Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

MPDFT exige providências do GDF sobre alagamentos em Sol Nascente e Ceilândia

Segunda, 25 de novembro de 2024

Ofício foi encaminhado ao secretário de obras nesta segunda-feira. A pasta tem 15 dias para se manifestar

Do MPDFT
Em razão das fortes chuvas ocorridas no final de semana passado, que causaram sérios danos nas regiões de Ceilândia e Sol Nascente, a Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão (PDDC) solicitou, nesta segunda-feira, 25 de novembro, que a Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal (SODF) informe as providências que estão sendo tomadas para melhorar o manejo de águas pluviais na região.

No ofício encaminhado ao secretário de Obras do DF, Valter Casimiro Silveira, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) destacou a gravidade da situação, que resultou em casas inundadas, interdições e diversos prejuízos para a população local. A pasta tem 15 dias para se manifestar.

"Considerando a extensão territorial e a densidade populacional do Distrito Federal, algumas áreas exigem atenção especial. É, portanto, imprescindível que políticas públicas claras sejam definidas, com foco em ações preventivas nas regiões mais vulneráveis. Em particular, certas regiões administrativas enfrentam riscos elevados de alagamentos e outros danos durante a estação chuvosa, demandando medidas específicas para mitigar tais riscos", consta no documento.

A SODF deve apresentar ao Ministério Público um relatório detalhado sobre o atual sistema de drenagem na região; as medidas emergenciais adotadas após as chuvas do final de semana; um plano de ação de médio e longo prazo para melhorar a infraestrutura de drenagem na região. Também foi solicitado um levantamento das políticas preventivas de drenagem já implementadas e as projeções de investimentos futuros para prevenir novos desastres.

TRABALHO DE 4 ANOS —Mobilização social e segurança pública: como a esquerda venceu as eleições no Uruguai

Segunda 25 de novembro de 2024

Comitês de base foram fundamentais para vitória de Yamandu Orsi; objetivo é aumentar programas de segurança e educação

Lorenzo Santiago
Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) | 25 de novembro de 2024

Yamandu Orsi e Carolina Cosse formam uma chapa entre o ex-governador de Canelones e a última chefe do executivo de Montevidéu - DANTE FERNANDEZAFP

A eleição de Yamandú Orsi como presidente do Uruguai foi marcada por um trabalho que começou muito antes da campanha eleitoral. Os 49,8% dos votos recebidos pelo candidato de centro-esquerda neste domingo (24) refletiram uma mobilização feita pelos principais partidos progressistas nos últimos 4 anos que tiveram como foco uma reaproximação com a população e uma integração profunda com os bairros e cidades uruguaias.

A coalizão Frente Ampla conseguiu superar um chavão conhecido na esquerda. O grupo fez uma profunda reformulação que teve como objetivo organizar e fortalecer as estruturas de bairro para conseguir não só retomar a credibilidade com a população, mas reforçar a organicidade com os uruguaios. E esse processo começou logo depois da derrota eleitoral de 2019, que teve Luis Lacalle Pou como vencedor.

O primeiro passo foi a organização do 7º Congresso da Frente Ampla em 2021. A organização completava 50 anos e reuniu militantes e representantes da sociedade civil para discutir quais haviam sido os principais erros que levaram à vitória da direita no Uruguai depois de 15 anos de governos de esquerda. Chamado de Balanço e Autocrítica, o grupo encaminhou um documento elencando os principais pontos de debilidade do governo em relação a políticas sociais e diálogo com a população.

Um dos principais pontos levantados foi o “rompimento de vínculos” com as comunidades e a necessidade de fortalecer e colocar como prioridade os chamados comitês de base. O instrumento é uma forma que os partidos de esquerda do Uruguai construíram para manter um contato permanente com todos os bairros do país, recebendo demandas e conhecendo o território com profundidade.

A ideia é que os moradores se organizem nesses espaços para discutir não só as suas necessidades, mas também o contexto político do Uruguai, debatendo medidas do governo, do Congresso e do Judiciário e reunindo propostas para a gestão da Frente Ampla. Essa foi uma das principais ferramentas que a coalizão do ex-presidente Pepe Mujica usou para formar o plano de governo de Yamandú Orsi.

domingo, 24 de novembro de 2024

CONSCIÊNCIA NEGRA —Conheça Esperança Garcia, negra escravizada e primeira mulher advogada do Brasil

Domingo, 24 de novembro de 2024

Além do 20 de novembro, o Piauí tem em setembro o seu Dia Estadual da Consciência Negra, em homenagem a Esperança Garcia

Helena Dias
Recife (PE) | 23 de novembro de 2024

Em 2017, foi reconhecida como a primeira advogada piauiense pela OAB-PI - Reprodução/OAB-PI

Vivendo no século 21, é difícil mensurar o tamanho da coragem, espírito de luta e resistência que guiaram uma mulher negra, jovem e escravizada a se insurgir contra os seus senhores, no estado do Piauí, nos anos 1770. Esperança Garcia foi esta mulher que escreveu uma carta endereçada ao governador da capitania denunciando os maus-tratos que ela, outras mulheres e crianças negras sofriam na Fazenda Algodões, no município de Oeiras, sertão piauiense.

Afastadas de suas famílias, sofriam violências que foram relatadas em detalhes no manuscrito redigido por Esperança. Ainda se estuda sobre possíveis respostas ou o impacto que o carta teve na dinâmica de exploração do trabalho na região. Esperança demonstra, sobretudo, a autoconsciência enquanto mulher, negra e humana, detentora de direitos, apesar de toda a desumanização e violência impostas pelo regime escravocrata.

A carta só foi descoberta em 1979, no Arquivo Público do Piauí, pelo professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Luiz Roberto de Barros Mott. O documento é considerado uma petição de habeas corpus por especialistas. O mais provável é que ela tenha aprendido a escrever com padres jesuítas que catequizavam pessoas negras e indígenas na região.

Por reivindicação dos movimentos negros piauienses, o dia 6 de setembro, data em que Esperança escreveu a carta, se tornou o Dia Estadual da Consciência Negra no Piauí.

Após solicitação da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do Piauí, em 2017 a seccional local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PI) reconheceu Esperança como a primeira mulher advogada no estado. Em 2022 o reconhecimento se deu em âmbito nacional, com Garcia sendo reconhecida pela OAB como a primeira advogada do Brasil.

Mudanças climáticas —COP29 frusta países em desenvolvimento ao fechar acordo de US$ 300 bi para clima

Domingo, 24 de novembro de 2024

Valor prometido por países ricos é cerca de um quarto do necessário para reduzir impacto dos efeitos da poluição

Redação
Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 24 de novembro de 2024

Conferência do Clima realizada em Baku, no Azerbaijão, terminou sob críticas inclusive do Brasil - Foto: Divulgação/ONU

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2024 (COP29), realizada em Baku, no Azerbaijão, terminou no sábado (23) com frustração de países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Isso porque o evento foi encerrado com um acordo para destinação de 300 bilhões de dólares por ano (cerca de R$ 1,74 trilhão) para contenção e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas até 2035. Eram reivindicados pelos países mais pobres o financiamento de pelo menos 1,3 trilhão de dólares por ano (cerca de R$ 7,5 trilhões).

O acordo foi criticado por representantes de Cuba, Índia, Peru e Chile, por exemplo. A delegação da Bolívia declarou que a decisão "é um insulto aos países em desenvolvimento". "Financiamento climático não é caridade”, protestou o país, reforçando a responsabilidade de países ricos sobre as emissões de gases que causam o efeito estufa e geram o aquecimento global, as enchentes e tempestades cada vez mais frequentes.

O texto final da COP29, aliás, não define os países ricos como os responsáveis pelo aquecimento e, portanto, pelo custeio da mitigação de suas consequências. Informa somente que eles devem estar na “dianteira” dos esforços para isso.

O texto também não diz que recursos oriundos dos Orçamentos dos países em desenvolvimento precisam ir para a mitigação do clima. Isso abre brechas para que financiamentos de bancos internacionais sejam computados na conta.

sábado, 23 de novembro de 2024

ATÉ A POUPANÇA REVELA A PROFUNDA DESIGUALDADE SOCIOECONÔMICA BRASILEIRA

Sábado, 23 de novembro de 2023


Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional

Brasília, 22 de novembro de 2024

ATÉ A POUPANÇA REVELA A PROFUNDA DESIGUALDADE SOCIOECONÔMICA BRASILEIRA

Em inúmeros escritos, destaquei uma boa parte dos expedientes de transferência de rendas que fariam Robin Hood morrer de raiva em terras tupiniquins. Abordei, entre outros: a) juros da dívida pública; b) benefícios fiscais; c) subsídios; d) operações compromissadas; e) swap cambial; f) formação de reservas monetárias; g) uso de cartões de crédito e de débito e h) a farra das bets (casas de apostas).

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) divulga um conjunto de dados muito esclarecedores. “Em 2023, o volume financeiro distribuído para os segmentos private e varejo somou R$ 6,5 trilhões contra R$ 5 trilhões de 2022, o que corresponde a um crescimento de 29,8% no período. O montante considera a previdência aberta de varejo, que passou a ser contabilizado em dezembro de 2023 e adicionou R$ 790 bilhões de reais ao total do ano” (fonte: anbima.com.br).

As informações mais significativas estão reservadas para a revelação dos maiores instrumentos de investimento para cada um dos três segmentos considerados (varejo tradicional, varejo de alta renda e private). O varejo tradicional considera consumidores de diversas faixas de renda, com foco no atendimento às necessidades diárias. O varejo de alta renda envolve consumidores com maior poder aquisitivo e que buscam produtos e serviços de luxo ou premium (classe alta ou média-alta). O "private" refere-se a clientes de altíssimo poder aquisitivo, popularmente conhecidos como “ricos” ou “super-ricos”.

Em 2023, segundo dados da ANBIMA, dos recursos investidos no âmbito do varejo tradicional, 46,9% estavam alocados na poupança e 19% em CDB/RDB (certificados e recibos de depósito bancário). Já para o varejo de alta renda, as duas maiores alocações eram: CDB/RDB com 22,5% e fundos de renda fixa com 17,9%. Para o segmento denominado de “private”, os dois maiores instrumentos de investimentos eram:  fundos multimercado com 25,3% e ações com 23,4%.

Sintomaticamente, o segmento “private” alocou somente 0,4% de seus recursos em poupança (o campeão disparado do varejo tradicional). Por outro lado, o varejo tradicional investia somente 3,6% de seus recursos em fundos multimercado e 4,5% em ações (os campeões do segmento “private”).

Não existe, portanto, a menor dúvida acerca de uma profunda disparidade de alocação de recursos para investimentos quando considerado o segmento socioeconômico. A faixa mais endinheirada da sociedade brasileira busca instrumentos com as maiores remunerações ou retornos. Por outro lado, os setores com recursos mais exíguos procuram depósitos na poupança (ou caderneta de poupança), inequivocamente a opção com mais baixa remuneração ou retorno.

Obviamente, a explicação para o fenômeno destacado não passa por nenhuma forma de masoquismo (individual ou social). Não parece crível que alguém conscientemente faça a opção por receber um montante de recursos financeiros menor quando poderia receber um maior. Ademais, para essas pessoas, com menos recursos, as menores diferenças decorrentes dessas opções podem ser decisivas em termos de sobrevivência e qualidade de vida.

Tudo indica que a razão fundamental para as discrepâncias aludidas reside em uma profunda assimetria de acesso às informações relevantes. Afinal, a mais elementar educação financeira é um artigo relativamente escasso na sociedade brasileira. Existe um efetivo e generalizado desconhecimento acerca das alternativas mais vantajosas em relação à poupança.

É incontestável que os instrumentos alternativos à poupança exigem um procedimento mais trabalhoso que a simples abertura de uma conta em um estabelecimento bancário. Entretanto, não se trata de algo extremamente complexo ou dispendioso. O problema fundamental é mesmo a falta de informação.

Observe-se que a alternativa mais imediata à poupança é o Tesouro Direto. Trata-se de um programa do Tesouro Nacional, lançado em 2002, desenvolvido em parceria com a B3, para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas de forma 100% online. Inicialmente, as aplicações possuíam o valor mínimo de R$ 30,00 (trinta reais). Atualmente, os investimentos não contam com valor mínimo. Segundo o site do Tesouro Direito, esse instrumento “… oferece boa rentabilidade e liquidez diária, mesmo sendo a aplicação de menor risco do mercado”.

Para realizar o cadastramento perante o Tesouro Direto é preciso abrir conta em um banco ou corretora habilitada. “É por meio dessas instituições também que você disponibilizará o valor que quer aplicar e receberá seu dinheiro quando resgatar seus investimentos no Tesouro Direto” (fonte: tesourodireto.com.br). O site do Tesouro Direto lista as instituições, taxas cobradas (a maioria delas operam com taxa zero), prazo de repasse de recursos e dados para contato.

São justamente esses bancos e corretoras (instituições financeiras) que operam com aqueles produtos mais interessantes (com maiores retornos), como ações, fundos de renda fixa e fundos multimercados. Boa parte das instituições viabilizam a abertura de contas sem qualquer espécie de custo.

Percebe-se, portanto, que o quadro de profundas desigualdades socioeconômicas instalado no Brasil vai além de importantes ferramentas econômico-financeiras cuidadosamente institucionalizadas. Até mesmo o assimétrico acesso a informações financeiras básicas consolida enormes discrepâncias em termos de apropriação social das riquezas produzidas.   

Basta de banditismo militar e recuo republicano

Sábado, 23 de novembro de 2024
Basta de banditismo militar e recuo republicano

Roberto Amaral*

Quando a serpente rompe a casca do ovo e não é, de imediato, esmagada, ela sai espargindo a peçonha até contaminar todo o organismo democrático. As consequências, como é sabido, vêm depois, e não há mais do que reclamar.

Nosso governo, no auge do respaldo popular, pois recém-saído de eleições presidenciais vitoriosas (com dificuldade embora), renunciou ao dever republicano de assumir o comando político do país e ditar-lhe o rumo, quando, em janeiro de 2023, fomos agredidos — o país, seu povo —, por uma tentativa de sublevação institucional. O vácuo ensejou a presença de novos agentes, e um deles é o STF. Ficamos, pelo menos aparentemente, na plateia. Nossos partidos sem iniciativa. Como se tudo tivesse começado e terminado ali.

A violência e os atos de depredação de 8 de janeiro, organizados sob a direção e a omissão colaborativa de oficiais e comandantes de quartéis, deveriam cumprir o papel de estopim para mais um golpe-de-Estado em extensa lista que parece não se fechar jamais. Tratava-se de impedir a posse dos eleitos, a obsessão do capitão prófugo e seus generais. As condições subjetivas para o levante já vinham sendo preparadas por Jair Bolsonaro e seus asseclas desde o início do mandato, com seus discursos, sua prática e a permanente descaracterização do processo eleitoral.

A simbólica depredação do Congresso, do Palácio do Planalto e do STF foi o ato mais significativo da contestação da institucionalidade mediante a violência, mas não foi o único. Em 12 de dezembro de 2022, dia da diplomação dos eleitos, outra malta de celerados havia levado a cabo em Brasília uma série de atos terroristas e tentado explodir o aeroporto da cidade. Tudo visto e monitorado pelo governo do capitão, tudo ignorado pelas autoridades que se aprestavam à subida da rampa do Planalto dali a alguns poucos dias. Sem despertar a curiosidade, ou pelo menos a estranheza, de nossos observadores e estrategistas.

Os inquéritos que a Polícia Federal acaba de encaminhar ao STF informam a um país assustado que em novembro de 2022, ou seja, logo após as eleições presidenciais, fôra maquinado por generais da ativa e da reserva um plano macabro que, para manter no poder o capitão delinquente, derrotado em sua tentativa de reeleger-se. A trama assassina visava a eliminar Lula e Alckmin (presidente e vice-presidente eleitos) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a consequente implantação de mais um golpe militar.

Uma vez mais — e até quando?— os fardados investiam contra a democracia, uma democracia eternamente adolescente e frágil, inscrita nos textos constitucionais sem ter atrás de si a força de uma nação que nela se reconheça, em país por ser e um povo em busca de seu destino, indeciso sobre o que é e o que pretende ser.

O inquérito policial, já à espera do pronunciamento do Procurador-Geral da República, arrola uma quadrilha de criminosos comuns, mais perigosos que os milicianos e os traficantes dos morros cariocas e das favelas paulistanas, seja pelos cargos que ocupavam, seja pelas armas do Estado que controlavam, seja pela responsabilidade que lhes devia inspirar a farda.

Uma força militar que viola sua obediência à Constituição e às leis do país, que trai seu chefe e conspurca seu juramento, não pode inspirar confiança, nem está moralmente preparada para nos defender de eventual ameaça estrangeira.

Até aqui, nada obstante tantos golpes de Estado que perpetraram ao longo da história republicana, os fardados jamais haviam sido flagrados pelo poder civil em maquinação tão covarde. Mas há um fato novo a pedir registro: depois de pilhados, serão, pela primeira vez, julgados e condenados (é este pelo menos o sentimento do país) a partir de quando a república se restabelecerá e a democracia respirará sem medo — ao menos por algum tempo...

A democracia brasileira é uma relíquia débil, quase desconhecida pela maioria do nosso povo, mantida onde se guardam os objetos sem uso, e enquanto sem uso, defendida por liberais e conservadores. Eis por que é facilmente abatida quando alça voo, comprometendo com o clima de liberdade a concordata que assegura o poder político da classe dominante que herdamos dos engenhos. Para Sérgio Buarque de Holanda essa democracia que vemos tão raquítica não passa de promessa posta na mesa das negociações, “uma ideia em que o povo se deixa levar, mas que não se realiza plenamente”. Um mal-entendido, sempre ameaçada quando em distonia com a ordem, o sonho mágico do castro, que confrange o progresso e alimenta a desigualdade social.

Pois mesmo essa democracia que trata com desrespeito seu povo — ao ponto de negar-lhe vida digna, e “normalizar” a desigualdade obscena — é vista como estorvo pelo grande capital. Este, sempre que se imagina ameaçado, aciona sua guarda pretoriana, e a primeira vítima é o regime democrático. Daí os tantos golpes e as ameaças de golpe, as revoltas militares, as intentonas, os governos de exceção que marcam nossa vida republicana.

Nada obstante a história conhecida, em que pese a evidência do elo entre a conciliação e o crime, tramita no Congresso projeto de lei que visa a anistiar os criminosos de janeiro de 2023. Os delinquentes do regime de 1964, os golpistas que engolfaram o poder subtraído do povo, e os criminosos comuns, militares e civis dos serviços de repressão, torturadores e assassinos, foram brindados em agosto de 1979 por uma anistia ampla, geral e irrestrita. Antes haviam sido anistiados os criminosos de outros golpes. São eles e seus herdeiros e seus exemplos que nos atormentam hoje. A história entre nós se repete como drama, sem alterar os atores.

Um somatório de fatos recentes fornece ao Governo Lula a oportunidade para se fortalecer e esquivar-se do corner: 1) a mobilização pelo fim da escala 6x1, que fala à classe trabalhadora e racha a base popular da extrema-direita; 2) o malfadado — e ainda não esclarecido — atentado a bomba em Brasília, obra tresloucada de um néscio açulado pela cantilena do bolsonarismo; e 3) somado a ele, a escandalosa revelação (referida acima) do plano de assassinatos gestado no núcleo militar do bolsonarismo, que deixa o capitão, e não só ele, a poucos passos da jaula que lhe cabe.

Havemos de confiar que o líder da frente ampla que derrotou o protofascismo, animado pela ótima reunião do G-20, em que de certa forma conduziu o mundo, aproveitará a oportunidade para sair do canto do ringue e tomar em suas mãos a condução do poder político. As condições subjetivas e objetivas parecem estar muito próximas. Pode ser que Lula recupere a bola e tenhamos um segundo biênio novo.

***


Duas perguntas ao ainda Ministro da Defesa (inspiradas em texto de Gilberto Maringoni) – Quando os contratos das FFAA com a Starlink do extremista Elon Musk serão rompidos? Os setores de inteligência do Estado brasileiro investigam as conhecidas conexões entre a extrema-direita dos EUA com seus congêneres aqui?

O golpe fiscal da classe dominante — Os burocratas e os procuradores da Faria Lima, em funções de governo ou não, os jornalões e a telona clamam pelo mágico “ajuste fiscal” e malham na necessidade de corte dos gastos. Realmente, há gastos, uns injustificáveis em si, outros exagerados. Por exemplo: Forças Armadas: R$ 86,8 bilhões; incentivos fiscais para empresas: R$ 97,7 bilhões em 2024 até agosto; custos com emendas parlamentares: R$ 44,67 bilhões para 2024. Total: R$ 229,17 bilhões. E há a generosidade injustificável do Plano Safra 2024/2025: nada menos que R$ 400,59 bilhões doados aos gigantes do agro, inclusive os mais endividados, sem qualquer exigência de contrapartida.

Ainda o golpe fiscal — Mas onde os delegados do grande capital querem cortar investimentos? Nas despesas que visam à proteção social: Benefício de Prestação Continuada (R$ 30 bilhões); Bolsa Família (14 bilhões); universidades federais (5,5 bilhões); Vale Gás (3,7 bilhões); Farmácia Popular (3,4 bilhões); Lei Rouanet (2, 5 bilhões); SAMU (1,7 bilhões). Total: R$ 60,8 bilhões. É outro golpe, mais sutil que a trama dos Brancaleones bolsonaristas, mas que igualmente cuida de inviabilizar o projeto consagrado nas urnas. E cobra vidas.

O sionismo ataca na PUC-SP — Os professores Reginaldo Nasser e Bruno Hubermann estão sendo ameaçados de exclusão do corpo docente por serem, como toda pessoa decente, contra o genocídio dos palestinos. O execrável lobby sionista, sempre ativo entre nós, caracteriza essa integridade moral como “antissemitismo”. Que nos diz a Associação dos Docentes? Que nos diz o sindicato dos professores?





* Com a colaboração de Pedro Amaral

Darcy — O gênio Faria 100 anos: 1922—2022

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quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Brasília não pode ficar de fora da nova Rota de Seda

Quarta, 20 de novembro de 2024

Governos de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e mesmo o da Bahia tem agido fortemente para fazer com que os trilhos passem por seus estados, trazendo, acima de tudo, desenvolvimento. Até aqui, pelo o que se sabe, o Distrito Federal não tem dado atenção a esse projeto. Um erro estratégico, de quem não olha pro futuro.

Por Chico Sant’Anna. Publicado simultaneamente no Correio Braziliense

Peru e China acabam de inaugurar o megaporto de Chancay, a 80 km ao norte de Lima, capital peruana. Construído a um custo de US$ 3,6 bilhões, esse porto de águas profundas (cerca de 18 metros) é o maior da América Latina, com capacidade de receber navios de grande calado. Em visita a Brasília, o presidente da China Xi Jinping assinará tratados com o Brasil, dentre os quais, deve estar a construção de uma ferrovia Pacifico-Atlântico, facilitando, assim, o transporte de mercadoria de toda região, em especial grãos e minérios do Brasil.

✊🏿🌳 Dia da Consciência Negra: nos Territórios Quilombolas têm Luta e Floresta em Pé

Quarta, 20 de novembro de 2024
Olá,

Hoje, pela primeira vez na história, o Brasil inteiro celebra o Dia da Consciência Negra.

Dia de memória e de resistência para o povo negro brasileiro, que, mesmo após tantos anos, continua lutando por dignidade, reparação e garantia de direitos – constantemente ameaçados.

O direito à terra é a principal luta das comunidades quilombolas. No Brasil, os processos de titulação seguem em um ritmo constrangedor para aqueles comprometidos com uma sociedade justa: das mais de 1 milhão de pessoas quilombolas no país, conforme o Censo 2022 do IBGE, somente cerca de 4% residem em territórios já titulados.

Um estudo do ISA em parceria com a Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), mostra que, mesmo estando entre as áreas mais conservadas do Brasil, mais de 98% dos territórios quilombolas estão ameaçados por obras de infraestrutura, requerimentos minerários e sobreposições de imóveis particulares.

Essas ameaças geram graves impactos ambientais, como desmatamento, incêndios, degradação florestal e escassez de recursos hídricos.

O resultado disso para as comunidades quilombolas?

Violações de direitos, perda de oportunidades socioeconômicas, medo constante, assassinatos de lideranças quilombolas, impacto em seus modos de vida e degradação dos recursos naturais.

Marcha durante Aquilombar 2024 Webert da Cruz/ ISA/ Conaq

Comunidades e territórios quilombolas protegem as florestas - como mostra pesquisa do MapBiomas, divulgada pelo ISA e pela Conaq: entre os anos de 1985 e 2022, os territórios quilombolas perderam aproximadamente 4% de sua área de vegetação nativa, enquanto o desmatamento nas áreas privadas foi de 25%.

Se fizermos um recorte e olharmos somente para os quilombos, os que possuem a titulação completa perderam ainda menos floresta: aproximadamente 3%, diante dos 5% daqueles que se encontram em alguma das fases anteriores à titulação.

O ISA apoia a luta dos quilombolas pelo título de seus territórios!

Territórios Quilombolas promovem vida, cultura e floresta em pé.

Vamos aquilombar o Brasil!


Socioambiental se escreve junto.




Socioambiental se escreve junto.

Ester Cezar
Instituto Socioambiental (ISA)

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Dia da Consciência Negra é reivindicação social desde a ditadura. Movimento começou em 1971 com a formação do Grupo Palmares

Quarta, 20 de novembro de 2024
© Fernando Frazão/Agência Brasil

Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 20/11/2024 — Brasília



Teve longa gestação o reconhecimento do Dia de Zumbi e da Consciência Negra em 20 de novembro como feriado civil em todo o país: 53 anos. O intervalo é maior do que o espaço de tempo entre a Lei Eusébio de Queiroz (1850), que proibiu em definitivo a importação de pessoas escravizadas para o Brasil, e a Lei Áurea (1888), que declarou “extinta” a escravidão no país: 38 anos.

A preferência pelo 20/11 se manifesta pela primeira vez em 1971, em plena ditadura cívico-militar, e partiu de um grupo de estudantes e militantes negros de Porto Alegre, interessados em literatura e artes. Eles não achavam adequadas as celebrações em torno do 13 de maio, dia da assinatura da abolição da escravatura pela princesa Isabel, princesa imperial regente — que formalmente pôs fim a cerca de 350 anos de escravidão negra no Brasil.

O coletivo de rapazes negros, formado em julho daquele ano, depois se denominou Grupo Palmares e era composto por Oliveira Ferreira da Silveira, Ilmo Silva, Vilmar Nunes e Antônio Carlos Cortes. Cortes, hoje experiente advogado especializado em direito civil e criminal e a única pessoa viva daquela formação original. Segundo ele, também pertenciam ao “grupo informal” Luiz Paulo Axis Santos e Jorge Antônio dos Santos, que tiveram atuação mais discreta.
O poeta e pensador Oliveira Silveira, no Grupo Palmares - Foto Instituto Oliveira Silveira/Divulgação

Nós éramos seis, mas quatro botaram a cara para bater e dois ficaram ocultos, como estratégia nossa, porque se a ditadura nos eliminasse, esses outros dois dariam sequência”, lembra Antônio Carlos Cortes em entrevista à Agência Brasil. Ao longo do tempo, a composição do grupo mudou, inclusive com a entrada de mulheres.

A INTENTONA BOLSONARISTA E A URGENTE REVOLUÇÃO NACIONAL TRABALHISTA

Quarta, 20 de novembro de 2024

     Pedro Augusto Pinho

A INTENTONA BOLSONARISTA E A URGENTE REVOLUÇÃO NACIONAL TRABALHISTA

O tiro no peito do Estadista Brasileiro prorrogou o 24 de agosto de 1954 até 15 de março de 1979, quase um quarto de século, quando o poder financeiro inicia a desinstitucionalização do Brasil. E, desde então, a cada dia, nossa Pátria vai sendo privatizada e os brasileiros escravizados.

Esta intentona que envolveu o Exército Brasileiro mostrou a urgente necessidade de promover a Revolução Nacional Trabalhista, ou seja, dos brasileiros retomarem o controle do Estado Nacional, para que o trabalho de nossa gente e não as finanças apátridas sejam os beneficiários das riquezas do Brasil.

Getúlio Vargas deixou seu testamento na forma de carta aos brasileiros. Recordemo-la sempre para imortaliza-la.

“Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente”.

Que síntese maravilhosa da nossa história, das farsas, das mentiras, das ferozes razões que nos persuadem a aceitar a dominação estrangeira!

E a intentona bolsonarista pretendia colocar o Exército Brasileiro a serviço da ideologia neoliberal, de austríacos, ingleses, estadunidenses, usando a bandeira brasileira como fosse uma fantasia carnavalesca.

Quem cumpriria a missão de defender o Brasil? Apenas seu povo, tomando consciência do que nos roubavam, como marginais perigosos que verdadeiramente são “as aves de rapina (que) querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro”.

E estes inimigos da Pátria dominam as comunicações, impedem o ensino, reduzem as verbas da saúde, tiram nossas casas, alienam as construções para nossa cidadania em favor de um abstrato “mercado”.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Memória e justiça —‘Passado que não passa’: historiador comenta atualidade de 'Ainda Estou Aqui'

Terça, 19 de novembro de 2024

Filme está em cartaz no DF, confira horários e locais

Em Brasília, o filme está em exibição em diversos cinemas, incluindo o Cine Cultura Liberty Mall, Cinemark e Kinoplex. — Imagem: Sony Pictures/Reprodução

Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF) | postado no BdF em 18 de novembro de 2024

A produção brasileira Ainda Estou Aqui, dirigida por Walter Salles e estrelada por Fernanda Torres e Selton Mello, está em cartaz apresentando uma história real sobre desaparecimento político no período da ditadura militar brasileira (1964-1985). O filme é baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva sobre seu próprio pai, vítima do regime.

Após exibição no Festival de Veneza foi ovacionado com 10 minutos de aplausos e recebeu venceu a categoria de Melhor Roteiro. A reação também foi calorosa na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, onde o filme ganhou o Prêmio do Público. A passagem nas salas nacionais de cinema vem sendo marcada por uma alta expectativa sobre a indicação do filme ao Oscar, como aconteceu em 1993 com "Central do Brasil" do mesmo diretor.

O enredo de Ainda Estou Aqui conta a história de Eunice Paiva, vivida por Fernanda Torres na juventude e Fernanda Montenegro na velhice. Mãe de cinco filhos, Eunice enfrenta a tragédia do desaparecimento de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva (interpretado por Selton Mello), durante o regime militar.

Segundo Paulo Parucker, historiador e membro da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade da UnB, filmes como Ainda Estou Aqui chega para reforçar o catálogo de filmes brasileiros que denunciam a letalidade do período militar, assim como Que Bom Te Ver Viva, O Pastor e o Guerrilheiro, O Homem Cordial e Memória Sufocada. "Ao abordar o tema da ditadura por meio de alguns de seus inúmeros aspectos, nos sacodem da banalidade da vida diária e nos revelam um ‘passado que não passa’, uma violência impregnada em nossa formação cultural", afirma o professor.

Para ele, esse tipo de memória cinematográfica "não nos deixa esquecer que, no Brasil, houve e há tortura, assassinato político, ocultação de cadáveres e outras gravíssimas violações de direitos humanos, não raro acobertadas por discursos moralistas e em nome de uma ordem que reproduz a desigualdade e de uma suposta proteção da família e dos valores tradicionais".

Parucker considera ainda que filme chega em um momento que merece ter esse tipo de reflexo devido ao aumento do discurso público de setores que sofrem de nostalgia dos anos de chumbo. "Não nos enganemos: as pessoas que apoiam e promovem a defesa de regimes autoritários nunca deixaram de o fazer, ainda que, em dadas circunstâncias, a coisa fique mais inflamada e ganhe maior divulgação", analisa.

Em Brasília, o filme está em exibição em diversos cinemas, incluindo o Cine Brasília e Cine Cultura Liberty Mall. Após a exibição nos cinemas, Ainda Estou Aqui também será disponibilizado na plataforma Globoplay, ampliando o acesso para aqueles que preferem acompanhar a produção via streaming.

Cine Brasília

Endereço: Asa Sul Entrequadra Sul 106/107

Horários: 14h, 16h30, 18h e 20h35

Cine Cultura Liberty Mall

Endereço: SCN Quadra 2 Bloco D - Asa Norte, Brasília

Horários: 14:10, 16:00, 16:50, 19:30, 20:40

Cinema Cinemark

Endereço: Setor de Clubes Esportivos Sul - Trecho 2 - Lago Sul, Brasília - DF

Horários: 13:50, 15:10, 17:00, 18:20, 20:00, 21:20

Kinoplex Boulevard

Endereço: Setor Terminal Norte - Conjunto J - Boulevard Shopping - Asa Norte, Brasília

Horários: 13:00, 15:45, 18:30, 21:15

Kinoplex ParkShopping

Endereço: Setor Áreas Isoladas - Sudoeste Área 6580 - Lj 273 - Guará, Brasília

Horários: 13:00, 14:40, 15:45, 17:30, 18:30, 20:20, 21:15

Cinema Cinemark Iguatemi

Endereço: ST SHI/NORTE, QUADRA CA-04, LOTE A, PISO SUPERIOR, LOJA 162, Brasília

Horários: 13:45, 16:50, 18:15, 20:00, 21:15

Arcoplex Cinema

Endereço: Av. das Araucárias - lote 1835/1905/2005 - Águas Claras Shopping, Águas Claras

Horários: 15:20, 18:10, 21:10

Cineflix JK Shopping Brasília

Endereço: QNM 34 - Área Especial, 1, Taguatinga

Horários: 16:20, 19:10, 22:00

Cinema Multicine - Santa Maria

Endereço: Santa Maria Norte, CL 114 Bloco D Santa Maria Shopping - Santa Maria, Brasília

Horários: 20:05

Cineflix Shopping Sul Valparaíso

Endereço: Rodovia BR-040 Km 12, Valparaíso de Goiás

Horários: 16:00, 18:50, 21:40

*Horários sujeitos a alteração.


Edição: Flávia Quirino

'Já passou da hora': parlamentares protestam contra pedido de anistia, pedem arquivamento de PL e prisão de golpistas

Terça, 19 de novembro de 2024

Ato foi articulado na Câmara pelo Psol e teve presença de alguns nomes do PT; decisão sobre PL depende de Arthur Lira

Cristiane Sampaio
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 19 de novembro de 2024

Ato de parlamentares se concentrou em frente ao busto em homenagem a Rubens Paiva, deputado morto pela ditadura na década de 1970 - Bruna Menezes/Psol na Câmara

Parlamentares da bancada do Psol protestaram, nesta terça-feira (19), na Câmara dos Deputados, pelo arquivamento da proposta que concede anistia aos vândalos que invadiram os prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro do ano passado. O ato contou também com a presença de alguns nomes da bancada do PT e reforçou o coro pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de personagens a ele ligados.

O protesto já estava agendado desde a tarde de segunda (18), mas acabou ganhando maior fôlego em virtude da Operação Contragolpe, realizada pela Polícia Federal (PF) nesta terça (19). O órgão prendeu quatro militares e um policial suspeitos de articularem, em 2022, um plano de assassinato do presidente Lula (PT); do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB); e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

"Chegou a hora de uma responsabilização de fato. O Médici de ontem é o Braga Netto [general que foi candidato a vice de Bolsonaro em 2022] de hoje, se a responsabilização não vem. Já passou da hora", disse Glauber Braga (Psol-RJ), ao cobrar a prisão de Netto e apoiadores envolvidos no planejamento investigado pela PF.

Rogério Correia (PT-MG) lembrou que no mês passado fez um ano que foi aprovado, no Congresso Nacional, o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro. O petista ressaltou que o general Mário Fernandes, um dos presos pela PF nesta terça, atuava no gabinete do atual deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro. "Ele está citado no relatório da CPMI e continuava solto. Hoje é que ele foi finalmente preso, mas já estava citado no relatório. O Braga Netto, eu pergunto, por que não foi preso hoje? Ele já estava indiciado e foi pedida a prisão dele há um ano", cobrou.

Exclusivo —'Kids pretos', com membros envolvidos na tentativa de golpe, protagonizaram governo Bolsonaro; saiba quem são

Terça, 19 de novembro de 2024

O "kids pretos" é um grupo de elite das Forças Armadas - Foto: Exército Brasileiro

Ex-ministros da Saúde e da Casa Civil eram do grupo de elite das Forças Armadas

Igor Carvalho e Ananias Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 19 de novembro de 2024

Segundo investigações da Polícia Federal, um grupo de elite das Forças Armadas, conhecido como “kids pretos”, sob o comando do general Walter Braga Netto, teria planejado a execução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em seu relatório final, a Polícia Federal informa que o plano, chamado pelos militares de “Punhal verde e amarelo”, começou a ser arquitetado na casa do general Braga Netto em 12 de novembro de 2022, 15 dias após o segundo turno das eleições daquele ano, quando Lula derrotou então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apesar de ser apontado como mentor do plano, Braga Netto não está entre os quatro militares presos pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (19). Os detidos são Hélio Ferreira Lima, Mario Fernandes, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo. Todos faziam parte do grupo “kids pretos”.

Além dos quatro presos, outros integrantes do governo de Jair Bolsonaro integravam ou já haviam integrado o “kids pretos” durante suas carreiras nas Forças Armadas. O Brasil de Fato preparou uma relação dos militares bolsonaristas. Confira a seguir.

Os meninos do ex-presidente

O plano para assassinar Lula, Alckmin e Moraes foi encontrado no celular de tenente-coronel Mauro Cid, que era ajudante de ordem de Bolsonaro e integrou o “kids de pretos”. O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal na Operação Contragolpe. O militar havia deletado os arquivos, mas foram recuperados pelo departamento de inteligência do órgão.

O pai de Mauro Cid, o general Mauro Cesar Lourena Cid serviu no 1º Batalhão de Forças Especiais, o “kids pretos”. O militar serviu, em 1977, na mesma turma da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) de Jair Bolsonaro. Quando assumiu a Presidência da República, o então presidente nomeou o colega para dirigir a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Miami (EUA).

Outro integrante da Apex, que também fazia parte do grupo de elite das Forças Armadas, era o general Roberto Escoto, que foi nomeado diretor de Gestão Corporativa do órgão por Jair Bolsonaro.

Um dos “kids pretos” ilustres é o general Eduardo Pazuello, que foi ministro da Saúde durante o governo de Bolsonaro. Hoje, ele é deputado federal e um de seus assessores no gabinete no Congresso Nacional é o general Mário Fernandes, um dos militares presos nesta terça-feira, que trabalhou no local entre janeiro de 2023 e março deste ano. Para a função, recebia R$ 15,6 mil por mês.

Fernandes, um dos “kids pretos” presos foi secretário-executivo Casa Civil, trabalhou também na Secretaria de Governo e na Secretaria-Geral da Presidência da República. O general Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, que coordenou o Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, durante o governo de Bolsonaro, também integrava o grupo.

Seu filho, Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira Filho, serviu no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), também na gestão do ex-presidente. O irmão de Gaspar de Oliveira, o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, foi nomeado comandante do Comando de Operações Terrestres (Coter) na gestão de Bolsonaro e também era um “kid pretos”.

Outro ex-ministro que integrou o grupo de elite das Forças Armadas, é o general Luiz Eduardo Ramos, que chefiava a Casa Civil no governo de Bolsonaro. Secretário-executivo do Ministério da Saúde de Bolsonaro, o coronel Antônio Elcio Franco Filho chegou a ocupar o cargo de assessor especial da Casa Civil e também foi um dos “kids pretos” e membro da mesma turma de Mario Fernandes na Aman, em 1986.

Responsável pelo Departamento de Logística em Saúde, órgão do governo federal, durante a gestão de Bolsonaro, o general Ridauto Lúcio Fernandes, um ex-“kids pretos”, esteve nas ruas de Brasília (DF) durante os atos de 8 de janeiro de 2023, que visavam dar um golpe no país para destituir Lula da Presidência da República.

Apontado nas investigações da Polícia Federal como um dos principais incentivadores do golpe de 8 de janeiro, dentro do Exército, o coronel Marcelo Costa Câmara também integrou o grupo de elite das Forças Armadas e foi assessor especial do gabinete de Bolsonaro.

Além dos nomes citados na matéria, outros integrantes do governo Bolsonaro que participaram do “kids pretos” são o coronel Carlos Rober Sucha, que era assessor da vice-presidência; o coronel Danilo Mitre Filho, que foi superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará; o coronel Rezende Guimarães Filho, que ocupou o cargo de superintendente do Ibama no Amapá e Amazonas; o coronel Rezende Guimarães Filho, ex-assessor especial de Relações Institucionais da Secretaria de Governo; o coronel Fernando Sergio de Moura Alves, que era assessor especial e Chefe da Assessoria Especial Parlamentar do GSI; o coronel George Divério, que foi superintendente do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro; o general Paulo Humberto, que presidiu o Instituto de Previdência Complementar dos Correios (Postalis); o coronel Marcelo Bento Pires, diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde; e o coronel Hidenobu Yatabe, chefe de Assessoria da Presidência da Empresa brasileira de Comunicação (EBC).

Edição: Martina Medina

'Ponto focal' —General preso pela PF era elo entre acampamento golpista em Brasília e Jair Bolsonaro, aponta investigação

Terça, 19 de novembro de 2024

O general da reserva Mario Fernandes liderou o plano para executar o presidente Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 19 de novembro de 2024

O general da reserva Mario Fernandes foi um dos homens de confiança de Bolsonaro no Palácio do Planalto - Isac Nóbrega/PR

O general da reserva Mario Fernandes foi um elo entre manifestantes bolsonaristas que atuavam por um golpe de Estado e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), conforme apontado pela Polícia Federal (PF).

Fernandes foi preso preventivamente nesta terça-feira (19) no âmbito da Operação Contratempo, da PF, que investiga um plano de execução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi um dos militares que liderou o planejamento, segundo a PF.

Na decisão de Moraes, que autorizou a operação de hoje, trechos dos relatórios da PF indicam que o general era o "ponto focal" do governo Bolsonaro com os manifestantes golpistas que estavam instalados em frente ao Quartel-General do Exército (QG-Ex), em Brasília, cuja participação no 8 de janeiro foi expressiva.

Em mensagens trocadas com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Fernandes aponta que conversou pessoalmente com o então presidente, em 8 de dezembro, e afirma que estava orientando "tanto o pessoal do agro quanto caminhoneiros que estão no QG".

A PF relata que o general "possuía influência sobre pessoas radicais acampadas no QG-Ex, inclusive com indicativos de que passava orientações de como proceder e, ainda fornecia suporte material e/ou financeiro para os turbadores antidemocráticos".

Golpe de Estado —PF prende militares suspeitos de plano para assassinar Lula, Alckmin e ministro do STF

Terça, 19 de novembro de 2024

No total, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e 15 outras medidas


Jair Bolsonaro e o então comandante de Operações Especiais, general Mário Fernandes, um dos alvos da operação - Isac Nóbrega/PR

Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 19 de novembro de 2024

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (19), a Operação Contragolpe, que busca desarticular uma organização criminosa que planejou um golpe de Estado a fim de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre as ações do grupo, a polícia identificou um plano, denominado “Punhal Verde e Amarelo”, cujo objetivo seria a execução dos candidatos à Presidência e Vice-Presidência da República eleitos, Lula e Geraldo Alckmin (PSB), respectivamente, em 15 de dezembro de 2022.

Além de ambos, a prisão e a execução de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) vinham sendo planejados, caso o golpe fosse exitoso. A PF não divulgou o nome do magistrado em questão.

No total, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e 15 outras medidas cautelares, como a proibição de manter contato com os demais investigados e de se ausentar do país, com entrega de passaportes no prazo de 24 horas. Os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, Goiás, Amazonas e Distrito Federal.

Entre os alvos da operação, estão pelo menos quatro militares: o general da reserva Mario Fernandes e os tenentes-coronéis Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo. Wladimir Matos Soares, policial federal, também é um dos alvos.

O general da reserva Mario Fernandes foi um dos homens de confiança de Jair Bolsonaro (PL) no Palácio do Planalto e foi alçado ao cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral menos de dois meses depois de ter passado à reserva do Exército. Seu último posto na Força foi como comandante de Operações Especiais. Em outubro de 2022, o ex-presidente escolheu o general para exercer o cargo de Autoridade de Monitoramento da Lei de Acesso à Informação, função ligada à Secretaria-Geral da Presidência da República.

De acordo com a PF, o plano dos investigados “detalhava os recursos humanos e bélicos necessários para o desencadeamento das ações, com uso de técnicas operacionais militares avançadas, além de posterior instituição de um ‘Gabinete Institucional de Gestão de Crise’, a ser integrado pelos próprios investigados para o gerenciamento de conflitos institucionais originados em decorrência das ações”.

Os fatos investigados configuram os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado e organização criminosa.

Edição: Nathallia Fonseca