Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 4 de abril de 2026

ATL 2026 —Acampamento Terra Livre começa neste domingo (5) em Brasília; confira a programação

Sábado, 4 de abril de 2026

ATL 2026
Acampamento Terra Livre começa neste domingo (5) em Brasília; confira a programação

Mobilização indígena debate demarcação de terras, eleições e desafios na preservação ambiental

Brasil de Fato — BRASÍLIA (DF)

Acampamento Terra Livre é a maior Assembleia dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil e acontece anualmente desde 2004, em Brasília | Crédito: MPI/Mre Gavião

O Acampamento Terra Livre (ATL), maior mobilização indígena da América Latina, acontece em Brasília (DF) a partir deste domingo (5) com o tema “Nosso futuro não está à venda: A resposta somos nós”. A programação traz diferentes eixos temáticos para mobilizar a comunidade diante do agravamento da crise climática e das propostas legislativas.

Organizado pela Articulação de Povos Indígenas do Brasil (Apib), a mobilização chega à sua 22ª edição e deve reunir milhares de indígenas das cinco regiões do país, que ficarão localizados no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte). O tema deste ano foi definido durante o Fórum de Lideranças Indígenas da entidade e reforça a resistência frente a interesses econômicos e institucionais que ameaçam territórios e modos de vida tradicionais.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Ciências indígenas contra desinformação climática

Segunda, 23 de março de 2026







Ciências indígenas contra desinformação climática

Fortalecimento da Lei 11.645, de 2008, fornece subsídios para construção de rotas de fuga da crise climática

Luma Ribeiro Prado - Educadora e pesquisadora no ISA

Rosenilda Luciano - Do povo Sateré-Mawé, integrante do FNEEI e da ANMIGA


Conhecimento tradicional
Patrimônio
Política e Direito
Políticas públicas

*Artigo originalmente publicado no Mídia Ninja, no dia 17/03/2006

Em um cenário de emergência climática e disputa de narrativas acirrada pela polarização política e fundamentalismo religioso, a escola – lugar estratégico na formação de novas gerações – tem sido palco de desinformação sobre o tema, como apontou a agência Aos Fatos.

Integrantes da Fneei pedem o reconhecimento das histórias, saberes e territórios indígenas nos currículos escolares, durante o ATL 2025 📷 Oziel Ticuna/FNEEI

De um lado, a organização De Olho no Material Escolar (DONME) que, desde 2021, tem unido esforços para interferir na representação do agronegócio nos materiais didáticos, exercendo pressão sobre as principais editoras do Brasil para construir uma imagem ainda mais positiva do “agro”.

Assim, o lobby do DONME opera para a continuidade de um modo de vida no planeta que contribui para a situação de crise que vivemos: omitindo danos deste grupo econômico, como o desmatamento e as queimadas.

Do outro lado, o movimento indígena e socioambientalista, desde a década de 1970, vem trabalhando por uma educação que reconheça as ciências indígenas na promoção de práticas sustentáveis alinhadas à preservação do ecossistema e da biodiversidade, e represente a sociodiversidade brasileira de forma justa.

Uma conquista é a Lei 11.645/2008, que há 18 anos tornou obrigatório o ensino de histórias e culturas indígenas e afro-brasileiras em todas as escolas do país. Medida de reparação histórica, justiça curricular e que está em consonância com a urgência ambiental do século XXI, a Lei, no entanto, tem tido baixa implementação, como demonstrou o Diagnóstico Equidade, do Ministério da Educação.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

💪🏽🏹 Lute & Celebre com o ISA no Dia dos Povos Indígenas

Sexta, 8 de agosto de 2025


Olá,

Amanhã (09/08) é celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas e, neste mês, o ISA está comemorando o Agosto Indígena!

Com um calendário repleto de lançamentos, atividades e conteúdos inéditos, vamos ampliar as vozes e fortalecer as lutas e divulgar as contribuições dos povos indígenas para a sociedade brasileira, o meio-ambiente e o clima.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Lei ruralista —No primeiro ano de vigência do marco temporal, 211 indígenas foram assassinados no Brasil

Segunda, 28 de julho de 2025

Relatório do Cimi revela que queimadas em Terras Indígenas mais que dobraram de 2023 para 2024


Brasil de Fato — São Paulo (SP)
28.jul.2025
São Paulo (SP)

Ao longo do primeiro ano de vigência do marco temporal (Lei 14.701/2023), 211 indígenas foram assassinados no país. A maior parte deles tinha entre 20 e 29 anos e os estados com mais casos foram Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul. Os dados, referentes ao ano de 2024, estão no Relatório Violências contra Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), publicado nesta segunda-feira (28).

A vigência do marco temporal – tese ruralista segundo a qual só podem ser demarcadas terras ocupadas por povos originários até 5 de outubro de 1988, quando a Constituição foi promulgada – é apontada pelo documento como o cerne da escalada de violência e da morosidade na demarcação de terras no Brasil.

Foram registrados 424 casos de violências dirigidas pessoalmente contra indígenas no ano passado. Além dos assassinatos, houve 20 ameaças de morte, com maior incidência no Maranhão e Rondônia e 35 casos de ameaças de outro tipo, tais como estelionato, trabalho análogo à escravidão e intimidações, muitas vezes envolvendo disparos de armas de fogo.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

🏹 Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil, do ISA, é destaque na USP

Sexta 4 de julho de 2025



,

No dia 29 de maio, a Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil foi destaque durante a mesa-redonda Enciclopédias digitais em ação, na Universidade de São Paulo.

O encontro marcou os 10 anos da Enciclopédia de Antropologia da USP e reuniu iniciativas que constroem pontes entre tecnologia e conhecimento, como as enciclopédias Bérose, Wikipedia e Itaú Cultural e abordou temas como autoria coletiva, uso de inteligência artificial e produção de conteúdos acessíveis.

Primeira versão do site Povos Indígenas no Brasil que foi ao ar em 1997. Fonte: Acervo ISA

Durante o evento a antropóloga Tatiane Klein, editora da Enciclopédia do ISA, relembrou que entre o fim da ditadura e a redemocratização havia pouca informação disponível sobre os povos indígenas e seus territórios. Para preencher essa lacuna, Fany e Beto Ricardo organizaram uma rede de colaboradores.

Esse material, reunido pelo Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), deu origem a publicações que apresentavam os povos indígenas por áreas culturais e depois continuadas pelo ISA com a série Povos Indígenas no Brasil.

Atualmente contendo mais de 220 verbetes, com autoria indígena e não indígena, a Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil mantém viva essa rede de colaboração iniciada há mais de 40 anos.

“De certa forma, esse projeto de pesquisa tão longevo articula a academia, a sociedade civil, organizações indígenas, movimento indígena e hoje pesquisadores indígenas que estão na universidade, num grande objetivo de ‘colocar os povos indígenas no mapa’”, afirmou Tatiane Klein, citando a frase cunhada por Beto Ricardo nos anos 1980.

Em 2027 o site da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil completará 30 anos. Com seu apoio, podemos continuar escrevendo essa história.

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Socioambiental se escreve junto.


Moreno Saraiva

Instituto Socioambiental (ISA)



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Fonte: ISA

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

✊🏼🌳 Vitória dos povos do Xingu! Gruta de Kamukuwaká ganha réplica

Quarta, 30 de outubro de 2024


Olá,

Sagrada para o povo Waurá e frequentada pelos povos do Xingu há mais de 10 mil anos para a prática de rituais, a Gruta de Kamukuwaká ganhou uma réplica.

O sítio arqueológico foi excluído do território indígena em 1961, durante a demarcação da Terra Indígena Batovi, no Alto Xingu. Sem proteção, a gruta teve uma parede inteira de inscrições rupestres depredada em ato criminoso em 2018.

Recentemente, lideranças do Xingu lideraram um pedido de alteração do traçado proposto pelo Dnit para a BR-242, que passaria por cima do local sagrado. A proposta das lideranças – aproveitar estradas que já existem na região e desviando de Kamukuwaká – foi aceita pelo Dnit em fevereiro de 2024.


No entanto, com a evidente perda cultural vivida pelos povos do Xingu, pesquisadores espanhóis e as organizações Factum Foundation e People’s Palace Projects propuseram aos indígenas uma réplica da gruta.

Inaugurada no início de outubro de 2024, ela agora serve como local de encontro e ensino para a comunidade indígena, permitindo que a cultura e a história dos Waurá sejam preservadas e transmitidas às futuras gerações.

Durante a inauguração, a Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX) ressaltou a necessidade de uma atuação mais efetiva dos órgãos governamentais para evitar vandalismos e depredações em locais sagrados. O evento contou com a presença de lideranças indígenas, representantes do Instituto Socioambiental (ISA), da Amazon Conservation Team Brasil (ACT Brasil) e de órgãos governamentais.

Confira o vídeo do Projeto Colabora e conheça mais sobre a importância deste patrimônio vivo do Xingu!



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Socioambiental se escreve junto.


Ivã Bocchini

Instituto Socioambiental (ISA)




sexta-feira, 16 de agosto de 2024

STF autoriza ampliação de poderes da DPU em ação para proteção aos povos indígenas isolados

Sexta, 16 de agosto de 2024

Para o ministro Edson Fachin, a medida reconhece a importância da Defensoria Pública da União para que grupos que estão à margem da sociedade possam ter acesso a direitos e liberdades previstos na Constituição Federal.

Do MPF
16/08/2024

Foto: Leo Otero/MPI
 
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e autorizou que a instituição atue na ação que trata de medidas de proteção a povos indígenas isolados e de recente contato (que mantêm contato seletivo com segmentos da sociedade).

A atuação vai se dar na qualidade de “guardiã dos vulneráveis”, condição que dá ao órgão poderes semelhantes aos das partes do processo, como requerer medidas cautelares e produção de provas, além de apresentar recursos e ter tempo regular de sustentação oral.

Medidas

A decisão do relator foi tomada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 991, na qual a Corte determinou que a União adote medidas necessárias para garantir a proteção integral dos territórios com povos indígenas isolados e de recente contato, incluindo a apresentação de um plano de ação nesse sentido.

domingo, 2 de junho de 2024

Os índios são pessoas

 Junho

Os índios são pessoas

   Em 1537, o papa Paulo III ditou sua bula Sublimis Deus
  A bula entrou em choque contra aqueles que, desejando saciar sua cobiça, se atrevem a afirmar que os índios devem ser dirigidos à nossa obediência, como se fossem animais, com o pretexto de que ignoram a fé católica.

  E em defesa dos aborígenes do Novo Mundo, estabeleceu que eles são verdadeiros homens, e como verdadeiros homens que são podem usar, possuir e gozar livre e licitamente de sua liberdade e do domínio de suas propriedades e não devem ser reduzidos à servidão.

   Na América, ninguém tomou conhecimento.

           Eduardo Galeano, Os filhos do Sol,
ed. 2012, pág. 182, L&PM Editores.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Um ano da Emergência na Terra Indígena Yanomami. O que mudou?

Terça, 30 de janeiro de 2024


A batalha continua: os Yanomami e Ye’kwana seguem resistindo contra o garimpo ilegal e outras atividades predatórias que trazem doenças e violência para o território.

Novo relatório da Hutukara Associação Yanomami (HAY) aponta que um ano após o governo federal declarar Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) na Terra Indígena Yanomami o garimpo persiste no território e promove um estrangulamento dos serviços de saúde.

Lançado nesta sexta-feira (26/01), o documento, que recebeu apoio técnico do Instituto Socioambiental (ISA) e do Greenpeace Brasil, tem endosso também da Associação Wanassedume Ye’kwana (Seduume) e da Urihi Associação Yanomami.

De acordo com o novo relatório, o garimpo desacelerou em 2023, mas ainda teve a sua área ampliada em 7%. A área total devastada acumula 5.432 hectares e impacta 21 das 37 regiões existentes. O ano teve registro de 308 mortes de Yanomami e Ye’kwana sem que servidores da saúde conseguissem atender comunidades vulneráveis por medo dos garimpeiros ilegais.

O líder Yanomami e presidente da Hutukara, Davi Kopenawa, pediu para que o governo federal reforce as ações de saúde em toda a Terra Indígena Yanomami, em um trabalho coordenado que garanta a assistência para todos os Yanomami e Ye’kwana.

“Já completou um ano. Agora em 2024, vamos começar de novo? Eu queria conversar com o Exército e com os militares porque eles estão lá para proteger a floresta nacional, a floresta Amazônica, mas não estão protegendo”, disse.

Faça sua voz ser ouvida e junte-se aos Yanomami e Ye’kwana na defesa de suas vidas, direitos e territórios.
Discussão sobre o avanço da malária e da desnutrição em crianças durante o XIV Encontro de Mulheres Yanomami, em novembro de 2023.
Ana Maria Machado/ISA
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Marcos Wesley

Instituto Socioambiental (ISA)
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sábado, 27 de janeiro de 2024

Líder zoró recebe ameaças após denunciar invasão de terra indígena

Sábado, 27 de janeiro de 2024
© APIZ/Associação do Povo Zoró

Alexandre Xiwekalikit Zoró preside a Associação do Povo Indígena Zoró

Por Agência Brasil - São Paulo

O líder Alexandre Xiwekalikit Zoró, que preside a Associação do Povo Indígena Zoró (Apiz), recebeu graves ameaças de invasores do território, situado nos limites do município de Rondolândia, em Mato Grosso. Os criminosos afirmaram que, se sofrerem repressão por parte de agentes públicos que atuam na região, Alexandre Zoró terá que lidar com as consequências.

"Disseram que, se destruírem os bens deles lá dentro, já sabem de quem é a culpa", relatou Alexandre, em uma fala que lembra a de líderes indígenas de outros pontos do país, também preocupados com retaliações após atuação de forças-tarefas nos territórios dos povos originários.

Segundo uma fonte que conversou com a reportagem da Agência Brasil e que terá a identidade preservada, por também correr risco de vida, os invasores disseram a Alexandre que sabem que foi ele quem denunciou a piora recente na invasão do território e que "se acontecer algo, vai sobrar para ele".

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

VIOLÊNCIA NO CAMPO —Comunidade Pataxó em Porto Seguro (Bahia) sofre ataque a tiros e tem casas destruídas

Quarta, 3 de dezembro de 2024
Indígenas detêm escritura de fazenda, que é contestada judicialmente por cônsul português honorário

Redação
Brasil de Fato | Salvador (BA) | 03 de janeiro de 2024 às 12h54

Homens atiraram contra comunidade e atearam fogo a casas e objetos de moradores da aldeia indígena — FUNAI CR-SBA

Na última sexta-feira (29), a comunidade Pataxó Itacipuera, situada na área rural de Sapirara, no município de Porto Seguro (BA), foi alvo de um ataque a tiros efetuado por seis homens encapuzados que invadiram o território indígena. Além de realizar os disparos, os invasores destruíram casas e queimaram objetos pessoais dos moradores. O ataque ocorreu por volta das 22h, momento em que parte das vítimas dormiam.

"Atiraram para tudo quanto é lado, tacaram fogo nas coisas da gente e botou todo mundo para correr", relata Teresinha Neves dos Santos, uma das moradoras da comunidade e titular da escritura da terra que tradicionalmente ocupam. "Essa terra é uma herança do meu avô. Eu tenho a escritura com registro de 1956", conta.

Funai esteve no local e solicitou intervenção das polícias civil, militar e federal para apurar o ataque / Funai CR-SBA

Apesar da escritura, o território indígena, de 131 hectares, foi sobreposto à matrícula da fazenda Itaquena, de propriedade de Moacyr Costa Pereira de Andrade, cônsul honorário — cargo voluntário e não relacionado à carreira diplomática — de Portugal em Porto Seguro. A data da matrícula da fazenda invasora é de 1979, posterior à data da escritura pertencente à família de Teresinha, de 1956. A matrícula informa ainda sobre uma área de 2.944,39 hectares de propriedade do cônsul.

A comunidade Itacipuera é formada por 16 famílias que reivindicam desde 2017 o direito de viver em suas terras. Em 19 de dezembro de 2023, foi executado o pedido de reintegração de posse da área, expedido pela Justiça estadual em Porto Seguro. Após a expulsão, no dia 27 de dezembro, os indígenas retornaram às suas terras, o que resultou no violento ataque empreendido contra a comunidade.

O ataque se deu à revelia de um acordo firmado entre indígenas de Itacipuera e invasores da terra. "Um acordo para não colocar policial, nem segurança nas nossas terras e eles concordaram", contou a liderança, que chegou a ser levada coercitivamente para delegacia sob o pretexto de prestar esclarecimento por descumprimento da medida judicial.

Indígenas permanecem fora da comunidade por medo de sofrerem novos ataques / Funai CR-SBA

Segundo Teresinha, esse é o segundo ataque sofrido nos últimos três meses. Ameaçados, os indígenas encontram-se fora de seu território. "Eles disseram que se voltássemos nos matariam", denuncia a liderança.

No sábado (30), a Coordenação Regional da Funai realizou uma reunião com a comunidade de Itacipuera no local. O coordenador regional Aruã Pataxó informou que também foi feito contato com a Polícia Federal e Polícia Civil, solicitando a abertura de investigação e inquérito policial sobre o ataque sofrido pela comunidade.

* Com informações do CIMI.

Fonte: BdF Bahia

Edição: Gabriela Amorim

STF recebe mais uma ação contra lei que institui o marco temporal indígena

Quarta, 3 de janeiro de 2024

Três partidos argumentam que STF já afirmou que a tese é incompatível com a proteção constitucional aos direitos dos indígenas

Do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu mais uma ação questionando a validade de regras aprovadas pelo Congresso Nacional estabelecendo que os povos indígenas só têm direito ao reconhecimento e demarcação de territórios se comprovarem sua presença nas áreas em 5/10/1988, data da promulgação da Constituição Federal. As regras, que instituem o chamado marco temporal, constam da Lei 14.701/2023.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7583, com pedido de liminar, foi apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV). Eles argumentam que o STF já concluiu que a adoção desse marco temporal para definir a ocupação tradicional da terra pelas comunidades indígenas não é compatível com a proteção constitucional aos direitos dos povos indígenas sobre seus territórios.

As regras chegaram a ser vetadas pelo presidente da República, mas o Congresso derrubou os vetos. Sobre o mesmo tema, foram apresentadas a Ação declaratória de Constitucionalidade (ADC) 87, pedindo a validação da lei, e a ADI 7582, questionando sua validade.

Leia mais:




Processo relacionado: ADI 7583

domingo, 31 de dezembro de 2023

RESISTÊNCIA —Da escravidão ao paraíso: os indígenas que reflorestam o arco do desmatamento na Amazônia

Domingo, 31 de dezembro de 2023

Marcelino Apurinã mostra marca de colorau feito na Aldeia Novo Paraíso: 'Estamos reflorestando' - Murilo Pajolla/Brasil de Fato

No sul do Amazonas, aldeia Apurinã cultiva santuário de sustentabilidade e supera passado de brutalidade colonial

Murilo Pajolla
Brasil de Fato | Lábrea (AM) | 31 de dezembro de 2023

Nem mesmo o sol forte da Amazônia impede Marcelino Apurinã, 73 anos, de fazer vistorias diárias de seu Sistema Agroflorestal (SAF). O SAF é uma técnica de plantio que entrelaça, no mesmo espaço, espécies nativas ao cultivo de alimentos – tudo sem veneno e de forma sustentável

"O SAF é um modelo que a gente faz hoje sem devastar a natureza. É feito no lugar onde as árvores já tinham sido derrubadas. Então estamos reflorestando. Aqui temos uma diversidade de plantas. Não é monocultura", diz Marcelino Apurinã, orgulhoso.

Essa união entre a floresta amazônica e alimentos típicos da região faz bem para o meio ambiente e ajuda a recuperar áreas desmatadas. Até agora, ele e a família reflorestaram uma área de 120 mil metros quadrados.


O reflorestamento não poderia ser mais oportuno, já que o SAF de Marcelino está em Lábrea (AM) no arco do desmatamento, como é chamada a região onde a floresta queima em um ritmo bem mais acelerado do que em qualquer outro lugar do bioma.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Lula veta tese do marco temporal em lei aprovada pelo Congresso

Sexta, 20 de outubro de 2023
© Antônio Cruz/Agência Brasil

Trechos do PL considerados constitucionais pelo governo foram mantidos

Por Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil - Brasília - Publicado em 20/10/2023

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu vetar parcialmente o projeto de lei (PL) estabelece que os povos indígenas só têm direito às terras que ocupavam ou reivindicavam até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da atual Constituição Federal. Essa tese é conhecida como marco temporal. O anúncio foi feito em coletiva à imprensa pelos ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Jorge Messias (Advocacia Geral da União), no fim da tarde desta sexta-feira (20), no Palácio da Alvorada, residência oficial.

A sanção com vetos será publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) porque esta sexta-feira é o último dia do prazo que o presidente da República tinha para se manifestar.

O Projeto de Lei (PL) 2.903/2023 foi aprovado pelo Congresso Nacional no dia 27 de setembro. Uma semana antes da aprovação no Legislativo, o Supremo Tribunal Federal (STF) tinha invalidado a tese do marco temporal. Os ministros da Corte, entretanto, definiram indenização para ocupantes de boa-fé. Na ocasião, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), negou que a aprovação do projeto foi para afrontar o STF.

“O presidente Lula, hoje [20], data de sanção do PL que trata do marco temporal, decidiu por vetar o marco temporal, respeitando integralmente a Constituição brasileira, inclusive as decisões recentes do STF sobre constitucionalidade sobre esse tema”, afirmou Padilha.


Questionada sobre a expectativa do movimento indígena, que cobrava um veto total ao PL, a ministra Sônia Guajajara disse que os pontos não vetados não prejudicam a política indigenista. "O que ficou ali é o que está em algum dispositivo legal, que não vai alterar em nada ao que já temos garantido na Constituição Federal, e agora na última decisão do STF. Estamos totalmente abertos ao diálogo com o movimento indígena, para esclarecer e construir, como também com o próprio Congresso Nacional".

Entre os artigos mantidos no texto, estão os que, segundo Alexandre Padilha, “reforçam a transparência de todo o processo de estudo, de declaração, de demarcação, que reforçam a participação efetiva de estados e municípios ao longo de todo o processo, que regulamentam o acesso à área indígena, de servidores que estão prestando serviços importantes para essa população. E o início do artigo que valida a importância de atividades econômicas e produtivas nessa Terra Indígena, desenvolvidas pela comunidade indígena”, afirmou.

As razões e justificativas dos vetos serão informadas no texto a ser publicado no DOU, o que deve ocorrer ainda nesta sexta.

Além do marco temporal, já considerado inconstitucional pelo STF, a possibilidade do pagamento de indenização prévia às demarcações foi vetada, segundo explicou o advogado-geral da União, Jorge Messias. A possibilidade de revisão de demarcações já realizadas, cultivo de transgênicos, garimpo e construção de rodovias em terras indígenas sem autorização das comunidades indígenas foram outros pontos vetados, segundo informaram os ministros. Messias disse que a sanção parcial respeitou a separação dos Três Poderes e defendeu a decisão tomada.

“O presidente Lula muito claramente atendeu aquilo que foi decidido pelo STF e vetou outros dois blocos de artigo que contrariavam a política indigenista, e um outro bloco que gerava insegurança jurídica para a aplicação do processo demarcatório”, destacou.

Análise de vetos

Com a sanção parcial do projeto pelo presidente Lula, os vetos voltam para ser analisados pelos parlamentares em sessão do Congresso Nacional, que ocorre com a participação de deputados e senadores.

O veto é a discordância do Presidente da República com determinado projeto de lei aprovado pelas Casas Legislativas do Congresso Nacional. A Constituição determina que ele seja apreciado pelos parlamentares em sessão conjunta, sendo necessária a maioria absoluta dos votos de deputados federais (pelo menos 257) e de senadores (pelo menos 41) para a sua rejeição.

Edição: Marcelo Brandão

MPF move 48 ações contra responsáveis por venda ilegal de quase 50 mil cabeças de gado em Terra Indígena do PA

Sexta, 20 de outubro de 2023

Órgão pede R$76,7 milhões para recuperar danos ambientais e proteger Terra Indígena Apyterewa, que está com processo de desintrusão ameaçado

Imagem de criação de gado ao fundo e o texto Pecuária Ilegal na Terra Indígena Apyterewa

Arte: Comunicação/MPF











Do MPF
O Ministério Público Federal (MPF) propôs, nesta sexta-feira (20), um conjunto de 31 ações criminais e 17 ações civis públicas contra ocupantes irregulares da Terra Indígena (TI) Apyterewa, localizada no município de São Félix do Xingu, no Pará. Os alvos dos processos são ocupantes irregulares e invasores que utilizaram a área para criação e venda de gado ilegal, causando danos ambientais e prejuízos ao povo Parakanã, que habita o território. Nas ações civis, o MPF pede o pagamento de R$ 76,7 milhões, a título de ressarcimento dos ganhos financeiros obtidos com a comercialização do rebanho irregular e de indenizações por danos morais coletivos.


O MPF também expediu três recomendações para órgãos públicos e um frigorífico, com o objetivo de combater a exploração irregular de atividade agropecuária no território. Além disso, foram enviados ofícios aos frigoríficos que, em 2009, firmaram com o MPF os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) conhecidos como TAC da Carne ou TAC da Pecuária. Na ocasião, as empresas se comprometem a não comprarem gado criado em áreas de desmatamento ou envolvidas em outros tipos de ilegalidades socioambientais.

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O conjunto de medidas é decorrente do relatório “Boi Pirata: a pecuária ilegal na Terra Indígena Apyterewa”, elaborado pelo MPF a partir da análise de bases de dados relativas à cadeia de produção e comercialização de gados criados ou engordados ilegalmente na área. Foi constatado que 86 fazendas localizadas ilegalmente no território movimentaram entre 2012 e 2022 um total de 48.837 bovinos para 414 imóveis rurais, sendo que 47.265 foram destinados a fazendas que estão fora da terra indígena. Desses, 678 seguiram diretamente para o abate. O lucro com a atividade ilegal é estimado pelo MPF em R$130,9 milhões.

sexta-feira, 23 de junho de 2023

TRF1 mantém sentença que reconhece terras de fazendas na Bahia como pertencentes ao povo Pataxó Hã-Hã-Hãe

Sexta, 23 de junho de 2023

MPF defendeu que imóveis estão dentro da Terra Indígena Caramuru-Paraguassu
Arte: Comunicação/MPF

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), por unanimidade, manteve sentença que considerou as terras das fazendas Ribeirão da Fartura II e Vitória como parte da Terra Indígena (TI) Caramuru-Paraguassu, em Itaju do Colônia (BA). A decisão segue entendimento do Ministério Público Federal (MPF), que se manifestou na ação no sentido de que as terras estão em área dos indígenas Pataxó Hã-Hã-Hãe. Assinado em 15 de junho, o acórdão da 6ª turma do TRF1 foi proferido em ação de particular que alegava ser possuidora dos referidos imóveis.

A ação foi ajuizada contra a comunidade indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe, representada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com o objetivo de garantir a posse sobre as fazendas. A suposta proprietária alegava ter adquirido a propriedade de antigos fazendeiros. Ao se manifestar no processo, o MPF citou perícia topográfica da região que confirmava que as fazendas Ribeirão da Fartura II e Vitória estão situadas dentro da TI Caramuru-Paraguassu.

Na manifestação, o MPF pontuou, ainda, que cabe à comunidade Pataxó Hã-Hã-Hãe a posse permanente das terras e o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos existentes. Detalhou que tais terras são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis. A União também se manifestou no processo, confirmando que a área é de sua propriedade e constituída como terra indígena.

domingo, 18 de junho de 2023

LUTA PELA TERRA —Aldeia luta pela sobrevivência a menos de 20 minutos da Praça dos Três Poderes, em Brasília

 Domingo, 18 de junho de 2023

No centro do poder nacional, indígenas não têm acesso a direitos básicos, como luz, água, esgoto e coleta de lixo

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Uma das casas da Aldeia Teko-Haw, construída com restos de madeira - Rafael Daguerre

No início do ano acompanhamos os desdobramentos da crise Yanomami, consequência do verdadeiro genocídio praticado pelo governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PL), que colocou órgãos do Estado brasileiro que deveriam defender os povos originários para atuar com o objetivo de exterminá-los aos poucos.

Mas não é apenas na Amazônia dos Yanomami, tão distante dos grandes centros urbanos, que os indígenas sofrem com violações dos seus direitos. Em plena Brasília, a menos de 20 minutos da Praça dos Três Poderes, mais exatamente no Setor Noroeste, a comunidade Guajajara da Aldeia Teko-Haw luta para resistir em meio ao descaso governamental.

Durante uma semana, entre os dias 10 e 17 de fevereiro, nossa reportagem esteve no local e presenciou um quadro desolador e revoltante. Ocupando o território desde 2009, quando vieram do Maranhão para protestar contra um desmonte na então Fundação Nacional do Índio (Funai, hoje com o nome de Fundação Nacional dos Povos Indígenas) promovido pelo segundo governo Lula, as 37 famílias (com mais de 40 crianças) permanecem até hoje desassistidas dos serviços públicos mais básicos, como rede de esgoto, coleta de lixo, fornecimento regular de água e de luz.

Leia a íntegra

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Relator elogia decisão do Vaticano contra “Doutrina do Descobrimento”

Sexta, 7 de abril de 2023
Photo: Ivar VelasquezIndígena na Argentina

ONU News
6 Abril 2023

Decreto de 500 anos da Igreja Católica Apostólica Romana foi usado para justificar a apreensão de terras indígenas por poderes coloniais; conceito feria direitos humanos dos povos originários.

O relator especial da ONU* sobre os Direitos dos Povos Indígenas emitiu um comunicado saudando a decisão da Igreja Católica de repudiar um decreto que permitia a apreensão de terras indígenas.

Francisco Calí Tzay disse que o decreto, de 500 anos, conhecido como “Doutrina do Descobrimento” foi usado por poderes coloniais para se apossar da propriedade alheia.

quinta-feira, 16 de março de 2023

Supremo segue parecer do MPF e inclui Comunidade Indígena Kaigang em ação que discute demarcação de terra

Quinta, 16 de março de 2023

Arte: Comunicação/MPF

STF entendeu que ausência da população tradicional na ação ordinária configura violação do princípio do contraditório e da ampla defesa

O Supremo Tribunal Federal (STF) seguiu parecer do Ministério Público Federal (MPF) e incluiu a Comunidade Indígena Kaingang de Toldo Boa Vista, Paraná, como litisconsorte passivo necessário em ação que discute a anulação de processo administrativo de demarcação de terras indígenas. A Corte entendeu que a questão atinge diretamente os Kaingang e, como eles não foram citados na ação inicial, a situação configura violação do princípio do contraditório e da ampla defesa. A decisão foi por meio do Plenário Virtual.

Do MPF
A ação, ajuizada por proprietário rural atingido pela medida, busca a anulação da Portaria 1.794/2007 do Ministério da Justiça (MJ), que declarou a área correspondente à Fazenda de Passo Liso, situada no município de Laranjeiras do Sul (PR), como sendo terra tradicionalmente ocupada por indígenas Kaingang. A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4) acolheu o pedido e considerou que o processo demarcatório seria nulo em razão da ausência de levantamento fundiário e de equívoco na identificação da área como “terra tradicionalmente ocupada por indígenas”, conforme previsto no art. 231 da Constituição Federal.