“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

terça-feira, 29 de março de 2016

Por aclamação, PMDB decide deixar a base do governo Dilma

Terça, 29 de março de 2016
Iolando Lourenço - Repórter da Agência Brasil
Por aclamação, o Diretório  Nacional do PMDB decidiu hoje (29) deixar a base aliada do governo da presidenta Dilma Rousseff. A decisão foi anunciada pelo senador Romero Jucá (RR), vice-presidente da legenda, que substituiu o presidente nacional do partido, Michel Temer, vice-presidente da República. O PMDB também decidiu que os ministros do partido deverão deixar os cargos. Participaram da reunião mais de 100 membros do Diretório Nacional do PMDB.

Não ao golpe contra os trabalhadores!!!!!

Terça, 29 de março de 2016
Da Auditoria Cidadadã da Dívida 

Por um Brasil com futuro – NÃO ao refinanciamento extorsivo da dívida com os estados (PL 257)

Senhoras e Senhores Deputados, Senhoras e Senhores Senadores,


O mais alto grau de exploração do povo somente pode ser praticado com o uso do Estado. Assim, dirigindo toda atenção ao sistema financeiro, em 2015, o País destinou mais de meio trilhão ao pagamento de juros da dívida pública federal. Enquanto isso as políticas sociais e de investimentos são duramente atingidas.


A verdadeira extorsão praticada sobre Estados e Municípios Brasileiros com a Federalização de suas dívidas em 1998 (com correção pelo IGP-DI mais juros de 6%, 7,5% e até 9,0%), aliada a uma política recessiva, a tributação regressiva e concentradora de receitas na União, levou à deterioração das finanças de todos os entes federados.


O PLP nº 257/2016, que pretende refinanciar a dívida com os estados em troca de enormes prejuízos aos servidores, vai aprofundar a crise econômica que o país atravessa. Com sua implantação, o Governo Federal trará prejuízos incontestes à prestação de serviços públicos e ausência de futuro para Estados e Municípios.


Privatizações. Congelamento salarial. Suspensão de concursos. Demissão de servidores. Imposição de previdência complementar. Elevação da contribuição previdenciária. Limitação de progressões funcionais. Redução de indenizações. Suspensão da política de aumento real do salário mínimo. Essas medidas oportunistas, negociadas (ou impostas) pelo governo federal com estados e municípios, em busca de sustentação política – apesar do rótulo de “ajuste fiscal” –, são o retrato de um governo agonizante e desnorteado que, no momento em que mais precisa da classe trabalhadora, repete os mesmos erros do passado: afagar o mercado financeiro, buscar apoio de caciques partidários e virar as costas aos movimentos sociais.


Causa indignação o envio açodado ao Congresso, o fato de o Projeto não enfrentar o maior problema das contas públicas, a saber, a dívida interna e os elevados juros praticados no Brasil.


Nossa resposta é a derrubada do veto da Presidente Dilma à Auditoria da Dívida Pública.


A ACD apresenta irrestrita solidariedade aos servidores públicos ativos, aposentados e seus pensionistas, dos Poderes e Órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunais de Contas, das esferas Federal, Estadual, Municipal e do Distrito Federal. Manifesta seu veemente repúdio ao violento ataque contra os trabalhadores do setor público promovido por meio do PLP nº 257/2016.


A destruição das condições de prestação de serviço, pelo Estado, ao povo Brasileiro, condenará o BRASIL a não ter futuro.


Senhores, não votem o PLP nº 257/2016.


Auditoria Cidadã da Dívida,


Brasília, 28 de março de 2016.

Em Portugal, Gilmar Mendes fala de "sistema de corrupção generalizado" no Brasil

Terça, 29 de março de 2016
Da Agência Brasil*
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, declarou, em entrevista à agência portuguesa Lusa, que existe "um sistema de corrupção generalizado" no Brasil. Mendes disse que a corrupção existe "certamente no que diz respeito ao financiamento de campanhas, basta ver as listas de quaisquer empresas".

Moro marca data de depoimentos de réus da Lava Jato

Terça, 29 de março de 2016
Michèlle Canes – Repórter da Agência Brasil
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na 1ª instância, marcou para o próximo mês o interrogatório dos réus, em mais uma ação penal. O pecuarista José Carlos Bumlai e outras 9 pessoas serão ouvidas a partir do dia 13 de abril.

Polícia cumpre mandados de prisão contra acusados de fraudes na merenda em SP

Terça, 29 de março de 2016
Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
A Polícia Civil cumpriu, na manhã de hoje (29), sete mandados de prisão e 11 de busca e apreensão, na segunda fase da Operação Alba Branca, em São Paulo. Os alvos das ações são suspeitos de participar de um esquema de fraudes nos contratos para fornecimento de merenda para escolas da rede pública de ensino. Entre os presos, está o ex-deputado estadual Leonel Júlio, que chegou a ser presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na década de 1970.

No Brasil, "Tudo Vira Bosta".

Terça, 29 de março de 2016
Um hino ao que tem acontecido no Brasil. Numa época em que político está mais para rola-bosta do que para político, é bom ouvir Rita Lee.

Aqui existiu uma selva



segunda-feira, 28 de março de 2016

Velhos, mas perigosos, buracos no Setor Central Comercial do Gama

Segunda, 28 de março de 2016
Mesmo os moradores jogando terra dentro do buraco, o perigo continua. Clique nas imagens para ampliá-las.

Se o carro cair neste buraco mostrado na foto abaixo, é oficina na certa.

A beleza de um cachorro de rua

Segunda, 28 de março de 2016
Às 15h16 desta segunda-feira, no passeio da agência do Banco do Brasil na Quadra 36 do Setor Leste do Gama. E fez pose para a foto. Clique nas imagens para melhor observar a beleza dessa coisa linda.



Supremo decide na quinta-feira se investigações sobre Lula continuam com Moro

Segunda, 28 de março de 2016
André Richter – Repórter da Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá na quinta-feira (31) se o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal, continuará na condução dos inquéritos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Janot diz que Dilma é competente para nomear Lula, mas faz ressalvas ao objetivo

Segunda, 28 de março de 2016
André Richter - Repórter da Agência Brasil
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou hoje (28) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva no cargo de ministro da Casa Civil.
Brasília - STF retoma julgamento dos embargos infringentes de condenados na Ação Penal (AP) 470, o mensalão. Na foto, procurador-geral da República, Rodrigo Janot (José Cruz/Agência Brasil)
Para Janot, a investigação contra Lula até a nomeação deve ficar com Sérgio Moro —Araquivo/José Cruz/Agência Brasil
Apesar de entender que a nomeação deve ser validada para evitar danos à governabilidade diante da crise política, Janot sustentou que a nomeação teve por objetivo tirar a competência do juiz federal Sérgio Moro para presidir as investigações contra o ex-presidente Lula.

Barroso diz a deputados que STF acatará decisão do Congresso sobre impeachment

Segunda, 28 de março de 2016
André Richter – Repórter da Agência Brasil
Brasília - O relator Jovair Arantes, o presidente da Comissão Especial do Impeachment, Rogério Rosso, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, durante encontro (Valter Campanato/Agência
Os deputados Jovair Arantes e Rogério Rosso, relator e presidente da Comissão Especial do Impeachment, em  reunião  com  o  ministro  do  Supremo  Luís Roberto Barroso Valter Campanato/Agência  Brasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse hoje (28) a deputados da Comissão Especial do Impeachment que a Corte não vai mudar a decisão que for tomada pelo plenário da Câmara dos Deputados sobre a admissão do processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff. Barroso recebeu, no início da noite, integrantes da comissão em seu gabinete.
Durante a audiência, Barroso explicou aos parlamentares que o Supremo não tem lado na discussão sobre o impeachment e que a decisão que for tomada pelo Congresso não será mudada pelo STF. O ministro foi relator da ação protocolada pelo PCdoB na qual as regras do rito do procedimento de impeachment foram definidas.
"Impeachment não é golpe, é um mecanismo previsto na Constituição para afastamento do presidente. Evidentemente, impõe-se o respeito à Constituição e às normas. Nesse Fla-Flu, o Supremo não tem lado. O Supremo é um árbitro. O que caracteriza a democracia é o respeito às regras do jogo, quando se ganha e quando se perde. Portanto, eu acho que o que senhores decidirem na Câmara, e, depois, o que o Senado decidir, vai prevalecer. O Supremo não tem nenhuma pretensão de juízos de mérito nessa matéria", afirmou Barroso.
Participaram da reunião o presidente da Comissão Especial do Impeachment, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), o relator, Jovair Arantes (PTB-GO), e o vice-líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP).
Lewandowski
Os parlamentares também tiveram audiência com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Ao ministro, os deputados afirmaram que vão cumprir a Constituição e as regras do rito que foram definidas pelo Supremo.
 
Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e o presidente da Comissão Especial do Impeachment, Rogério Rosso, durante encontro (Valter Campanato/Agência Brasil)
STF estará vigilante com observância das regras no processo do impeachment,  diz  Lewandowski a Rogério Rosso —Valter Campanato/Agência Brasil
Lewandowski afirmou que a Corte estará vigilante com a observância das regras e se apressará para esclarecer eventuais dúvidas durante o processo.

"O Supremo Tribunal Federal, neste caso presente, limitou-se a reafirmar as regras do impeachment do presidente Collor, reafirmou sua jurisprudência e deixou claro quais os dispositivos da Constituição, os que são aplicáveis e como deve ser interpretados. Este foi nosso papel", destacou o ministro.

Henrique Alves entrega carta de demissão a Dilma e diz que diálogo "se exauriu"

Segunda, 28 de março de 2016
Paulo Victor Chagas - Repórter da Agência Brasil
Na véspera do seu partido, o PMDB, tomar a decisão de deixar ou não o governo, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, entregou nesta segunda-feira (28) o cargo à presidenta Dilma Rousseff.
Rio de Janeiro - O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, fala à imprensa no Museu do Amanhã (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Por meio de carta,Henrique Eduardo Alves disse que pensou muito antes da decisão —Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil
Alegando ser uma decisão "difícil" e afirmando estar certo de que a presidenta entenderá sua posição, Henrique Alves disse que o diálogo "se exauriu".

Amanhã (29), o Diretório Nacional do PMDB define a permanência ou não no governo. O ministro é um dos principais aliados do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional da legenda.

STF abre mais dois inquéritos contra Renan Calheiros

Segunda, 28 de março de 2016
Michèlle Canes - Repórter da Agência Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou pedido do Ministério Público Federal para desmembrar parte de um inquérito que tem como suspeitos o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) em outros dois. Os casos passam a tramitar separados do inquérito inicial.

As duas ações foram desmembradas no último dia 22. Os dois inquéritos ficarão com o ministro Teori Zavascki, porque ele é relator da Operação Lava Jato. O presidente do Senado passa a responder a nove investigações no STF.

Em meio a tumulto, OAB protocola novo pedido de impeachment na Câmara

Segunda, 28 de março de 2016
Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil
O Salão Verde da Câmara dos Deputados foi palco, na tarde de hoje (28), de manifestações contrárias e favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, com troca de palavras de ordem envolvendo as duas partes. A mobilização foi motivada pelo pedido de impeachment elaborado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que foi protocolado nesta segunda-feira na Câmara pelo presidente da entidade, Cláudio Lamachia.

Advogados e manifestantes contrários ao pedido entoavam palavras de ordem, como "Não vai ter golpe". Os favoráveis ao afastamento de Dilma respondiam com "Fora, PT". Houve tumulto e empurrra-empurra dos dois lados.

Direito de Resposta a Lupi, presidente nacional do PDT

Segunda, 28 de março de 2016
O Gama Livre publica abaixo, por solicitação do jornalista Osvaldo Maneschy, direito de resposta a uma postagem do dia 21 de março deste ano de 2016 no blog Gama Livre. O referido jornalista solicitou o direito de resposta para o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, sobre o incidente que aconteceu em 18 de março na cidade de Cabo Frio, envolvendo uma jovem de 16 anos. Apesar de não informar no e-mail encaminhado ao blog se teria recebido do presidente do partido a incumbência de, em seu nome, requerer o direito de resposta, o Gama Livre publica a íntegra do e-mail. Apenas omite os números de registro profissional DRT/RJ e do telefone e o endereço eletrônico do jornalista, entendendo isso como medida para preservar tais informações.

Pena que, para o direito de resposta ficar mais completo e provado cabalmente que, como afirma o senhor Osvaldo Maneschy, não houve agressão alguma à estudante de 16 anos, “a fita” que ele afirma no e-mail que encaminhou “em anexo” não chegou até hoje. Tenha sido anexada ou não. O Gama Livre tentou localizar tal vídeo no Youtube. Infrutífero esforço.

Leia a seguir o direito de resposta

Prezado jornalista,

Com base na Lei de Imprensa em vigor,  solicito direito de resposta para o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, sobre o incidente ocorrido durante manifestação na noite da última sexta-feira (18/3), na portaria do Clube Costa Azul, na cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, após a realização de evento partidário com a presença do deputado Jânio Mendes (PDT).

Ao contrário da versão difundida pelos manifestantes, quero informar que não houve agressão física à jovem que, junto com outros militantes radicais, ficou na porta de saída do clube xingando e ofendendo o deputado e os visitantes com slogans ofensivos e agressivos – inclusive o presidente do PDT, Carlos Lupi, e o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes.

Estou repassando vídeo feito no momento do incidente por um companheiro, para repor a verdade e para que não prevaleça a versão fantasiosa divulgada com intuito de mistificar os fatos. A fita em anexo é prova cabal de que não houve agressão alguma, Lupi apenas se dirigiu a ofensora para, ironicamente, lhe dar um beijo na cabeça.

Não houve ‘tapa’  ou xingamento à jovem, como relata a versão difundida e consta no ‘Boletim de Ocorrência’ registrado na 126ª. DP, de Cabo Frio. Prestar falso testemunho é crime.

Difundir mentiras não é bom caminho para a democracia  brasileira – tão tumultuada nos dias de hoje exatamente por estarem sendo difundidas e prevalecerem na grande mídia versões como se verdades fossem – contribuindo para o analfabetismo político.

Contra fatos não há argumentos, cerca de 20 pessoas testemunharam o incidente e a fita de vídeo que estou encaminhando aos senhores, neste momento, é prova cabal da minha afirmação. Também informo que o presidente nacional do PDT decidiu acionar juridicamente todos os que prestam falso testemunho para que versões se sobreponham aos fatos.

Atenciosamente,

Osvaldo Maneschy

Jornalista

Registro Profissional DRT/RJ

Telefone: 021 97 –
 email osvaldomaneschy

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Do Gama Livre. Mais sobre o assunto:
Vídeo disponível no Youtube: https://youtu.be/a2VA3zp70ls

STF decide nesta semana sobre prisão do senador Ivo Cassol

Segunda, 28 de março de 2016
André Richter - Repórter da Agência Brasil                Foto: Senado
Ivo Cassol
O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir quinta-feira (30) se o senador Ivo Cassol (PP-RO) será preso. Estão na pauta de julgamento da Corte os últimos recursos do parlamentar para evitar o cumprimento imediato da pena de quatro anos e oito meses em regime semiaberto, definida em 2013 pelo Supremo.

Fidel Castro diz que Cuba “não precisa de presentes” dos EUA

Segunda, 28 de março de 2016
Da Agência Lusa
O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que Cuba não vai esquecer as confrontações do passado com os Estados Unidos e que a ilha “não precisa de presentes” do vizinho do Norte. “Não precisamos que o império nos dê nenhum presente”, afirmou o líder da Revolução Cubana, de 89 anos, que está fora do poder desde 2006.

Quem é quem na “lista da Odebrecht”

Segunda, 28 de março de 2016
Do Congresso em Foco
Nove governadores, sete ministros, 16 senadores e 54 deputados federais aparecem, nos documentos apreendidos pela PF, entre os beneficiários de doações da empresa

Análise feita pelo Congresso em Foco nos documentos que se encontravam em poder do executivo do grupo Odebrecht Benedicto Barbosa Silva Júnior, apreendidos pela Polícia Federal em fevereiro e divulgados na última quarta-feira (23), dão uma dimensão impressionante sobre o seu alcance. Os papéis, entre os quais cópias de planilhas com várias anotações a mão, atribuem doações eleitorais a três centenas de políticos.

Mas o número de citados é menos expressivo que a sua importância. Se os citados na papelada formassem, digamos, um “Partido da Odebrecht”, ele superaria todos os outros em número de governadores (9), teria a segunda maior bancada no Senado (16) e a terceira na Câmara dos Deputados (54).

Operação Lava-Jato: Sérgio Moro deve enviar hoje ao Supremo lista da Odebrecht

Segunda, 28 de março de 2016
André Richter - Repórter da Agência Brasil
O juiz federal Sérgio Moro deve enviar hoje (28) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a lista de pagamentos que teriam sido feitos a cerca de 200 políticos, apreendida em uma busca da Polícia Federal na casa de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, um dos executivos da Odebrecht, durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, conhecida como Acarajé, deflagrada no mês passado.

Cony desejou que Lula e Dilma se F. . . o troco foi um chute na virilha

Segunda, 28 de março de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony se tornou nonagenário duas semanas atrás.



Como não sou preconceituoso nem grosseiro, descartarei o peso da idade como causa de sua coluna infeliz deste domingo de Páscoa. Apenas lembrarei que celebridades idosas tendem a superestimar a própria genialidade e, às vezes, exageram na dose. Sabem como é, passaram tempo demais sendo bajulados, acabando por acreditar no que os áulicos dizem a seu respeito.

O pomo da discórdia são os parágrafos finais de seu texto tedioso-divagativo O felix culpa. Estes:

"A Páscoa é o ponto mais alto do calendário cristão, de certo modo, é a continuação de uma das mais importantes festas do judaísmo, o Pessach, que o próprio Cristo comemorou pouco antes de ser traído e morrer no calvário. 

Enquanto a Páscoa cristã celebra a ressurreição de seu fundador, o Pessach relembra a noite em que os judeus se libertaram do jugo egípcio. 

É uma festa de liberdade em que um povo inteiro prefere passar 40 anos no deserto, mas se liberta do cativeiro. 

Agnóstico por convicção, gosto de comemorar as duas páscoas. Evito o terrível cativeiro de me tornar refém de Dilma e Lula. Desejo que ambos se f..."


O achado não é tão novo assim. Lembrei-me logo da música "Zebedeu", que Sérgio Ricardo gravou em 1967, quase meio século atrás. Refere-se a um violeiro que canta suas desventuras para os transeuntes, mas acaba irritado por não lhe darem esmolas e, ademais, zombarem dele e dos filhos. Então arremata: 

"A risada dos presentes, pelo amor de Deus/ Traz o sono à minha gente, pelo Zebedeu/ Eu encerro a cantoria, pelo amor de Deus/ Mandando vocês à merda, pelo Zebedeu".

Achei que Dilma e Lula entraram de gaiatos nessa incomum crônica pascal. Não vi motivo para o Cony citá-los, muito menos de forma tão estridente.

Mas, como sempre faço nesses casos, repudio também os que dão chutes na virilha como troco, assassinando reputações na base do ouvir dizer.

Um daqueles jornalistas que defendem incondicionalmente o petismo correu a comparar a besteirinha atual com dois editoriais golpistas publicados pelo Correio da Manhã (RJ) ás vésperas da derrubada de João Goulart: o Basta e o Fora. Cometeu exagero similar ao que vituperou.

Para começar, editoriais são a voz do dono, ponto final. Pouco importa quem o coloque no papel, tal profissional está apenas expressando a posição do veículo que o emprega.




E tem mais: o rumor de que teria sido ele o escrevinhador de tais editoriais, difundido por Elio Gaspari, foi desmentido pelo próprio Cony, que assim relembrou o episódio:

"Até hoje não se sabe quem escreveu o Basta e o Fora, atribuídos a Edmundo Moniz, que era o nosso redator-chefe. (...) 

Na crise de 1964, os editoriais eram discutidos exaustivamente pela equipe liderada por Moniz e da qual faziam parte Otto Maria Carpeaux, Osvaldo Peralva e Newton Rodrigues, entre outros. 

Eu estava recém-operado, no meu apartamento em Copacabana, e Edmundo Moniz, que ia me visitar todos os dias, telefonou-me para comunicar que Carpeaux desejava pisar forte, com um editorial virulento contra Jango. O próprio Carpeaux sugerira que Moniz me consultasse, uma vez que nós dois éramos afinados, tanto em política como em literatura. 

Minha participação limitou-se a cortar um parágrafo e acrescentar uma pequena frase. Hora e meia mais tarde, Moniz telefonou-me outra vez, lendo o texto final que absorvia a colaboração dos editorialistas, e, embora o conteúdo fosse o piloto elaborado por Carpeaux, a linguagem traía o estilo espartano do próprio Moniz".

De resto, Cony tem muitos altos e baixos na sua trajetória. Eu mesmo já o critiquei duramente, mas sem cometer injustiças nem fazer-lhe imputações duvidosas. Neste artigo.
Mas, eu assim agi para defender um princípio fundamental para jornalistas e para revolucionários: a firme rejeição a toda e qualquer forma de censura.


Nunca escreveria com tanta indignação na defesa de políticos, ainda mais quando se trata de presidentes e ex-presidentes cujos governos não foram revolucionários.

Talvez eu seja um pouco antiquado, mas sempre esquivei-me de qualquer identificação com o poder e suas benesses. Pois concordo inteiramente com o Millôr Fernandes quanto a jornalismo ser oposição, o resto não passando de armazém de secos e molhados. E, se a independência significa tanto para um jornalista, é mais imprescindível ainda para um revolucionário.

Numa sociedade capitalista o poder realmente corrompe. Fede tanto quanto esgoto, carniça e petrolões.