Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Curto-circuito

Segunda, 13 de fevereiro de 2012
Técnico do Metrô de Brasília descobriu na madrugada deste sábado (12/2) o que estaria causando a lentidão e paradas não programadas dos trens. Um cabo que fica na sala de descanso dos pilotos estava conectado numa entrada errada, sobrecarregando a rede de informação do metrô.

Em reportagem do DFTV, segunda edição de hoje (13/2), o delegado encarregado de investigar o caso afirmou que houve sabotagem e que as pessoas que entraram na sala na última semana serão ouvidas. O governador Agnelo Queiroz, por seu turno, declarou que deverá punir rigorosamente, inclusive com cadeia, “sabotadores que põem em risco a vida de milhares e milhares de pessoas”.

Se houve sabotadores, esses deverão ser punidos, claro. Mas talvez o governador deva também demitir o presidente em exercício do Metrô. Por quê? Ora, enquanto o governador diz que foi colocado “em risco a vida de milhares e milhares de pessoas”, o senhor Nilson Martinelli, o presidente em exercício da companhia, reconhecia que há fragilidade do sistema, mas que não houve risco à segurança dos passageiros.
 
Deve-se apurar, então, se havia um cabo de dados também conectado errado entre o governador e o presidente em exercício do Metrô. Um disse uma coisa e o outro outra coisa. Houve lentidão para sincronizar um com o outro. Ou teria havido um curto-circuito?

Ou Martinelli está escondendo do público riscos que existiram, ou o governador, com seu discurso está levando, injustificadamente e inadvertidamente, uma mensagem que pode causar pânico nos passageiros. O certo é que um desmentiu o outro. E governador não pode ser desmentido. Se, claro, estiver com a verdade. Aliás, se com a verdade, ninguém pode ser desmentido.

O diretor do sindicato dos metroviários, Leandro Santos, por seu lado, negou qualquer tipo de participação da entidade em atos de vandalismo ou sabotagem, mas que a suspeita deve ser investigada sem, contudo, a priori, haver declarações que marginalize os funcionários.