Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sábado, 21 de janeiro de 2023

ENTREVISTA —“O que incomoda é a origem da nossa religião”, reflete Makota Celinha

Sábado, 21 de janeiro de 2023

21 de janeiro é Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil, em homenagem à Mãe Gilda — Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em 2022, cerca de 500 denúncias de violações de direitos humanos foram motivadas por intolerância religiosa

Amélia Gomes
Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG | 21 de Janeiro de 2023

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é marcado em 21 de janeiro. A data foi instituída em 2007 em memória à Mãe Gilda, vítima fatal do racismo religioso no Brasil. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.519, que institui o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, que será celebrado em 21 de março.

Apesar dos esforços, os casos de violência praticadas por intolerância religiosa ainda são constantes no cotidiano brasileiro. Para falar sobre a data e avaliar o cenário no país, o Brasil de Fato MG entrevistou Makota Celinha Gonçalves, coordenadora do Centro Nacional de Africanidades (Cenarab).

Makota Celinha também é jornalista, empreendedora social e diretora, em Minas Gerais, da Associação Brasileira de ONGs (Abong). Na entrevista, ela avalia os retrocessos sociais que o conservadorismo trouxe ao povo brasileiro e aponta avanços para o próximo período.


Confira:

Brasil de Fato MG – Dados apontam que em 2022 foram registradas quase 500 denúncias de violações de direitos humanos cometidas por motivações religiosas. Qual sua avaliação do cenário em que vivemos?

Makota Celinha – O cenário que estamos vivendo nos últimos anos é amedrontador. Nos remete a questões viscerais de convivência coletiva, em sociedade. Quando penso que o 21 de janeiro existe para que nós não nos esqueçamos da morte de Mãe Gilda, fico triste. Mãe Gilda é uma das mártires do racismo religioso que vivemos neste país. E, nos últimos anos, o que temos visto é um Estado cada vez mais fomentador do racismo, do ódio, do preconceito, da discriminação.

ÁSÈ —Resistência secular no DF: terreiros de religiões afro-brasileiras combatem racismo religioso

Sábado, 21 de janeiro de 2023

Em 21 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa - Tony Winston/Agência Brasília

'Somos uma das bases da cultura brasileira, na vestimenta, na culinária, na música', afirma yalorisá

Bianca Feifel
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 21 de Janeiro de 2023

Ora invisibilizados, ora perseguidos, os terreiros de religiões de matriz afro-brasileira resistem no Distrito Federal e Entorno e dão continuidade ao trabalho secular de acolhimento, caridade e cura.

Hoje, 21 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O Brasil de Fato DF conversou com lideranças de terreiros a respeito da importância da data.

Resistência

Mãe Baiana, Yalorisá do Ylê Axé Oyá Bagan, assiste em seu terreiro pessoas de várias regiões, como Itapoã, de Paranoá, de Varjão, de São Sebastião.

“Pessoas negras, pessoas pobres, pessoas que batem na porta precisando de um prato de comida. Agora na pandemia, o terreiro fez esse papel de levar a cesta básica, de orientar as pessoas, principalmente a saúde mental delas. Mesmo sem poder vir ao terreiro, elas foram assistidas através do WhatsApp. As pessoas ligavam e a gente atendia. Temos também um atendimento semanal com o caboclo dentro do terreiro, que mexe com erva, com folha, que dá passe, dá defumação”, conta a yalorisá.

Para ela, que teve seu terreiro destruído por um incêndio em 2015, é importante chamar atenção para essa data, de forma que seja dada continuidade à luta.

A iminente recessão mundial

Sábado, 21 de janeiro de 2023

A iminente recessão mundial

AEPET —Associação dos Engenheiros da Petrobrás
Escrito por Prabhat Patnaik*
Publicado em 18/01/2023
Publicado em A-Destaque
 

Apesar do impacto na dívida dos países pobres presidente do Banco Mundial não fala sobre baixar juros

A diretora executiva do FMI, Kristalina Georgieva, admitiu agora abertamente que o ano 2023 testemunhará o abrandamento da economia mundial a um ponto em que até um terço da mesma verá uma contração real do produto interno bruto. Isto porque todas as três maiores potências econômicas do mundo, os EUA, a União Europeia e a China, testemunharão a um abrandamento, a última devido ao recrudescimento do Covid. Das três, acredita Georgieva, os EUA terão um desempenho relativamente melhor do que as outras duas devido à resiliência do seu mercado de trabalho. Na verdade, a maior resiliência do mercado de trabalho dos EUA proporciona alguma esperança para a economia mundial como um todo.

Há dois elementos irônicos nas observações de Georgieva. O primeiro é que as melhores perspectivas para a economia mundial de hoje, mesmo que o FMI o admita só implicitamente, residem no fato de os rendimentos dos trabalhadores nos EUA não caírem muito. Para uma instituição que tem defendido sistematicamente cortes nos salários, quer sob a forma de remunerações quer de salários sociais, como parte essencial das suas políticas de estabilização e ajustamento estrutural, esta é uma admissão surpreendente, embora bem-vinda. É claro que Georgieva, muitos argumentariam, encara a resiliência do mercado de trabalho dos EUA apenas como o resultado do desempenho econômico dos EUA e não como a sua causa. Mas ao considerá-la uma "bênção" (embora não uma bênção não pura por razões que veremos em breve) não deixa dúvidas de que o papel de sustentação da procura dos rendimentos dos trabalhadores também está a ser reconhecido por ela.

Alguns podem argumentar que as políticas de estabilização com ajustamento estrutural do FMI são tipicamente destinadas a economias em crise, como um meio de ultrapassar tal crise, e não como uma panaceia para o crescimento, de modo que ver uma mudança no entendimento do FMI a este respeito pode ser injustificado. Mas o que o FMI está agora a dizer certamente está em desacordo com o que costuma dizer; está de fato a admitir que um mercado de trabalho resiliente nos EUA é benéfico para o seu crescimento, o que levanta a questão: porque é que outras economias também não deveriam tentar ter mercados de trabalho resilientes, mesmo quando estão em crise, e enfrentar as suas crises através de outros meios, mais diretos, como o controlo das importações e o controle dos preços? Admitindo que a resiliência do mercado de trabalho dos EUA pode ser benéfica para a sua economia, e por conseguinte para a economia mundial como um todo, vai assim fundamentalmente contra o que o FMI geralmente apresenta, pelo menos nos atuais tempos neoliberais.

O segundo elemento irônico nas suas observações é o seu reconhecimento de que um tal mercado de trabalho resiliente, embora benéfico para o crescimento dos EUA, irá simultaneamente manter a taxa de inflação nos EUA, forçando o Federal Reserve Board a aumentar ainda mais as taxas de juro. Isto tem duas implicações claras. Em primeiro lugar, significa que a taxa de crescimento dos EUA, embora seja por enquanto menos afetada, será inevitavelmente restringida nos próximos meses à medida que a Reserva Federal aumentar a taxa de juro. O desempenho relativamente melhor dos EUA em 2023 não é, portanto, um fenómeno que irá perdurar muito tempo. Uma vez que qualquer mau desempenho dos EUA terá um efeito adverso sobre a economia mundial como um todo, isto equivale a dizer que a recessão mundial se agravará nos próximos meses, a menos que a situação do Covid na China melhore substancialmente. Por outras palavras, equivale a dizer que, mesmo que em 2023 apenas um terço da economia mundial enfrente recessão, uma parte muito maior da mesma cairá mais tarde vítima da recessão. Esta é certamente a mais terrível previsão feita sobre as perspectivas do capitalismo mundial na atual conjuntura por qualquer porta-voz importante do mesmo.

O Banco Mundial também tem alertado para uma recessão grave que paira sobre o mundo capitalista e tem discutido em particular as suas implicações para as economias do terceiro mundo. Em Setembro de 2022, publicou um documento no qual esperava um crescimento de 1,9% da economia mundial no ano de 2023. Mas tanto o FMI como o Banco Mundial atribuem a iminente recessão principalmente à guerra da Ucrânia e à inflação a que esta deu origem (e também de passagem à pandemia); a resposta a essa inflação sob a forma de um aumento generalizado das taxas de juro é o que está subjacente à atual ameaça de recessão. Não há reconhecimento por parte destas instituições de qualquer problema decorrente da economia neoliberal que possa estar subjacente à crise que se avizinha.

Esta análise, acima de tudo, é errônea. Muito antes da guerra da Ucrânia, a inflação havia levantado a cabeça quando a economia mundial começava a recuperar da pandemia. Nessa altura, tal inflação fora atribuída à perturbação das cadeias de abastecimento causada pela pandemia, embora muitos tivessem discordado desta análise mesmo então. Haviam salientado que, mais do que qualquer perturbação real, o recrudescimento da inflação se devia em grande parte ao aumento das margens de lucro por parte das grandes corporações, em antecipação da escassez. A guerra da Ucrânia ocorreu contra este pano de fundo de uma inflação contínua, e acrescentou-se de forma bastante desnecessária quando as potências ocidentais impuseram sanções contra a Rússia.

Um olhar sobre o movimento dos preços do petróleo bruto confirma esta conclusão de que a guerra da Ucrânia não é a génese do recrudescimento da inflação. O aumento dos preços do petróleo bruto Brent ocorreu principalmente em 2021, quando a economia mundial começou a recuperar da pandemia: o aumento entre o início de 2021 e o final desse ano foi de mais de 50%, de 50,37 dólares por barril para 77,24 dólares por barril; o aumento correspondente em 2022, durante o qual verificou-se a guerra da Ucrânia, foi de 78,25 para 82,82, ou seja, de 5,8%, o que é menos do que a taxa de inflação atual na maioria dos países capitalistas avançados, apesar de geralmente se afirmar que a inflação tem sido impulsionada pelos preços do petróleo. É verdade, imediatamente após a imposição de sanções contra a Rússia, os preços mundiais do petróleo subiram, atingindo um máximo de 133,18 dólares por barril durante 2022, mas depois desceram bastante abruptamente como vimos, de modo que culpar simplesmente a guerra da Ucrânia pelo aumento dos preços não só é enganador (uma vez que não é a guerra em si, mas as sanções é que foram responsáveis), mas também errôneo (uma vez que os preços deveriam ter descido quando o aumento de preços induzido pelas sanções diminuiu).

Não é apenas a análise das instituições de Bretton Woods que é enviesada. Ainda mais notável é o facto de não terem qualquer percepção, mesmo dentro dos termos da sua própria análise, de como esta recessão mundial vai acabar. Se, como eles acreditam, é a guerra da Ucrânia que é responsável pela crise recessiva que se aproxima, então deveriam, no mínimo, ter esperado um fim precoce da mesma. Contudo, isso é inaceitável para o imperialismo ocidental o qual pretende que a guerra se arraste para que a Rússia "sangre" até à submissão. É por isso que as instituições gémeas não exprimem opiniões sobre a necessidade de pôr fim à guerra. Mas ainda que optassem por permanecer em silêncio sobre a questão de acabar com a guerra, elas poderiam ter exprimido alguma opinião acerca do combate à crise inflacionária de alguma outra forma que não fosse através do aumento das taxas de juro e do desencadeamento de uma recessão. O FMI e o Banco Mundial estão, porém, tão empenhados em mercados livres que não podem contemplar qualquer outra medida de controlo da inflação (tal como o controlo direto dos preços), ainda que lamentem os efeitos recessivos da subida das taxas de juro.

Da mesma forma, mesmo que o presidente do Banco Mundial, David Malpass se compadeça com os países do terceiro mundo sobrecarregados de dívidas que vão ser gravemente atingidos nos próximos meses, e diga até que uma grande parte da sua carga de dívidas surgiu devido às elevadas taxas de juro em si, não há uma só palavra no seu discurso a favor da redução das taxas. Por outras palavras, ambas as instituições de Bretton Woods são prolixas para apresentar compaixões mas lacônicas quanto a medidas concretas para ajudar os pobres do mundo.

Isto não é apenas um sintoma de timidez. Aponta para algo mais profundo, nomeadamente o verdadeiro impasse em que o capitalismo mundial hoje se encontra. Para que a estrutura do imperialismo ocidental, tal como tem evoluído ao longo dos anos, se mantenha intacta, então os países metropolitanos têm de manter em andamento a guerra da Ucrânia, caso em que a inflação ao ritmo atual torna-se inevitável na ausência de uma recessão engendrada e do consequente desemprego. O fato de o capitalismo mundial enveredar por esta via não deve, portanto, causar qualquer surpresa; a questão é resistir-lhe.

15/Janeiro/2023

*Prabhat Patnaik Economista, indiano, ver Wikipedia

O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2023/0115_pd/impending-world-recession. Tradução de JF.


Este artigo encontra-se em resistir.info

Viaduto Epig (Estrada Parque Indústrias Gráficas): DF terá que provar observância do procedimento legal

Sábado, 21 de janeiro de 2023

Prourb ainda quer audiência de conciliação e ampla participação popular para minimizar impactos da obra


Do MPDF

A Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), após obter decisão favorável em recurso interposto na ação civil pública que questiona o procedimento adotado para a construção do viaduto na Estrada Parque Indústrias Gráficas (EPIG), na interseção entre o Parque da Cidade e o Sudoeste, voltou a pedir na Justiça que a obra seja debatida com a população. 

O Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) anulou o processo judicial a partir da decisão que indeferiu a produção de provas, além de garantir a inversão do ônus probatório, ao prover a apelação interposta pelo Ministério Público contra a sentença que havia julgado improcedentes os pedidos formulados na ação. A partir de agora, caberá ao DF demonstrar que o procedimento legal para obras dessa natureza foi observado, especialmente em relação à participação social no processo decisório, fato que é questionado pela Prourb. 

“Se a intenção dos réus era mesmo beneficiar o transporte público coletivo, como se alega, certamente haveria formas mais eficientes, econômicas e ecologicamente sustentáveis de fazê-lo, mas nem isso foi possível discutir, já que a sociedade foi completamente alijada do processo administrativo decisório correspondente. Aliás, essa falta de participação social constitui a principal causa de pedir da demanda, embora não seja a única”, explica o promotor de Justiça Dênio Augusto de Moura da 1ª Prourb.

Ainda segundo o titular da 1ª Prourb, “grande parte dos danos que se pretendia evitar com a ação já foram concretizados, causando uma enorme ferida na malha urbana da cidade e colocando em risco o direito de ir e vir daqueles que, por opção ou falta de condições financeiras, não fazem uso do automóvel para se locomover, sobretudo os mais vulneráveis, como pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

AMAZÔNIA —Com Bolsonaro, desmatamento cresce 150%, pior marca já registrada pelo Imazon

Sexta, 20 de janeiro de 2023

Números do Imazon mostram destruição sem precedentes —Christian Braga/Greenpeace

Com devastação recorde em 2022, floresta perdeu o equivalente aos estados de Alagoas e Sergipe nos últimos quatro anos

Murilo Pajolla
Brasil de Fato | Lábrea (AM) | 20 de Janeiro de 2023

O desmatamento na Amazônia bateu o quinto recorde anual seguido em 2022 e atingiu a maior destruição dos últimos 15 anos, quando começou a série histórica da pesquisa. Com 10.573 quilômetros quadrados de área derrubada, a floresta perdeu em média quase 3 mil campos de futebol por dia no último ano.

Os números foram divulgados na quarta-feira (18) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e obtidos via monitoramento por satélites.

Entre 2019 e 2022, durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a área derrubada atingiu 35.193 quilômetros quadrados. O tamanho é maior do que os estados de Sergipe e Alagoas juntos. Na comparação com os quatro anos anteriores, o aumento foi de quase 150%.

Rio de Janeiro celebra Dia de São Sebastião, padroeiro da cidade

Sexta, 20 de janeiro de 2023
São Sebastião —Foto Prefeitura do Rio de Janeiro

=====================

Fonte: Agência Brasil -EBC e Rádio Agência Nacional
Por Solimar Luz - Repórter da Rádio Nacional - Rio de Janeiro

Vinte de janeiro é dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, e todos os caminhos levam os cariocas à Basílica, onde acontecem as principais celebrações da data. As homenagens ao santo católico começaram cedo, com a tradicional missa na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, na zona norte, celebrada pelo Cardeal Arcebispo Dom Orani Tempesta.

Presente à cerimônia, o prefeito Eduardo Paes, ressaltou a importância da data e reforçou a mensagem de Dom Orani durante homilia sobre superação em momentos difíceis da vida.

À tarde, uma carreata saiu da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, na zona oeste, em direção à Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, no centro da cidade. Onde, às cinco da tarde, foi celebrada missa em homenagem ao santo.

No dia de São Sebastião, cariocas e turistas ganharam um presente: além da limpeza da escultura de São Sebastião, local de fé e um dos pontos turísticos da cidade, o entorno do monumento, localizado na Praça Luís de Camões, na Glória, zona sul carioca, passou por ações de revitalização.

Segundo historiadores, Sebastião foi um soldado romano, martirizados por sua fé em Jesus. Ele chegou a ser considerado um dos oficiais prediletos do Imperador Diocleciano, mas, denunciado por ser cristão, foi condenado à morte. Amarrado a um tronco, foi atingido por flechas, mas se salvou. Recuperado, apresentou-se novamente ao imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas contra os cristãos e recebeu nova sentença, por não renegar sua fé. Foi açoitado até a morte, em 20 de janeiro do ano 288 da Era Cristã.

Sebastião de Narbona também é padroeiro dos soldados, além de ser considerado protetor contra a fome, a peste e a guerra. Nas religiões de matriz africana, no Rio, ele é sincretizado no Orixá Oxóssi, senhor da caça e da fartura.

Edição: Bianca Paiva / Guilherme Strozi

==========================


Gilberto Gil e Milton Nascimento - Sebastião

Vídeo postado no Youtube em 2 de abril de 2008 pelo Canal:

NEOLIBERALISMO: FONTE DE MENTIRA, CORRUPÇÃO E DERROCADA CIVILIZACIONAL.

Sexta, 20 de janeiro de 2023
Pedro Augusto Pinho*


NEOLIBERALISMO: FONTE DE MENTIRA, CORRUPÇÃO E DERROCADA CIVILIZACIONAL. 

Quando se ouve de militares da mais alta patente, em pleno gozo de seus direitos de cidadania, afirmar que o comunismo é o grande inimigo, o maior problema do Brasil, só se pode concluir que se trata de um embusteiro ou de um imbecil. Não vai aqui qualquer defesa do socialismo marxista, mas a constatação dos males que a ideologia neoliberal vem provocando não só em nossa Pátria, mas no mundo inteiro.

 

Tome-se o circo anual, que se realiza na comuna de Davos, no Cantão dos Grisões (Graubünden), de língua alemã, com menos de 15 mil habitantes, na Suíça, denominado Fórum Econômico Mundial (FEM). Do que trata? De divulgar o neoliberalismo, influenciar e/ou corromper pessoas, com algum tipo de poder, a adotá-lo em seu país ou em sua área de influência. Nada mais do que isso. 


A usura, típica do neoliberalismo, e o egoísmo, que move seus agentes, conduziram boa parte do mundo, principalmente os que estão dominados pelo contexto do Atlântico Norte, nestas décadas do século XXI, à situação de penúria, perdas, guerras, miséria que o desenvolvimento tecnológico parecia ter afastado da civilização humana. 


No entanto, o neoliberalismo está em crise e a farsa deste encontro de 2023 tem o título: "Cooperação em um mundo fragmentado". Curiosamente, há 30 anos, o FEM fazia reunir, em Davos, Frederik Willem de Klerk e Nelson Mandela, Yasser Arafat e Shimon Peres, levando a crer que era o local para solução de diferenças. E a globalização, seu discurso e meta, inaugurava um novo mundo de paz. Que farsantes! 


Quantas crises, quantas guerras o mundo sofreu nestes 30 anos?! 


Veja-se a Líbia, o país africano de maior índice de desenvolvimento humano (IDH), de acordo com as Nações Unidas (ONU), hoje regredindo para séculos, na condição de regiões disputadas por tribos e religiões de origem islâmicas, muito antes que o rei Idris declarasse a independência do país, em 24 de dezembro de 1951, com o nome de Reino Unido da Líbia. E Muamar Gadafi, filho de beduínos nômades, fundasse, em 1966, a União dos Oficiais Livres, tomasse o poder, criando, com 27 anos de idade, o governo exercido pelo Conselho do Comando Revolucionário, islâmico, nasserista e socialista, fechando bases militares estadunidenses e britânicas, e impondo severos controles a empresas transnacionais petrolíferas, instaladas na década de 1960. Era o novo período, nacionalista e desenvolvimentista, extinto em 2011, com a invasão neoliberal, coordenada pelos Estados Unidos da América (EUA) e seu mentor, o Reino Unido (UK), sob abrigo da ONU. 


Um verdadeiro surto mental toma conta das pessoas, impondo a ignorância, a fraude, a hipocrisia, as falácias, pelos sistemas de educação, pelas comunicações de massa e, principalmente, pelas redes virtuais, controladas pelos neoliberais, pelas finanças apátridas, que viram, desde 1920, o poder da informação pela tecnologia que surgia com as máquinas de processamento de dados. 


Hoje todo complexo de equipamentos, software e hardware de comunicação estão nas mãos do BlackRock, Vanguard, State Street, Fidelity, JP Morgan, Goldman Sachs, Allianz, BNY Mellon, Amundi e a suíça UBS, entre outros menores gestores de ativos. 


E são eles que usam o FEM para dizer o que querem dos governos e empresas que se submetem, como pets amestrados, aos encontros anuais. 


Ora, qual cooperação esperam do mundo que eles pretendiam globalizado mas geraram fragmentado? 


De início é importante verificar o estado de saúde destes gestores de ativos, nomeados anteriormente como exemplo de detentores do sistema de comunicação digital, e os recursos dos tesouros nacionais e do próprio sistema financeiro internacional. 


Os recursos advindos com as privatizações, por todo mundo submetido à ideologia neoliberal, logo se evaporaram por erros e especulações que apenas aceleraram a concentração de bens e rendas. A tal ponto que países europeus estão reestatizando serviços importantes para preservação das suas sociedades nacionais, como transporte, saneamento urbano, fornecimento de energia. 


E mesmo usando de “crises” para receber dinheiro dos tesouros nacionais, de empresas públicas e até mesmo privadas nacionais, em especial das nações menos desenvolvidas, os neoliberais prosseguiram acumulando títulos sem lastro em suas especulações, chegando hoje, nesta década de 2020, ao montante de centenas de trilhões de dólares estadunidenses (USD), próximos, se ainda atingiram, ao quatrilhão de USD. 


Daí a “cooperação” exigida, ou seja, “responsabilidade fiscal” e “energia limpa”, por todo planeta, em todos os países. 


O que significa “proteção climática pelo uso da energia”, algo semelhante ao “emagrecimento humano pela exposição ao luar”? 


As fontes primárias de energia não foram escolhidas pelo acaso, nem por inspiração divina. Elas representam aquelas de maior quantidade de energia e aplicabilidade industrial por valor investido, ou seja, a que dá maior retorno ao investimento. E estas são as de origem fóssil, em especial o petróleo, nas formas de líquido ou gasosa (óleo e gás). 


A USD 200 o barril, o petróleo é ainda econômico em relação às aplicações de outras fontes primárias. Mas, e aqui está o pulo do gato, onde existe petróleo? Fundamentalmente em três polos: na Rússia, incluindo alguns países da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), hoje denominados Comunidade dos Estados Independentes (CEI), no Oriente Médio, se estendendo pelo norte da África, e na América Latina, especialmente na Venezuela (maior reserva de petróleo do mundo) e no Brasil, com o pré-sal. 


Então se inventa esta falácia do petróleo e não das mudanças geológicas da Terra, para as alterações climáticas. Lembrem-se que o deserto do Saara já foi uma floresta, que o Amazonas parte oceânica, e a própria Suíça, onde se realiza o FEM, já foi mar. E sem qualquer poluição pelo uso do petróleo sofreram estas mudanças radicais. Mas quem se atrever a expor estas realidades será considerado louco ou imbecil. Enquanto a senhora Marina Silva pode impedir o desenvolvimento brasileiro, reproduzindo informações parciais e obstaculizando construção de usinas de energia hídrica, por causa de um estágio de evolução de determinado tipo de peixe, que ela é incapaz de determinar, mas tem, por trás de seus discursos, banqueiros que a homenageiam e patrocinam. 


Qual é a realidade da energia? Por fonte de empresa, pertencente aos gestores de ativos, que edita, há mais de 70 anos, estatísticas de energia, temos que (dados de 2021) o petróleo é usado por 55,37% da população mundial, a soma das energias de origem fóssil (óleo, gás e carvão) por 82,25%, a nuclear 4,25%, as de fontes hídricas, que exigem rios com adequado volume de água, 6,80%, e as que classificam como renováveis (eólica, solar, das marés, de fontes da produção agrícola) 6,70%. Seriam as renováveis tão pouco usadas se garantissem a mesma quantidade de energia e de aplicações como as fontes fósseis, produzindo fertilizantes e petroquímicos? 


A questão climática é um modo de manter estas regiões produtoras de petróleo sob alguma forma de controle e de subordinação. A guerra que a Organização do Atlântico Norte (OTAN), organização belicista, trava contra a Federação Russa, no território eslavo da Ucrânia, e com sanções de diversas naturezas por países de sua coligação, após a mudança do dirigente ucraniano, por golpe de estado, é a clara demonstração do que significa o petróleo, de importante supridor dos países europeus, para as finanças apátridas. 


O golpe de 2016, no Brasil, visou principalmente ao controle da Petrobrás, quando a realidade do pré-sal, com mais de uma centena de bilhões de barris de petróleo de reservas, tornou-se indiscutível. As sanções à Venezuela, as constantes ameaças de revoluções coloridas no mundo árabe, aí encontram suas origens. Senhores membros de Estado Maior e de Comando das três forças voltem aos bancos e reestudem geopolítica, porque suas compreensões estão prejudicando seriamente o Brasil. 


Porém não para aí, na questão climática, esta cooperação do mundo fragmentado. É preciso combater a República Popular da China (RPCh) e sua influência na construção do mundo multipolar, na real possibilidade de nações atingirem seus objetivos de soberania nacional. O colonialismo financeiro está em crise e já não pode corromper, como o fez nas décadas 1980 e 1990, lideranças e governos pelo mundo. 


Depois de ter um Fernando Henrique Cardoso, que vendeu a Petrobrás na bolsa de Nova Iorque, teve que se contentar com um Jair Messias Bolsonaro, que trocou os pés pelas mãos, mais fez pelos seus colegas militares do que pelos dirigentes financeiros. Afinal o alcance de seu descortino é limitado. E Paulo Guedes não estava à altura de sua missão destruidora do Estado Brasileiro, embora tenha se esforçado bastante, só conseguiu o Banco Central dependente apenas das finanças apátridas, independente dos interesses nacionais brasileiros. 


E há verdadeira crise prestes a explodir, como as greves no Reino Unido, as manifestações de rua na Alemanha e na França, os mais populosos, ricos e desenvolvidos países europeus demonstram claramente. Também não se pode esconder o desenvolvimento asiático e da CEI, integrantes da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR) ou Nova Rota da Seda, que sob a liderança compartilhada da RPCh, e da ação da Organização para Cooperação de Xangai, que cresce em participação, pelos países interessados na cooperação para a segurança — contra terrorismo, separatismo e extremismo —, além dos temas econômicos e culturais, ameaçam a colonização financeira. 


Portanto, mais uma vez, o FEM mostra ser a forma de colonização das finanças apátridas, que dominaram o ocidente com as desregulações dos anos 1980, e após os triunfos dos anos 1990, conhecem a derrocada no século XXI. O Brasil não precisa desse abraço de afogado. 

 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET. 

TERRORISMO —Operação Lesa Pátria: Polícia Federal cumpre mandados contra envolvidos em atos de 8 de janeiro

Quinta, 20 de janeiro de 2023

Crimes investigados ocorreram na invasão da sede dos Três Poderes, em 8 de janeiro - Valter Campanato/Agência Brasil

Oito pessoas que financiaram ou fomentaram invasão aos Três Poderes são alvo de mandados de prisão expedidos pelo STF

Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 20 de Janeiro de 2023

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), uma operação para identificar pessoas que participaram, financiaram ou fomentaram os atentados golpistas de 8 de janeiro, em Brasília, quando o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) foram invadidos e depredados.

Oito mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo STF nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Os nomes não foram revelados publicamente.


“Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido”, diz nota da PF.

A corporação informou ainda que a Operação Lesa Pátria tem caráter permanente e que serão feitas atualizações periódicas sobre o número de mandados judiciais expedidos, pessoas capturadas e foragidas.

A PF pede à população que colabore com os investigadores, caso tenha informações sobre a identificação de “pessoas que participaram, financiaram ou fomentaram os fatos ocorridos”. As denúncias podem ser encaminhadas para o e-mail denuncia8janeiro@pf.gov.br.


Edição: Glauco Faria

Fonte: Brasil de Fato

AS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES E OS ESPORTES

Sexta, 20 de janeiro de 2023
Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 18 de janeiro de 2023

AS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES E OS ESPORTES

"O programa de escolas cívico-militares foi criado no governo Jair Bolsonaro. O governo Lula pretende extinguir a área e já acabou com a diretoria no MEC que era responsável por executá-la" (fonte: metropoles.com).

Em boa hora as escolas cívico-militares são "desmobilizadas", utilizando o termo do momento aplicado para os acampamentos golpistas realizados nos meses de novembro e dezembro de 2022 e janeiro de 2023 nas imediações de várias instalações militares.

Não consigo ver a mínima sustentação para a existência desse tipo de unidade escolar. A Constituição, ao tratar da Educação, define: a) a "liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber"; b) a "gestão democrática do ensino público" e c) a "promoção humanística" (a ser conformada na lei que estabelecerá o plano nacional de educação e fixará diretrizes, objetivos, metas e estratégias educacionais). Essas diretrizes constitucionais são refratárias ao modelo das escolas cívico-militares, onde militares comandam as ações disciplinares.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9.394, de 1996), por sua vez, não contempla esse modelo educacional. Ademais, a citada lei menciona expressamente a "cultura de paz" e "medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying)". Não existe registro, na lei, para hierarquia ou disciplina como bases da organização educacional, como existe para a organização militar (art. 142 da Constituição). Ademais, nos termos da lei em comento, entre os profissionais da Educação, não figuram integrantes das forças de segurança, em especial militares (art. 61 e seguintes).

O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069, de 1990) também não prevê a presença de militares no processo educacional. O referido diploma legal chega a estabelecer, em vários dispositivos (art. 70-A, por exemplo), a necessidade do Poder Público adotar ações para coibir “as formas violentas de educação, correção ou disciplina”. Com efeito, é inegável a associação, mesmo indireta, das violências física e simbólica com a presença cotidiana e ostensiva de forças policiais nas dependências escolares.

Também não se tem notícia de nenhuma corrente de pensadores da Educação que sustente a hierarquia e disciplina militares, instrumentos para operacionalizar certos tipos específicos de ações com uso da força, como pilares de sustentação para o processo educacional. Pelo contrário, a educação é sempre vista e colocada como ferramenta privilegiada para o desenvolvimento da liberdade, criatividade, espírito crítico e transformador, formação humanística, tolerância, compreensão, colaboração, paz, pluralidade e combate a todas as formas de discriminações e opressões.

Nessa linha, o jornalista Dioclécio Luz, autor do livro “A Escola do Medo – Vigilância, repressão e humilhação nas escolas militarizadas”, indaga: “Se nenhuma Faculdade de Educação do país aprova, por que, apesar disso, há centenas dessas escolas funcionando no Brasil?” (fonte: sinprodf.org.br). O aludido jornalista não encontrou um só artigo científico, dissertação de mestrado ou tese de doutorado que qualificasse o modelo.

Argumenta-se, em favor das escolas cívico-militares, com a necessidade de estimular os estudantes, notadamente adolescentes, para o respeito às noções de autoridade e disciplina.

Ocorre que as escolas cívico-militares atacam a consequência do problema num espaço determinado de convívio. As causas não são enfrentadas. Nessa linha, de valorização da militarização, precisaríamos desse tipo de atuação em outros âmbitos, como o ambiente familiar, os transportes públicos e as áreas de lazer. Em suma, uma ampla militarização, indesejável e inaceitável, do espaço social.

Existe um caminho eficiente e adequado para estimular o respeito à autoridade e à disciplina. Trata-se de um forte investimento em escolas de tempo integral com profundas mudanças curriculares, tornando o processo educacional efetivamente atrativo para as novas gerações, e com altas doses de atividades culturais e esportivas.

Os esportes possuem altíssima vocação para moldar os melhores valores. Pode e deve ser uma das mais importantes bases para o desenvolvimento de comportamentos saudáveis, em especial dos adolescentes, em todos os espaços do convívio social.

O esporte exige respeito às regras do jogo, à autoridade do árbitro/juiz, a disciplina da preparação, o esforço individual ou coletivo em busca de resultados e o aprendizado emergente das derrotas e vitórias. O esporte é uma miniatura da vida.

Em suma, precisamos buscar soluções efetivas para os problemas sociais. Devemos atacar as causas com criatividade e ousadia. O foco exclusivo e indevido nas consequências ou efeitos não concorre para desenvolver os mais nobres valores da coexistência social na sofrida sociedade brasileira com um catálogo absurdo de mazelas de todas as naturezas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Como ficou o Orçamento 2023, sancionado pelo Presidente Lula? É possível um aumento maior do salário mínimo?

Quinta, 19 de janeiro de 2023


Na Live da Auditoria Cidadã da Dívida do dia 19/9/2022 (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=JvgW4Jkafac ) mostramos que o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) para 2023, enviado pelo governo anterior ao Congresso Nacional, reservava 50,87% de todo o orçamento federal para juros e amortizações da dívida pública. Após as alterações possibilitadas pela “PEC da Transição”, que permitiu uma pequena flexibilização do chamado “teto de gastos” sociais, e a sanção do projeto aprovado no Congresso pelo presidente Lula, verificamos que a parcela reservada para o serviço da dívida pública se reduziu levemente, para 49,2%. (Fonte:

Constata-se, portanto, que o endividamento público continua sendo um grande entrave para os investimentos sociais, tais como o prometido aumento do salário mínimo, conforme falou o próprio Presidente Lula: “A única coisa que não é tratada como gasto nesse país é o dinheiro que a gente paga de juros para o sistema financeiro. Esse eles não tratam como gasto. Possivelmente eles tratam como investimento. […] Enquanto isso, a gente não consegue dar aumento de salário mínimo de 3% porque é gasto. Não é possível.” (https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/lula-diz-que-nao-consegue-aumentar-salario-minimo-porque-medida-e-vista-como-gasto )

Em reunião com sindicalistas em 18/1/2023, Lula propôs que o aumento real do salário mínimo tenha como referência o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), porém, o salário mínimo deveria e poderia aumentar muito mais, inclusive para que se faça uma efetiva distribuição da renda no país. Além disso, o crescimento do PIB tem sido seriamente prejudicado pela política monetária suicida do Banco Central, que além de esterilizar mais de um trilhão de reais para remunerar bancos, ainda pratica juros altíssimos, estabelecidos sob a falsa justificativa de combater a inflação, causada principalmente por preços administrados pelo próprio governo (como combustíveis, energia) e preços de alimentos, que não caem com a alta nos juros.

O salário mínimo poderia aumentar muito mais, e há recursos de sobra (R$ 1,7 TRILHÃO somente na Conta Única do Tesouro) para cobrir as despesas decorrentes do aumento dos benefícios previdenciários e assistenciais, vinculados ao valor do mínimo. Porém, os analistas neoliberais, que representam a visão do “mercado” (ou seja, os grandes rentistas da dívida pública) querem que esta montanha de dinheiro permaneça reservada para o pagamento da dívida pública, por meio dos instrumentos ilegítimos e nefastos criados e defendidos por eles (o “teto de gastos” sociais, metas de resultado primário e âncoras fiscais, “autonomia” do Banco Central, dentre outros), mas que podem ser todos derrubados a partir do momento em que a sociedade estiver consciente desta situação absurda: o país tem recursos para elevar o salário mínimo, mas todo esse dinheiro fica reservado para privilegiar a destinação da riqueza nacional para o segmento dos super ricos, rentistas da dívida pública. Para criar esta conscientização, é fundamental realizar a auditoria da dívida, com participação da sociedade, conforme ocorreu no Equador, com sucesso.

Momentos reveladores das transições civilizacionais

Quinta, 19 de janeiro de 2023
Um neoliberal financista é, por definição, um inimigo do Estado e, sendo o Estado o contrato dos brasileiros entre si, inimigo do povo brasileiro.
Os problemas da fome, da miséria, da escravidão do desemprego são, sem dúvida, da maior urgência nas prioridades do Estado Brasileiro após a onda destruidora que se seguiu ao golpe jurídico-parlamentar de 2016.

Momentos reveladores das transições civilizacionais

Da AEPET, com informações do Monitor Mercantil
Escrito por Pedro Augusto Pinho
em 19/01/2023

O esgotamento do capitalismo dominado pelas finanças apátridas


A história das sociedades humanas mostra momentos de transição nem sempre compreendidos quando ocorrem. Muitas vezes estes sinais só chegam aos cronistas séculos depois das ocorrências.

Diversas são as causas. A construção de estradas pelo Império Persa é apontada como condição de sua expansão pela rapidez na comunicação. Creio que Heródoto, a quem se atribuem muitas narrativas da história antiga, registrou que as estradas persas possibilitavam superar as condições climáticas, acidentes naturais, dia e noite, na condução das mensagens. Isso deu aos persas o poder para se tornar o grande império de seu tempo, dos maiores na antiguidade.

Se pensarmos que as mensagens seguiam pelas pernas dos homens, não nos surpreenderemos dos tempos para aplicação das tecnologias, que o extremo oriente, por exemplo, desenvolveu antes de serem aplicadas no ocidente. E assim pode-se também acompanhar a mudança da origem do poder: a força física, a terra, a engenhosidade, a organização social, o capital etc.

Há sinais bastante nítidos que o mundo passa por momento de transição. O esgotamento do capitalismo dominado pelas finanças apátridas veio com a rapidez das comunicações instantâneas dos tempos atuais.

Há 30 anos surgia o "fim da história" para marcar o poder financeiro global e as novas condições da vida social. Hoje, em 2023, este poder não se mantém nem mesmo pelas armas, como ficou evidente no Afeganistão, está sendo demonstrado na Europa, e na luta interna, na própria pátria de seu decálogo: o Consenso de Washington.

Os séculos da construção do renascimento, transformando a Europa e se expandindo pelo mundo, se resumem, agora, em somente três décadas. Porém não se deve apenas à rapidez das mensagens, mas ao conjunto de saber que esta comunicação disponibilizou para grande número de pessoas e as trocas que se dão instantaneamente.

É possível recuperar princípios e ideais enunciados há séculos, como os apresentados por Johann Gottlieb Fichte, em 1796/1797, no "Fundamento do Direito Natural Segundo os Princípios da Doutrina da Ciência" (Grundlage des Naturrechts nach Principien der Wissenschaftslehre). Em certo sentido, a multipolaridade, que é proposta para substituir a unipolaridade financeira globalizante, já pode ser encontrada nesta citada obra de Fichte, o que demonstra o amadurecimento de mais de dois séculos do capitalismo e a precedência da política na sociedade humana.

Roma já enunciava que o direito individual não pode se sobrepor ao social, Fichte "colocava a interação intersubjetiva fundamental para o homem poder se formar na vida ética, e, assim, realizar seu destino (Bestimmung) – o que propomos aqui chamar de política lato sensu. Sendo assim, a política, segundo os princípios da Doutrina da Ciência, definiria não apenas uma ciência (ou técnica), senão muito mais uma prática ou arte (Kunst) de viver em sociedade" (Marco Rampazzo Bazzan, "A política segundo os princípios da Doutrina da ciência", Revista de Estud(i)os sobre Fichte [Online], 21 | 2020).

Onde Fichte (1762–1814) avança, inclusive sobre seu antecessor Jean-Jacques Rousseau (1712–1778), na questão contratual, é na formação cognitiva universal, na compreensão de todos para elaboração dos contratos.

Podemos, então, afirmar que nas condições tecnológicas de hoje, a existência da boçalidade vista na manifestação de domingo, 8 de janeiro de 2023, em Brasília, seria fruto do mais retrógrado pensamento iluminista; da possibilidade de extrairmos unicamente de nossa própria razão a norma de conduta que nos orienta, isto é, próprio da falácia neoliberal. Vejamos de modo mais amplo as razões desta irracionalidade.

O ser humano não é constituído de alma imortal nem de condições imutáveis pelo mundo. Ele é fruto das realidades materiais que o cercam, das abundâncias e da escassez dos bens indispensáveis à vida corporal. O "cunhadismo", analisado pelo gênio de Darcy Ribeiro nos índios brasileiros, só era possível pela imensa abundância de recursos existentes no Brasil, recursos hídricos, vegetais, animais, por toda parte.

Ainda não houve antropólogo que estudasse a África ancestral, com o zelo de Darcy Ribeiro para os brasileiros. No entanto, os franceses R. Portères e J. Barrau ("Origens, desenvolvimento e expansão das técnicas agrícolas", in História Geral da África, I. Metodologia e pré-história da África, Ática/Unesco, SP, 1982) assim analisaram as origens da agricultura africana:

"É evidente que as origens, a diversificação e o desenvolvimento das técnicas agrícolas estavam estreitamente relacionados às condições do meio ambiente (clima, hidrografia, relevo, solos, vegetação, tipos de plantas originariamente utilizadas e alimentos que forneciam etc.). Embora esses fatores tenham desempenhado um papel importante, até mesmo preponderante, na origem da agricultura e da criação de animais, não foram os únicos a interferir, pois esses implicavam também fatos de cultura e civilização". "Os homens nas migrações ou deslocamentos carregavam também toda uma série de atitudes e comportamentos criados a partir de suas relações com a natureza em seus habitats de origem".

Se a agricultura e a criação de animais foram a mudança fundamental que constituiu a sociedade humana, e esta foi distinta até mesmo nos continentes, como os citados estudiosos apontam para a África, berço da humanidade, não há porque globalizar o que tem origem individualizada. O pluricentrismo, social e político, é a consequência óbvia da cultura humana, plural, diversa, rica em suas manifestações. O que o neoliberalismo propõe é a pasteurização da vida e dos relacionamentos, obviamente para um controle único e totalitário.

O macaqueamento do Oito de Janeiro

Por mais verde e amarelo que houvesse nas manifestações do domingo da vergonha, ele não era brasileiro, era global, idêntico aos exemplos estadunidenses, ucranianos, kosovares, paquistaneses e tantos outros influenciados pelo neoliberalismo e pelo financismo econômico. E, como ocorre em todo mundo, financiados por capitais apátridas, unicamente voltados à concentração de bens e rendas.

A repressão aos manifestantes, financiadores e indutores é condição de segurança pública, não pode ser descuidada nem tolerada. Há evidente envolvimento da cúpula militar e de recursos estrangeiros. Estes devem sofrer as represálias do Estado Brasileiro.

De início é indispensável a compreensão e coerência do interesse nacional. Ele é superior à filiação partidária e ao envolvimento político. Há verdadeiros nacionalistas em todo espectro das opções políticas, e esta qualidade é fundamental para conduzir todos os níveis do Estado Nacional Brasileiro. Um neoliberal financista é, por definição, um inimigo do Estado e, sendo o Estado o contrato dos brasileiros entre si, inimigo do povo brasileiro.

Podemos e devemos, didaticamente, distinguir dois grupos de ações do Estado: aquelas voltadas para Soberania e as dirigidas à Cidadania. Em ambas há ações exclusivas do Estado, quer pela segurança que ele se obriga garantir a todo território e aos habitantes do Brasil, quer pela democracia, pelo tratamento igual a todos os brasileiros.

No primeiro caso, o exemplo mais evidente é a energia. Sem controle da produção, transmissão, fornecimento, pesquisa e apropriação tecnológica das energias, o Estado é fraco, incapaz de se defender e aqueles que dele esperam proteção. Donde a energia não é possível ser entregue ao "mercado", como a falácia neoliberal divulga continuamente, fazendo verdade a conhecida expressão do escritor parisiense Pierre Beaumarchais: caluniai, caluniai, sempre fica alguma coisa.

Na Cidadania, a educação, a saúde, a garantia dos direitos são funções do Estado, que as proporcionará a todos como o ensino na constituição castilhista de 1891: laica, grátis, livre e por todo território nacional. Não pode existir cidadania condicionada, como as entendem e fornecem os cultores, defensores e aproveitadores do privatismo.

Os problemas da fome, da miséria, da escravidão do desemprego são, sem dúvida, da maior urgência nas prioridades do Estado Brasileiro após a onda destruidora que se seguiu ao golpe jurídico-parlamentar de 2016. Mas devem ser atendidos já focando as questões da Soberania e da Cidadania, estruturando instituições, provendo recursos, para que não seja mera política governamental, mas a solução de uma questão nacional.

O jovem e brilhante acadêmico Felipe Maruf Quintas, em seu Desenvolvimento e Construção de Nações (Clube de Autores, 2022), trazendo o professor e político estadunidense Lyndon LaRouche (1922–2022) ao debate contemporâneo escreve:

"LaRouche deblaterou contra o malthusianismo, que ele entendeu, muito corretamente, estar na base tanto do neoliberalismo quanto do ambientalismo patrocinado por grandes organismos transnacionais como o Clube de Roma. O malthusianismo seria a naturalização de uma visão econômica antidesenvolvimentista, que seria tecnicamente falsa, já que 'o crescimento da população humana desde 1798 prova que o homem pode fazer com que os meios para satisfazer níveis crescentes de necessidade per capita cresçam mais rapidamente do que o crescimento geométrico da população', citando Não há limites para o crescimento (Dois Pontos, RJ, 1986), do estadunidense."

Combater as ações e depredações, as usurpações e agressões físicas e morais ao patrimônio e ao povo brasileiro é questão indiscutível e necessária, indo até aos mandantes, ideológicos e orientadores, aos facilitadores e impulsionadores, materiais e imateriais ou virtuais. Porém a eliminação de atitudes grotescas e fantasiosas, como o pedido de ajuda extraterrena, só se resolve com educação e comunicação. E disso temos tratado em diversos artigos.

Há que se estabelecer como meta de Estado a existência em todos os distritos, em todos os bairros do Brasil, no mínimo uma escola fundamental, acolhendo brasileiros dos 3 aos 18 anos, em horário integral, não só para o preparo técnico com que enfrentará a vida adulta, mas com a consciência da cidadania brasileira, com o sentimento cívico do dever que lhe impõe a nacionalidade, da vontade de participar nos processos decisórios do País com seu voto e sua inteligência.

Caso contrário, após o período prisional, estas pessoas e outros imbecis ou mal orientados, ignorantes do que é ser brasileiro, considerando o globalismo e o rentismo o novo normal, voltarão a cometer os mesmos atos, receber os mesmos recursos e repetir as mesmas sandices.

Pedro Augusto Pinho é administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet).