Segunda, 13 de fevereiro de 2012
Da Agência Senado
Em
discurso nesta segunda-feira (13), o senador Roberto Requião (PMDB-PR)
voltou a protestar contra a recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo
de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Na quarta-feira (15), os senadores integrantes da Comissão de Serviços
de Infra-Estrutura (CI) vão realizar a sabatina de Bernardo Figueiredo,
indicado pela presidente da República, Dilma Rousseff, para um novo
mandato à frente da agência reguladora.
- É
inadmissível que ele seja reconduzido de afogadilho, no atropelo,
imprudentemente. Seria uma inominável irresponsabilidade que, espero, o
Senado Federal não cometa - afirmou.
O senador
argumenta que o indicado cometeu irregularidades e "malfeitos" em seu
primeiro mandato como diretor geral da ANTT. Para ele, seria um erro e
uma irresponsabilidade do governo federal e de sua base parlamentar
permitir um novo mandato para Bernardo Figueiredo.
Requião citou como elemento contra o diretor da ANTT a representação
da Procuradoria Geral da República (PGR), da qual leu trechos e que
acusa a ANTT de omitir-se da tarefa de regular e fiscalizar os contratos
de concessão ou arrendamento do transporte ferroviário de cargas.
"Na
falta de efetivo controle, as concessionárias como que se apropriam do
negócio do transporte ferroviário de carga como se fosse próprio; fazem
suas escolhas livremente, segundo os seus interesses econômicos. O
quadro é de genuína captura, em que o interesse privado predomina sobre o
interesse público", leu Requião.
De acordo com o
senador, a PGR também acusa Bernardo Figueiredo de atuar em favor da
concessionária privada América Latina Logística (ALL).
-
Empresa da qual o senhor Bernardo Figueiredo se origina, em nome da
qual assinou o contrato de concessão e cuja alta direção integrou -
disse.
A PGR também afirma, disse Requião, ter
havido uma "política de total conivência e omissão da ANTT com relação
ao abandono, destruição, invasão e malbaratamento dos bens públicos e,
consequentemente, do transporte ferroviário como alavanca do
desenvolvimento regional e nacional".
- Bernardo
Figueiredo age assim: não fiscaliza, nem deixa fiscalizar. A
Procuradoria-Geral da República constatou ainda que o senhor Bernardo
Figueiredo impede que os funcionários da ANTT multem a ALL e outras
concessionárias privadas - pontuou Requião.
O
parlamentar afirma que a base governista no Senado "não quer ouvir" a
PGR e não dá atenção às investigações realizadas no âmbito da CPI
do Sistema Ferroviário, da Assembleia Legislativa do Estado de São
Paulo, relatada pelo deputado estadual Mauro Bragatto (PSDB). Segundo
Requião, os documentos dessa CPI apresentam "informações importantes
sobre a dilapidação do patrimônio público, perpetrada pela
concessionária privada ALL, sob o manto protetor do poderoso diretor
geral da ANTT, senhor Bernardo Figueiredo". O relator da CPI colocou-se à
disposição da Comissão de Infraestrutura do Senado, afirmou Requião.
- Mas a base do governo não quer ouvir o deputado Mauro Bragatto. A base do governo não quer ouvir ninguém! - declarou.
Requião
disse que a PGR e a Assembleia Legislativa de São Paulo acusaram
Bernardo Figueiredo de beneficiar as concessionárias privadas do
transporte ferroviário usando seu cargo de dirigente da ANTT. O senador
disse que a trajetória de Bernardo Figueiredo, uma "simbiose entre as
atividades públicas e privadas", pode ser conferida no currículo do
diretor geral enviado ao Senado anexo à mensagem presidencial (MSF 151/2011) que o indica para um novo mandato à frente da agência reguladora.
-
Espero que o Senado da República não fique genuflexo diante de tanta
barbaridade. Seria uma desonra para o Senado e para todos nós, senadores
- opinou.
