
“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
sábado, 25 de junho de 2022
MEMÓRIA —Artigo | Somos as sementes que germinaram de Marielle Franco

COMO SERÃO ELEITOS OS PARLAMENTARES EM OUTUBRO DE 2022 – PARTE VI
ENFIM, BOLSONARO ACERTOU!
ENFIM, BOLSONARO ACERTOU!
A Petrobrás que Luiz Inácio Lula da Silva recebeu de Fernando Henrique Cardoso, em 1º de janeiro de 2003, era muito menor do que aquele então ex-presidente recebera do antecessor, Itamar Franco. Ela, a Petróleo Brasileiro S.A., já perdera o monopólio da execução das atividades de propriedade da União, o imenso patrimônio do povo brasileiro, constituído das reservas de petróleo no Brasil e todas as operações necessárias ao abastecimento nacional, exceto a venda a varejo dos derivados, mas que incluíam as operações de refino, transporte por dutos, operação de terminais, distribuição em regime de concorrência de produtos obtidos do petróleo, e sua pesquisa e lavra.
O ex-professor Cardoso, hoje grande fazendeiro e proprietário de valiosos imóveis em São Paulo, Paris e Nova Iorque, obtivera do Congresso Nacional a lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, que abria a soberania brasileira, no importantíssimo campo da energia fóssil, à especulação internacional.
Presidente Lula não buscou retomar para o povo brasileiro esta riqueza, nem mesmo quando a Petrobrás, dando mostra de sua elevadíssima capacitação técnica, descobriu uma “Arábia Saudita” nas águas oceânicas brasileiras, o pré-sal.
Perdida esta oportunidade, as “aves de rapina”, como o estadista Getúlio Vargas denominava os capitais estrangeiros que só vêm ao Brasil para se apropriar de nossas riquezas, nada nos deixando senão a poluição e a miséria, corromperam todos os estamentos nacionais para se locupletarem com o pré-sal, além das riquezas que sempre aqui amealharam.
E desta ânsia, desejo irrefreável e ilimitado, surge o golpe de 2016 e o esquartejamento da Petrobrás – a maior empresa brasileira, a quem devemos, nós brasileiros, parcela importante da nossa industrialização, o estabelecimento das indústrias petroquímicas, de fertilizantes, de energia da biomassa, de mineração e a projeção internacional do Brasil como detentor de tecnologia em diversas áreas da engenharia.
Tudo está sendo entregue como em fim de feira, valor de xepa, à ganância dos capitais apátridas, sem que nada fique no Brasil, nem mesmo os valores da corrupção que estão em paraísos fiscais, como já confessaram ministros e outros altos dirigentes no Estado brasileiro.
Os presidentes que se sucedem na Petrobrás, deste a designação de Michel Temer, o golpista, nada mais fizeram do que esquartejar este patrimônio brasileiro, aplicar a modalidade única no mundo para prejudicar os consumidores de derivados de petróleo, a que deram o nome de Preço de Paridade de Importação, PPI, ou seja, os preços cobrados no Brasil não são de um país autossuficiente em petróleo, com refinarias capazes de abastecer o país, malhas de dutos e bases de distribuição que alcançam os mais longínquos rincões de nossa Pátria. Não, somos luxemburgueses, país sem petróleo nem refinarias, que dependem das importações e das flutuações das moedas, consequentemente. Nossos preços, para produtos brasileiros, são cobrados em dólares estadunidenses. Mas os salários, não; não são pagos assim.
Agora, com os campos terrestres vendidos, com o pré-sal entregue, com os campos marítimos indo aceleradamente para mãos estrangeiras, refinarias em fila para venda, o xisto, todas subsidiárias fora dos balanços patrimoniais, o que resta da Petrobrás entregue por Itamar Franco a Fernando Henrique Cardoso? Os imóveis, em valiosos pontos do Rio de Janeiro, de Salvador, de São Paulo e outras capitais e grandes cidades brasileiras.
Então Jair Bolsonaro indica para presidente da Petrobrás um corretor de imóveis, como se lê no currículo que Caio Mário Paes de Andrada fez divulgar pela imprensa.
E o Comitê de Elegibilidade da Petrobrás, composto de Francisco Petros e Marcelo Mesquita, representando os acionistas minoritários, Luiz Henrique Caroli, designado por Bolsonaro ou Paulo Guedes, e, por ação divina (?), pois não está clara a origem das escolhas, Ana Silva Matte e Tales Bronzato, resolvem dispensar as exigências da Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, promulgada por Michel Temer, Alexandre de Moraes, Henrique Meirelles e Dyogo Henrique de Oliveira, que exige tempo de experiência e formação compatível com o cargo, e declaram, na sexta-feira, 24 de junho de 2022, que Caio Mário “está elegível”.
Óbvio, só restando imóveis para vender, o corretor de imóveis, com alguma experiência em aplicações financeiras, é a pessoa mais indicada para acabar com aquela que já foi um orgulho da capacidade e dedicação do povo brasileiro.
Curioso que neste comitê, com todo respeito que sempre nos merecem as pessoas, quaisquer que sejam, tenha Matte e Petros. Poderia ser alguma premonição para os aposentados da Petrobrás e subsidiárias?
Pedro Augusto Pinho é administrador aposentado, com 25 anos de trabalho na Petrobrás. Um cidadão nacionalista e patriota, diplomado e ex-professor na Escola Superior de Guerra. Todas informações utilizadas estão nas mídias ou no Diário Oficial.
sexta-feira, 24 de junho de 2022
Os desafios pós-pesadelo
Os desafios pós-pesadelo
É majoritária entre os analistas da cena republicana a convicção de que caminhamos para a mais importante das eleições presidenciais desde o fim da última ditadura. Serão, porém, eleições graves, e disputadas em clima de exacerbado antagonismo, ensejador da violência política, terreno pelo qual a extrema-direita brasileira (como suas congêneres mundo afora) tem demonstrado predileção. Mais que indicar o próximo inquilino do palácio do planalto, estaremos, em outubro próximo, definindo que país pretendemos construir. O próprio embate, reduzido a duas candidaturas antípodas, a opostas visões de mundo, de país e de sociedade, dá ao pleito o seu caráter plebiscitário, sem meio termo, pois estaremos decidindo entre a promessa de futuro e a persistência de um passado que enodoa a história.
Poderemos estar ditando o fim de um ciclo escatológico.
O futuro presidente, e a hipótese com a qual trabalho é a da eleição do ex-presidente Lula, defrontar-se-á com uma sociedade cindida e polarizada como jamais esteve, opondo os interesses irreconciliáveis da casa-grande contra as grandes massas dos deserdados do capitalismo. Aos exorbitantes lucros do sistema financeiro corresponde o desemprego e a queda de renda dos trabalhadores. Nada menos de 33 milhões de brasileiros passam fome, quando seu país é um dos três maiores produtores de alimentos do mundo, quando a humanidade produz alimentos como nunca. Nossa burguesia, alienada e alienígena, governa uma das maiores concentrações de renda do planeta. Somos o paraíso de 1% de brasileiros brancos, milionários e bilionários, os herdeiros da casa-grande colonial, do império escravagista e da república do latifúndio e do agrarismo.
Alimento a expectativa de que o candidato Lula e os cardeais do PT já estejam convencidos de que dias mais graves desafiarão a resistência do processo democrático brasileiro, contra o qual investe, despudoradamente, o ainda presidente e seu séquito de áulicos, civis e militares, uns ainda fardados e outros já de pijama, aos quais se junta o atual presidente da Câmara dos Deputados, que, como bem assinalou o deputado Glauber Braga, não tem vergonha de conspirar contra o patrimônio público. Porque se trata da versão atualizada de Eduardo Cunha. O ex-presidente da Câmara, comandante do impeachment contra Dilma Rousseff, e o atual, são irmãos siameses em despudor e truculência a serviço do que há de mais abjeto na política brasileira. Eduardo Cunha, corrupto de carteirinha, abriu as porteiras para a ascensão do bolsonarismo. Lira, fruto tardio do latifúndio e da pistolagem que por tantos anos presidiram a política alagoana, não conhece limites —morais ou legais— quando se trata de prorrogar o bolsonarismo e investir contra o interesse nacional, como quando opera contra a Eletrobras e a Petrobras. É esse serviçal do atraso, já candidato à reeleição, que presidirá a Câmara dos Deputados no curso da campanha eleitoral e até a posse do novo presidente.
Por consequência, a realização de eleições limpas e seguras e a posse sem traumas do eleito elevam-se à categoria de prioridade para as forças democráticas brasileiras. A eleição de Lula, nesse cenário, será a reafirmação do processo democrático. Não se trata, mais, de um projeto pessoal, ou de um partido, ou de um conjunto de partidos, pois representará a opção de nosso povo pela via democrática e popular, quando em grande parte do mundo dito desenvolvido, como os EUA de Trump e a França de Le Pen, avançam as hordas da direita. A América do Sul de Gabriel Boric, Gustavo Petro e Lula pode ser o outro lado, alvissareiro, da mesma moeda.
Além de comandar sua campanha, como qualquer candidato, Lula haverá de cuidar da questão democrática (e nessa faina deveria ser acompanhado por todos os partidos), quando a preservação do processo eleitoral volta a ser ameaçada, como o foi em 1955. Naquele então, não podendo barrar a candidatura de Juscelino Kubitscheck, os golpistas intentaram impedir sua posse, mobilizando a imprensa conservadora, o próprio presidente da República (o interino deputado Carlos Luz, presidente da Câmara Federal) e setores mais reacionários das forças militares, à frente das quais se perfilavam o marechal Juarez Távora e o brigadeiro Eduardo Gomes. A insurgência deu no contragolpe de 11 de novembro.
No momento, as mesmas forças do atraso, com o mesmo objetivo golpista, comandadas acintosamente pelo atual presidente da República, tentam desestabilizar o processo eleitoral, ao desqualificar o sistema de votação e apuração. Para isso contam com apoio ostensivo do ministro da defesa – que não se dá conta do papel anticonstitucional que desempenha quando procura coagir o TSE, a “força desarmada” na auto-conceituação do tímido ministro Edson Fachin. Contam, ainda, com a presidência da Câmara dos Deputados e a fragilidade do insípido presidente do Senado Federal. E com apoio popular de difícil mensuração.
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quinta-feira, 23 de junho de 2022
PRECONCEITO —Opinião | Ódio racial é o verdadeiro motivo da cassação do vereador negro Renato Freitas

Recital gratuito de violino e piano homenageia Almeida Prado (1943-2010)
Com um catálogo de mais de 600 obras, José Antônio Rezende de Almeida Prado (1943-2010) é considerado um dos maiores compositores brasileiros. A fim de homenageá-lo, a violinista Luciana Caixeta e a pianista Fabíola Pinheiro, duas estudiosas do trabalho de Almeida Prado, apresentam, na edição desta semana do Sextas Musicais, um recital especialmente dedicado a este compositor.
O espetáculo, com entrada gratuita, será nesta sexta-feira (24), às 20h, no CTJ Hall, na Casa Thomas Jefferson da SEP SUL 706/906. E a transmissão ao vivo pelo YouTube do centro binacional, que tem o apoio da Embaixada dos EUA na realização de seus eventos culturais, será mantida em todos espetáculos. Dessa forma, esse patrimônio de belas apresentações musicais permanecerá disponível online.
Confira o programa deste recital:
Almeida Prado (1943-2010)
Balada “B’nai B’rith” (1993)
Sonata para violino e piano nº 2 (1984)
Noturno nº 13 (1991)
Sonata para violino e piano nº 3 (1991)
Sobre as musicistas
Luciana Caixeta, violinista, é doutora em música pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em performance musical pela Miami University. Fez parte do Miami University Graduate String Quartet e do Presser Quartet. Foi integrante da Orquestra Sinfônica de Santo André, Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, Orquestra Experimental de Repertório e Camerata Fukuda.
GOVERNO BOLSONARO VOLTA A AGREDIR OS BRASILEIROS COM INDICAÇÃO PARA PRESIDENTE DA PETROBRÁS
Quinta, 23 de junho de 2022
Pedro Augusto Pinho
Notícia da revista VEJA, em 24 de maio de 2022, assinada por Josette Goulart:
“Indicado por Paulo Guedes para o cargo de presidente da Petrobrás, Caio Mário Paes de Andrade é formado em Comunicação Social pela Universidade Paulista (Unip)”.
A Lei que “dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, é a nº 13.303, de 30/06/2016, assinada por Michel Temer, Alexandre de Moraes, Henrique Meirelles e Dyogo Henrique de Oliveira; portanto não é lei petista nem de esquerda ou comunista. É dos que levaram Bolsonaro ao poder.
Está no artigo 17 desta Lei:
“Art. 17. Os membros do Conselho de Administração e os indicados para os cargos de diretor, inclusive presidente, diretor-geral e diretor-presidente, serão escolhidos entre cidadãos de reputação ilibada e de notório conhecimento, devendo ser atendidos, alternativamente, um dos requisitos das alíneas “a”, “b” e “c” do inciso I e, cumulativamente, os requisitos dos incisos II e III:
I - ter experiência profissional de, no mínimo:
a) 10 (dez) anos, no setor público ou privado, na área de atuação da empresa pública ou da sociedade de economia mista ou em área conexa àquela para a qual forem indicados em função de direção superior; ou
b) 4 (quatro) anos ocupando pelo menos um dos seguintes cargos:
1. cargo de direção ou de chefia superior em empresa de porte ou objeto social semelhante ao da empresa pública ou da sociedade de economia mista, entendendo-se como cargo de chefia superior aquele situado nos 2 (dois) níveis hierárquicos não estatutários mais altos da empresa;
2. cargo em comissão ou função de confiança equivalente a DAS-4 ou superior, no setor público;
3. cargo de docente ou de pesquisador em áreas de atuação da empresa pública ou da sociedade de economia mista;
c) 4 (quatro) anos de experiência como profissional liberal em atividade direta ou indiretamente vinculada à área de atuação da empresa pública ou sociedade de economia mista;
II - ter formação acadêmica compatível com o cargo para o qual foi indicado;
III - não se enquadrar nas hipóteses de inelegibilidade previstas nas alíneas do inciso I do caput do art. 1º da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990 , com as alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010”.
No currículo que está sendo divulgado não consta que nos últimos 10 anos tenha atuação conexa àquela para qual foi indicado. Nem quatro anos em “empresa de porte ou objeto social semelhante ao da sociedade de economia mista”. Efetivamente, ele vem saltitando entre empresas do ramo imobiliário, assistencial e de crédito.
Certa vez, conversando com Pierre Desprairies, diretor do Instituto Francês de Petróleo, dirigente e articulista da Revue Française de Pétrole, sobre a formação dos Presidentes dos Conselhos de Administração das petroleiras estatais e privadas, no período das crises do petróleo (1970 a 1980), ouvi daquele experiente homem de petróleo que somente a sólida formação profissional, com muita experiência nas atividades petroleiras, conseguira fazer as empresas que dirigiam atravessar aqueles conturbados momentos. Embora a cortesia e a educação deste amigo já falecido não o fizessem citar quem fosse, não havia dúvida que tratava de um professor universitário de história, de curtíssima duração gerencial, em petroleira europeia.
O senhor Caio Mário tem um curso de PUBLICIDADE E PROPAGANDA, o único que a faculdade de Comunicação Social da Universidade Paulista (UNIP) oferece, com duração de quatro anos. O que sem dúvida não deve atender ao item II da lei nº 13.303. Resta demonstrar quais são as pós-graduações em administração, em universidades estrangeiras, muitas vezes se tratando de cursos de curta duração ou de férias.
Ainda quanto à formação acadêmica, reportagem da CNN (20/06/2022), junto ao órgão de “compliance” da Petrobrás, registrou que os cursos no exterior não tiveram a validação pelo Ministério da Educação, o que lhes tira a autenticidade.
Porém é o próprio indicado que afirma obter “sucessos comprovados em tecnologia de informação, mercado imobiliário e agronegócio”. Ou seja, considera-se jejuno em petróleo, apesar dos 18 meses na Petrobrás Pré-Sal (PPSA), ou seja, sem não conseguir o tempo mínimo de 60 meses em cargos de chefia superior.
Ainda resta conhecer dados da vida do candidato, pois a reputação ilibada já eliminou um lobista também indicado pelo governo Bolsonaro para comandar a maior empresa brasileira.
Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.
Fogos
Junho
quarta-feira, 22 de junho de 2022
A Cintura do mundo
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