“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 1 de maio de 2023

A DESMEMÓRIA

 Segunda, 1º de maio de 2023

Texto de Eduardo Galeano sobre o 1º de Maio, Dia dos Trabalhadores*

A DESMEMÓRIA

Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor de um dos edifícios mais altos do mundo. Chicago está cheia de fábricas, Chicago está cheia de operários.

Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.

— Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago nem na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.

O cartaz reproduz um provérbio da África: "Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador".

*Eduardo Galeano, no Livro dos Abraços, 2ª edição, L&PM Editores, 2014, página 115/116.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

O Canhoto — Edição Especial de 1º de Maio

Sexta, 1º de maio de 2020
Fique em casa. Em tempos de coronavírus e isolamento social o jornal O Canhoto circula exclusivamente em formato on-line.


📰O CANHOTO – Ed. Especial 1º de Maio📰
🎭Gazeta Gamense de cultura e política♟️

A quem pertence o 1º de Maio❓ Ou, como, por que, e para quê nos roubam a festa

Por ✒️Frank García Hernandez 
(Historiador e Sociólogo cubano)

[...] Aqui está a importância de se saber o que se comemora no dia 1º de Maio. Quem vende sua força de trabalho o faz porque não possui os meios de produção: isto é, nem de restaurantes, nem de bares, nem de fábricas, nem de minas, etc. E, portanto, não tem outro remédio, a não ser o de vender suas capacidades físicas e intelectuais como mercadoria para viver: segue sendo parte da classe trabalhadora.

📄LEIA NA ÍNTEGRA:
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Leia aqui um texto sobre Toni Morrison, que foi uma escritora afro-americana e ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura. Tradução do pessoal de O Canhoto.

A DESMEMÓRIA

Sexta, 1º de maio de 2020
Texto de Eduardo Galeano sobre o 1º de Maio, Dia dos Trabalhadores*
A DESMEMÓRIA

Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor de um dos edifícios mais altos do mundo. Chicago está cheia de fábricas, Chicago está cheia de operários.

Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.

— Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago nem na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.

O cartaz reproduz um provérbio da África: "Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador".

*Eduardo Galeano, no Livro dos Abraços, 2ª edição, L&PM Editores, 2014, página 115/116.

terça-feira, 1 de maio de 2018

A origem e o significado do 1º de Maio

Terça, 1º DE MAIO de 2018

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Por Altamiro Borges

“Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores. 

"Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista. 

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.

Dia dos Trabalhadores

Maio
1

Dia dos Trabalhadores

   Tecnologia do voo compartilhado: o primeiro pato que levanta voo abre passagem para o segundo, que abre caminho para o terceiro, e a energia do terceiro ergue o quarto, que ajuda o quinto, o impulso do quinto empurra o sexto, que empresta vento ao sétimo...

   Quando o pato que está encabeçando a fileira se cansa, desce para o final da fila e deixa seu lugar para outro, que sobe ao vértice desse V que os patos desenham no ar. Todos vão em rodízio, na frente e atrás; e nenhum deles se acha superpato por voar adiante, nem subpato por vir depois.

Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), Editora L&PM, 2012, página 147.

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Tecnologia do voo compartilhado de pombos em voo livre sobre o Parque Urbano e Vivencial do Gama

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segunda-feira, 30 de abril de 2018

1º de Maio de 2018. Dia de avaliar os retrocessos sociais

Segunda, 30 de abril de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
Foto de Chico Sant’Anna.


Neste 1º de Maio brasileiro de 2018, diante de uma reforma trabalhista pautada pelos interesses empresariais, o trabalhador brasileiro se depara com condições de trabalho semelhantes ao do século XIX, que mobilizaram os assalariados irem às ruas por seus direitos.

Por Chico Sant’Anna
Fátima de Sousa
Maria José Maninha e
Antonio Carlos de Andrade*
Século 21.
O Brasil chega a mais um 1º de Maio. Neste ano, contudo, não há grandes razões para comemorações. Chegamos ao Dia do Trabalhador com retrocessos em seus direitos. Há 132 anos, em Chicago, nos Estados Unidos, milhares de trabalhadores iam às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Há 75 anos, com a edição da Consolidação dos Trabalhos – CLT, o 1º de maio de 1943 significava a garantia das mesmas 8 horas diárias de trabalho e uma série de outros benefícios.

A história do Dia do Trabalho é uma acumulo de lutas, reflexões e de comemorações pelas conquistas obtidas. Neste 1º de Maio brasileiro de 2018, diante de uma reforma trabalhista pautada pelos interesses empresariais, o trabalhador brasileiro se depara com condições de trabalho semelhantes ao do século XIX, que mobilizaram os assalariados irem às ruas por seus direitos.

As mulheres, gestantes e nutrizes, não estão mais protegidas da insalubridade eventualmente existentes em seus empregos. Se o patrão mandar, terão que trabalhar nos locais que colocam em risco a sua saúde e de seus filhos. As oito horas diárias de trabalho, ao gosto do empregador, poderão se transformar em dez ou doze. O trabalho intermitente, criado pela reforma, gerou a possibilidade de se remunerar alguém com importância menor do que o salário mínimo. E o que é o pior, em diversas situações, para não perder o direito à previdência social, o trabalhador terá que tirar do bolso para pagar a parcela mínima do INSS.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Ministro da Defesa distorce dados sobre militares no déficit da Previdência

Sábado,18 de fevereiro de 2017
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo

Investigamos a afirmação de Raul Jungmann, que calculou a despesa gerada pelos militares em apenas R$ 13 bilhões

“Dizem que os militares contribuiriam com 45% do déficit da Previdência. Isso não é verdade. Inclusive isso está sendo corrigido. Eu recebi a informação da Secretaria Geral e da Secretaria do Orçamento. Na verdade, os militares não contribuem como está sendo dito aí com R$ 34 bilhões e com 45% do déficit. O déficit real que os militares contribuem é de R$ 13 bilhões.” – Raul Jungmann, ministro da Defesa, em entrevista ao jornal O Globo em 7 de dezembro de 2016

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, em viagem ao Espírito Santo
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, em viagem ao Espírito Santo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma das principais críticas à proposta de reforma da Previdência do governo Michel Temer (PMDB) é que os militares não foram incluídos nas novas regras. Essa exceção exaltou muitos ânimos e suscitou artigos sobre o tamanho do déficit previdenciário e qual a participação dos militares neste rombo. Veículos como O Globo e BBC publicaram textos sobre o assunto nos quais indicam que o déficit dos militares corresponde à porcentagem contestada pelo ministro Raul Jungmann em sua frase, de 45%. O Truco –projeto de verificação de fatos da Agência Pública – entrou em contato com o Ministério da Defesa diversas vezes, solicitando o posicionamento da pasta e a fonte do dado informado por Jungmann como verdadeiro, mas não obteve retorno.

A informação de que, em 2015, cerca de 45% do déficit da Previdência derivou do gasto com militares consta em diversos documentos oficiais. Uma tabela produzida pela Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados mostra que o déficit total da Previdência Social naquele ano foi de R$ 72,5 bilhões. Desse valor, R$ 32,5 bilhões destinaram-se ao pagamento de militares, incluindo aqueles que estão na reserva e reformados. Isto corresponde a 45% do déficit total.

Em 2016, o percentual foi um pouco menor: 44% do déficit previdenciário foi relativo aos gastos com militares. A contribuição dos militares para o déficit do ano passado chegou exatamente ao valor que o ministro declarou ser incorreto: R$ 34,06 bilhões.

O grupo de consultores da Câmara responsável pela tabela trabalha no assessoramento em orçamento, controle e fiscalização financeira. O documento obtido pela reportagem foi produzido pelo núcleo temático Trabalho, Previdência e Assistência Social. A fonte oficial utilizada foi o Relatório Resumido da Execução Orçamentária, elaborado pelo Tesouro Nacional, que é vinculado ao Ministério da Fazenda.

O valor indicado por Jungmann como o “déficit real” dos militares está incorreto e na verdade aproxima-se do gasto apenas com pensões, sem contar o déficit causado com pagamento de militares na reserva e reformados. O déficit causado somente pelas pensões foi de R$ 19 bilhões em 2016. Em 2015, a despesa foi de R$ 18,2 bilhões.

O ministro da Defesa afirma ainda que o percentual de 45% não é verdadeiro e estaria sendo corrigido. Nenhuma fonte contatada afirmou que o dado está sendo reanalisado, apenas que ele se refere a todos os gastos que a Previdência tem com militares e não apenas às pensões, como o número indicado por Jungmann. A assessoria de imprensa do Ministério da Defesa não respondeu às solicitações da reportagem.

Distorcido

O Truco classifica a afirmação de Jungmann como distorcida, porque os dados foram usados para produzir uma falsa interpretação da realidade. O número apresentado como verdadeiro está errado e é relativo apenas a uma parcela dos gastos da Previdência com os militares. Além disso, a maneira como a frase foi construída induz o leitor a acreditar que o dado apresentado pelo jornais está incorreto – o que não é verdade.

domingo, 1 de maio de 2016

1º de Maio: Na Avenida Paulista, ato da Conlutas pede novas eleições gerais no Brasil

Domingo, 1º de maio de 2016
 Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Manifestação do Conlutas na Avenida Paulista (Rovena Rosa/Agência Brasil)
Manifestantes pedem a realização de novas eleições no país —Rovena Rosa/Agência Brasil
Em manifestação na Avenida Paulista, pelo Dia do Trabalho, a Central Sindical Popular (Conlutas), PSOL e PSTU pedem a realização de novas eleições gerais no país. O ato ocorre desde as 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Segundo os organizadores, participam do ato sindicalistas vindo de vários estados. São esperadas 10 mil pessoas até o encerramento do protesto. A Polícia Militar não fez estimativa de público até o momento.

Dirigente da Confederação Brasileira dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, Josias de Mello, disse que a categoria teme a retirada de direitos trabalhistas diante do atual cenário político. “Nós, trabalhadores aposentados, estamos sendo também atacados, por isso dizemos fora todos. A reforma da Previdência, o ajuste fiscal vai vir agora, prejudicando a classe trabalhadora e os aposentados”, disse.

Os manifestantes dizem ser contrários à presidenta Dilma Rousseff, ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ); ao vice-presidente Michel Temer; ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); e ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Eles defendem a saída de todos esses políticos dos respectivos cargos.

De acordo com a Conlutas, a manifestação é um contraponto aos atos programados para hoje pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) a partir das 12h, no Vale do Anhangabaú, e da Força Sindical, das 7h às 15h, na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte da capital paulista.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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Dia do Trabalhador na Feira da Ceilândia

Domingo, 1º de maio de 2016
Na feira da Ceilândia hoje (1º de Maio)


 Unificar as lutas e greves contra o ajuste fiscal e por  novas eleições gerais já!
-Contra os ataques de Dilma, Temer. Rollemberg e do congresso
- Fora Cunha, Renan e Bolsonaro!
- Não ao PLP 257/2016
- Não as OS's e PPP's de Rollemberg, chega de privatização
- Pela garantia de isenção do PAS
- Tarifa zero já!
- Prisão e confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores!
- Contra a nova reforma da previdência!
- Não aos cortes da saúde e educação!
- Por um plano econômico dos trabalhadores e trabalhadoras para garantir emprego e renda!
- Reajuste geral de salários!
- Revogação da lei antiterrorismo!
- Auditoria da dívida pública já!
- Não ao PL 555. em defesa das empresas estatais!

PSTU, CSP-Conlutas, LS, Unidos Pra Lutar, MES, Juntos, CGTB, PPL, Insurgência

Babá e o Primeiro de Maio com Dilma e Lula

Domingo, 1º de maio de 2016
Ato de Primeiro de Maio com Dilma e Lula é algo bastante contraditório e incoerente. Dilma restringiu o seguro-desemprego, arrocha os salários dos servidores e Lula taxou os aposentados com a Reforma da Previdência.
(Babá, ex-deputado federal. Expulso do PT por ter votado contra a reforma da Previdência do governo Lula. Hoje vereador do Psol-RJ)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Dia dos Trabalhadores


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quinta-feira, 2 de maio de 2013

O trabalho e a criação

Quinta, 2 de maio de 2013
Mauro Santayana

Agostinho da Silva foi adversário de Salazar em tudo: como filósofo, desmentiu o ditador, que afirmava não ser a sua raça (e a nossa) incapaz de abstrações filosóficas. É desse pensador, que passou grande parte de sua vida no Brasil como exilado político, a idéia de que o homem não nasceu para trabalhar, e, sim, para criar. Não é por acaso que o vocábulo “trabalho” vem do latim “tripalium”, que era um instrumento de tortura na Antiguidade.
 
            Os artesãos não “trabalham”, uma vez que criam suas peças; a elas, sem que percam o fim útil a que se destinam, acrescentam alguma coisa de si mesmos, do seu engenho e do seu sentido estético. Assim, são “obras de arte”.
 
          No mundo industrial de nossos dias já não existem artesãos, a não ser os que, por decisão própria, vivem à margem do sistema, embora por ele sejam também explorados. Os desenhistas industriais podem criar, mas o seu trabalho está sempre submetido às razões do mercado, o que lhes retira a liberdade. Só dele conseguem escapar plenamente os artistas, em estrito senso, quando não se deixam levar pela ambição do dinheiro.
 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Primeiro de maio

Quarta, 1º de maio de 2013
Gilvan Rocha*
Há um clichê que se repete, a cada ano, no primeiro de maio, quando costumam dizer: Primeiro de maio dia de luto e de luta. Na verdade, o primeiro de maio é uma alusão ao confronto entre operários e as forças da repressão em 1º de maio de 1886, na cidade de Chicago, nos EUA. Quanto ao fato de se proclamar que também, o primeiro de maio é um dia de luta, precisamos definir bem a natureza dessa luta.

Os trabalhadores do mundo inteiro são movidos a lutar por uma pauta imediata, que contemple as suas reivindicações em torno de melhores salários, melhores condições de trabalho e segurança em seus empregos, quando os têm. Esse é o caráter imediato da luta dos trabalhadores. Trata-se de reivindicações que se atêm aos limites do próprio sistema capitalista. Quando os trabalhadores vão além dessa pauta de lutas imediatas e avançam no sentido de questionar o próprio sistema socioeconômico vigente, eles se colocam em um patamar bastante superior. Eles, os trabalhadores, quando têm consciência de que o sistema capitalista consiste na existência de uma classe exploradora, a burguesia, que monopoliza os meios de produção e submete os que trabalham a um regime de exploração, então buscam a superação dessa ordem econômica e se propõem a conquistar uma nova ordem econômica e social, onde não exista a exploração do homem pelo homem, isto é, passam a lutar pelo socialismo. 

Assim, fica claro que, apesar de importante, a luta cotidiana de resistência ou de conquistas que minorem as agruras das classes trabalhadoras, necessário se faz um avanço na qualidade de suas lutas, colocando as massas de explorados e oprimidos, em uma postura inequivocamente anticapitalista. Não devem, pois os trabalhadores, limitarem-se à conquista de migalhas que sobram do banquete da burguesia. Seu destino histórico pode estar muito além, uma vez que, sua possível determinação, poderá conduzir não só à sua libertação das amarras do capitalismo, e isto se dando, redundará na conquista da emancipação da humanidade e se terá então um mundo de igualdade, justiça e paz. Portanto, é nesse contexto que devemos nos reportar ao grande momento que pode ser o primeiro de maio.
 
*Gilvan Rocha é o presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Leia também "Lula, o patriota"

terça-feira, 1 de maio de 2012

domingo, 1 de maio de 2011

Centrais avacalham o 1º de Maio

Domingo, 1 de maio de 2011
Data que é um símbolo das lutas dos trabalhadores, o 1º de Maio vem a cada ano que passa sendo mais avacalhada pelos sindicatos e pelas centrais de trabalhadores no Brasil. As manifestações do Dia do Trabalho passaram de atos de protesto, de reivindicações, a eventos musicais e de sorteios de casas e automóveis.

Tem central que hoje sorteará 20 carros. Parece mais uma central de sorteios que uma de trabalhadores. É o caso da Força Sindical, nascida como uma idéia do grupo de empresários incomodados com a atuação da CUT, e também por inspiração do governo Collor, cumpriu o seu papel de dividir o movimento dos trabalhadores. Hoje tem como sua mais forte aliada a própria CUT, central inspirada no sindicalismo americano, um sindicalismo que nada ou quase nada tem de ideológico. Elas —CUT e Força— só discordam em momentos muitos raros e de pouca importância.

É no 1º de Maio que essas duas centrais se dividem. Mas apenas no “promover” a festa. Uma vai para um lado, com seus sorteios de apartamentos e automóveis, e a outra para outras paragens, mas também com uma festa essencialmente musical. É como se estivesse tudo bem para os trabalhadores brasileiros.

Os gritos de guerra do “fora FMI” (Fundo que continua ditando as decisões ao nosso governo, como foi o caso da manutenção do famigerado superávit primário), e as lutas pelo controle das atividades dos bancos, pelo aumento salarial, pela auditoria das dívidas externa e interna, foram trocados pelas músicas sertanejas e pelo axé. E o pior, isso acontece com as duas maiores centrais de trabalhadores, a CUT e a Força Sindical.

Parece até que a dívida externa acabou, que não esteja beirando os R$380 bilhões de reais, e que a outra dívida, a interna, se encontre em limites razoáveis, e não marchando, como está, para os 2 trilhões e 500 bilhões de reais. Fazem de conta que ignoram que em 2011 já pagamos aos bancos e demais rentistas R$264 bilhões referentes aos encargos e rolagem da dívida, sangrando assim o Estado, e conseqüentemente todo o povo, pois é dinheiro tirado da saúde, da segurança, da educação, da previdência, da infra-estrutura.

Enquanto o governo paga em 2011 a insuportável quantia de R$264 bilhões de juros e da rolagem da dívida, aplica apenas R$600 milhões (milhões, apenas) em investimentos, isto é, em construções de estradas, portos, aeroportos, escolas, obras de saneamento, hospitais etc.

Para a CUT e a Força Sindical, e também para algumas outras centrais que são penduricalhos das duas primeiras, esses problemas não existem. Vale apenas a festa, o sertanejo, o axé.

As festas das principais centrais serão, conforme divulgado na imprensa, bancadas com dinheiro da contribuição sindical e pelo patrocínio de empresas estatais (Eletrobrás, Banco do Brasil, CEF, Petrobrás) e, pasmem! Por empresas como Carrefour, Pão de Açúcar, Casas Bahia, Brahma, e os bancos BMG, Itaú e Bradesco.

Financiadas por Bradesco, Itaú e BMG, não dá realmente para protestar contra as dívidas externa e interna. Nem fazer qualquer outro protesto mais sério.

Os artistas e o clima de colaboracionismo que estarão presentes nas festas da CUT e da Força Sindical só não estarão presentes no ato da Praça da Sé, na capital paulista. Neste local o ato do 1º de Maio será realizado pela esquerda, como a Conlutas, Intersindical, Psol, PSTU, PCB, MTST —Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto— Consulta Popular e Pastoral Operária. Os próprios organizadores desse ato esperam cerca de 10 mil pessoas.

sábado, 1 de maio de 2010