Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 28 de junho de 2024

O Inferno

O Inferno

Lá pelo ano de 960, os missionários cristãos invadiram a Escandinávia e ameaçaram os vikings: se insistissem em seus costumes pagãos, iriam parar no Inferno, onde ardia o fogo eterno.

Os vikings agradeceram a boa notícia. Eles tremiam de frio, não de medo.

Eduardo Galeano, no livro
Os Filhos dos Dias,
L&PM Editores.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

NÃO É DE HOJE —Em 2019, Bolívia passou por golpe que envolveu Elon Musk e disputa por lítio

Quinta, 27 de junho de 2024

Há 5 anos, país viu mobilização da extrema direita que derrubou o ex-presidente Evo Morales

Lorenzo Santiago
Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) | 27 de junho de 2024

A tentativa de golpe na Bolívia encabeçada pelo general Juan José Zúñiga nesta quarta-feira (26) não foi a primeira enfrentada pelo governo boliviano nos últimos anos. Em novembro de 2019, mobilizações golpistas de extrema direita forçaram a renúncia do então presidente Evo Morales. O movimento daquele ano teve como pano de fundo a disputa pelo lítio boliviano e declarações polêmicas do bilionário Elon Musk que causaram indignação.

O golpe contra Evo Morales começou logo depois das eleições presidenciais realizadas em outubro de 2019. O candidato opositor Carlos Mesa não aceitou o resultado que reelegeu Morales. O então presidente e seu vice, Álvaro García Linera, foram reeleitos com 2,8 milhões de votos e mais de dez pontos percentuais de diferença em relação ao segundo colocado, Carlos Mesa.

Mas setores mais radicais da oposição, ligados ao estado de Santa Cruz de la Sierra, queriam forçar a realização de um segundo turno. Outra parte da oposição pediu uma auditoria dos resultados, proposta aceita por Morales. Ele convidou então a Organização dos Estados Americanos (OEA), Paraguai, México, Espanha e as Nações Unidas para acompanharem o processo de revisão.

A tensão foi para as ruas e organizações políticas passaram a organizar atos violentos em várias partes do país. A capital La Paz foi palco de algumas das principais manifestações que deixaram 35 mortos em toda a Bolívia. Evo Morales renunciou e convocou novas eleições.

TCDF determina suspensão da licitação para concessão da Rodoviária do Plano Piloto para que Semob/DF corrija edital

Quita, 27 de junho de 2024

Do TCDF

Na sessão plenária desta quarta-feira, dia 26 de junho, o Plenário do Tribunal de Contas do Distrito Federal referendou uma determinação para que a Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob/DF) suspenda a licitação para concessão da Rodoviária do Plano Piloto. A suspensão havia sido determinada dois dias antes, no dia 24 de junho, por meio de Despacho Singular da conselheira relatora do processo nº 00600-00000291/2021-09-e. Para reabrir a licitação, a Semob/DF deve alterar o edital com o novo percentual para o valor mínimo de outorga do certame, calculado pela pasta. 

Na disputa pela gestão da Rodoviária do Plano Piloto, quem ofertar o maior valor de outorga será a vencedora da licitação, desde que atenda aos demais critérios do edital. Essa espécie de receita do governo é calculada aplicando-se um percentual sobre o valor do faturamento anual pela gestão do empreendimento (receita bruta anual). A decisão do TCDF foi motivada por uma mudança promovida pela Semob/DF em relação ao valor mínimo de outorga.

SEM INCLUSÃO —Mães denunciam marginalização e expulsões de crianças neurodivergentes em Colégio Militar Tiradentes, em Brasília

Quinta, 27 de junho de 2024

Especialista explica que modelo militarizado de ensino pode ser uma barreira na inclusão de estudantes neurotípicos

Rafaela Ferreira
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 27 de junho de 2024

Segundo uma mãe, que preferiu ter a identidade preservada, em 2023, o colégio tinha 52 neurodivergentes, em que sete foram reprovados e três jubilados - Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Mães de crianças neurodivergentes do Colégio Militar Tiradentes (CMT), em Brasília, estão denunciando que estes estudantes estão sofrendo uma série de marginalização na instituição. Em uma delas, é informado que a escola não dispõe de um Plano de Ensino Individualizado (PEI), além de estar acontecendo diversas evasões escolar, incluindo a expulsão de um estudante neurodivergentes.

Segundo a denúncia, a instituição recepciona 63 crianças com os mais variados diagnósticos, entre eles Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Opositor Desafiador (TOD), Deficiência Intelectual (DI). Além de transtornos de mente e de aprendizagem, como ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão, dislexia, discalculia, disortografia, entre outros. Porém, muitas das crianças e adolescentes do CMT estariam sofrendo uma perseguição velada.

Mães com crianças e adolescentes que estudam no CMT relataram que há um “perdimento na visão institucional”, uma vez que o colégio apenas pontua e vislumbra alunos de alto rendimento, ou seja, aqueles que trazem nome à instituição de ensino ao serem aprovados em olimpíadas de conhecimento e vestibulares.

Segundo uma mãe, que preferiu ter a identidade preservada, em 2023, o colégio tinha 52 neurodivergentes, em que sete foram reprovados e três jubilados. “Eles se empenham para uma educação de qualidade, mas de qualidade para aqueles alunos que têm autonomia. Os alunos que são neurodivergentes, eles ficam marginalizados dentro da instituição. Então, eles têm mostrado algum tipo de esforço, mas não para esses estudantes, e isso tem trazido uma vazão escolar”, disse.

Reforma da Praça dos Três Poderes: Rede Urbanidade apresenta sugestões ao Iphan

Quinta, 27 de junho de 2024

Documento apresenta propostas para melhoria da acessibilidade, da mobilidade ativa e do conforto


A Rede Urbanidade e entidades parceiras apresentaram à Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Distrito Federal (Iphan-DF), nesta quinta-feira, 27 de junho, um documento com contribuições para a melhoria da acessibilidade, da mobilidade ativa e do conforto na Praça dos Três Poderes e seu entorno. A iniciativa foi motivada pela publicação do edital para contratação de projeto de restauração do local.

Entre as propostas apresentadas estão: interligação da Esplanada dos Ministérios à Praça dos Três Poderes, a partir das ciclovias existentes no canteiro central do Eixo Monumental; instalação de bicicletários, paraciclos e estações de bicicletas compartilhadas nas imediações; criação de condições de acessibilidade universal, com nivelamento do piso de pedra portuguesa; reforma de calçadas e implantação de piso tátil; semáforos sonoros; sinalização em braile; faixas de pedestres e locais para travessia de ciclistas; adequação da velocidade máxima na região para 30 km/h e realização de nova consulta/audiência pública após a elaboração do projeto.

STF cassa decisão de juiz que condenou União a indenizar ex-deputado por bloqueio de redes sociais

Quinta, 27 de junho de 2024

Ministro Alexandre de Moraes verificou que houve invasão da competência do Supremo e interferência nos trabalhos da Corte no Inquérito 4781.

Do STF

Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou decisão do juiz José Jácomo Gimenes, da 1ª Vara Federal de Maringá (PR), que havia condenado a União a indenizar o ex-deputado estadual Homero Marchese em R$ 20 mil em razão do bloqueio de suas contas nas redes sociais determinado pelo Supremo no inquérito das Fake News (INQ 4781).

Em decisão proferida na Reclamação (RCL) 69263, apresentada pela União, o ministro Alexandre frisou que o juiz invadiu a competência do STF ao processar e julgar um pedido que pode interferir na condução da investigação na Corte. O inquérito apura difusão de notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e falsas comunicações de crime contra a integridade, a segurança e a honorabilidade do Supremo.

Assassinatos de Bruno e Dom: Justiça recebe denúncia do MPF contra outras cinco pessoas por ocultação de cadáver

Quinta, 27 de junho de 2024

Quatro dos denunciados responderão, ainda, por corrupção de menor por convencerem um jovem com menos de 18 anos a participar do crime

Arte: Comunicação/MPF
Do MPF
A Justiça Federal recebeu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra cinco homens, que passam a ser réus em ação penal por participação na ocultação dos corpos do indigenista Bruno da Cunha Araújo Pereira e do jornalista Dominic Mark Philips, assassinados em 5 de junho de 2022, no Vale do Javari, no Amazonas. Dos cinco réus – Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira –, os quatro últimos irão responder, ainda, por corrupção de menor por terem convencido um jovem com menos de 18 anos a participar do crime.

Na denúncia, apresentada em 10 de abril e recebida em 10 de junho pela Justiça, o MPF não incluiu Amarildo da Costa Oliveira (conhecido como “Pelado”) e Jefferson da Silva Lima (“Pelado da Dinha”), porque já respondem pelo crime de ocultação de cadáver na ação penal protocolada em 21 de julho de 2022. Os dois, juntamente com Oseney da Costa de Oliveira (“Dos Santos”), serão levados a júri popular pelo homicídio por motivo torpe e mediante emboscada, no caso de Bruno, e pelo homicídio mediante emboscada e para assegurar a impunidade do crime anterior, no caso de Dom.

REPERCUSSÃO Mulheres voltam às ruas hoje (27) contra o PL do Estupro; confira os locais dos atos

Quinta, 27 de junho de 2024

Esta é a quarta vez que o Brasil registra manifestações contrárias ao projeto

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 27 de junho de 2024

O projeto foi proposto pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e assinado por outros 31 deputados - Elaine Campos/Acervo Marcha Mundial das Mulheres

As mulheres voltam às ruas no fim da tarde desta quinta-feira (27) para se manifestar contra o PL do Estupro. O Projeto de Lei 1.904/2024 equipara o aborto legal em casos de estupro em idade gestacional acima de 22 semanas ao crime de homicídio simples.

Esta é a quarta vez que o Brasil registra manifestações contrárias desde que a urgência do projeto foi aprovada na Câmara dos Deputados, em 12 de junho, a toque de caixa. Na ocasião, o presidente da Casa legislativa Arthur Lira pautou a votação do requerimento de urgência, apresentado pelo deputado Eli Borges (PL-TO), sem aviso e sem anunciar o número do projeto.

A urgência foi aprovada em votação simbólica em exatos 23 segundos — sem registro do voto de cada deputado no painel eletrônico. Em geral, a votação simbólica ocorre quando já existe acordo entre os parlamentares sobre o tema em pauta, o que não foi o caso.

O projeto foi proposto pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e assinado por outros 31 deputados. A maioria deles são do Partido Liberal, o mesmo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Após a repercussão negativa, Lira recuou e disse que há possibilidades de mudanças no texto do PL. Uma das modificações seria a equiparação às penas de homicídio simples apenas para os casos em que o aborto não é permitido em lei.

Atualmente, a legislação permite que o aborto seja realizado em três ocasiões: estupro, risco de morte à mulher e anencefalia do feto, sem determinar um limite de idade gestacional para a interrupção.

Confira os locais dos atos

Brasília (DF) - Rodoviária Do Plano Piloto - 17h

Belo Horizonte (MG) - Praça Sete - 18h

Curitiba (PR) - Praça Santos Andrade - 18h

Londrina (PR) - Praça Rocha Pombo - 17h

Porto Alegre (RS) - Esquina Democrática - 18h

Florianópolis (SC) - Terminal de Integração do Centro (TICEN) - 18h

Santos (SP) - Estação Cidadania - 18h30h

São Paulo (SP) - Masp - 18h

Edição: Nathallia Fonseca

Somos todos culpados

 Somos todos culpados

      O Directorium Inquisitorium, publicado pela Santa Inquisição no século XIV, difundiu as regras do suplício, e a mais importante ordenava:

        Será torturado o acusado que vacile em suas respostas.

Eduardo Galeano, no livro 'Os filhos dos Dias',
2ª edição, pág. 207, L&PM Editores.

quarta-feira, 26 de junho de 2024

INTERNACIONAL TENTATIVA FRACASSADA —Após presidente Luis Arce trocar cúpula militar, golpistas recuam na Bolívia

Quarta, 26 de junho de 2024

Militares haviam invadido praça próxima à sede do governo boliviano

Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | | 26 de junho de 2024 às 19:40

O presidente Arce se encontra com o militar golpista Zuniga nesta quarta - Reprodução

Após reação do governo boliviano de Luis Arce, o general golpista Juan José Zúñiga deixou, nesta quarta-feira (26), a Praça Murillo, em La Paz, na Bolívia, onde liderou uma tentativa de golpe. O então comandante das forças armadas saiu do local em um tanque do exército acompanhado de outros militares e 12 tanques.

Apesar da retirada, Arce disse para que as organizações se mantenham em alerta para eventuais novas tentativas de golpe.

Minutos antes, reagindo à tentativa de golpe, o presidente boliviano Luis Arce havia trocado o alto comando das Forças Armadas e convocado organizações populares à praça para uma “vigília pela democracia”.

Após a partida de Zúñiga, a praça se tornou palco de comemorações populares e de discursos de membros do governo. Arce agradeceu às organizações e disse que os responsáveis pela tentativa de golpe devem responder judicialmente pelo golpe frustrado o mais rápido possível.

Tentativa frustrada

Zúñiga tinha o objetivo de entrar na Casa Grande del Pueblo, uma das sedes do governo boliviano, mas, segundo o jornal La Razón, foi abordado pelo próprio presidente Arce, que ordenou o recuo do general. Após o presidente prestar juramento de posse do novo alto comando militar, o soldado entrou em seu veículo blindado e deixou o local.


A tentativa causou rápidas reações internacionais rejeitando a quartelada. A Organização dos Estados Americanos (OEA), diversos países como Brasil, México, Venezuela, Cuba e Honduras, além de organizações e movimentos populares se pronunciaram.

Golpista

O ex-comandante do Exército Boliviano Juan José Zúñiga é visto como a principal liderança da tentativa de golpe contra Luís Arce.

Zúñiga foi afastado do cargo que ocupava desde 2022 na terça-feira (25), após ameaçar o ex-presidente Evo Morales. O militar de alta patente se opõe à candidatura Morales para disputar as eleições do ano que vem.

Em declarações recentes ele chegou a dizer que Morales "não pode mais ser presidente deste país" e afirmou que estaria disposto a oferecer a vida "pela defesa e unidade da pátria".

Nesta quarta-feira (26), Zúñiga liderou um levante na Plaza Murillo em La Paz e, acompanhado de seus seguidores, invadiu o Palácio Presidencial.

Em 2013, foi acusado de desvio e roubo de mais de 2,7 milhões de pesos bolivianos. A verba deveria ser destinada ao pagamento de programas sociais. O militar foi punido com sete dias de prisão por desfalque e falsificação de documentos.

Órgãos de migração do país foram acionados para evitar a fuga de Zúñiga do país. O Ministério Público abriu investigação para apurar as irregularidades cometidas pelo general e a cúpula militar.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

PROJETO ELITIZADO —Especialistas e parlamentares criticam PPCUB no Senado; Ibaneis recua e anuncia vetos

Quarta, 26 de junho de 2026
Audiência na Comissão de Meio Ambiente discutiu Plano aprovado pela Câmara Legislativa do DF

Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 26 de junho de 2024

Professor da UnB Benny Schvarsberg disse que PPCUB aprovado é “elitista” - Geraldo Magela/Agência Senado

A descaracterização urbanística da área tombada de Brasília a partir do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), foi alvo de muitas críticas de especialistas em urbanismo e parlamentares nesta terça-feira (25) em uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado. No final do dia, o Governo do Distrito federal (GDF) informou que o governador Ibaneis Rocha (MDB) vai vetar alguns dos trechos do Plano aprovado na CLDF que foram criticados na audiência no Senado Federal.

“A pressão que fizemos na audiência pública sobre o PPCUB no Senado hoje deu resultado. O GDF acaba de informar que vai vetar a construção de alojamentos nas quadras 700 e 900 do Plano Piloto, incluindo motéis, e também a construção de prédios no parque no fim da Asa Sul”, declarou em suas redes sociais a senadora Leila Barros (PDT-DF), que preside a CMA e comandou a audiência sobre PPCUB, que contou com a presença de outros parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil, que criticaram o PPCUB aprovado.

“Brasília, nosso orgulho nacional e Patrimônio Mundial da Humanidade reconhecido pela Unesco desde 1987, não é apenas uma cidade, mas um símbolo vivo da arquitetura e do urbanismo brasileiros, que visa pela escala bucólica, com predomínio da vegetação e de espaços livres”, defendeu Leila na abertura da audiência pública. Ela criticou as alterações aprovadas no Plano, que prevê aumento significativo da altura de hotéis no Setor Hoteleiro Norte e Sul, passando de três para doze pavimentos — ponto que o GDF não mencionou como veto.

O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) destacou a rápida tramitação do PPCUB na Câmara Legislativa, que chegou em março e foi aprovado em junho, com poucas reuniões e sem aprofundamento. “Foi um debate insuficiente e o resultado foi o conteúdo aprovado. O governo [Ibaneis Rocha] advogou para interesses privados. Esse PPCUB não teve nada de preservação, teve apenas de especulação”, analisou.

MPDFT e CIAMP/Rua debatem plano de ação voltado à população em situação de rua

Quarta, 26 de junho de 2024


Do MPDFT

A Procuradoria-Geral de Justiça e os Núcleos de Direitos Humanos (NDH) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) conduziram na última sexta-feira, 21 de junho, reunião de alinhamento sobre o Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua com os Comitês Intersetoriais de Acompanhamento e Monitoramento da Política Pública para população em situação de rua (CIAMP/Rua nacional e CIAMP/Rua DF).

A reunião proposta pelo MPDFT teve como objetivo a aproximação da instituição com esses Comitês, visando o fortalecimento desses espaços de relevante importância para a concretização da democracia participativa. Além disso, objetivou-se a união de esforços para fins de fiscalização da política pública para as pessoas em situação de rua lançada recentemente pelo GDF.

Após defender Parada LGBTQIA+ de ataques na Câmara de São Paulo, vereadora do Psol pode ser cassada

Quarta, 26 de junho de 2024

Após defender Parada LGBTQIA+ de ataques na Câmara de São Paulo, vereadora do Psol pode ser cassada

Bissexual, Luana Alves reagiu ao discurso de sua colega na Câmara, Rute Costa, que se referiu ao evento como “tristeza”

Igor Carvalho
Brasil de Fato - São Paulo | 26 de junho de 2024

Ao Brasil de Fato, Alves disse que “é bastante chocante o PL considere quebra de decoro parlamentar eu informar uma vereadora que LGBTfobia é crime, quando ela foi LGBTfóbica" - Foto: PSOL/Rede Câmara

O PL acionou a Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo para pedir a suspensão do mandato da vereadora Luana Alves (Psol), que é bissexual, após a parlamentar defender a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de ataques da vereadora Rute Costa (PL).

No dia de 5 de junho, logo após a Parada do Orgulho LGBT+ em São Paulo, a vereadora Rute Costa (PL) foi à tribuna da Câmara Municipal e afirmou que o evento, “é orgulho para uns, é tristeza para outros. No domingo (2 de junho), houve passeata na Paulista, e eu vi com muita tristeza crianças sendo levadas pela mão, no meio daquele movimento”, disse a parlamentar, que concluiu seu discurso alegando que “utilizar a infância é infame e covarde.”

Alves não gostou do tom e do discurso de Costa e reagiu. “É um absurdo o que a senhora está dizendo. De que [tipo de] ambiente a senhora está falando? O que a vereadora Rute acabou de falar é muito grave e contribui para a LGBTfobia neste país."

DF é condenado a indenizar criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista) submetida a maus-tratos em escola pública

Quarta, 26 de junho de 2024

Imagem ilustrativa

Do TJDF

O Distrito Federal foi condenado a indenizar mãe e criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que sofreu maus-tratos durante aulas em escola pública. A decisão é da 7ª Vara da Fazenda Pública.

De acordo com o processo, em março de 2023, a criança foi diagnosticada com TEA, nível de suporte 2, não verbal e foi matriculada em escola situada no Guará II, onde estuda com outros três alunos, que ficavam sob os cuidados de duas professoras. No fim de março, a genitora da criança solicitou reunião com a equipe escolar por notar mudança no comportamento do filho e no tratamento de uma das professoras com o aluno.

A autora relata que, em julho de 2023, tomou conhecimento por meio de reportagem de televisão que outra família também havia percebido mudanças no comportamento do filho, que é colega de classe do autor. Os pais da criança colocaram um equipamento na mochila do aluno a fim de captar a interação escolar, momento em que constataram que as crianças eram submetidas a todo o tipo de violência, tais como gritos, xingamentos, castigos e maus-tratos. Por fim, a autora alega que a diretora foi omissa e que a criança deixou de frequentar a escola, além de resistir em frequentar outras escolas, em razão dos fatos.

O reino do medo

 Junho

26

O reino do medo

Hoje é o Dia contra a Tortura.
Por trágica ironia, a ditadura militar do Uruguai nasceu no dia seguinte, em 1973, e transformou o país inteiro numa grande câmara de tortura.
Os suplícios serviam pouco ou nada para arrancar informações, mas eram muito úteis para semear o medo, e o medo obrigou os uruguaios a viver calando ou mentindo.
No exílio, recebi uma carta anônima:

É foda mentir, e é foda se acostumar a mentir.
Mas pior que mentir é ensinar a mentir.
Eu tenho três filhos.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. 2ª edição, 2012, Página 206. L&PM Editores.

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terça-feira, 25 de junho de 2024

STF forma maioria para descriminalizar porte de maconha para consumo pessoal

Terça, 25 de junho de 2024

Tese de repercussão geral será fixada na sessão desta quarta-feira (26), assim como critérios que devem diferenciar usuário de traficante.

Postado no site do STF nesta terça-feira (25/06/2024)

Foto: Antonio Augusto/SCO

O Plenário do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta terça-feira (25) para descriminalizar o porte de maconha para consumo pessoal. O julgamento ainda não foi concluído, e o resultado será apresentado nesta quarta (26), bem como a fixação da tese (orientação para instâncias inferiores) e os critérios que devem diferenciar usuário de traficante.

Conforme a maioria dos votos, o porte deve ser caracterizado como ilícito de natureza administrativa, sem consequências penais. Assim, após o fim do julgamento, poderá ficar afastado, por exemplo, o registro na ficha criminal do usuário.

Os ministros também chegaram ao consenso sobre a liberação de valores contingenciados do Fundo Nacional Antidrogas e a destinação de parte da verba em campanhas educativas, sobretudo para os mais jovens, sobre malefícios do consumo de drogas, de forma semelhante ao que é feito em campanhas sobre cigarro.

Ao fim da sessão, o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, frisou que o Plenário mantém a visão de que o consumo de drogas é algo ruim e que o papel do Estado é combater o tráfico e auxiliar os dependentes. “Em nenhum momento, estamos legalizando ou dizendo que o consumo de drogas é algo positivo. Pelo contrário. Estamos apenas deliberando a melhor forma de enfrentar essa epidemia que existe no Brasil”, afirmou. “As estratégias que temos adotado não têm funcionado porque o consumo só faz aumentar, e o poder do tráfico também”.

Barroso fez questão de frisar que a maconha continua a ser uma substância ilícita e não pode ser consumida em lugar público.

Votos

A sessão de hoje contou com os votos do ministro Luiz Fux e da ministra Cármen Lúcia e o complemento de voto do ministro Dias Toffoli, apresentado na semana passada.

Em seu complemento, Toffoli frisou que o Legislativo, ao editar a Lei de Drogas e despenalizar o crime, ou seja, deixar de punir com prisão, tinha a visão de que o usuário não deveria ser criminalizado, e sim tratado como dependente. Por essa razão, o porte de drogas para consumo próprio não deve produzir consequências criminais. “A intenção da legislação era exatamente superar a ideia de penalizar o usuário e dar a ele uma solução socioeducativa”, afirmou.

O ministro Luiz Fux votou na sequência e considerou que a Lei de Drogas é constitucional, mas já não criminaliza o usuário. Para ele, a legislação prevê sanções razoáveis ao usuário ao mesmo tempo em que busca coibir o mercado ilícito de drogas. Em relação a critérios que separem o usuário do traficante, o ministro ponderou que essa definição não deve ser feita pelo Judiciário.

A ministra Cármen Lúcia foi a última a votar e se posicionou favorável à visão de que o porte de maconha configura ilícito administrativo, sem consequências criminais para o usuário. Alertou, porém, que há um cenário de arbítrio com a ausência de critérios que separem o usuário do traficante — conduta criminalizada e punida com prisão. “A escolha do critério foi pela droga apreendida e pela quantidade de droga segundo os preconceitos daquele que fazia o flagrante, daquele que prendia e daquele que julgava”, afirmou.

Controvérsia

A discussão é sobre a constitucionalidade do artigo 28 da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006), que prevê sanções alternativas — como medidas educativas, advertência e prestação de serviços — para quem compra, porta, transporta ou guarda drogas para consumo pessoal.

O Tribunal também discute a fixação de um critério objetivo para diferenciar o tráfico do porte e da produção para consumo próprio. Atualmente, essa definição fica a cargo da polícia, do Ministério Público e do Judiciário, mas a norma é interpretada de formas diversas dependendo da pessoa e do local em que ocorrer o flagrante.

ASSEMBLEIA GERAL —Professores da rede pública do DF fazem paralisação nesta quarta (26)

Terça, 25 de junho de 2024
Encontro busca intensificar Campanha Salarial, que reivindica reajuste imediato de 19,8% e cumprimento da meta 17 do PDE


Reunião convocada pelo Sinpro-DF começa às 9h, no estacionamento da Funarte - Sinpro-DF

Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 25 de junho de 2024

Professores e orientadores educacionais se reunirão em assembleia geral do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), nesta quarta-feira (26), a partir das 9h, no estacionamento da Funarte. Haverá paralisação de atividades.

Segundo o Sindicato, esta será a quarta e última assembleia do semestre, que antecede o recesso escolar do meio do ano. O encontro intensificará a luta da Campanha Salarial do magistério público, que traz a reivindicação de reajuste salarial imediato de 19,8% e o cumprimento da meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE).

CNDH ouvirá vítimas e autoridades sobre neonazismo no Rio

Terça, 25 de junho de 2024
Conselho apura aumento de células neonazistas no país

Por Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Uma delegação do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) desembarcou nesta segunda-feira (24) no Rio de Janeiro e irá ouvir nos próximos dias vítimas, autoridades e especialistas sobre o neonazismo no Brasil. O cronograma da visita se estende até sexta-feira (28). Estão previstas atividades na capital fluminense e em Niterói. O tema já havia motivado uma outra viagem em abril desse ano, à Santa Catarina. Outros estados também devem ser visitados.

Criado pela Lei Federal 12.986/2014, o CNDH deve promover e defender os direitos humanos no país por meio de ações preventivas, protetivas e reparadoras. Embora seja vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, atua com autonomia. Dos 22 conselheiros, 11 são designados por diferentes órgãos e instituições do Poder Público e outros 11 são representantes da sociedade civil, eleitos em encontro nacional convocado por edital público.

Há alguns meses, o CNDH vem desenvolvendo um trabalho para apurar o crescimento de células neonazistas no país. Foi criada uma relatoria especial sobre o tema. A coordenação é do conselheiro Carlos Nicodemos. No mês passado, em entrevista à Agência Brasil, ele criticou a ausência de políticas específicas de enfrentamento ao neonazismo no Brasil.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Distrital dos motéis é o que mais gasta na CLDF

Segunda, 24 de junho de 2024

Defensor da família da proteção das crianças e da fiscalização do Poder Executivo, distrital Thiago Manzoni (PL), afiliado político da deputada federal Bia Kicis (PL), autor da emenda que permite o funcionamento de motéis em áreas escolares, nos setores de Grande Áreas Sul e Norte (SGAS e SGAN) do Plano Piloto, é o campeão até aqui dos gastos de verbas indenizatórias. De fevereiro a abril foi um total de R$ 58.212,30.

Por Chico Sant’Anna
Autor da emenda que permite o funcionamento de motéis nas entrequadras 700/900 da Asa Sul e Norte – regiões tipicamente para escolas e igrejas – o deputado distrital Thiago Manzoni (PL), afiliado político da deputada federal Bia Kicis (PL), volta às manchetes dessa vez como o campeão da gastança da verba indenizatória a que os parlamentares locais tem direito. Dentre os 24 distritais, Manzoni foi o que mais gastou em abril – último lançamento da CLDF – mas também no acumulado de todos os meses desse ano legislativo. De fevereiro a abril foi um total de R$ 58.212,30, média mensal de R$ 19.404,10, praticamente o limite máximo permitido pela Câmara Distrital que é de R$ 19.838,83. O teto da verba indenizatória é fixado em 60% do subsídio de Deputado Distrital.

QUEM REPRESENTA O PODER NO BRASIL FOI ESCOLHIDO POR VOCÊ?

Segunda, 24 de junho de 2024
Por
Pedro Augusto Pinho*

Recentemente, 46 membros da bancada evangélica, obtiveram do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado alagoano Arthur Lira, em questão de segundos, que seu projeto de alterar lei de Getúlio Vargas, promulgada em 7 de dezembro de 1940, para que a vítima de estupro tivesse pena maior do que o estuprador não seguisse o trâmite parlamentar. Tamanho foi o clamor público, de conservadores e progressistas, da esquerda e da direita, diante de tal agressão ao princípio básico de cidadania, que, covardemente, Arthur Lira escondeu a urgência aprovada, excluindo do exame das comissões esta ignomínia de um grupo evangélico.

Ficou claro que não é um setor religioso quem manda no Brasil, embora tenha capacidade de aplicar golpe legislativo.


Também recente foi decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM), que ao invés de membros dos diversos interessados neste assunto, como os representantes da Receita Federal e do Tesouro Nacional, da Confederação Nacional da Indústria, da Confederação Nacional do Comércio, da Confederação Nacional da Agricultura, de representação de funcionários públicos e de empregados de organizações privadas, o COPOM, repito, é composto apenas dos diretores do Banco Central do Brasil (?), nos impor a maior taxa de juros do mundo civilizado.


Porém a imprensa não divulgou adequadamente para levar às ruas o protesto das vítimas destes juros escorchantes, que são os desempregados, os empresários falidos e tantos brasileiros que ficam sem produzir e sem receber qualquer remuneração.


Vimos, então, que não é a Câmara dos Deputados nem o Banco Central que representam o Brasil.


Seria o Poder de Polícia ou de Justiça?


Recebi, como muitos brasileiros, filho, neto e bisneto de brasileiros, o comunicado do Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Palestino do qual transcrevo os principais trechos a seguir.


“Sobre a repatriação absurda do professor PhD (doutor) palestino Muslim Abuammar e de sua família, incluindo sua mulher grávida e uma criança de 6 anos, do território nacional, só podemos afirmar que se trata de um absurdo, feito ao arrepio de todo o nosso Ordenamento Jurídico, desde o ECA, até a Lei de Migração, passando pela Lei de Abuso de Autoridade e pela não observância aos prazos administrativos da Lei 9.784”.


E nem foi iniciativa brasileira, pois a Polícia Federal (PF) apenas cumpriu a decisão do órgão estadunidense de espionagem e golpes de estado, que lhe presta assessoramento (?), denominado Agência Central de Inteligência Americana (CIA).


“Ainda que se desconsidere que a PF teve a estrutura da sua área de inteligência financiada pela C.I.A., não podemos esquecer que, do ponto de vista brasileiro, cabe ao Itamaraty e à Chefia do Estado Brasileiro definir quais grupos são tidos como extremistas (apenas se consideram como tais as organizações assim definidas pelo Conselho de Segurança da ONU, o que não inclui movimentos de resistência nacional, nem da Palestina nem do Líbano), ainda assim, é dose acreditar que operadores do Direito aceitem passivamente a mirabolante tese de que um verdadeiro “nerd”, cujo único "crime" foi nascer palestino e ter se manifestado publicamente sobre a situação de extermínio de seu povo, possa ter sido considerado como uma "ameaça ao Brasil", sem nunca ter pego numa arma, durante sua vida”.


“É também um absurdo que o Ministério Público Federal (MPF) e a Justiça Federal tenham concordado com uma imputação enlatada da contra-inteligência dos EUA, mas que na realidade teve origem em relatório de Tel Aviv, cujo governo está envolvido em guerra de extermínio contra o povo do Sr. Muslim. E como que um órgão do governo brasileiro aceita isto, sem qualquer lastro em provas e interroga o sujeito por meros "crimes de opinião", sem qualquer histórico em ação armada nem de financiamento a nenhum extremista?”.


“Como que uma criança de 6 anos, com tio naturalizado brasileiro pôde ser deportada do Brasil a toque de caixa? Que vergonha? Agora, é crime ser palestino, segundo nosso Ordenamento? Por que a mulher do pesquisador foi tratada como bandida por estar grávida e querer dar a luz no Brasil? Isto virou crime? Se fosse israelense poderia? Ficam os questionamentos e a indignação!”


E o que faz o órgão máximo do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), que assiste calado a esta agressão ao direito por órgão estrangeiro, no Brasil? E se intitula defensor da democracia? Como defendê-la inerte?


O que está acontecendo com nosso País?


É a casa da mãe Joana, onde os estrangeiros mandam mais do que os nacionais? Para que comparecer às urnas se o Mossad israelense, os capitais financeiros apátridas, religiões criadas em outros países vêm para conduzir-nos como rebanho ao matadouro?


Que estes três casos sirvam para que o brasileiro se levante, tome-se de coragem para dizer em alto e bom som: na minha casa quem manda sou eu!

 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.


A luta de classes na comida e nos corpos

Segunda, 24 de junho de 2024

Estudo sobre a desigualdade alimentar contemporânea. A comida saudável é reservada aos ricos. Aos pobres, fome ou ultraprocessados. Viagem pela história da nutrição – do Paleolítico à pós-modernidade – ajuda a explicar os porquês


OUTRASPALAVRAS
por Patrícia Aguirre       Publicado nos OUTRASPALAVRAS em 20/06/2024

Imagem: Giuseppe Arcimboldo (1526-1593)

Por Patrícia Aguirre, no Nuso | Tradução: Rôney Rodrigues

Nos últimos anos, a discussão sobre o que comemos voltou no contexto da expansão de diferentes subculturas alimentares (veganas, ketos, ayurvédicas, etc.), do crescimento dos movimentos ambientalistas e do aumento de doenças associadas à alimentação.

Neste artigo analisaremos o sistema alimentar sob uma perspectiva sócio-histórica, como um sistema aberto, ou seja, com trocas infinitas com seu entorno — como os organismos vivos. Pela sua complexidade, para abordá-la precisaremos recorrer às contribuições de múltiplas ciências — ecologia, nutrição, antropologia, medicina, economia, etc. — que nos autorizem a relacionar as partes analiticamente separadas, apontando as suas transformações no tempo e no espaço. Delinearemos em linhas gerais a sinergia entre o meio ambiente, a tecnologia extrativista e a organização social (principalmente o sistema econômico-político), que afeta a alimentação e a culinária (com sua construção social de gostos e corpos) e, embora a alimentação seja um fator pré-patogênico por excelência, condiciona fortemente a forma como a população adoece e morre1 .

O corpo da espécie

Se procurarmos no passado exemplos da referida relação, não podemos deixar de mencionar as glaciações do Holoceno e o desenvolvimento de culturas de caça e coleta com tecnologias de extração extremamente eficazes, principalmente usando ferramentas de pedra – que dão o nome a essa época. Cestos, bolsas, varas, recipientes de cabaças, fibras e folhas, juntamente com fogões (verdadeiros sistemas de cocção, porque não só assavam, mas grelhavam, ferviam e picaneavam) dão conta da variedade de preparações destinadas a transformar uma grande diversidade de plantas e produtos de origem animal em comida, o que ajudou diversas populações em ambientes muito diferentes a terem uma vida boa.

Poderíamos voltar ainda mais atrás e ver a importância da alimentação no próprio processo de nos tornarmos humanos; então veríamos que as paleoespécies que antecederam o nosso gênero, utilizando ferramentas como outros primatas2, conseguiram ter uma dieta baseada em vegetais, acessando a carne de forma irregular. Há 2,5 milhões de anos, observamos em ossos fósseis um traço crescente de zinco (o que significa aumento na ingestão de carne) e também modificações anatômicas (cérebro maior, intestino mais rápidos, etc.) que falam de uma mudança na alimentação (onívora) que vai além modificações genéticas e epigenéticas que impulsionam e são impulsionadas por grandes mudanças metabólicas e comportamentais. Somos uma espécie que passou de presa a predador através de nossas próprias criações. Sem garras ou caninos poderosos, tivemos que nos unir, melhorar nossa comunicação e aperfeiçoar ferramentas para obtermos carne em conjunto. Mais do que um necrófago, um caçador ou um coletor, a espécie humana era uma espécie oportunista que usava o que podia para aumentar sua ingestão, e a primeira estratégia era a diversificação e a flexibilidade. Ferramentas de pau, chifre e pedra com especialização crescente indicam a modificação do comportamento comensal. Com anatomia de presa deve ter sido muito difícil atuar como predador, por isso era necessária organização social para obter carne. A dinâmica com aquele ambiente e as relações com aquelas espécies naqueles tempos distantes ainda marcam nossos corpos. Ainda hoje, quando o ritmo rápido da mudança cultural deixou para trás a lenta evolução biológica e o nosso ambiente não é mais uma savana mas a cultura da cidade, estamos mais preparados para a escassez do que para a abundância de alimentos. Resistência à insulina, metabolismo da gordura, estresse prolongado, intolerância ao glúten ou à lactose etc. São características evolutivas que respondem ao nosso passado como espécie onívora que se adaptou a diferentes ambientes (da savana africana às pastagens americanas ou às selvas asiáticas). A tecnologia extrativa necessária para atender às demandas metabólicas nos posicionou como apenas mais um predador, mas para isso foi necessário substituir as pequenas presas e unhas planas da espécie homo3 .

Há cerca de 50 mil anos, o homo sapiens anatomicamente moderno, que vivia em bandos de caçadores-coletores, já havia colonizado todos os ecossistemas do planeta, com exceção da Antártida. Seus corpos, sua alimentação e um pouco de sua vida social podem ser reconstruídos a partir de evidências arqueológicas, com algumas referências etnográficas dos poucos grupos que ainda não foram exterminados pelas sociedades atuais, uma vez que toda a expansão desde as primeiras sociedades agrícolas até as atuais sociedades industrializadas foi realizadas à custa dos seus territórios, da sua cultura e das suas vidas.

Nos bandos de caçadores-coletores, atuais e passados, a chave para a sobrevivência é a organização social e a obtenção de alimentos proporciona um eixo poderoso para a ação coletiva. Comer está em primeiro lugar e extrair o alimento não é fácil em nenhum ambiente, por isso todos (com suas diferentes possibilidades e habilidades) colaboraram para provê-la com seu trabalho diário. Os bandos — embora formadas por vários grupos familiares — compartilhavam um único fogão, o que demonstra reciprocidade no consumo. Embora a coleta de hortaliças fosse a base da alimentação, a carne tornou-se um bem social, pois a caça, por ser difícil e perigosa, era coletiva e promovia a reciprocidade como forma de distribuição, reduzindo o risco de dependência de recursos móveis e atividades penosas. Quando há, há para todos. Quando não há, não há para ninguém.

A dieta média dos nossos antepassados paleolíticos era nutricionalmente adequada. Mas é preciso falar de dietas — no plural —, pois os diferentes bandos, em ambientes diferentes e com tecnologia e organização diferentes, comiam alimentos diferentes que organizavam em diferentes tipos de preparações, em que a criatividade humana transformaria em diferentes refeições. Viver nos trópicos não é o mesmo que viver num glaciar, por isso esta síntese compacta generaliza-se num mundo de particularidades. No entanto, existe uma característica comum a todos estes regimes: as refeições são sazonais, diversificadas e frugais. Também magras (animais selvagens correm para salvar suas vidas, então sua carne tinha 30% menos gordura do que a de seus descendentes domesticados). Exceto em ambientes marítimos, consumia-se pouco sal e, em geral, pouco álcool (proveniente da fermentação de frutas e grãos nativos), poucos carboidratos (tubérculos e grãos silvestres são sazonais), muitas fibras (de vegetais e frutas naturais), poucos açúcares (mel e frutas da estação) e nada de leite, nem açúcares ou óleos refinados. Acrescentavam-se ovos, frutas secas e insetos, quando o ambiente permitia. Uma grande variedade de espécies caiu nas cozinhas dos caçadores-coletores, resultando num regime caracterizado pela diversidade. Os efeitos desse tipo de dieta ficaram marcados nos ossos fósseis, dos quais se inferem corpos altos, magros, com boa saúde nas curtas vidas (30 anos para os homens e 27 para as mulheres, o que comprova uma vez mais os riscos da maternidade).