Domingo, 2 de setembro de 2012
Porque os possuidores de títulos não podem – e não devem – ser pagos
por Michael Hudson
[*]
O ritmo da guerra da Wall Street contra os 99% está a acelerar-se na
preparação para a matança. Tendo demonizado os
trabalhadores da função pública por estarem destinados a
receber pensões pelo seu tempo de vida no serviço activo, os
possuidores de títulos estão a insistir em que ao invés
disso devem obter o seu dinheiro. Trata-se da mesma filosofia de austeridade
que foi imposta à Grécia e à Espanha – e a mesma que
está a incitar o presidente Obama e Mitt Romney a cortar na
Segurança Social e no Medicare.
Ao contrário do governo federal dos EUA, a maior parte dos estados e cidades têm constituições que os impedem de incidir em défices orçamentais. Isto significa que quando cortam impostos sobre a propriedade, eles devem ou tomar emprestado dos ricos ou cortar no emprego e nos serviços públicos.
Durante muitos anos eles contraíram empréstimos, pagando aos ricos possuidores de títulos juros isentos de impostos. Mas os encargos dos juros subiram a um ponto que agora parece arriscado no momento em que a economia afunda na deflação da dívida. As cidades estão a entrar em incumprimento, desde a Califórnia até o Alabama. Elas não podem inverter a rota e restaurar impostos sobre os donos de propriedades sem provocar mais incumprimentos de hipotecas e abandonos. Algo tem de ceder – de modo que as cidades estão a reduzir despesas públicas, degradar seus sistemas escolares e forças policiais, e a liquidar os seus activos a fim de pagar aos possuidores de títulos.
Isto já se tornou a causa principal da ascensão do desemprego na América, contribuindo para reduzir a procura do consumidor num pesadelo keynesiano. Menos óbvios são os cortes devastadores que estão a verificar-se nos cuidados de saúde, treino profissional e outros serviços, enquanto as propinas de faculdades públicas e "taxas de participação" em escolas secundárias estão a subir. Os sistemas escolares estão em desintegração tal como nossas estradas quando professores são despedidos numa escala nunca vista desde a Grande Depressão.
Mas estrategas da Wall Street vêem este esmagamento dos orçamentos estaduais e locais como uma dádiva do céu. Como Rahm Emanuel colocou o assunto, uma crise é uma oportunidade demasiado boa para desperdiçar – e a crise fiscal dá aos credores alavancagem financeira para pressionar políticas anti-trabalho e agarrar privatizações. O terreno está preparado para uma "cura" neoliberal: cortar pensões e cuidados de saúde, incumprir promessas de pensão ao trabalho e liquidar o sector público, deixando os novos proprietários estabelecerem portagens sobre tudo, desde estradas até escolas. A nova expressão do momento é "extracção de renda".
Ao contrário do governo federal dos EUA, a maior parte dos estados e cidades têm constituições que os impedem de incidir em défices orçamentais. Isto significa que quando cortam impostos sobre a propriedade, eles devem ou tomar emprestado dos ricos ou cortar no emprego e nos serviços públicos.
Durante muitos anos eles contraíram empréstimos, pagando aos ricos possuidores de títulos juros isentos de impostos. Mas os encargos dos juros subiram a um ponto que agora parece arriscado no momento em que a economia afunda na deflação da dívida. As cidades estão a entrar em incumprimento, desde a Califórnia até o Alabama. Elas não podem inverter a rota e restaurar impostos sobre os donos de propriedades sem provocar mais incumprimentos de hipotecas e abandonos. Algo tem de ceder – de modo que as cidades estão a reduzir despesas públicas, degradar seus sistemas escolares e forças policiais, e a liquidar os seus activos a fim de pagar aos possuidores de títulos.
Isto já se tornou a causa principal da ascensão do desemprego na América, contribuindo para reduzir a procura do consumidor num pesadelo keynesiano. Menos óbvios são os cortes devastadores que estão a verificar-se nos cuidados de saúde, treino profissional e outros serviços, enquanto as propinas de faculdades públicas e "taxas de participação" em escolas secundárias estão a subir. Os sistemas escolares estão em desintegração tal como nossas estradas quando professores são despedidos numa escala nunca vista desde a Grande Depressão.
Mas estrategas da Wall Street vêem este esmagamento dos orçamentos estaduais e locais como uma dádiva do céu. Como Rahm Emanuel colocou o assunto, uma crise é uma oportunidade demasiado boa para desperdiçar – e a crise fiscal dá aos credores alavancagem financeira para pressionar políticas anti-trabalho e agarrar privatizações. O terreno está preparado para uma "cura" neoliberal: cortar pensões e cuidados de saúde, incumprir promessas de pensão ao trabalho e liquidar o sector público, deixando os novos proprietários estabelecerem portagens sobre tudo, desde estradas até escolas. A nova expressão do momento é "extracção de renda".



