volta dos encontros de base, mantendo o PED.
As votações apertadas, porém, indicam que a crise interna permanece e que aumenta a resistência da base partidária à política de adaptação da direção, que leva o partido à paralisia.