Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

"Justiceiros" defendidos por Sheherazade são presos por tráfico de drogas

Sexta, 31 de outubro de 2014
Via Brasil de Fato
Operação da Polícia Civil prendeu oito jovens na manhã de hoje (30); entre os presos, estão os integrantes do grupo que agrediu e amarrou o jovem infrator a um poste no Aterro do Flamengo (RJ), no início do ano.
 
Oito jovens de classe média alta foram presos nesta quinta-feira (30) durante operação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Entre os presos estão integrantes do grupo que agrediu e amarrou o jovem infrator a um poste no Aterro do Flamengo, na zona sul da cidade, no início deste ano.
 
O caso teve repercussão após a âncora do “SBT Brasil”, Rachel Sheherazade, legitimar a ação com a seguinte frase: “o contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite.”
 
“Aos defensores dos direitos humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido”, disse na ocasião.
 
Sherazad foi alvo de críticas nas redes sociais por emitir tal comentário que, segundo os internautas, “poderia estimular mais casos semelhantes”. Ela, no entanto, se defendeu, dizendo que foi “intencionalmente” mal interpretada e que não considerou a ação do grupo “aceitável”, mas “compreensível”. 
 
Operação 
 
As investigações da operação batizada de Chafariz, realizada na manhã de hoje, tiveram início há dez meses, quando um grupo de jovens de classe média alta decidiu sair às ruas em busca de infratores da lei para espancá-los.
 
Eles também praticavam crimes como roubo e furto de automóveis, receptação, estupro e tentativa de homicídio, além de tráfico de drogas e associação para o tráfico. O grupo agia nos bairros do Flamengo, Catete e Laranjeiras.
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Documentário foca despejos na capital dos megaeventos

Quinta, 31 de maio de 2012
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
"O que mais chocou foi a forma da execução dos despejos. Não houve qualquer proposta de alternativa para aqueles moradores" diz Vladimir Seixas sobre "Atrás da Porta"

O cineasta Vladimir Seixas produziu o documentário “Atrás da Porta” mais ou menos como vivem as pessoas que mostra em seu filme: sem qualquer tipo de apoio. Com uma câmera emprestada e um amigo fotógrafo, finalizou o belíssimo longa em 2010, após um ano acompanhando o sofrimento das famílias despejadas pelo poder público, todas do centro da cidade e a maioria na zona portuária; local em que se concentra o projeto de “revitalização” e do “Porto Maravilha”.

Em entrevista, o cineasta conta o que viu e ouviu na convivência com estas famílias e dá sua avaliação sobre as obras para a Copa no Rio: ”A impressão que dá é que quando se fala em Copa e Olimpíadas tudo é permitido. Isso em nome de um legado para um bem maior. Mas olhem o caso do Jogos do Pan no Rio de Janeiro. O único legado foi uma rede de corrupção entre o poder público e empreiteiras que vem sendo recentemente noticiado. Os estádios do Pan não servirão para Copa. E os da Copa não servirão para as Olimpíadas”

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Somos todos Pinheirinho!

Segunda, 23 de janeiro de 2012
Publicado em "Juntos!"

* Giulia Tadini
Estive sábado em Pinheirinho acompanhando uma reunião que foi convocada pelo movimento para socializar os informes para apoiadores. O clima no bairro era de alegria pela vitória provisória por conta do adiamento da reintegração de posse por parte do Tribunal Regional Federal por quinze dias. Pinheirinho tem 8 anos. A paisagem é composta de terrenos de 200 a 300 m² e com ruas largas, constituindo um bairro ocupado por mais de 6 mil pessoas. Hoje o terreno é alvo da prefeitura por conta da especulação imobiliária na região. A alegação do Tribunal de Justiça de São Paulo é que o terreno deve ser devolvido a Naji Nahas, dono da empresa Selecta, que foi conseguido por meio de grilagem.
 
Na reunião de apoiadores, muitas falas reafirmavam a importância da luta em Pinheirinho, pelo direito a moradia, e a unidade que se construiu em torno da pauta entre sindicatos e movimentos sociais. Além disso, a luta de Pinheirinho é vista como uma forte resistência da população contra a política repressora e elitista do governo estadual, e um exemplo para os lutadores de todo país. Após reunião, acompanhamos a assembléia dos moradores do bairro que aconteceu em um galpão.

Por existirem dois pareceres da justiça diferentes, um em âmbito estadual, e outro em âmbito federal, o caso deveria ser julgado pelo Superior Tribunal Federal. O que provavelmente, de acordo com os advogados do movimento, isso levaria o caso a ser julgado pela justiça federal. Antes que isso pudesse acontecer, neste domingo, às 5h da manhã, a PM organizou um grande operativo para cumprir o mandato de desocupação do Pinheirinho, pegando todos desprevenidos, e deixando um rastro de violência pela cidade. A desocupação ocorreu indo contra todas as tentativas de negociação por parte do movimento nos últimos dias.

Após saber a notícia da reintegração de posse pela PM, legitimada pelo Tribunal de Justiça, estive em São José dos Campos novamente. Desta vez não pude ir a Pinheirinho. O bairro e suas proximidades estiveram sitiadas durante todo dia pela polícia. O clima era de bastante tensão quando cheguei no sindicato dos metalúrgicos. Caravanas de todo estado vieram prestar solidariedade. Quem está por trás da articulação da reintegração de posse é o assessor do tribunal de justiça do Estado, irmão do Deputado estadual Fernando Capez (PSDB).
 
A água, luz e telefone foram cortados durante a operação e celulares foram confiscados, dificultando o acesso de informações sobre os acontecimentos no bairro. Durante o dia houve um ato que paralisou a Via Dutra por 1 hora e meia. Pude participar do ato de juventude, que ocorreu na frente da casa do prefeito da cidade, Eduardo Cury (PSDB), o responsabilizando pela truculência dos fatos. Durante o ato, pudemos perceber que a população da cidade estava simpática ao movimento contra a desocupação.

Nesta segunda, os movimentos e sindicatos estão organizando um grande operativo de panfletagens pela manhã, pela cidade, e a realização de um ato no centro da cidade, às 9h, contra a desocupação do Pinheirinho e contra a truculência da prefeitura e do governo do estado. Estaremos juntos nesta luta! Somos todos Pinheirinho!

* Giulia Tadini é estudante de Ciências Sociais na USP e militante do Juntos!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Quem realmente defende a CâmaraLegislativa?

Segunda, 17 de maio de 2010
Sindicalistas criticam o deputado Cabo Patrício (PT). Veja a seguir nota divulgada pelo Sindicato dos Servidores da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas do Distrito Federal

Nota à população
Quem realmente defende a CâmaraLegislativa?
No último dia 07/05, oito servidores desta Casa tomaram conhecimento, porque foram notificados, de que foi aberta sindicância para apurar a sua participação no episódio da ocupação da CLDF pelo movimento Fora Arruda e Toda a Máfia, ocorrida em dezembro do ano passado. Trata-se do desdobramento de um pedido feito à Copol pelo então presidente Cabo Patrício para que fossem identificados os servidores que teriam participado da “invasão” da Câmara. Uma vez feito esse “trabalho”, a atual Mesa Diretora, por unanimidade, decidiu abrir a referida sindicância, que corre em paralelo ao inquérito, também aberto pelo então presidente, que apura a ação dos membros do movimento.
No dia 11/05, em pronunciamento no plenário por ocasião do aniversário da Policia Militar, o ex-presidente Cabo Patrício fez amplos elogios à atuação dessa Instituição que, no seu entender, teria agido de forma exemplar no episódio da ocupação e em outros relativos ao movimento que ocupou o plenário da Câmara por cinco dias.
Houve, segundo o deputado, naqueles dias, uma “defesa da Instituição”, que estaria sob a ameaça de “invasores”; e a PM teria, então, tido uma atuação “de primeiro mundo”.
Ora, tais atitudes e declarações nos levam a nos perguntar a respeito de em quê mundo é que esse deputado vive, pois o Brasil inteiro viu, naqueles dias, que
1.a Câmara Legislativa estava absolutamente inerte face às gravíssimas denúncias que acabaram por conduzir à renúncia do governador, do vice-governador e de dois deputados distritais; e que, se não fosse pela revolta do movimento social Fora Arruda, absolutamente legítimo, essa inércia teria se prolongando, com o assunto sendo gradativamente esquecido pela mídia;
2.a população de Brasília é composta não somente de políticos corruptos, mas de gente que, como dizia um dos slogans do movimento, “não é otária, nem infeliz”, aí incluindo-se o Procurador Geral da República (acaso não seria ele, também, um “elemento perigoso”?) que ingressou com o pedido de intervenção federal, ainda não julgado no âmbito do STF;
3.a Policia Militar do DF teve uma atuação absolutamente truculenta e da mais vergonhosa covardia quando agrediu, a cavalo, manifestantes em frente ao Buriti e, se recordar que, naqueles cinco dias em que o plenário esteve ocupado pelo Fora Arruda e Toda a Máfia, infindas negociações foram realizadas para tentar garantir tanto o direito da população a se manifestar, quanto o direito dos deputados de (finalmente) dar prosseguimento aos processos de impeachment, CPI e cassação
de mandatos. Esse sempre foi e sempre será o papel da CLDF, independentemente dos deputados que por ela passarem: a de ser uma instituição amplamente aberta ao diálogo. O Sindical agiu como mediador no sentido de evitar que o pior ocorresse, com a PM fazendo uso da força no momento da reintegração de posse (esse termo altamente controverso, já que, na democracia, a “posse” não é dos poucos, mas sim dos muitos), maculando ainda mais, e aí sim talvez de forma indelével, a já frágil imagem da Câmara. A principal testemunha disso é o próprio deputado Cabo Patrício, que deve ter se cansado de nos receber no papel de bucha de contenção dos ânimos. A diretoria do Sindical o ajudou, naquele momento, a lidar com uma situação para a qual ele se mostrava despreparado; e, agora...
Quatro dos servidores arrolados são servidores de carreira, sendo que três são diretores ou ex-diretores do Sindical. Os outros quatro são servidores de livre provimento ou requisitados e têm ligação com gabinetes parlamentares que, por definição, têm conexões com os movimentos sociais. Caberia a pergunta: o quê está por detrás disso? Autofagia política? Campanha eleitoral antecipada junto à base? Moralização às avessas e à custa dos servidores da Casa, quando as ações investigatórias realmente importantes e necessárias (CPI e cassação de envolvidosna Caixa de Pandora) claudicam? É provável que, de tudo, um pouco. Mas, semdúvida, é uma retaliação ao nosso movimento pela implantação da reformaadministrativa que vimos propondo desde 2006 para enxugar os quadros da Casa ereduzir seus gastos.
O certo é que devemos repudiar o uso da Policia Legislativa (Copol) como um pastiche dos antigos SNI e DOPS nessa tentativa de transformar a CLDF num quartel.
O patrimônio mais valioso de uma instituição não são as suas instalações físicas,por mais luxuosas ou maltrapilhas que sejam; o patrimônio mais valioso são osservidores que, com seu trabalho diário, acabam por confundir suas vidas com avida da instituição onde trabalham. Essa sindicância é que é o verdadeiro atentado àinstituição CLDF, o verdadeiro “excesso”; e este Sindical não se furtará a, mais uma vez e com todos os meios de que dispõe, sair na verdadeira defesa da Instituição, da representação política da população do DF e de um Legislativo digno.
Diretoria do Sindical