Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

BNDES é corresponsável por conflito em território indígena na Bolívia

Segunda, 3 de outubro de 2011
Da Agência Pulsar
Organizações e movimentos sociais exigem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a suspensão do financiamento da estrada na Bolívia que deve cortar o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis).

As entidades, brasileiras e internacionais, afirmam que a instituição também é responsável pelos conflitos no território tradicional. Elas denunciam a violação dos direitos indígenas. Além disso, solicitam a revisão dos contratos assinados entre a Agência Boliviana de Carreteras (ABC) e a empresa brasileira OAS Empreendimentos, à frente das obras.

As organizações e movimentos sociais, reunidos na Plataforma BNDES, alertam para um possível superfaturamento das obras. Elas cobram a apuração de denúncias levadas ao Ministério Público da Bolívia que indicam o sobrepreço de 800 mil dólares nas obras da estrada.
A denúncia consta em uma carta protocolada na sede do BNDES há mais de um mês. O documento foi endereçado ao presidente da instituição, Luciano Coutinho. Nele consta o pedido para que o governo brasileiro se retrate publicamente, reconhecendo a importância da luta dos povos indígenas bolivianos na defesa do território e da natureza.

Até o momento, as cerca de 60 organizações e movimentos sociais brasileiros e internacionais que assinaram a carta não obtiveram resposta. A Plataforma BNDES é uma articulação política que busca democratizar o Banco, pedindo transparência nas contas da instituição. Também luta por mudanças no padrão de desenvolvimento promovido pelo BNDES. (pulsar)

Hospital de Apoio sofre desmanche e médica pioneira no tratamento a doentes hemofílicos é perseguida por integrantes da saúde

Segunda, 3 de oputubro de 2011
Deu no Blog do Sombra

Ministério Público entra na Justiça contra diretores do hemocentro


Dra. Jussara Oliveira de Almeida é alvo dos morcegos da saúde
Cansado de buscar uma solução administrativa para o atendimento a doentes portadores de Coagulopatias no DF, o Ministério Público de Distrito Federal ajuizou duas ações de improbidade contra a presidente do Hemocentro, BEATRIZ MAC DOWELL SOARES, o Diretor Executivo do Hemocentro, Dr. JOSÉ ANTÔNIO DE FARIA VILAÇA e da atual chefe do Núcleo de Coagulopatias do Hospital de Apoio de Brasília, Dra ANA MARIA COSTA.
 
Objetiva-se com a as ações responsabilizar os réus, autoridades competentes pela execução da política de assistência aos pacientes portadores de doenças da coagulopatia no DF, pela ofensa ao dever de dispensar correta e tempestivamente Fatores de Coagulação, ofendendo os princípios constitucionais da Administração Pública e acabando por gerar, seja de forma omissiva ou comissiva, graves lesões aos direitos dos cidadãos que necessitam utilizar referidos fármacos para viver.
 
Depois de nove meses lutando para manter em funcionamento o centro de tratamento de coagulopatias que funcionou durante anos no Hospital de Apoio de Brasília, a partir de hoje, a médica Jussara Oliveira de Almeida está sozinha para atender os pacientes.
 
O desmanche do Núcleo de Coagulopatias começou com a retirada dos técnicos em enfermagem e enfermeiros, daí para frente foram sendo retirados o apoio administrativo, equipamentos, e os demais auxiliares que a  ajudavam no atendimento aos pacientes.
 
A médica que  recebeu durante a campanha eleitoral de 2010 o apoio e promessa de melhores condições de trabalho por parte de Agnelo Queiroz parece ter sido derrotada pela máquina administrativa montada por ele.

Bola murcha

Segunda, 3 de outubro de 2011
Imagem Google
Além de sangrar bilhões de reais (fala-se em até R$86 bilhões) que deveriam melhorar a saúde, a educação, a segurança e tantas outras áreas, a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil ainda provoca outro mal danado. É a submissão, a subordinação, do governo brasileiro, e do Estado, às vontades dos suspeitos dirigentes da Fifa. A submissão inclusive de nossas leis às descabidas exigências da entidade que tanto é alvo de denúncias de corrupção.

A presidente Dilma sai do Brasil e vai se reunir, acompanhada por vários ministros, com o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, em Bruxelas, Bélgica, onde se dispôs nesta segunda (3/10), submissamente, quanto a tal Lei Geral da Copa, a “aperfeiçoar a redação para ficar mais clara”.

Segundo o ministro das tapiocas pagas com cartão corporativo, Orlando Silva, “nosso governo e a Fifa estão no mesmo barco”. Mas este barco milionário não é os dos milhões de brasileiros que necessitam, mas não conseguem, atendimento pelo menos razoável no Sistema Único de Saúde, nas escolas públicas, nos transportes públicos. Não é o barco que o brasileiro gostaria de navegar por mares calmos no que toca à segurança.

Não cora o ministro dos Esportes, Orlando Silva, quando diz que em relação à concessão de meia-entrada a estudantes, coisa que os senhores da Fifa não aceitam, o problema será tratado diretamente com as unidades da Federação. E note-se que o ministro é do PC do B, o partido que sempre lutou (ou lutava?) pelo direito à meia-entrada.

Por que não deixar logo o governo do país e dos Estados, no período da copa, por conta de Blatter, Havelanges, Ricardos Teixeiras e tantos outros? Reconhecer o que está acontecendo: a total subordinação das ações do Estado aos caprichos e interesses (mais financeiros do que outros) dos dirigentes do futebol mundial.

Bola murcha para a altivez do Estado brasileiro e de seus governantes.

Anvisa decide amanhã sobre retirada de emagrecedores do mercado

Segunda, 3 de outubro de 2011
Da Agência Brasil

Paula Laboissière - Repórter
A decisão sobre a proibição da venda de medicamentos emagrecedores no país deve sair amanhã (4), durante reunião da diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O encontro começa às 8h30 na sede do órgão.

A retirada do mercado dos emagrecedores à base de anfetaminas é praticamente certa, uma vez que a equipe técnica da Anvisa e a câmara técnica, formada por especialistas que assessoram o órgão, concordam que os riscos superam os benefícios. Já o embate acerca da sibutramina permanece.

Técnicos da Anvisa defendem o uso da substância com restrições. Isso significa que o medicamento seria recomendado apenas para o tratamento de obesidade em pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30% e que não tenham doenças cardiovasculares.

Já a câmara técnica que assessora o órgão mantém a proposta de também banir do mercado a sibutramina, emagrecedor mais usado no país, por apresentar riscos à saúde superiores aos benefícios, como problemas cardíacos e alterações no sistema nervoso central.

As marchas e o CNJ

Segunda, 3 de outubro de 2011 
Por Ivan de Carvalho
Está prevista para esta quarta-feira, dia 5, uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre os poderes do Conselho Nacional de Justiça. Está prevista para o dia 12, feriado dedicado à padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, mais uma rodada da Marcha contra a Corrupção.

            A decisão que o STF está sendo chamado a tomar, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros – na qual a entidade pretende obter uma interpretação constitucional restritiva do poder de fiscalização, disciplina e aplicação de penalidades do CNJ – tem elementos que a tornam essencial para avançar em direção ao bom funcionamento do Poder Judiciário, que a sociedade mantém em seu próprio benefício e não, evidentemente, das pessoas que o integram.

            O julgamento da Adin ajuizada pela AMB deveria ter ocorrido na semana passada, mas não entrou na pauta do STF porque uma entrevista da ministra do Superior Tribunal de Justiça e corregedora do Conselho Nacional de Justiça, a baiana Eliana Calmon, concedida à Associação Paulista de Jornais, elevou a temperatura no CNJ, no STF, na AMB e na sociedade ao grau de ebulição.

O Supremo preferiu não julgar com a temperatura tão alta e também buscou tempo para que fosse articulado um acordo entre seus ministros – alguns dos quais tinham ou têm posições diferentes dos outros sobre o assunto. A corajosa e certeira entrevista da ministra Eliana Calmon provocou um incômodo enorme em setores do Judiciário e uma solidariedade muito grande a ela na sociedade. Os bons juízes – que são a grande maioria – devem, no entanto, se sentir bem. A corregedora os está defendendo, bem como a integridade do Poder Judiciário, a solidez deste Poder na sociedade.

Para a corregedora do CNJ, a imagem do Judiciário, hoje, “é a pior possível” e, naturalmente entre vários fatores que contribuem para isto, existe um “gravíssimo problema de bandidos infiltrados, escondidos atrás da toga”. Na mesma entrevista, mas em outro contexto, ela também se referiu a resistências à atuação do CNJ. “Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ e o presidente do Supremo Tribunal Federal é paulista”. O presidente do STF é o ministro Cezar Peluso.

Caso a decisão do STF não preserve a integridade do CNJ, retirando-lhe parte dos poderes que lhe foram concedidos (explícita ou implicitamente) pelo Congresso Nacional na emenda constitucional de reforma do Judiciário, o caso não deve ser dado como encerrado. O senador Demóstenes Torres apresentou proposta de emenda constitucional que torna explícitos na Constituição “esses poderes que o Congresso teve a intenção de dar ao CNJ” ao criá-lo pela emenda de reforma do Judiciário.

Bem, como uma parte do caso do CNJ envolve o combate à corrupção no âmbito do Judiciário, o movimento nacional contra a corrupção poderá, se quiser – mas certamente se trata de iniciativa importante para o movimento – incluir já nas marchas programadas para o dia 12 o apoio à ação do CNJ e à emenda do senador Torres.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta segunda.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.
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                                                             Foto ABr
Marcha contra a corrupção. Brasília, 7 de setembro. A próxima será em 12 de outubro.

Pra dançar Carimbó

Segunda, 3 de outubro de 2011
Lucinha Bastos

domingo, 2 de outubro de 2011

Frente parlamentar cobra votação de projetos de combate à corrupção

Domingo, 2 de outubro de 2011
Da Agência Brasil
Priscilla Mazenotti - Repórter
A Frente Parlamentar de Combate à Corrupção pretende pressionar o Congresso Nacional para aprovar os projetos que propõem medidas para enfrentar a corrupção. Hoje, há na Casa 160 propostas que tratam de temas como aumento do combate e tipificação dos crimes de corrupção, restrições a ocupantes de cargos públicos com informações privilegiadas e maior fiscalização na liberação de recursos públicos na contratação de obras e serviços.

De acordo com o presidente da frente, deputado Francisco Praciano (PT-AM), a prioridade é aprovar os projetos que criam varas estaduais exclusivas para crimes de corrupção e câmaras nos tribunais de Justiça, nos tribunais superiores e no Supremo Tribunal Federal para analisar processos de corrupção. “Temos milhares de processos tramitando na Justiça e os que envolvem corrupção ficam parados nessa fila”, disse Praciano.

A frente pretende conversar com os líderes partidários para iniciar um movimento na Casa em favor da análise dos projetos. “Queremos fazer uma espécie de PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] de combate à corrupção com os Três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. A impressão que temos é que estamos sempre esperando o próximo escândalo”, destacou Praciono.

Entre os projetos de combate à corrupção que tramitam na Casa, 23 estão prontos para votação em plenário. Alguns estão na fila de espera há dez anos, como o de autoria do então deputado Custódio Matos, que aumenta a pena para os crimes contra a administração pública. Na mesma situação está a proposta do então deputado Antônio do Valle, que estabelece que o prazo de prescrição da pena começa a partir do momento em que o fato se torna conhecido e não quando o crime foi cometido.

Um sopro de luz na escuridão

Domingo, 2 de outubro de 2011
Por http://urbanistasporbrasilia.wordpress.com

Urbanistas contra a Expansão do Setor Hoteleiro Norte
A indignação está alcançando a consciência dos moradores de Brasília e dos brasileiros que não residem na cidade mas reconhecem o a importância da preservação do seu patrimônio. Na medida em que vemos brotar do solo edifícios gigantescos, de valor estético discutível e pertinência questionável, ao custo de expressivas fortunas como o Estádio Nacional, a sociedade estrecece. Qual será o próximo “monstro” que construirão em nossa cidade, com nossos recursos, sem que haja a devida cunsulta à Sociedade? A resposta será 901 Norte, caso a sociedade não se organize. A iniciativa privada é muito eficiente quando se trata de auferir lucros e, como vimos na 2a. Audiência Pública de apresentação do PPCUB , realizada no dia 24/09, o Poder Público em Brasília está definitivamente comprometido com esses interesses.  Vimos técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação – SEDHAB, juntamente com a equipe da empresa terceirizada e contratada para elaborar os estudos,  apresentarem propostas para o Plano de Preservação do conjunto tombado, que oscilavam entre superficiais a pouco eficientes. Isso quando não eram equivocadas ou permissivas. (1) Ao mesmo tempo, os técnicos calaram-se em relação ao projeto da quadra 901 Norte – Expansão do Setor Hoteleiro, cuja audiência de desafetação de área pública para finalizar o processo de parcelamento e venda já está marcado para outubro próximo.

59% da população rejeita a política de juros

Domingo, 2 de setembro de 2011
Da "Auditoria Cidadã da Dívida"
Os jornais noticiam a pesquisa CNI/IBOPE sobre a popularidade da Presidente Dilma Rousseff. Apesar do viés positivo colocado pelos meios de imprensa, um fato pouco comentado é que a maior parte da população continua rejeitando importantes aspectos da política econômica e social: nada menos que 59% da população reprovam a política de juros, 55% reprovam a política de combate à inflação, 67% reprovam a política de saúde pública, 51% reprovam a política de educação, e 42% reprovam a política de combate ao desemprego.

Isto mostra que, ao contrário do afirmado por muitos, a política econômica não é aprovada pela população brasileira, que também continua rejeitando fortemente a atual condução de políticas essenciais, como a saúde e educação. Estas áreas sociais carecem de mais recursos, mas que são consumidos pelas altas taxas de juros da dívida pública.

Enquanto isso, os gastos com a dívida só aumentam. Notícia do jornal Correio Braziliense mostra que em 2011 o país pagará o maior montante de juros da história: R$ 200 bilhões. Cabe comentar ainda que tal valor é subestimado, dado que é calculado com base na dívida “líquida”, e não na dívida “bruta”.

Um instrumento utilizado para se retirar recursos da saúde e destiná-los para o pagamento da dívida é a Desvinculação das Receitas da União (DRU), criada pelo governo FHC e mantida por Lula. Agora, o governo Dilma quer prorrogar mais uma vez este instrumento até 2015, conforme mostra outra notícia do Correio Braziliense. A “oposição” (DEM e PSDB) se dizem agora contra a DRU, embora a tenham criado. E a base aliada do governo (PT), que era contra o mecanismo na Era FHC, agora é a favor.

Como resultado, mantém-se a velha política de priorização dos gastos com a dívida. Outra vítima é a Reforma Agrária: o Portal G1 mostra que o próprio Presidente do INCRA culpa o contingenciamento (corte) de recursos do orçamento pela redução no número de assentamentos de famílias sem-terra.
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Pressionada pela crise, Grécia decide se demite 30% dos funcionários públicos do país

Domingo, 2 de outubro de 2011
Da Agência Brasil com informações da Agência Lusa
O primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, convocou para hoje (1º) uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros para aprovar a redução de 30% do número de funcionários públicos e o Orçamento para 2012, com corte nas despesas do Estado grego. A reunião começou às 15h (horário local) e é considerada crucial pelos meios de comunicação, pois são esperadas decisões sobre as medidas de ajustamento.

A reunião ocorre depois de uma semana de negociações entre as autoridades gregas e a troika, composta por especialistas da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu. Segundo um comunicado dos líderes da troika, o aporte de 8 bilhões de euros, necessário para que o país consiga saldar os compromissos financeiros, depende de decisão dos parceiros da zona do euro, na reunião marcada para 13 de outubro.

Em uma entrevista publicada hoje no jornal grego To Vima, o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, disse que esse apoio “está assegurado”. Segundo a televisão Mega, citada pela agência Efe, da Espanha, o acordo entre a troika e o governo inclui que "passem à reserva (sejam aposentados)" os funcionários públicos com mais de 60 anos, o que equivale, na prática, a uma reforma antecipada. Do total de 900 mil funcionários públicos, cerca de 43 mil encontram-se nessa categoria, segundo dados oficiais relativos ao ano passado.

Palestinos rejeitam declaração de Israel sobre negociações de paz

Domingo, 2 de setembro de 2011
Da Agência Brasil, com informações da BBC Brasil
Autoridades palestinas rejeitaram neste domingo (2) um comunicado de Israel indicando que pode retomar o diálogo direto com os palestinos, desde que "sem condições prévias". No Cairo, o negociador da Autoridade Nacional Palestina, Saeb Erekat, declarou à Agência AFP que o comunicado de Israel é um "exercício de ludibriar a comunidade internacional".

A Autoridade Palestina diz que só negocia com Israel mediante o congelamento na construção de assentamentos judeus na Cisjordânia e a aceitação das fronteiras de 1967 como base para um acordo. O ministro egípcio do Exterior, Mohamed Amro, apoiou os palestinos e acusou Israel de "falta de seriedade" na discussão.

Polícia de Nova York prende 700 em protesto contra "ganância" dos bancos

Domingo, 2 de outubro de 2011
Da Agência Brasil, com informações da BBC Brasil
Mais de 700 pessoas foram presas em Nova York em um protesto contra o que chamam de "ganância do sistema financeiro". Os manifestantes do protesto Occupy Wall Street (Ocupem Wall Street, em tradução livre), em referência ao coração financeiro nova-iorquino, cruzavam a Ponte do Brooklyn quando foram detidos pela polícia, a maioria por causar tumulto e atrapalhar o trânsito.

A marcha não tinha autorização da polícia, mas um porta-voz do movimento disse à BBC que "desde que caminhemos pela calçada e de maneira ordeira, é completamente legal". Entretanto, a polícia informou que muitos não obedeceram às ordens de permanecer na calçada e foram presos.

PÁTRIA MADRASTA VIL

Domingo, 2 de outubro de 2011
Por Clarice Zeitel*
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. .. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.

Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.

Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil  está mais para madrasta vil.

A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.

E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!

A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?

Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos.

Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?

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*Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante de direito da UFRJ, venceu outros 50 mil estudantes universitários no concurso "Como Vencer a pobreza e a desigualdade", promovido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Ponta de Pedra

Domingo, 2 de outubro de 2011
Lucinha Bastos e Pinduca


sábado, 1 de outubro de 2011

Mentira repetida muitas vezes... CPMF

Sábado, 1 de setembro de 2011
Por Heloisa Helena
 Os Aprendizes de Goebbels - publicitário de estimação de Hitler que tornou famosa a frase “uma mentira cem vezes repetida, torna-se verdade” - repetem em cantilena que o caos na Saúde Pública é motivado pela ausência de recursos financeiros no país e que precisam criar um novo imposto para resolver tão grave problema! Essa conversa fiada se arrasta desde a Lei Federal 9.311 de 1996 quando a IPMF – criada em 1993 - foi reeditada com o pomposo nome Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (pelo tamanho do nome já dá pra ver a enrolação!) que em seu artigo 18 previa a destinação da arrecadação “ao Fundo Nacional de Saúde para financiamento das ações e serviços de saúde”. A CPMF tinha o mérito de ser uma importante ferramenta contra a sonegação de impostos, pois o Governo Federal podia - através do cruzamento de informações dos recolhimentos com os valores declarados pelos contribuintes - identificar receitas evadidas e poderia ter sido preservada em alíquotas insignificantes do ponto de vista financeira! Em 2007 foi derrotada no Senado pela legítima pressão da população que percebeu que o dinheiro foi desviado para fins inimagináveis e os Serviços de Saúde continuavam em estado de barbárie! De lá para cá o típico vagabundismo político patrocinou uma troca de posições entre os favoráveis e os contrários sem a necessária e ética explicação pública... Mas deixemos as mutações do oportunismo político de lado e vamos aos fatos que provam a trapaceira repetição da mentira sobre o assunto!

É importante registrar que o financiamento do SUS já está previsto em lei – tanto na Constituição Federal como nas Leis 8.080 e 8.142 de 1990 – e já estabelece as fontes de financiamento, os percentuais a serem gastos em saúde, a forma de divisão e repasse dos recursos entre as esferas de governo, os critérios e mecanismos essenciais para a base de cálculo como perfil epidemiológico, rede instalada, população, desempenho técnico/econômico-financeiro, etc... E para dúvidas não deixar sobre o financiamento da saúde ainda tramitou desde 2000 a Emenda Constitucional 29 que após aprovação em 2009 passa agora a ser Regulamentada e se dúvidas antes já não existiam imagine agora! Mas o problema mesmo não tem nada a ver com isso... O problema está na covardia do Governo Federal em alterar o Planejamento e a Gestão Pública garantindo Eficácia e Resolutividade Administrativa e especialmente alterando a Política Econômica. Um país que tem um Orçamento Federal com Receita Total de R$ 2.118.273.683.441,00 (dois trilhões, cento e dezoito bilhões, duzentos e setenta e três milhões...) e se dá ao “luxo” de patrocinar uma política de juros tão absurda para favorecer os parasitas do capital financeiro e financiadores de campanhas eleitorais que compromete R$ 653.282.592.607,00 (seiscentos e cinqüenta e três bilhões, duzentos e oitenta e dois milhões...)... Esses Governos não têm autoridade moral para falar em ausência de recursos e solicitar a aprovação de mais tributos especialmente diante da gigantesca carga tributária aos mais pobres – via tributação indireta – e assalariados, pois o grande setor empresarial tem como preservar as faixas de lucros repassando o novo imposto aos preços ou reduzindo custos com as demissões de trabalhadores!

A Presidência, o Congresso Nacional, os Governadores e Prefeitos deviam ter vergonha de se dirigir à opinião pública com mais essa farsa... Quando as Excelências Governamentais promoverem alteração na Política de Juros – uma redução de menos de 2% já compensaria financeiramente o que eles querem saquear do povo com a nova CPMF; Reforma Tributária isentando de tributos aos menos a cesta básica de consumo dos mais pobres e atualizando a tabela de imposto de renda dos assalariados; Taxação das Grandes Fortunas, da Remessa de Lucros ao Exterior e do Capital Parasita Financeiro, etc... e claro que não podem roubar os cofres públicos!  Portanto, propostas com toda a viabilidade e razoabilidade necessárias na administração pública não faltam!

Quem me conhece sabe que se houvesse realmente carência de recursos financeiros para o setor Saúde ou para quaisquer áreas das Políticas Sociais – independentemente de qualquer pressão política – eu defenderia com todas as minhas forças todos os mecanismos que pudessem garantir na vida cotidiana da população as conquistas já asseguradas na legislação em vigor, especialmente no SUS. Mas ninguém poderá jamais contar comigo para compartilhar farsas técnicas como a “Nova CPMF” inclusive manipulando desavergonhadamente em palavreado ardiloso o que de mais belo existe nos preciosos sentimentos humanos de solidariedade e fraternidade no coração do nosso povo!

Artigo publicado originalmente no Painel Notícias 

Leia também "A Barbárie na Saúde Pública"

II Marcha Contra a Corrupção será no dia 12 de outubro

Sábado, 1 de outubro de 2011Marcha
A nova Marcha Contra a Corrupção será realizada no dia 12 de outubro, uma quarta-feira. Acontece em todo o Brasil e esperamos que Brasília novamente responda presente.

Veja a seguir postagem do "Movimento Contra a Corrupção".
MCC

7  de setembro nunca mais será lembrado apenas como “o dia da Independência” do Brasil”. Em 2011, tudo foi diferente. O brilho do dia, a disposição, o ânimo e, principalmente, a esperança. Esta que acordou os jovens do país e os fez perceber que não dá mais para ficar parado. Engolir a corrupção e a impunidade não faz mais parte do nosso cotidiano. O sentimento de mudança e revolução não pode parar.

Alguma coisa aconteceu, muita coisa está fora do lugar. A dignidade permanecia às sombras, enquanto “poderosos” controlavam o nosso modo de vida. Foram anos de silêncio após anos de determinação. Acreditar que não acreditar é melhor, não faz mais sentido. Dia 7 de setembro as vozes ecoaram, decidiram gritar. O apelo da sociedade não foi só lindo de se ver. Foi arrepiante, marco de um tempo onde se acreditou que os braços cruzados fossem a melhor opção.


Não! Não queremos voto secreto! Queremos ver a cara do ladrão. Não! Não queremos mais os magnatas do poder mandando e desmandando em nossas casas, diga-se, nossas casas e o Congresso. Fora! Um grito de expulsão a todos que se sentem insubstituíveis, acima do bem e do mal.


Não basta independência nas relações sociais, não basta a liberdade de ir e vir. Tem que haver liberdade de expressão, liberdade na hora do voto, da escolha, do esclarecimento. Chega de hipocrisia, de falsa democracia, onde o povo é manipulado pela satisfação dos seus maiores desejos. Propina, não! Nepotismo, não! Vantagem, QI... Não!


O que se pede é o que se vê: saúde, educação, segurança e conforto. Basicamente, sem contar os mais que a sociedade requer.

Os problemas são antigos, mas a manifestação é nova, os rostos são novos, mas há também os veteranos que reclamam o descaso e fazem seu apelo insistente por um país melhor.

Não é preciso saber de onde viemos, de onde somos e para aonde vamos. O propósito é o mesmo, a luta por dignidade e não por aparência. O que importa não é a rede social, não é a moda. Queremos ressuscitar o famoso orgulho de ser brasileiro e, então, acreditar que o país está em nossas mãos, na mão do povo brasileiro.
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Baiana retada, essa tal de Eliana Calmon

Sábado, 1 de outubro de 2011
Foto: ABr
Mulher de coragem, retidão de caráter e consciente de suas obrigações funcionais, Eliana Calmon, corregedora-geral do CNJ (Conselho Nacional Justiça), declarou esta semana, em defesa das funções fiscalizadoras do Conselho, que havia bandidos infiltrados na Justiça, bandidos de togas. Foi um escarcéu a sua afirmação e ela, a ministra, foi vítima até de uma nota de repúdio capitaneada pelo presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso.

A nota provocou um desencadeamento de reações e críticas a Peluso e a sua descabida nota de repúdio, nota assinada pela maioria dos integrantes do Conselho.

Eliana não cedeu às pressões e manteve sua dignidade de ministra, não recuando do que disse sobre a existência de “bandidos de toga”. Ela recebeu o apoio de muitas entidades, a exemplo da OAB, e também de cidadãos que se manifestaram em comentários em jornais e blogs espalhados pelo Brasil.

Peluzo, que tentou atropelar as posições da ministra Eliana Calmon, agora é que é atropelado. E por metade dos integrantes do CNJ que assinaram a carta de repúdio à Eliana. Seis deles assinaram um documento, redigido em conjunto, em apoio ao que a ministra defende. Em apoio à competência do CNJ em investigar e processar juízes suspeitos de irregularidades. É um documento que, na realidade, é também de apoio à Eliana e de crítica às posições assumidas por Cezar Peluso que teria, segundo um dos assinantes do documento de ontem, provocado uma “confusão intencional”.

Não se deve, acho, andar elogiando servidor que, por obrigação, deve zelar por suas atribuições. Mas que essa baiana, essa conterrânea, é muito retada, é.

Justiça do Trabalho nega liminar para suspender greve dos Correios

Sábado, 1 de outubro de 2011

Da Agência Brasil 
Débora Zampier - Repórter
A ministra Cristina Peduzzi, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), negou o pedido de liminar feito  pelos Correios para suspender imediatamente a greve dos funcionários da estatal. Ontem (29), a empresa entrou com dissídio coletivo no TST para tentar resolver o conflito por via judicial, uma vez que a greve se estende desde o dia 13.

A ministra também marcou para a próxima terça-feira (4), às 13h, audiência de conciliação entre os Correios e a Federação Nacional dos Trabalhadores de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), entidade que representa os funcionários em greve. A audiência de conciliação é etapa obrigatória do dissídio coletivo quando as partes, mediadas pelo TST, tentam chegar a um acordo.

Para a direção dos Correios, a paralisação é abusiva, um “movimento atentatório à ordem pública”. A estatal pede que as entidades sindicais à frente do movimento sejam multadas diariamente em R$ 100 mil caso a paralisação não acabe. Se a Justiça não acatar o pedido, os Correios querem que, pelo menos, seja determinado que 70% dos empregados voltem ao trabalho em cada uma das unidades operacionais da empresa.

Para a direção dos Correios, a greve tem “nítido conteúdo político-ideológico” e causa prejuízo a serviços de natureza social, como pagamento de aposentadorias e entrega de remédios por via postal. A empresa alega que foi surpreendida pelo movimento grevista quando o processo de negociação para o acordo coletivo da categoria, relativo a 2011/2012, estava “em pleno andamento”. Também argumenta que, após o início da greve, apresentou propostas que foram rejeitadas pelas entidades sindicais.

Governo de São Paulo tenta esvaziar caso de emendas

Sábado, 1 de outubro de 2011
Do "Estado de S. Paulo"
Base de Alckmin na Assembleia convida, e não convoca, Roque Barbiere; Bruno Covas deve falar só na Comissão de Meio Ambiente

Fernando Gallo- O Estado de S.Paulo
 A base do governo na Assembleia Legislativa de São Paulo atuou ontem, na primeira reunião do Conselho de Ética sobre a suposta venda de emendas parlamentares, para evitar que o deputado Roque Barbiere (PTB) vá ao órgão submeter-se às perguntas dos parlamentares e para blindar o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB).

O encontro foi secreto, a pedido do deputado Campos Machado (PTB), um dos membros do conselho. “Não vou aceitar essa questão de democracia. Isto é demagogia”, disparou. A base governista, que tem maioria no conselho, aprovou a proposta por seis votos a dois. As manifestações contrárias foram dos dois petistas da comissão.

O conselho aprovou um convite para que Roque Barbiere deponha na próxima quinta-feira. Por não se tratar de uma convocação, o deputado não é obrigado a comparecer. Durante a reunião, Campos Machado propôs que Barbiere preste depoimento por escrito em um prazo de até 30 dias a partir do momento em que for notificado do convite. A proposta foi vista por alguns parlamentares como uma tentativa da base de protelar as explicações e esvaziar as denúncias.

Cultura autoritária

Sábado, 1 de outubro de 2011
 Por Ivan de Carvalho
O Brasil é um país democrático com uma cultura autoritária. A colonização portuguesa contribuiu poderosamente para construir essa cultura. A independência veio tarde. As 13 colônias que vieram a ser os Estados Unidos da América fizeram a sua em 1776 e o Brasil se atrasou 46 anos, declarando a sua somente em 1822.
 
    Mesmo assim houve – com exceção da escravidão negra, que foi adotada lá e aqui – uma grande diferença de formação da sociedade norte-americana e da brasileira. A idéia de liberdade, tanto política quanto econômica e individual firmou-se muito mais depressa e profundamente lá do que aqui. E até hoje está muito mais arraigada na sociedade americana, onde nunca houve uma ditadura, do que na brasileira.
 
    Lá, pelo menos por enquanto – porque a tecnologia avança, inclusive na direção de derrubar todas as barreiras que ainda restam ao monitoramento total do indivíduo – o cartão do seguro social é a única identidade individual admitida.
 
    Claro que, se o cidadão resolve viajar, aí vai precisar de um passaporte. Ou, se resolve ser policial, vai ter sua estrela de xerife ou algum outro distintivo que o identifique pela função que exerce. Se dirige veículos, deve possuir uma licença para isso, para que se saiba que está apto. Já aqui no Brasil somos cheios de documentos de identificação que nos são solicitados com extrema freqüência e espalha-se o costume de nos obrigarem, a cada passo, a por as digitais em leitores ligados a sistemas de computação.
 
     Bem, mas fazer essa comparação entre Estados Unidos e Brasil não é o objetivo. Ela só ajuda a perceber o que, por estarmos mergulhados numa cultura autoritária, talvez não víssemos sem ter como referência uma cultura diversa.
 
     Nos Estados Unidos o uso de algemas é universal, são postas em todo mundo e não há a intenção de expor as pessoas. Aqui, passaram em muitos casos – principalmente em operações da Polícia Federal – a ser usadas com sentido desmoralizante, por meio de uma exposição que funciona, em nossa cultura (aí é que está o problema) como uma pena antecipada, antes de qualquer julgamento ou até de formação de culpa. Vazar ilegalmente fotos de dentro do próprio sistema policial ou prisional, como ocorreu na Operação Voucher, mostra quanto há de autoritarismo e arbitrariedade.
 
     Forçar pessoas, supostamente “bandidos”, a darem entrevistas, melhor dizendo, a responderem a interrogatórios de repórteres, em delegacias, diante das câmeras de TV, também é autoritarismo intolerável, viciante tanto do aparelho policial quanto da própria sociedade nesse tipo de cultura autoritária. O fenômeno existe em quase todo ou todo o país, inclusive na Bahia, e fico pasmo de vê-lo continuar.
 
    Há dias, o conselheiro Pedro Lino, do Tribunal de Contas do Estado, implicou em recusar a autoridade de uma blitz da Transalvador, sob a alegação de que só a polícia pode fazer blitz. Quando a polícia chegou, ele prontamente deixou que sua mulher fizesse o teste do bafômetro.
 
     Mas deixou porque quis. Ninguém é obrigado a fazer prova contra si. Assim, o bafômetro, o exame de sangue para verificação da alcoolemia, o fazer um “quatro” ou andar em linha reta ou ficar de pé, de olhos fechados ou abertos, tanto faz, para o agente da Transalvador ou o policial observar o equilíbrio são coisas absolutamente opcionais, assim como fornecer material para testes de DNA para verificação de paternidade ou até investigação criminal.
 
    Aliás, acertadamente, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia, em decisão recente e unânime, concedeu habeas corpus preventivo a um cidadão para não ser obrigado a fazer teste do bafômetro nem exame de alcoolemia nas blitzen da Transalvador. O habeas corpus é desnecessário se os agentes da Transalvador e os policiais estiverem conscientes dos seus limites.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

Nasci para bailar

Sábado, 1 de outubro de 2011
Lucinha Bastos canta composição de Paulo André Barata e João Donato