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(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Movimentações políticas já articulam a sucessão de Agnelo

Segunda, 13 de fevereiro de 2012
Por Chico Sant’Anna, publicado originalmente na Brasília 247

2012 NÃO TERÁ ELEIÇÕES NO DF, MAS COM CERTEZA TRARÁ GRANDES DEFINIÇÕES NA POLÍTICA LOCAL. QUANDO 2013 TIVER INÍCIO TERÁ SIDO DISPARADO A CONTAGEM REGRESSIVA À CORRIDA AO BURITI E AS CORES DAS CHAPAS QUE CONCORRERÃO ESTARÃO BEM MAIS DEFINIDAS

O Distrito Federal é a única Unidade da Federação em que seus eleitores não irão às urnas em 2012. Sem eleição municipal, os olhos e as conjecturas se voltam para 2014, quando novamente a sede do Palácio do Buriti estará em jogo e, junto com ela, uma cadeira no Senado Federal, oito vagas para deputado federal e 24 para distrital. Nas últimas semanas, os principais atores começaram a ocupar as páginas da imprensa, mostrando ao eleitor que estão vivos e que pretendem disputar o poder local.

Os nomes são conhecidos: Roriz, Arruda, Cristovam, Rollemberg, Toninho do Psol, Reguffe e, é claro o PT.

Daí pra frente tudo é dúvida.

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Propositalmente não disse Agnelo. Isso porque a manutenção de seu nome em 2014 depende de seu desempenho como governador e, até o momento, segundo as pesquisas, Agnelo está longe de ser o candidato preferido do eleitorado. Se não conseguir dar uma virada em 2012, ele pode começar a presenciar o desembarque de muitas lideranças de sue governo. Desembarque até dentro do Partido dos Trabalhadores. E com Agnelo fora do baralho, o PT poderia certamente relacionar diversos outros candidatos: Geraldo Magela, Arlete Sampaio e Chico Leite, dentre outros. Só que com novos nomes o jogo será zerado. Tudo tem que ser recosturado.

Um fracasso de Agnelo coloca em dúvida também o futuro de seu vice. Calado até agora, atuando apenas nos bastidores, Tadeu Filippelli, do PMDB, conseguiria manter-se por mais quatro anos na coligação frankenstein PT/PMDB? Seria seu interesse fazer isso? Ou seria melhor ele retornar às coligações que historicamente se alinharam ao PMDB candango, de raiz bastante conservadora, para não dizer de direita? E as demais correntes do PT? Aquelas que tiveram que engolir a arquitetura política de Chico Vigilante – que reuniu uma diversidade de partidos da esquerda à direita em torno do nome de Agnelo Queiros. Teriam elas estômago para mais quatro anos na “Turma da Mudança”?

Quem vai responder partes destas questões será o desempenho de Agnelo em 2012. Ele definirá certamente o comportamento de dois partidos, tradicionais parceiros do PT, mas que sempre que podem optam em uma trajetória solo: PDT e PSB.

No noticiário, Cristovam Buarque (PDT) diz que rompeu com Agnelo, que não o apoiará em 2014 e se apresenta como pretendente a voltar ao GDF. Sua candidatura poderia atrair até partidos mais à esquerda e que nas últimas eleições preferiram não se misturar a Agnelo que abrigou em sua coligação políticos envolvidos em escândalos de corrupção.
Entretanto, é sabido que o sonho de Cristovam é mesmo o Planalto. Embora desconverse e a quem lhe questiona sobre os projetos políticos, responde que se pudesse optar, voltaria para a UnB, o certo é que seu projeto político mira a presidência da República. O momento é oportuno. Como senador ele tem mandato até 2018 e não teria nada a perder se embarcasse numa candidatura à sucessão de Dilma. Tudo dependerá exclusivamente de seu partido. Como as paixões entre Dilma Rousseff e o ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, azedaram, é possível até que o PDT tente num primeiro turno candidatura própria e, ai, Cristovam seria um dos melhores nomes.
Com o ex-governador fora da caminhada ao Buriti, o cetro do PDT candango passaria às mãos do deputado federal José Reguffe. Mas na fila de pretendentes ao GDF, estariam à frente dele outros candidatos que, em tese, teriam mais experiência e estrutura política para tentar liderar uma chapa, se não de esquerda, pelo menos com ares de progressista. É onde alguns analistas dizem que abrir-se-iam as portas para o senador Rodrigo Rollemberg.

Como se sabe, Rollemberg tinha, em 2010, o sonho de ser o candidato anti-Arruda. Para tanto, chegou tomar cafezinho na casa de Joaquim Roriz. Seguindo o ditado que o inimigo de meu inimigo é meu amigo, trocou afagos e sorrisos para as câmeras. Fotos que Roriz fez questão de jogar rapidamente na rede.

O projeto só não vingou por conta da crise da Caixa de Pandora e da coligação costurada por Chico Vigilante. Rollemberg ganhou uma vaga ao Senado, Cristovam, a outra e quem pagou o pato foi Geraldo Magela que pleiteava ser o nome do PT ao GDF. Não teve êxito, ficou sem a legenda para o Senado e, por pouco não consegue nem mesmo a candidatura a deputado federal. Muitos oponentes dentro do próprio PT queriam deixá-lo de “castigo” na Câmara Distrital.
Os articuladores de Rollemberg querem agora construir uma coligação tão ampla quanto à de Agnelo. Para dar pedigree ético e moral tentam atrair o Psol. Sugerem o nome da ex-deputada Maria José Maninha como vice-governadora. Toninho do Psol (foto), que foi a grande revelação em 2010, sairia para deputado federal, Sua meta: ampliar a combativa legenda do Psol, que hoje conta com apenas três deputados federais e um senador. Nesta chapa, que alguns já se antecipam para chamar de “chapa do BEM”, caberia a Reguffe a vaga ao Senado Federal.

Mas as forças partidárias no DF são bem mais amplas. E para assegurar uma vitória seria preciso atrair, segundo a visão dos articuladores da “chapa do BEM”, outras forças políticas. E elas se encontrariam ao centro e à direita. Desta forma, uma meta seria atrair o ex-secretário de Saúde, Jofran Frejat (PR-DF). Ele foi o candidato a vice-governador na chapa rorizista de 2010, nas não estaria contaminado, segundo os articuladores de Rollemberg.

Também o PSDB seria alvo de uma catequização. Teria, contudo, que romper os laços com os azuis. Nas últimas eleições, o PSDB lançou na chapa de Joaquim Roriz Maria de Lourdes Abadia ao Senado. A lei da Ficha Limpa abateu suas pretensões. No ninho dos tucanos, já há cacique defendendo esta purificação do partido.

Entretanto, o antigo e mais longo inquilino do Palácio do Buriti pretende retornar à casa oficial. Joaquim Roriz reuniu a família, formada de duas parlamentares e uma ex-candidata ao GDF, Dona Weslian, chamou os fotógrafos e deu visibilidade a seus sonhos. Da reunião saiu a mensagem de que ele se fará presente no processo sucessório de 2014. Se não puder ser na pessoa dele, será por meio de um nome bem próximo.
Joaquim Roriz, hoje no PSC, analisa inclusive se permanecerá no partido que o abrigou após o exílio do PMDB. Há quem aposte que ele iria para o PSD de Gilberto Kassab, só que isto só seria anunciado após as eleições municipais deste ano, caso se concretize a coligação entre o PT e o PSD paulista. Uma filiação de Roriz agora ao PSD seria mais um argumento contra a coligação que Lula tenta enfiar goela abaixo nos petistas autênticos. Como se sabe, o PSD já reúne hoje em Brasília as principais lideranças rorizistas. Sua própria filha, Liliane Roriz, e ainda as distritais Celina Leão e Eliana Pedrosa.

À sombra do velho caudilho do cerrado devem permanecer os Democratas, que hoje tem em Alberto Fraga o nome de maior visibilidade na cidade, embora Paulo Octávio ainda guarde o cacife econômico necessário a uma disputa deste porte.

Há ainda José Roberto Arruda. Enganam-se os que pensam que ele esteja morto na política local. Arruda já ressuscitou uma vez, após fugir da cassação como senador, após ter violado o painel eletrônico do Senado Federal na cassação de Luiz Estevão. É claro que não teria chances agora para se lançar a governador. Mas, com certeza, contaria com respeitável votação como deputado federal e, na pior das hipóteses, como distrital. Arruda deve dar tempo ao tempo e apoiar com seus contatos e alianças um nome alternativo ao GDF.

Os corredores do Planalto Central comentam que reuniões neste sentido já estariam ocorrendo. Velhos caciques que num passado recente trilharam estradas próprias estariam colocando de lado as lembranças amargas em prol de um projeto político comum. Não por outros motivos, setores da imprensa estariam divulgando reportagens colocando em xeque o envolvimento dele na Caixa de Pandora. Arruda tenta passar a opinião pública que não foi o vilão, mas sim a vítima. Se conseguir, será a sua segunda ressurreição.

2012, como falamos no início, não terá eleições no DF, mas com certeza trará grandes definições na política local. Quando 2013 tiver início terá sido disparado a contagem regressiva à corrida ao Buriti e as cores das chapas que concorrerão estarão bem mais definidas. É esperar para ver.