Brasil precisa de dono e China vence século de humilhações
Entre dependência histórica e projeto nacional, o contraste entre o Brasil e a China revela caminhos distintos de desenvolvimento, educação e soberania no século 21
A análise dos eventos e das ações que, em seu conjunto, constituem a política internacional e, em consequência, a definição da estratégia de inserção do Brasil dependem da visão que se faz da estrutura, da dinâmica e das tendências do sistema internacional e, de outro lado, das características e dos desafios da sociedade brasileira” são palavras de um dos maiores intelectuais brasileiros, um embaixador, por profissão, e das mais finas e sutis inteligências e amor ao Brasil que conheci em meus mais de oitenta anos.
Samuel Pinheiro Guimarães Neto, carioca, inicia, com as mesmas palavras que começo este artigo, seu capítulo “Quinhentos anos de periferia: a inserção”, de “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes” (2006).
Samuel (1939–2024) foi exonerado de suas funções de diretor da Assessoria de Cooperação Internacional da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) por resistir à interferência da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Já o cearense Roberto Átila Amaral Vieira, Roberto Amaral, nascido no mesmo ano — ambos formados em Direito — foi ministro de Ciência e Tecnologia de janeiro de 2003 a 2004, no governo Lula, além de conselheiro do BNDES e da Itaipu Binacional, membro do Pen Clube do Brasil e da International Political Science Association, bem como da International Association of Judicial Methodology.
Diante de adversário muito menos poderoso, porém coeso e sagaz, maior máquina militar da História sofre e hesita. O que isso revela sobre a mudança nos campos de batalha e – muito mais importante – a inconsistência dos planos de Trump
Ao começar a quarta semana da guerra, Donald Trump piscou – ou por insegurança, ou por ardil. Na madrugada de 23/3, os mercados financeiros estavam em pânico, com quedas que poderiam ter efeitos devastadores. O presidente precisava agir. Pouco depois das 7 da manhã, ele “anunciou” em rede social que os EUA haviam aberto negociações com o Irã; que desejava um acordo; e que, por isso, resolvera suspender os ataques à infraestrutura do país. As autoridades iranianas negaram, em poucas horas, a existência de negociações. Mas os cassinos globais estavam sedentos de boas notícias – verdadeiras ou falsas. O barril de petróleo recuou um pouco, para a faixa dos 100 dólares (com alta 40% desde o inicio da guerra) e as bolsas, que despencavam, amenizaram as perdas.
Um conjunto de sobressaltas alarma a economia do Ocidente, desde que Trump interrompeu negociações e agrediu com selvageria o Irã em 28/2, esperando uma vitória rápida. A interrupção do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz afetou 33% do comércio mundial de petróleo, 20% do de gás natural liquefeito, 40% do de fertilizantes e quase metade do de hélio e enxofre, indispensáveis para a produção de microchips. A revista “Economist” prevê que, ainda que a guerra terminasse hoje, o abastecimento de petróleo tardaria meses para se normalizar e o cenário seria catastrófico. As grandes empresas de aviação, cuja receita ampara-se em boa medida nas receitas dos ricos e movimentadíssimos aeroportos dos Emirados Árabes, temem uma crise semelhante à da pandemia.
Roda de conversa no Eixão do Lazer, reuniu especialistas e movimentos sociais no Dia Mundial da Água. |Crédito: Kennedy Cruz/Brasil de Fato DF
No Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), uma roda de conversa realizada no Eixão do Lazer, reuniu especialistas e movimentos sociais para alertar sobre o avanço da degradação do Cerrado. O ato faz parte da campanha Cerrado Coração das Águas e reforçou o diagnóstico de que o bioma não enfrenta apenas uma seca, mas um processo de destruição que compromete a segurança hídrica do país.
Para a professora do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB) Mercedes Bustamante o atual ritmo de devastação equivale a um crime contra o conhecimento acumulado por milhões de anos. “Queimar o Cerrado é queimar uma biblioteca como quando se teve o incêndio da Biblioteca de Alexandria e se queimou boa parte do conhecimento da antiguidade”, comparou a pesquisadora.
Legenda (final, mais forte): Precariedade em campus da UnDF e protestos estudantis evidenciam impacto da falta de recursos investigada pelo TCDF. | Crédito: Divulgação/UnDF
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) admitiu, nesta quinta-feira(19), uma representação que denuncia o descumprimento, por parte do Governo do Distrito Federal (GDF), dos repasses financeiros obrigatórios ao Fundo da Universidade do Distrito Federal (FUNDF).
De acordo com o documento protocolado pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF), o governo Ibaneis Rocha (MDB) deixou de transferir R$ 219.281.957,00 entre 2022 e 2025, o que teria comprometido a estruturação da universidade recém-criada.
A denúncia aponta que, enquanto o governo apresenta a Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) como vitrine institucional, a execução financeira do fundo no período foi de apenas 3,62%. Na prática, dos recursos destinados a obras, laboratórios e pesquisas, cerca de R$ 7,4 milhões foram efetivamente pagos.
*Artigo originalmente publicado no Mídia Ninja, no dia 17/03/2006
Em um cenário de emergência climática e disputa de narrativas acirrada pela polarização política e fundamentalismo religioso, a escola – lugar estratégico na formação de novas gerações – tem sido palco de desinformação sobre o tema, como apontou a agência Aos Fatos.
Integrantes da Fneei pedem o reconhecimento das histórias, saberes e territórios indígenas nos currículos escolares, durante o ATL 2025 📷 Oziel Ticuna/FNEEI
De um lado, a organização De Olho no Material Escolar (DONME) que, desde 2021, tem unido esforços para interferir na representação do agronegócio nos materiais didáticos, exercendo pressão sobre as principais editoras do Brasil para construir uma imagem ainda mais positiva do “agro”.
Assim, o lobby do DONME opera para a continuidade de um modo de vida no planeta que contribui para a situação de crise que vivemos: omitindo danos deste grupo econômico, como o desmatamento e as queimadas.
Do outro lado, o movimento indígena e socioambientalista, desde a década de 1970, vem trabalhando por uma educação que reconheça as ciências indígenas na promoção de práticas sustentáveis alinhadas à preservação do ecossistema e da biodiversidade, e represente a sociodiversidade brasileira de forma justa.
Uma conquista é a Lei 11.645/2008, que há 18 anos tornou obrigatório o ensino de histórias e culturas indígenas e afro-brasileiras em todas as escolas do país. Medida de reparação histórica, justiça curricular e que está em consonância com a urgência ambiental do século XXI, a Lei, no entanto, tem tido baixa implementação, como demonstrou o Diagnóstico Equidade, do Ministério da Educação.
Embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na UnB |Crédito: Camila Araújo/BdF DF
Cuba completa três meses sem receber combustível, enfrenta a mais severa ofensiva dos Estados Unidos em 50 anos e vive uma situação de “guerra”, não de crise. O alerta é do novo embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na Universidade de Brasília (UnB) nesta terça-feira (17).
“Vivemos 60 anos de cerco econômico; agora vivemos uma guerra”, afirmou o diplomata durante a abertura do curso Processos históricos de Cuba e Contexto atual, promovido pelo Núcleo de Estudos sobre Cuba (Nescuba).
Atuando há menos de um mês no Brasil, após exercer a função diplomática no Panamá desde 2022, Cairo rebateu diretamente a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a ilha seria um “estado falido”.
“Cuba é um estado em guerra, não um estado falido”, declarou. Em recente fala, Trump chegou a dizer que tem o direito de fazer “qualquer coisa” com Cuba, ameaçando tomar o controle do território.
Segundo o embaixador, os Estados Unidos tentam, “pela primeira vez em 50 anos, agredir Cuba pela via armada”. O instrumento principal seria o que chamou de “cerco econômico, comercial e energético”, intensificado desde o final de 2025 com a promessa de sanções a países que vendam petróleo à ilha socialista.
“O cerco econômico, comercial e energético nos obriga a pensar que existe uma intenção do presidente dos EUA [Trump] e do secretário de Estado [Marco Rubio] hoje em sufocar e assassinar Cuba de fome, miséria e ruptura da vida, e crise humanitária”, denunciou.
A situação energética é particularmente grave no país caribenho. Com cerca de 80% da energia gerada por termelétricas alimentadas por combustíveis, a nova medida do governo Trump reduziu drasticamente a possibilidade de compra de petróleo no mercado global.
O quadro foi agravado pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela, implementado a partir do final de 2025. A Venezuela, aliada histórica de Cuba, era responsável por suprir grande parte da demanda energética da ilha em condições preferenciais. O bloqueio tornou-se, assim, um golpe direto na já fragilizada matriz energética cubana.
Abertura do curso “Processos históricos de Cuba e Contexto atual”, promovido Nescuba |Crédito: Camila Araujo/BdF DF
‘Catástrofe humanitária’
Segundo o embaixador, a falta de combustíveis não é um problema setorial, mas uma catástrofe humanitária em curso. “Impacta a saúde, a educação, o transporte de alimentos, a cadeia de distribuição de medicamentos e o turismo, diminuindo a quantidade de aviões que podem chegar ao país”, enumerou.
Ao descrever o cotidiano dos cubanos, Cairo falou em hospitais que reduzem operações, em transporte público parado, em cadeias de distribuição de medicamentos rompidas. “Lutamos e trabalhamos com o mínimo recurso e temos que reduzir o transporte público, as horas de trabalho, as operações nos hospitais, tendo que parar o processo de produção”, revelou.
Como consequência direta da pressão norte-americana, os governos de Honduras e da Jamaica encerraram acordos de décadas que permitiam a atuação de brigadas médicas cubanas em seus territórios.
O Brasil tem um papel estratégico neste momento. “Se o Brasil joga forte, Cuba não estará sozinha”, declarou o embaixador, reconhecendo a posição do presidente Lula em defesa da soberania cubana e as doações brasileiras de medicamentos e alimentos, com a expectativa de uma nova remessa com soja, feijão e arroz. Cairo, no entanto, descreveu o limite da ajuda: o governo brasileiro não envia combustível à ilha, temendo os efeitos das sanções.
Solidariedade
O evento reuniu solidariedade internacional e vozes de diferentes gerações em defesa da soberania cubana.
A professora e fundadora do Nescuba, Maria Auxiliadora César, que visita Cuba desde 1994, trouxe a perspectiva histórica. Ela contou que nunca viu o país em uma situação tão preocupante como a de agora.
“Estive em Cuba na década de 1980, estive no período especial. Cuba conseguiu sobreviver porque, mesmo sendo um período muito difícil, a solidariedade cotidiana é algo maravilhoso. Agora, Cuba depende de uma batalha de ideias e uma batalha material. Cuba necessita muito mais.”
Professora e fundadora do Nescuba, Maria Auxiliadora César |Crédito: Camila Araujo/BdF DF
Na mesma linha, o representante da embaixada do Irã no Brasil, Ali Mir, prestou solidariedade ao povo cubano e reagiu a uma fala do embaixador. “Se a única coisa que resta para os Estados Unidos é o poder militar, acho que o Irã vai acabar com isso também”, disse, seguido de aplausos.
O venezuelano Freddy Meregote, que protagonizou uma resistência contra a tentativa de invasão à embaixada da Venezuela em novembro de 2019, afirmou: “Temos que fazer esforço, os povos do mundo, para retirar o bloqueio contra Cuba.”
Já a jovem Yara Flor, estudante do ensino médio, de 17 anos, representou a voz da nova geração. Ela afirmou que “é uma barbaridade e uma coisa terrorista que os Estados Unidos fazem em Cuba” e que é preciso “conscientizar as pessoas nas universidades e escolas, já que muitas pessoas não sabem o que está acontecendo”.
A Flotilha Nossa América está marcada para partir no sábado (21), por via marítima, aérea e terrestre.
No sábado, 21 de março, mais de 20 toneladas de alimentos, medicamentos e insumos deixarão o Brasil em direção a Havana. A Flotilha Nossa América não leva apenas ajuda humanitária. Leva, nas palavras da professora Maria Auxiliadora, “a certeza de que a solidariedade cotidiana ainda é capaz de furar bloqueios”.
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Embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na UnB |Crédito: Camila Araújo/BdF DF
Cuba completa três meses sem receber combustível, enfrenta a mais severa ofensiva dos Estados Unidos em 50 anos e vive uma situação de “guerra”, não de crise. O alerta é do novo embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, em aula inaugural na Universidade de Brasília (UnB) nesta terça-feira (17).
“Vivemos 60 anos de cerco econômico; agora vivemos uma guerra”, afirmou o diplomata durante a abertura do curso Processos históricos de Cuba e Contexto atual, promovido pelo Núcleo de Estudos sobre Cuba (Nescuba).
Atuando há menos de um mês no Brasil, após exercer a função diplomática no Panamá desde 2022, Cairo rebateu diretamente a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a ilha seria um “estado falido”.
“Cuba é um estado em guerra, não um estado falido”, declarou. Em recente fala, Trump chegou a dizer que tem o direito de fazer “qualquer coisa” com Cuba, ameaçando tomar o controle do território.
Segundo o embaixador, os Estados Unidos tentam, “pela primeira vez em 50 anos, agredir Cuba pela via armada”. O instrumento principal seria o que chamou de “cerco econômico, comercial e energético”, intensificado desde o final de 2025 com a promessa de sanções a países que vendam petróleo à ilha socialista.
A guerra está comprovando que a privatização da distribuição dos derivados do petróleo – gasolina e óleo diesel – foi erro estratégico, que prejudica a população, praticado pelos governos neoliberais Temer e Bolsonaro, vendilhões da pátria.
O presidente Lula, em nome do interesse público, tomou a decisão correta, nesta quinta-feira,12, de reduzir impostos sobre importação de combustíveis para evitar especulação dos preços em decorrência da guerra, como já ocorre em diversos pontos do território nacional.
Na ausência da distribuição estatal, que foi criminosamente privatizada pelos adeptos do neoliberalismo, adversários do consumidor, a saída lulista de emergência evita prejuízo maior para o poder de compra dos assalariados.
Ao mesmo tempo, ensina, didaticamente, que o mercado não se autorregula sem o controle do Estado na oferta do produto, como ocorria antes da privatização, evidenciando que se trata de pura fantasia esperar equilíbrio dos preços, quando o setor privado exerce a distribuição de forma monopolizada, especialmente, em tempo de guerra.
Em vez de defender o bolso do público, afetado pela guerra, os especuladores multiplicam os lucros privados, acelerando inflação, arrocho salarial, concentração de renda e desigualdade social.
REESTATIZAÇÃO JÁ
A BR Distribuidora, como empresa pública, exercia função essencial: defender o interesse público diante de situações críticas, como ocorre no momento: equilibrava os preços para evitar especulação e desorganização do mercado.
Nesses momentos, os consumidores são os maiores prejudicados, porque não têm quem os defenda da sanha especuladora que desperta como oportunidade única do setor privado para aumentar os preços na distribuição, de forma oligopolizada.
Não há, nessa hora, autorregulação do mercado, mas, simplesmente, anarquia e corrida para ganhar mais no prazo mais curto possível.
Pior: quando terminar a guerra, estará dada outra situação conjuntural, diante da qual o governo, desarmado, não terá força para revertê-la sob pressão dos neoliberais.
FUNÇÃO REGULADORA DO ESTADO
Conviviam, no Brasil, antes da privatização total da distribuição, monopólios público e privado para a distribuição do produto em todo o território nacional continental, impossível de ser fiscalizado e controlado sem a ação estatal.
O controle público da oferta era exercido pela Petrobrás, com sua famosa marca, Distribuidora BR, enquanto o privado era formado por empresas privadas nacionais e mistas, ou seja, capital nacional associado ao capital estrangeiro, presente, no Brasil, desde os anos de 1920.
O monopólio estatal, quando estabelecido com a criação da Petrobrás, na Era Vargas, mudou, qualitativamente, a situação em favor do interesse nacional: exercia a extração do produto, que servia para proteger os consumidores, quando havia especulação.
O governo, ou segurava os preços ou baixava os mesmos, quando necessário, de modo a evitar acumulação de lucros exagerados pelos capitalistas, como monopólio privado.
O consumidor ficava, relativamente, protegido, porque detinha o poder da escolha.
Se o preço do monopólio privado subisse, desequilibrando o poder de compra do consumidor, este tinha a opção, com a existência da BR Distribuidora estatal, de escolher o preço mais barato ofertado pelo distribuidor estatal.
Essa situação de equilíbrio foi criada, principalmente, depois das crises do petróleo nos anos 1970.
Os governos militares estatizaram a distribuição, por meio da BR Distribuidora, ao lado das concorrentes privadas, que já existiam desde antes da criação da Petrobras.
Dessa forma, o mercado era controlado quanto à oferta e demanda do produto, graças ao controlador/regulador Estado.
ANTIREVOLUÇÃO NEOLIBERAL
Os neoliberais no poder, a partir de 2016, quando, com apoio dos Estados Unidos, derrubaram o governo nacionalista de Dilma Rousseff, mudaram essa situação, e tudo se tornou instável com a mudança das regras do jogo.
Começou com a alteração no princípio básico de que a formação de preços deveria se basear nos fatores internos de produção para a composição dos custos.
O Brasil, especialmente, com os investimentos estatais realizados pelo Governo Geisel, tornara-se autossuficiente na extração, produção, refinação e distribuição do produto.
Portanto, o governo nacionalista ficara livre para formar os preços do produto a partir das vantagens comparativas internas, que lhe garantia supremacia diante dos concorrentes.
O Brasil, dispondo da capacidade de produção e consumo, alcançadas por políticas nacionalistas, que se iniciaram na Era Vargas, conquistou soberania nacional – do poço ao posto.
ENTREGUISMO NACIONALISTA
No poder, os neoliberais antinacionalistas entregaram o ouro aos bandidos.
Começaram por vender, na bacia das almas, a Distribuidora BR, enquanto facilitou as importações de derivados, ao mesmo tempo em que estabeleceram prioridade para exportação de petróleo cru, reduzindo, drasticamente, o refino, já que partiram, também, para privatização de refinarias.
Só ficou no mercado distribuidoras privadas, com direito a importar e refinar, o que prejudicou a política de investimento da Petrobrás, para favorecer, sobretudo, distribuição de dividendos.
Aí já viu, né!
Somente Papai Noel acredita na lenda de que existe o livre mercado, que ele é autorregulado pela concorrência.
Fantasia neoliberal.
Os preços dispararam – e, igualmente, a inflação, enquanto os salários caíram – com os capitalistas privados em regime de monopólio tomando conta do galinheiro como verdadeiras raposas rapinando consumidores.
CONSUMIDOR GANHA EM REAL, MAS PAGA EM DÓLAR
Para piorar a situação, a Petrobras, dominada pelo pensamento neoliberal, antinacionalista, mudou a regra segundo a qual a formação dos preços deveria basear-se nas vantagens comparativas internas, substituindo-a pela regra alternativa antinacional: os preços passariam a ser formados pela média da cotação internacional baseada em dólar.
Os consumidores deixaram de pagar o preço dos derivados em reais para pagarem em dólares, conforme a regra antinacionalista fixada pela Paridade de Preços de Importação (PPI)
Enterraram a moeda nacional em favor da moeda estrangeira mais valorizada.
Crime neoliberal de lesa pátria.
O presidente Lula, ao vencer eleições em 2022, mudaria essa regra criminosa, restabelecendo poder da Petrobrás de formar preços a partir das vantagens comparativas dadas pelo petróleo nacionalizado, embora a distribuição dele tenha deixado de ser controlada pela BR Distribuidora, privatizada pelos neoliberais.
HORA DE MUDAR A REGRA ANTINACIONAL
A guerra cria novas circunstâncias, e, diante delas, faz-se necessário alterar as regras, impostas de fora para dentro, à revelia do governo que se pretende nacionalista, removendo práticas neoliberais antipopulares.
A decisão do presidente Lula de proteger o consumidor dos efeitos das regras imperialistas impostas pelo governo Trump, dos Estados Unidos, que passou a desrespeitar todas as regras internacionais, afirmando-se como verdadeiro fascista, coloca em discussão a necessidade de proteção do consumidor, por meio da reestatização da distribuição.
Por que Trump pode desrespeitar as regras e os demais países são obrigados a aceitar esse status quo imperialista?
Não basta a Petrobrás, apenas, produzir, por meio de regras fixadas pelo Estado.
Trata-se, também, de colocar o domínio estatal, novamente, no campo da distribuição, para evitar a farra privada do boi, que se aproveita da guerra para cobrar preços extorsivos do consumidor, totalmente, desprotegido.
Faz-se necessário priorizar o interesse público, limitando o interesse privado.
Se não tivesse havido a privatização da distribuição, o governo controlaria a distribuição pela BR Distribuidora estatal, como acontecia antes, quando emergia crises de oferta, sem precisar diminuir impostos de importação.
O interesse privado, no contexto da guerra, eleva a inflação, incontrolavelmente, justificando, em nome do interesse público, a intervenção estatal, URGENTE.
Como inexiste a saída da distribuição estatal, sob domínio da distribuição privada, a saída opcional de redução de impostos, apenas, sangra as finanças públicas, contribuindo, decisivamente, para aumentar déficits orçamentários, que justificam, aos olhos dos neoliberais, aumento dos juros para evitar aumento da inflação.
Trata-se de alternativa inconveniente, pois, com mais inflação, aumenta o arrocho salarial, a concentração de renda nas mãos dos especuladores e a ampliação da desigualdade social, inviabilizando industrialização e desenvolvimento econômico sustentável.
O Tribunal do Júri de Águas Claras condenou Lauro Estevão Vaz Curvo a 45 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de homicídio qualificado contra sua mãe, de 94 anos, e fraude processual.
Os jurados reconheceram quatro qualificadoras no homicídio — motivo torpe (ter perdido acesso aos rendimentos da vitima), meio cruel (uso de fogo), recurso que dificultou a defesa da vítima, tendo em vista as limitações físicas e de idade, e feminicídio — além da causa de aumento prevista quando o crime é praticado contra ascendente e quando a vítima é maior de 60 anos.
Segundo a denúncia, o réu teria provocado a morte da própria mãe por asfixia e ateado fogo no local, aproveitando-se das limitações físicas da vítima, que possuía mobilidade extremamente reduzida.
GUERRA É GUERRA? PETRÓLEO, PODER, AMBIÇÃO? OU CABE NEGOCIAÇÃO?
Pedro Augusto Pinho*
As guerras de hoje não são as de ontem, certamente não serão as de amanhã. Mas há motivos que, por incrível que pareçam, permanecem; demonstrando que os estágios civilizatórios em que se encontram os países são bem distintos.
No entanto, estes diferentes estágios civilizatórios estão muito mais voltados para as governanças internas do que para as relações internacionais.
É uma situação complexa, que ultrapassa as melhores análises dos comentaristas das mídias, o que acaba por levar a torcidas, como se fosse um jogo em disputa, muito diferente das reações à fria análise dos fatos.
A mais contundente demonstração está nos bolsonaristas desfilando com bandeiras de Israel. Será que algum, um só, um único dos participantes da passeata, saberia nos explicar a razão de portar a bandeira do Estado de Israel numa manifestação política partidária brasileira na Avenida Paulista, na capital do Estado de São Paulo?
O Estado de Israel é um estado belicoso. Desde sua criação, em 14 de maio de 1948, está em guerra contra os vizinhos. É claro que ele trouxe um desconforto ou desalento para os habitantes da Palestina, que certamente almejavam sua independência do Reino Unido, que lá exercia o governo como mandatário da Liga das Nações.