Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Lava Jato: Cândido Vaccarezza, petista investigado, abre consultoria

Segunda, 4 de maio de 2015
Do Congresso em Foco
Ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara, Cândido Vaccarezza iniciou novas atividades empresariais uma semana depois de figurar em inquérito no STF, informa a Folha. Ele nega “facilidades” ou ilicitudes: “Na minha casa só entrou, até hoje, fruto do meu trabalho”. 

domingo, 10 de agosto de 2014

EXCLUSIVO do Blog do Mino: Delação confirmada


Domingo, 10 de agosto de 2014
Esta coluna publicou com exclusividade a relação do doleiro Alberto Youssef com o petista Cândido Vaccarezza operando no fundo de pensão do Estado de Tocantins –   TO. Também foi publicada com exclusividade a agenda do doleiro Fayed Traboulsi que demonstra movimentação milionária de pessoas ligadas a políticos no Congresso Nacional, inclusive o governador do Tocantins Siqueira Campos e seu filho Eduardo Siqueira Campos. O fundo de Tocantins faz parte da investigação da Polícia Federal no escândalo da operação Lava-Jato. O jornal de Brasilia e o site Quid Novi tiveram acesso ao depoimento de Meire Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef, que revela o esquema de lavagem de dinheiro utilizados por políticos do PT, PMDB e PP. As informações publicadas a cerca de 20 dias mostravam Pedro Paulo Leoni Ramos, ex ministro do governo Fernando Collor, operando com empresas no fundo de previdência de Tocantins adquirindo 40% de participação da rede de restaurantes Porcão, causando um prejuízo de mais de 400 milhões de reais ao fundo de previdência Tocantinense. Os documentos publicados à época pelo Jornal de Brasilia ligavam os irmãos Carlos e Tasso Jereissati, ex senador tucano, proprietários da empresa Moinho Cearense, apontada no inquérito da Polícia Federal lavando dinheiro com notas fiscais frias usadas nas empresas laranjas comandadas pelo doleiro Alberto Youssef.

Leia no Blog do Mino o Termo de Declarações prestadas à PF por Meire Bonfim da Silva Poza, contadora do doleiro Alberto Youssef.

sábado, 20 de abril de 2013

Assessora do deputado Vaccarezza pediu avião de acusado

Sábado, 20 de abril de 2013
Auxiliar queria aeronave para Vaccarezza 'viajar pelo interior', diz relatório de operação

FAUSTO MACEDO, FERNANDO GALLO - O Estado de S.Paulo
Documento do Ministério Público estadual afirma que a assessora do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) Denise Cavalcanti pediu ao empreiteiro Olívio Scamatti que providenciasse um avião para o petista "viajar pelo interior de São Paulo". Scamatti está preso sob acusação de chefiar uma quadrilha que fraudava licitações municipais com verbas de emendas parlamentares. O ex-líder do governo Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados confirma que viajou em um avião providenciado pela auxiliar, mas diz não ter certeza se ele era mesmo do empreiteiro.

Datado de 5 de março de 2012, o relatório consta dos autos da Operação Fratelli, desencadeada dia 9 passado pela Polícia Federal e Ministério Público. O procurador de Justiça Luiz Otávio Roque subscreve a peça de 35 páginas que foi endereçada na época ao Tribunal de Justiça.

A citação a Vaccarezza está na página 30. O procurador transcreve trecho de uma interceptação telefônica de 15 de julho de 2010. "Denise, de Brasília, liga para Olívio e pergunta se ele pode emprestar o avião para o Vaccarezza viajar no dia seguinte pelo interior de São Paulo."

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Além de querer proibir o uso da palavra “Mensalão” na mídia, o PT é contra a “Turminha do MPF”

Quinta, 9 de agosto de 2012
O deputado federal Cândido Vaccarezza deu entrada hoje (9/8) no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) com representação requerendo investigação sobre “a publicação de cartilha” no site do Ministério Público contando a história do Mensalão. Ele se levanta contra o projeto “Turminha do MPF” que publicou, tendo crianças e jovens como alvos, a história do Mensalão.

Vaccareza é o ex-líder do PT na Câmara dos Deputados. Foi ele que em 17 de maio último, durante sessão da CPMI do Cachoeira trocou mensagem de texto do celular com Sérgio Cabral, o governador do Rio e amigo de Cavendish, dono da Delta. O texto enviado ao governador, e captado pela câmara de um fotógrafo foi: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu”.
Diante das ameaças de representação, que se concretizaram hoje, foi publicada ontem (8/8) no site do Ministério Público Federal a seguinte postagem:

Turminha do MPF: Assunto de gente grande para gente pequena

8/8/2012
Material do site da Turminha do MPF tem cunho informativo e tem como base o trabalho dos procuradores da República
A Turminha do MPF foi criada em 2009 com o objetivo de conversar, especialmente com crianças e adolescentes, sobre assuntos relacionados à atuação do Ministério Público Federal. Seu slogan é: "Assunto de gente grande para gente pequena". Seu principal canal é o site onde são utilizados recursos como textos, ilustrações, animações e gráficos para facilitar a compreensão de temas complexos, tendo em vista o público-alvo. Além disso, a página sempre procura fornecer links para cartilhas, outros sites, íntegras de ações, a fim de que os interessados possam aprofundar-se.

O material do site da Turminha do MPF tem cunho informativo e tem como base o trabalho dos procuradores da República. Ao longo dos anos, o site vem publicando diversas matérias sobre atuação do MPF, em temas como:

- esquema de corrupção no Distrito Federal,
- improbidade administrativa,
- crimes praticados por prefeitos,
- exploração de trabalhadores em condições análogas à de escravos,
- crimes ambientais,
- exploração sexual,
- pedofilia,
- cotas,
- crimes praticados com uso da internet,
- tráfico de pessoas,
- Comissão da Verdade,
- tortura,
- reforma do Código Penal,
- crimes eleitorais,
- igualdade de direitos (primeira mulher Presidente da República),
- Lei Maria da Penha.

Diante do julgamento da AP 470 (mensalão), tema de grande atuação do Ministério Público Federal, a Turminha do MPF viu uma oportunidade para tratar do assunto, além de explicar a atuação do MPF na área criminal e junto ao Supremo Tribunal Federal. Como o foco é a atuação do MPF, os textos tomaram por base a denúncia e as alegações finais, ou seja, as peças processuais do MPF, sem deixar de mencionar a defesa e oferecer acesso ao texto onde se encontra na íntegra. Também houve cuidado de sempre se deixar clara a fonte das informações e que tratavam do ponto de vista do órgão de acusação. Também buscou-se informar que as pessoas mencionadas nos textos são réus e não condenados.

Não foi elaborada cartilha sobre o assunto e também não houve orientação de distribuição em sala de aula.

Por fim, a proposta do site da Turminha do MPF, como dos outros veículos de comunicação institucional da Procuradoria Geral da República, é acompanhar o julgamento para, inclusive, informar o resultado, independentemente de condenação ou absolvição.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fique tranquilo, Cabral. Eles “são teu”

Quinta, 31 de maio de 2012
Com a decisão de ontem (30/5) da CPMI do Cachoeira de convocar o governador Agnelo, de Brasília, e deixar de fora Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, fica cada vez mais provado que é verdade o que declarou, em mensagem de celular, o deputado petista Vaccarezza. Cabral é nosso [deles] e nós [eles] são teu [de Cabral].

E Agnelo está descobrindo que vai deixando de ser "deles".

Ô politicazinha minúscula, retada!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Líder do PT mantém Vaccarezza na CPMI do Cachoeira

Segunda, 21 de maio de 2012
Da Agência Brasil
Iolando Lourenço e Ivan Richard
O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), disse hoje que não irá substituir o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), criada para investigar as relações do empresário de jogos ilícitos, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e agentes públicos e privados.

O deputado Vaccarezza foi flagrado pelo canal de televisão SBT, durante reunião da comissão, passando uma mensagem de telefone celular para o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tranquilizando-o sobre as investigações da CPMI. “O deputado Vaccarezza continuará na CPMI. Esse é um assunto superado”, disse Jilmar Tatto à Agência Brasil.

Após o episódio, houve rumores de que Vaccarezza poderia ser substituído na comissão por outro petista. A substituição chegou a ser proposta, inclusive, por parlamentares da base governista.

O líder petista informou que o seu partido vai trabalhar para aprovar na CPMI requerimento para a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo. “Há fortes elementos para a convocação. Vamos trabalhar para isso”.

Em reunião administrativa da comissão, na semana passada, foram aprovados 51 requerimentos de convocação de depoentes, mas não chegaram a ser votados os requerimentos que propõem a convocação de governadores. Há na CPMI pedidos para ouvir, além de Perillo, os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
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Comentário do Gama Livre: É, parece que Cabral é deles e eles "é" do Cabral. É o fim da picada, melhor, o fim da seriedade e da ética.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

TV flagra mensagem de petista tranquilizando Sérgio Cabral por CPI

Sexta, 18 de maio de 2012
Do jornal "O Estado de S. Paulo"

'Não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)', escreveu Cândido Vaccarezza

Troca de mensagens por celular flagrada nesta quinta-feira, 17, pelo SBT, durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, mostra que os petistas resolveram blindar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Partido está decidido a blindar o governador do Rio, suspeito de envolvimento com a Delta - Reprodução
Reprodução
Partido está decidido a blindar o governador do Rio, suspeito de envolvimento com a Delta

O PT está decidido a poupar Cabral, mesmo depois de o PMDB não ter apoiado o requerimento do ex-presidente Fernando Collor que pedia à Polícia Federal as gravações telefônicas das conversas entre o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o jornalista Policarpo Júnior, diretor da sucursal da revista Veja, em Brasília

"A relação com o PMDB vai azedar. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu (sic)", escreveu o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do governo, para Sérgio Cabral. A imagem da mensagem foi gravada. Na sessão administrativa desta quinta, o PMDB se recusou a apoiar o requerimento de Collor. Já os petistas foram claramente favoráveis a "investigar essa relação promíscua entre uma quadrilha e um jornalista".

Ao final da sessão da CPI, um petista alertou que o PMDB não pode adotar a tática de "dar às costas aos demais aliados". O PT evitou que o proprietário da Delta Construções, Fernando Cavendish, que tem ligações estreita com Cabral, fosse convocado para depor na CPI. A Delta nacional também foi poupada e não teve seus sigilos fiscal, bancário e telefônico da empreiteira. 
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pesquisadora denuncia projeto Terminator do deputado Cândido Vaccarezza

Sexta, 19 de agosto de 2011
Do Instituto Humanistas Unisinos (IHU)*


Apesar de o Convênio de Diversidade Biológica das Nações Unidas – CDB ter adotado uma moratória global conta a experimentação e o uso da tecnologia Terminator dez anos atrás, tramita no Congresso Nacional brasileiro dois projetos de lei que pretendem liberar o uso dessas sementes no país. As iniciativas são “extremamente preocupantes” e propõem a criação de uma “lei que é contra a soberania alimentar”, declara Silvia Ribeiro à IHU On-Line.

De acordo com a pesquisadora, a tecnologia Terminator foi desenvolvida pela empresa Delta & Pine, propriedade da Monsanto, em parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. “Trata-se de uma tecnologia transgênica para fazer sementes suicidas: são plantadas, dão fruto, mas a segunda geração torna-se estéril, para obrigar os agricultores a comprar sementes novamente em cada estação”, explica.

Atualmente, seis transnacionais controlam as sementes transgênicas plantadas no mundo. Destas, cinco “têm patentes do tipo Terminator” e três “detêm mais da metade do mercado global de sementes (53%)”, informa. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Silvia critica os projetos de lei (PL) de autoria da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e do deputado Cândido Vaccarezza (PT) e enfatiza que, se o Brasil aprová-los, estará "entregando a possibilidade de decidir sobre a sua própria alimentação”.

Silvia Ribeiro é pesquisadora e coordenadora de programas do Grupo ETC, com sede no México, grupo de pesquisa sobre novas tecnologias e comunidades rurais. Ela tem ampla bagagem como jornalista e ativista ambiental no Uruguai, Brasil e Suécia. Silvia também produziu uma série de artigos sobre transgênicos, novas tecnologias, concentração empresarial, propriedade intelectual, indígenas e direitos dos agricultores, que têm sido publicados em países latino-americanos, europeus e norte-americanos, em revistas e jornais. Ela é membro da comissão editorial da Revista Latino-Americana Biodiversidad, sustento y culturas, e do jornal espanhol Ecología Política, entre outros.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que é a tecnologia Terminator?

Silvia Ribeiro –
Trata-se de uma tecnologia transgênica para fazer sementes suicidas: são plantadas, dão fruto, mas a segunda geração torna-se estéril, para obrigar os agricultores a comprar sementes novamente em cada estação. Ela foi desenvolvida pela empresa Delta & Pine (agora propriedade da Monsanto) com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Cinco das seis transnacionais que controlam as sementes transgênicas plantadas em nível mundial têm patentes do tipo Terminator. A Syngenta é a que tem o maior número dessas patentes. As empresas que desenvolveram a tecnologia Terminator a chamaram de “Sistema de Proteção da Tecnologia”, porque ela serve para promover a dependência e impedir o uso de sementes sem lhes pagar royalties pelas patentes. Em seus primeiros folhetos de propaganda, elas asseguravam também que é para que “os agricultores do terceiro mundo deixem de usar suas sementes obsoletas”.

Nesse momento, elas mostravam claramente as suas intenções: acabar com as sementes campesinas e com o irritante fato de que a maioria dos agricultores do mundo (campesinos, indígenas, agricultores familiares) usam suas próprias sementes em vez de comprá-las no mercado.

IHU On-Line – Por que o Brasil tenta aderir à semente Tarminator se, no ano 2000, o Convênio de Diversidade Biológica das Nações Unidas – CDB adotou uma moratória global contra a experimentação e o uso da tecnologia Terminator?

Silvia Ribeiro – A tecnologia Terminator é uma panaceia para as transnacionais de sementes, porque lhes permite aumentar de forma exponencial a dependência dos agricultores, já que estes estariam obrigados a comprar sementes delas a cada ano, porque as sementes se tornam estéreis depois da primeira colheita. Não é como os híbridos, que, na segunda colheita, dá menos quantidade ou uma qualidade diferente, mas é uma semente que "suicida"; ela se torna totalmente estéril.

Por isso, as multinacionais tentaram, desde a aprovação da moratória internacional no ano 2000, por diversas vias eliminá-la. Agora, isso se manifesta mais claramente no Brasil, onde existem duas propostas para acabar com a proibição do Terminator hoje existente.

Se isso for obtido, o próximo passo será o de que o Brasil tentará mudar a moratória em nível internacional, porque se não o fizer, ao aplicar a Terminator, violará a moratória. Por isso, a discussão sobre esse tema no Brasil tem uma relevância mundial.

IHU On-Line – Quais são as implicações das sementes Terminator para a agricultura?

Silvia Ribeiro – A Terminator impede um ato que é a base de 10 mil anos da agricultura: cultivar e selecionar sementes da própria colheita e replantá-las para a próxima. As sementes são a chave para toda a rede alimentar. Quem controla as sementes controla a cadeia alimentar.

Por isso, as transnacionais químicas têm tentado fazer isso nas últimas três décadas, monopolizando o mercado global de sementes, comprando a maioria das empresas de sementes. Hoje, somente três empresas transnacionais, cuja origem é a produção de tóxicos químicos e agrícolas (Monsanto, DuPont, Syngenta), detêm mais da metade do mercado global de sementes (53%) e, entre as 10 maiores, controlam 73% do mercado global de sementes comerciais.

Apesar desses números tão alarmantes, a grande maioria das sementes do mundo continua nas mãos dos camponeses e dos agricultores familiares, que usam suas próprias sementes ou as misturam ocasionalmente com sementes comerciais.

Além disso, os grandes agricultores, nas variedades que dão bom resultado, continuam usando parte de sua colheita como sementes para replantio. Por isso, as empresas querem usar medidas tecnológicas que lhes garantam maior dependência e controle.

A consequência de usar a Terminator é que um punhado de fabricantes tóxicos transnacionais irá decidir o que vai ser plantado e o que todos os demais irão consumir.

IHU On-Line – Que ameaças de extinção e de modificação as sementes Terminator podem causar à biodiversidade?

Silvia Ribeiro – Todas as variedades que comemos hoje em dia em todo o mundo estão baseadas na criação, seleção, ressemeadura e intercâmbio de variedades entre agricultores/as e indígenas, processo que continua vivo e atuante. As diferentes culturas, gostos, situações geográficas e climáticas, a pequena escala e a necessidade de prevenir as condições mutantes criaram uma enorme diversidade agrícola, que também maneja e interage com a biodiversidade natural circundante. Isso significa uma grande resiliência com variedades que resistem melhor ao frio ou ao calor, à umidade ou à seca, além dos diferentes gostos e propósitos.

As Terminator são sementes uniformes que vão acabando com a diversidade à medida que são aplicadas. Em parte, porque elas se baseiam em algumas poucas variedades selecionadas pelas empresas centralmente para todo o globo ou para grandes regiões. A uniformidade produz uma enorme vulnerabilidade e mais demanda de tóxicos, o que serve ao lucro das empresas.

Mas, além disso, a tecnologia é tão complicada (se baseia na ativação de uma cadeia de genes, com a aplicação de um tóxico externo antes de cultivá-la) que, se for aplicada, certamente falhará em parte. Isso significa que os cultivos adjacentes que forem contaminados com pólen com a Terminator vão morrer (alguns), e outros continuarão levando o gene sem ativá-lo, que poderia continuar cruzando até que um químico ou alguma condição ambiental (como maior frio, calor, umidade) desate a cadeia e os esterilize.

Embora os que promovem a Terminator digam que ela é para a "biossegurança", na realidade ela multiplica os riscos: algumas plantas se tornarão estéreis, e outras continuarão se cruzando, disseminando a ameaça.

IHU On-Line – As sementes Terminator são usadas em algum lugar do mundo?


Silvia Ribeiro – Não, em nenhuma parte do mundo. O Brasil seria o primeiro país a aplicar essa tecnologia tão perigosa e imoral.

IHU On-Line – Por que o México apoiou o fim da moratória contra a semente Terminator em 2006?

Silvia Ribeiro –
A Terminator não é aplicada no México atualmente. Depois da assinatura do Tratado de Livre Comércio do Atlântico Norte com os EUA e o Canadá (Nafta, em sua sigla em inglês), as transnacionais se apoderaram de quase todo o mercado comercial de sementes e insumos agrícolas no México e têm enorme peso sobre o governo.

O México, nas negociações de biossegurança, fala muitas vezes em nome dos interesses não do seu país, mas das multinacionais e dos Estados Unidos, que não fazem parte do Convênio de Diversidade Biológica, onde está a moratória da Terminator. Por isso, ele também permitiu experimentos com milho transgênico, mesmo sendo o centro de origem do milho, apesar da oposição da população, dos agricultores e dos consumidores.

IHU On-Line – Como você analisa a posição do Brasil com relação às sementes Terminator e o Projeto de Lei de Cândido Vaccarezza (PT) para liberar essas sementes?

Silvia Ribeiro –
Acredito que é extremamente preocupante, já que o partido é do governo e está promovendo uma lei que é contra a soberania alimentar, tanto no Brasil como no resto do mundo. Se o Brasil a aprovar, estará entregando a possibilidade de decidir sobre a sua própria alimentação. Além disso, a proposta de Vaccarezza argumenta que a Terminator é necessária para poder fazer plantas transgênicas "biorreatoras", isto é, que produzam substâncias industriais e farmacêuticas etc. Isso, por si só, apresenta enormes riscos ambientais e de saúde por causa da provável contaminação das redes alimentares.

A proposta de Vaccarezza, que foi redigida por uma advogada da Monsanto, propõe que a Terminator seria para a "biossegurança", porque evitaria a contaminação provocada por essas plantas de alto risco e de outras, como árvores transgênicas.

Mas, como expliquei antes, a Terminator nunca é uma medida de biossegurança, mas sim o contrário. Isso quer dizer que a proposta apresenta um risco triplo: que sejam cultivadas plantas que poderiam ser tóxicas para a saúde se contaminarem outras; que a Terminator seja aprovada (que, sem dúvida, será usada em todas as plantas, não só nessas, porque esse é o verdadeiro interesse das empresas); e que se incentive o uso de monocultivos de árvores transgênicas, que, a todos os problemas dos monocultivos, somarão o da contaminação transgênica e a esterilidade.

Sobre o processo, organizações brasileiras que acompanham o tema o descreveram assim: “Atualmente, a Lei de Biossegurança proíbe ‘a utilização, a comercialização, o registro, o patenteamento e o licenciamento de tecnologias genéticas de restrição do uso’ (art. 6º, Lei 11.105/05). Mas, mesmo sob o peso da moratória internacional e diante da atual proibição nacional, dois Projetos de Lei no Congresso tentam liberar as sementes Terminator no Brasil. Um é o PL 268/07, originalmente apresentado pela hoje senadora Kátia Abreu (DEM-TO), e atualmente de autoria do deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR). E, em 2009, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que nunca atuou no campo da agricultura, apresentou o PL 5575/09, que prevê a liberação das sementes Terminator no Brasil. Em 2010, a Campanha Por um Brasil Ecológico e Livre de Transgênicos fez uma denúncia informando que o arquivo que está disponível no sítio da Câmara dos Deputados com a proposta do PL tem como origem o computador de uma das advogadas da empresa Monsanto! Esse Projeto de Lei foi muito questionado na sua tramitação na Câmara, mas, apesar disto, foi criada uma comissão especial para agilizar sua tramitação. Quando se cria uma comissão especial, o PL tramita em regime de prioridade, ou seja, diminui das 40 sessões da Tramitação ordinária para 10 sessões apenas!”.

Em junho de 2011, a Jornada de Agroecologia da Via Campesina no Paraná, com mais de quatro mil participantes, se pronunciou massivamente contra essas novas propostas de permitir a Terminator. O Seminário Internacional Cúpula dos Povos da Rio+20 Por Justiça Social e Ambiental, com cerca de 500 participantes, que foi realizada no Rio de Janeiro em julho de 2011, também se pronunciou.

As demandas ali propostas, para os poderes Executivo e Legislativo federais, foram:

– que o governo brasileiro mantenha o texto da Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05) que proíbe a utilização de qualquer tecnologia genética de restrição de uso;

– que o governo brasileiro tenha uma posição firme e clara na Convenção sobre Diversidade Biológica para manter a moratória internacional às tecnologias genéticas de restrição de uso (GURTs), garantindo, como Estado-Parte da CDB, que a moratória também se aplica no Brasil;

– que o Congresso Nacional rejeite os PLs 5575/09 e 268/07 que tramitam na casa e que os senhores deputados Cândido Vacarezza (PT-SP) e Eduardo Sciarra (DEM-PR) arquivem esses PLs da pauta do Congresso, respeitando a moratória internacional à tecnologia Terminator e garantindo a soberania nacional em relação ao uso e reprodução das sementes, à segurança e soberania alimentar dos povos, e aos direitos dos agricultores, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais, ao livre uso da biodiversidade e da agrobiodiversidade.

IHU On-Line – Como você recebeu a notícia de que Graziano da Silva assumiu a direção da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO?


Silvia Ribeiro – Acredito que Graziano da Silva deve afirmar claramente a mesma posição que o diretor anterior da FAO, ou seja, de condenação da tecnologia Terminator por ser uma ameaça direta à soberania alimentar.

IHU On-Line – Qual a sua expectativa com relação à Rio+20, que acontecerá no Brasil no próximo ano?

Silvia Ribeiro – Seria uma enorme contradição e uma vergonha internacional que um país que, pela segunda vez, será anfitrião de uma conferência sobre meio ambiente e desenvolvimento esteja, ao mesmo tempo, adotando uma tecnologia como a Terminator, que traz consigo grandes riscos para o meio ambiente e para a biodiversidade, e é rejeitada por todo o resto dos governos do mundo.

E que, além disso, para se ajustar aos interesses de três, quatro empresas transnacionais de sementes, tente romper a moratória internacional, algo que poderia ter consequências devastadoras sobre a biodiversidade e a soberania alimentar, não só do Brasil, mas também de tantos outros países muito mais vulneráveis, que agora estão protegidos pela moratória internacional.

* http://www.ihu.unisinos.br/

quarta-feira, 9 de março de 2011

Para começar a Quaresma

Quarta, 9 de março de 2011
 Por Ivan de Carvalho
         Estava eu emergindo à força das exigências carnavalescas, para mim já bem pesadas, com o objetivo de procurar um assunto que pudesse reiniciar a rotina de um repórter de política. Mas para ser lido numa quarta-feira de Cinzas, dia em que os leitores foliões – e são eles uma alta percentagem do total – dividem suas atenções entre a ressaca, as saudades da festa e até, em casos que creio sejam bem mais raros, o arrependimento pelos excessos que podem prejudicar o corpo ou a alma.

            Buscava, assim, assuntos leves, que não acrescentassem severidade ao já severo por natureza início da Quaresma. Li em algum lugar, por exemplo, que a linha 4 do metrô carioca – que, em função das Olimpíadas de 2016, ligará Ipanema, bairro da zona Sul do Rio à Barra, na zona Norte, complicou: a altura dos trens, já comprados, impedirá que passem pelos três túneis do trajeto. O Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, que critica o projeto e seu alto custo, estuda o problema. Não é um “assunto leve”, pelo peso que terá no bolso dos contribuintes, mas é uma curtição.

            Senti uma forte impressão de déjà vu. Já pudemos curtir algo semelhante aqui em Salvador. Lembrei da impressionante capacidade de observação do ex-governador baiano Octávio Mangabeira. Ele garantia: “Pense um absurdo qualquer. Na Bahia tem precedente”. Pois é, ele morreu faz tempo, sua constatação continua atual. Talvez seja imortal.

            Outra pessoa de quem me lembrei, não tão importante quanto Octávio Mangabeira, mas que em compensação ainda não morreu, pelo contrário, está vivíssima, foi o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccareza, do PT paulista. Se aquela história de Rei Momo estivesse ainda dando ibope, o Vaccareza certamente poderia reivindicar, com absoluto êxito, o título e o trono.

Afinal, ele sugeriu que estará bem empregado o dinheiro da Bolsa Família se o chefe da família beneficiária pegar a grana que sai do bolso de quase todos os brasileiros para ajudar os mais pobres entre eles (e são tantos, esses mais pobres do que os numerosíssimos pobres) se for empregado na compra de cachaça. Sustenta o líder do governo que isso ajudaria a economia brasileira, mas, como notou o blog Gama Livre, o potencial do conselho era bem mais o de resultar numa “bebedeira geral neste carnaval”.

Talvez, ao contrário do que na semana passada acreditei haver demonstrado neste espaço, o mal não seja tanto a cachaça, apesar dos seus “efeitos colaterais” pessoais, sociais e econômicos. Afinal, Jesus ensinou que “o mal não é o que entra pela boca do homem, mas o que sai da boca do homem”. Se Ele quisesse individualizar a crítica – o que não era do seu estilo nem da sua natureza – poderia ter dito “da boca do Vaccareza”.

É verdade que o Vaccareza ainda não estava disponível, mas Jesus sabia de coisas futuras, sabia que ele nasceria um dia, seria eleito deputado no Brasil e se tornaria líder do governo Dilma Rousseff, quando daria ao povo “abaixo da linha da pobreza” conselhos sobre como gastar o dinheiro do Bolsa Família comprando cachaça e “ajudar a economia”.
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Este artigo foi publicado na Tribuna da Bahia desta quarta-feira de cinzas.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Marvada Pinga de Vaccarezza

Segunda, 7 de março de 2011
Tenho receio que o conselho de Cândido Vaccareza, líder do governo Dilma na Câmara dos Deputados, aos beneficiários da Bolsa Família resulte em bebedeira geral neste carnaval. Sugeriu o deputado, que a "manguaça" comprada com o dinheiro do programa seria altamente positivo para o Brasil. E haja besteirol saindo pela boca.