Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 8 de agosto de 2026

O dia em que Jânio Quadros renunciou

Sábado, 8 de agosto de 2026

O dia em que Jânio Quadros renunciou

O telex começa a chacoalhar furioso, vomitando resmas de notícias. Onde está o presidente? Ninguém sabe. No Sul emerge a figura de Brizola. Diz que respeitará a Constituição e prenderá qualquer oficial que sugira o contrário

Foto: Presidente Jânio da Silva Quadros (Arquivo)
O texto a seguir abre a série Passageiro da História, em que o Outras Palavras passa a publicar as memórias do grande jornalista brasileiro, Carlos Azevedo.

Por Carlos Azevedo, em Passageiro da História

25 de agosto de 1961, um mês de agosto quente. Dia do Soldado. Parada militar em Brasília. Tudo tranquilo na redação do jornal “O Estado de S.Paulo”, na sua majestosa sede na esquina da rua Martins Fontes com Major Quedinho, centro da capital. São duas da tarde. De repente o luminoso da frente do jornal para de dar notícias. O jornalista Raul Bastos, chefe do sistema de comunicação por telefone, rádio e telex, que se comunica com cerca de 400 correspondentes no país e no Exterior, sai de sua cabine apressado. Tem uma bomba nas mãos: o presidente da República renunciou

Comunica a notícia a Perseu Abramo, o chefe de reportagem. Como assim? Deve ser boato. Qual é a fonte? Você confirmou? A fonte era o chefe da sucursal do jornal na capital federal que está ao telefone aos gritos. O telex começa a chacoalhar furioso, vomitando resmas de notícias que vão se estendendo pelo chão.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Governo Dilma institucionaliza a criminalização das rádios comunitárias

Quarta, 21 de dezembro de 2011
Da Agência Pulsar
Esta é a avaliação da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc- Brasil). Ao estudar a portaria 462, Dioclécio Luz, conselheiro da entidade, avalia que a nova norma sustenta ações de repressão às emissoras.

Assinada recentemente pelo Ministério das Comunicações, a norma estabelece procedimentos para outorga de rádios comunitárias. Dioclécio avalia que os aspectos técnicos e políticos da portaria revelam a intenção do governo de segregar o segmento.

O estudo realizado por Dioclécio mostra que a realidade das emissoras piora. O pesquisador explica que a norma aprofunda pontos ruins da Lei 9612, de 1998. Sobre o apoio cultural, não bem definido na Lei, a recente norma diz que os patrocinadores podem apenas ser citados na programação, proibindo anúncios ou promoções.

Segundo Dioclécio, este detalhe prejudica ainda mais a captação de recursos, que deve ter como único objetivo a sustentabilidade das emissoras, já que as comunitárias não visam o lucro. A norma também obriga que os apoiadores financeiros pertençam ao raio de alcance das rádios.

Com isso, Dioclécio destaca que a portaria consolida a ilegalidade do decreto 2615, também de 1998. Ao estabelecer o limite de alcance das rádios a apenas um quilômetro, o decreto vai além do que a Lei indica. O pesquisador explica que isso o caracteriza como inconstitucional.

Neste contexto, a Amarc defende que o conceito de comunidade seja ampliado. Mais que as limitações físicas, a entidade ressalta que aspectos culturais, sociais e políticos dos grupos que compõem as comunitárias devem ser levados em conta em uma legislação que garanta o direito à comunicação.

Antes da portaria 462 ser publicada, o texto foi submetido à consulta pública. Dioclécio afirma que a Amarc apresentou diversas sugestões, mas nenhuma delas foi acatada pelo governo da presidenta Dilma Rousseff.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Wikileaks revela que Hélio Costa negociou padrão de rádio digital com EUA

Sexta, 1 de julho de 2011
Da Agência Pulsar
Um telegrama obtido pelo Wikileaks indica que o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, prometeu aos Estados Unidos adotar o modelo de rádio digital daquele país como espécie de prêmio de consolação após a vitória do Japão no padrão de TV digital.

Telegrama obtido pelo Wikileaks indica que o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, prometeu aos Estados Unidos adotar o modelo de rádio digital daquele país como espécie de prêmio de consolação após a vitória do Japão no padrão de TV digital.

O documento emitido em 18 de setembro mostra que a promessa foi feita em conversa entre o político mineiro e o então embaixador estadunidense, Clifford Sobel.

No telegrama a decisão do ex-ministro pelo padrão japonês de TV digital já está claro , Contudo em outra parte diz, “Mas ele afirmou categoricamente que o sistema de rádio digital dos Estados Unidos será o escolhido pelo Brasil“.

Mais adiante, o telegrama volta ao tema, então com mais detalhes. “Costa foi enfático em dizer que o sistema de rádio digital dos Estados Unidos será escolhido pelo Brasil, já que oferece claras vantagens sobre os competidores coreanos e europeus”.

Em conversa por telefone, Costa negou que tenha dado essa garantia aos Estados Unidos.

O Ministério até hoje não chegou a nenhuma decisão sobre o padrão de rádio a ser escolhido. As informações são de João Peres, em reportagem especial para apublica.org. (pulsar)