Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 1 de maio de 2026

BRASIL DO SÉCULO XXI PERMANECE NO SÉCULO XIX MAS NÃO É BRASILEIRO

 Sexta, 1º de maio de 2026

BRASIL DO SÉCULO XXI PERMANECE NO SÉCULO XIX MAS NÃO É BRASILEIRO


Pedro Augusto Pinho*

 

Os cinquenta anos da Era Vargas, com o suicídio do único Estadista brasileiro, Getúlio Dornelles Vargas, não deixaram o Brasil soberano, nem mesmo no século XX.


Mantiveram-nos, as forças do atraso, o país na escuridão da ignorância, da escravidão, do analfabetismo e da absoluta ausência de algo tão fora de moda que muitos desconhecem totalmente o significado dos vocábulos “civismo”, “ética”, “nacionalismo”, “moral”.


Quem demonstra este incrível retrocesso do Brasil de Vargas, em 2026, é o denominado Poder Legislativo, principalmente pelas ações dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, as atuações de alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e quase todos presidentes de partidos políticos, legalmente registrados na Justiça Eleitoral.

Antes de analisarmos a situação presente, façamos breve recordação histórica.

terça-feira, 18 de abril de 2023

Para reverenciar a memória de Getúlio Vargas, a AEPET divulga a versão integral de “A História da Petrobrás”

Terça, 18 de abril de 2023

Getúlio nasceu em 19 de abril de 1882, em São Borja, Rio Grande do Sul

Da AEPET —Associação dos Engenheiros da Petrobrás

Há 141 anos nascia aquele que por mais tempo governou o Brasil, como presidente. O primeiro período foi de 15 anos ininterruptos, de 1930 até 1945, e dividiu-se em 3 fases: de 1930 a 1934, como chefe do "Governo Provisório"; de 1934 até 1937 como presidente da república do Governo Constitucional, tendo sido eleito presidente da República pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; e, de 1937 a 1945, como ditador, durante o Estado Novo implantado após um golpe de Estado. Em 1950, Getúlio volta ao poder, desta vez democraticamente eleito.

Nacionalista e ferrenho defensor da Soberania Nacional, Getúlio instituiu o salário mínimo e fez aprovar a Consolidação da Leis Trabalhistas (CLT), criou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em 1952, instituiu o Banco Nacional de Desenvolvimento, atual BNDES. E, em 3 de outubro de 1953 sancionou a Lei que criou a Petrobrás e o monopólio estatal da exploração e produção do petróleo.

Getúlio Vargas foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, em 15 de setembro de 2010, pela lei nº 12.326.

Para celebrar os 70 anos da Petrobrás, o jornalista José Augusto Ribeiro escreveu, a pedido da AEPET o livro “A História da Petrobrás”, que foi divulgado em três partes e agora é apresentado numa versão completa em PDF. No segundo semestre deste ano, terá um versão eletrônica (e-book) e uma edição impressa comemorativa.

Clique aqui para ler a versão completa em PDF

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

LIÇÕES DE UM PATRIOTA

Sexta, 28 de janeiro de 2022








LIÇÕES DE UM PATRIOTA

Não sei com quantos estadistas o processo social contemplou nossa frágil república. Mas, principalmente na sequência dos anos 1930, dois nomes saltam à vista: Getúlio Vargas e Leonel Brizola. O primeiro inaugura o ciclo trabalhista; o segundo, encerrando-o, cede caminho para a emergência do lulismo, vertente que negara o varguismo, cadinho de todos os vícios do sindicalismo brasileiro, na conclusão primária da socialdemocracia paulista, que, no governo, prometeu “enterrar a era Vargas”.

Getúlio — dominando a política e o imaginário nacional desde 1930, e, com o pequeno intervalo de 1945-1950, governando o país por 19 anos — constitui-se, até aqui, como nossa maior liderança popular. Riquíssima, é ao mesmo tempo personalidade política a mais contraditória, ao transitar da revolução conservadora de 1930 (movimento liderado por três governadores de Estado e operado pela elite do “tenentismo”) à modernização do pais, da democracia representativa de 1934 à ditadura do “Estado novo”, para enfim encerrar seus dias de forma trágica na condução frustrada de um governo democrático e nacionalista. Deixou como herança, em um rol extensíssimo, a legislação trabalhista, uma plataforma nacionalista e um partido político popular, bem como duas lideranças, seus conterrâneos João Goulart e Leonel Brizola.

Embora jamais lograsse a presidência da república, que tanto perseguiu, e para a qual se preparara no curso de sua longa carreira política —deputado estadual, prefeito de Porto Alegre, governador do Rio Grande do Sul, deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara, duas vezes governador do Rio de Janeiro— Brizola foi sem dúvida o mais influente e longevo quadro da política brasileira a partir dos anos 1960, quando, com seu voluntarismo e sua coragem quase temerária, alterou o curso da história escrita pela classe dominante e impediu o golpe militar de 1961, por meio da Campanha da Legalidade. A posse de Jango mantinha de pé a ordem institucional e ensejaria à já então enferma democracia representativa brasileira, uma dramática sobrevida de quase quatro anos, com o permanentemente contestado governo Goulart, durante o qual o país, nada obstante as contradições que militavam em seu bojo, assistiu, ainda que aos trancos e barrancos, a um dos mais largos períodos de liberdades democráticas e debates em torno de suas vicissitudes e alternativas, ponto de partida para a elevação da educação das massas, que apavorou as classes dominantes.

A fonte desse Brasil posto em discussão, a ser “passado a limpo” na academia e nas assembleias, como reclamava Darcy Ribeiro, remontava às lides de agosto de 1961. Não fôra, porém, uma rebeldia qualquer aquela do jovem governador gaúcho, pois materializava-se mediante a mobilização popular, levantando o país amorfo na defesa de um princípio tornado caro: a legalidade democrática.

A conciliação que se seguiu, qual seja, a condicionante do parlamentarismo de fancaria, traficada no Congresso com os militares e os representantes de sempre da casa-grande, não diminui os méritos do levante gaúcho, e mais ainda justificará o radicalismo que pautará a atuação política de Leonel Brizola, daí em diante, correndo o país que pretendia organizar, conhecendo as fragilidades do regime democrático (e, nele, do governo Jango), e certamente antevendo a retomada golpista, pois a partir de certo momento a conspiração se fazia à luz do dia: da Campanha da Legalidade resultara a semeadura da lição de que o povo organizado pode decidir seu destino, o que sobressaltava, e sobressalta ainda, os herdeiros do escravismo e da subserviência colonial.

Com seus acertos e seus tantos erros, as esquerdas brasileiras e as forças trabalhistas e populares de um modo geral (aí incluídas as correntes comunistas tradicionais) haviam assumido um novo papel na política, e os temas paroquianos foram substituídos pelas questões que diziam respeito à soberania nacional, ao desenvolvimento e ao combate às injustiças sociais.

Explica-se, pois, a ojeriza com que Brizola sempre foi tratado pelos militares, cujos 21 anos de mandarinato fustigou, como poucos dentre os chamados “grandes exilados”. Aliás, com Miguel Arraes, outro político longevo e de raízes populares próximas do antigo petebismo, seria o único sobrevivente da República de 1946 e da frustrada experiência liderada por João Goulart, contestada internamente pela onda conservadora daqueles anos, e desestabilizada pelos governos dos EUA, de John Kennedy a Lyndon Johnson, a quem caberia ligar o sinal de partida para a conclusão do golpe, operado pelos militares brasileiros.

Sobreviveriam, ambos, Brizola e Arraes, também ao ocaso da ditadura militar e, cada um ao seu modo, os modos distintos do gaúcho e do sertanejo, com idas e vindas, convergências e conflitos, terminariam por contribuir, nas últimas décadas do século passado, para a ascensão do PT de Lula e do “novo trabalhismo” ao poder.

Os velhos caciques fizeram chegar bandeiras avançadas às grandes massas, sotopostas desde o ocaso do varguismo e a crise das esquerdas, e por isso mesmo devem ser vistos como tributários talvez conscientes da eleição de Lula em 2002, decisiva para o estabelecimento de uma nova correlação de forças, essa que com altos e baixos chega esperançosa aos nossos dias, após os desarranjos que levaram à ascensão do protofascismo.

Brizola trouxe para o debate nacional a denúncia do imperialismo, levantado por Vargas em sua carta-testamento. Ambos sempre contaram com a resistência da burguesia associada dos grandes cartéis, servidoras das grandes potências, da Inglaterra aos EUA, cujos interesses ele afrontou ao nacionalizar a filial da International Telephone & Telegraph (ITT) no Rio Grande do Sul. A grande imprensa nunca lhe perdoou por isso. Brizola foi duramente combatido pelos poderosos “Diários e rádios associados” de Assis Chateaubriand e pelo poderosíssimo Grupo Globo que, considerando ser insuficiente enxovalhar sua imagem pública, tentou, numa operação associada com o poder militar, surrupiar-lhe a eleição de 1982 para o governo do Rio de Janeiro.

Que a feliz coincidência do centenário de Brizola com a expectativa da eleição de Lula seja a oportunidade de uma reflexão dos brasileiros sobre a crise política que nos alcança em seu ápice. A figura do líder gaúcho chama a responsabilidade cada uma de nossas organizações e lideranças comprometidas com a democracia, o desenvolvimento e o combate sem recesso à ignominiosa desigualdade social que, em pleno século XXI, impede a construção da nação que merecemos ser.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

A Foreign Affairs e o retorno da (nunca abandonada) questão nacional

Segunda, 9 de dezembro de 2019
Do Portal Bonifácio*


08/12/2019
Os meios acadêmicos norte-americanos despertam para a atualidade e a importância da questão nacional.

Há menos de 30 anos, os centros liberais celebravam triunfalmente a vitória, tida como definitiva, do cosmopolitismo globalizado sobre o nacionalismo e decretavam a “questão nacional” como algo superado de uma vez por todas no caldeirão (ou, de maneira “cosmopolita”, melting pot)da globalização. Ideólogos liberais canônicos no período, como Francis Fukuyama e Kenichi Ohmae, vislumbravam a tendência irreversível de substituição das nações pelo “mercado mundial” e do nacionalismo pelo individualismo competitivo característico das principais metrópoles capitalistas. Finalmente o mundo seria uma “aldeia global”, com os países deixando de lado suas diferentes e históricas construções políticas, linguísticas, religiosas e culturais, passando a ser todos “nova-iorquinos”, nascidos ou não em Nova Iorque, bem-vindos ou não em Nova Iorque.

Contudo, em 2019, o cenário assume contornos muito diferentes. O globalismo é contestado não apenas por grande parte das sociedades, seja dos próprios países centrais ou fora deles, mas também, cada vez mais, pela própria elite política e intelectual desses países.

Napoleão Bonaparte: projetou o poder militar e os valores da França burguesa para a Europa e para o mundo.

O consenso anti-nacional, apresentado como condição inescapável do presente e do futuro, tornou-se passado, e os debates sobre a importância da Nação são reacendidos. Manifestação disso é a edição de Março/Abril de 2019 da renomada revista estadunidense Foreign Affairs, tradicional porta-voz dos setores oficiais dos EUA. O tema não deixa margem para dúvidas: O Novo Nacionalismo. Os punhos cerrados e anônimos na capa deixam claro o principal agente nacionalista: o povo, reduzido à condição de massa indiferenciada, bem ao gosto do pensamento que fundou e governa os EUA. Não admira que o termo “populista”, com forte carga depreciativa no establishment acadêmico estadunidense, frequentemente utilizado para rotular os líderes e os grupos políticos que mobilizam o sentimento nacionalista de grande parte das sociedades.

Depois do Brexit, da eleição de Donald Trump, do soerguimento de países francamente nacionalistas como Rússia, China e Índia e da sobrevivência de regimes de fato nacionais como os de Cuba, Venezuela, Irã e Coreia do Norte, torna-se impossível a qualquer observador manter as ilusões “pós-nacionais” que se sucederam à queda do Muro de Berlim. Setores consideráveis da “elite do poder” dos EUA e do bloco econômico-militar norte-atlântico como um todo descobrem que, apesar das suas veleidades universalistas, os sentimentos morais das sociedades continuam inclinando-se para as suas respectivas nações. Se o andar de cima dos centros capitalistas define a si próprio como o filósofo escocês David Hume (1711-1776) definia os acionistas das grandes empresas – “homens, sem ligação com o Estado, que podem usufruir de sua renda em qualquer parte do globo onde decidam residir, que naturalmente ocultar-se-ão na capital ou em grandes cidades”[2] – o povo, necessariamente, insere-se material e afetivamente em comunidades nacionais específicas. Enquanto o corpo editorial da Foreign Affairs enxerga o retorno do nacionalismo como uma “vingança” e procura destrinchar esse fenômeno inesperado (ao menos para a elite do poder dos EUA), as sociedades, seja no centro ou na periferia do mundo, tendem a compreender o nacionalismo como um âmbito de pertencimento comum maior e mais sólido que os caprichos liberais, quer sejam econômicos ou culturais.

domingo, 18 de junho de 2017

Cresce a resistência de classe à "globalização"

Domingo, 18 de junho de 2017
Do Resistir.Info

por Prabhat Patnaik [*]

A globalização promovida pelo governo Modi.















O termo "globalização", embora muito utilizado, é extremamente enganoso, tal como o seu presumido "par", o "nacionalismo". Isto acontece porque ambos os termos são utilizados de modo abrangente sem qualquer referência ao seu conteúdo de classe, como se só pudesse haver uma espécie de "globalização" e só uma espécie de "nacionalismo". Utilizar conceitos destacados do seu conteúdo de classe é um dos truques favoritos da ideologia burguesa: o que equivale a conferir universalidade a conceitos que no essencial pertencem só ao discurso burguês, como se este fosse o único discurso possível do universo e todas as opções estivessem confinadas apenas a trajectórias alternativas dentro deste universo.

Esta utilização não-classista de palavras que servem para tudo torna possível estabelecer antinomias. Assim, seja o que for pode parecer melhor do que outra coisa, como se fosse algo razoável. Isso equivale a endossar o que disse o lado conservador de Hegel: "O real é a razão". Portanto é estabelecida uma antinomia entre "globalização" e "nacionalismo" onde a primeira parece progressista, aberta, democrática e transportadora da "modernidade", ao passo que a última parece reaccionária, fechada anti-democrática ao ponto de ser fascista, e anti-"moderna". Qualquer oposição àquilo que existe (isto é, a "globalização") é então alcunhada, dentro desta disjuntiva binária, como um movimento reaccionário, um afastamento da marcha rumo à "modernidade", em direcção a um tradicionalismo opressivo e anti-democrático. A resistência contra a opressão dentro do actual regime de "globalização" é dessa forma desacreditada como uma regressão reaccionária a um passado horrendo.

sábado, 26 de dezembro de 2015

O recado dos EUA e da UE para seus capachos antinacionalistas latino-americanos: “Façam o que dissermos. Não o que fazemos


Sábado, 26 de dez de 2015
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEim-_djYp7_H_eLDwmQotcWOJCTCfy8UvnZKqbjV3u_H6JmE0kWW7wpCMu_2vkSaMx5E6-eGJ8YmJ9W9bESrhl9apH9e0IKd-djIoBhpwlOm4pbSzrDY_qDyT3D6-9hdKBHoQetr-KsXUk/s1600/buy_american_sticker.png
Para os energúmenos que dizem que nos EUA o Estado não interfere na economia, uma notícia: só na semana passada foi aprovado pelo Congresso, em Washington, o fim da proibição da exportação de petróleo norte-americano, que perdurou por longos 40 anos.
Por lá, existe uma lei de conteúdo local, o Buy American Act – que, como ocorre no caso da Petrobras, aqui seria tachada de “comunista” e “atrasada” pelos entreguistas – que, desde 1933, exige que o governo dê preferência à compra de produtos norte-americanos, e que foi complementada por outra, com o mesmo nome e objetivo, em 1983.
Na área de defesa, nem um parafuso pode ser comprado pelas forças armadas norte-americanas, se não for fabricado no país.
E se a tecnologia ou o desenho pertencer a uma empresa estrangeira, ela é obrigada a se associar, minoritariamente, a um “sócio” norte-americano, para produzir, in loco, o produto.
Quem estiver duvidando, que pergunte à EMBRAER, que, para fornecer caças leves Super Tucano à Força Aérea dos EUA, teve que se associar à companhia norte-americana Sierra Nevada Corporation e montar uma fábrica na Flórida.
No Brasil, a nova direita antinacionalista, grita, nas redes sociais, o mantra da privatização de tudo a qualquer preço. Citando, automaticamente, fora de qualquer contexto, os Estados Unidos, os hitlernautas tupiniquins não admitem que estatais existam nem que dêem eventuais prejuízos, ignorando que nos EUA – a que eles se referem, abjeta apaixonadamente, como se não vivêssemos no mesmo continente, como America – a presença do estado vai muito além de setores estratégicos como a defesa.
No nosso vizinho do Norte o transporte ferroviário de passageiros, por exemplo, é majoritariamente atendido por uma empresa estatal, a AMTRAK, que – sem ser incomodada ou atacada por isso – dá um prejuízo de cerca de um bilhão de dólares por ano, porque, nesse caso, o primeiro objetivo não pode ser o lucro, e, sim, o atendimento às necessidades da população, incluídas as camadas menos favorecidas.
A União Européia, que posa de liberal no comércio internacional, e cujos jornais econômicos – assim como o Wall Street Journal, dos EUA – adoram ficar (a palavra que queríamos usar é outra) – ditando regras para o governo brasileiro, acaba de postergar, até segunda ordem, o acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo depois da eleição de  Fernando Macri, adversário de Cristina Kirchner, na Argentina.
Apesar da propaganda contrária por parte da imprensa brasileira, a culpa não foi do Brasil ou do Mercosul.
Como previmos no post “o porrete e o vira-lata” os europeus roeram a corda porque,  protecionistas como são, não querem eliminar seus subsídios ao campo nem  abrir o mercado do Velho Continente aos nossos produtos agrícolas, nem mesmo em troca da assinatura de um acordo que pretendem cada vez mais leonino - para eles  é claro - com a maioria dos países da América do Sul.  
Se no plano econômico é assim, no contexto político a estória também não é muito diferente.
Os bajuladores dos EUA entre nós acusam a Venezuela e a Argentina – onde a oposição venceu democraticamente as respectivas eleições há alguns dias – de ditaduras “bolivarianas”.
Mas não emitem um pio com relação a “democracias” apoiadas pelos EUA, como a Arábia Saudita - governada e controlada por uma família real com algumas centenas de membros.
Um reino que detêm um fundo, estatal e bilionário, que acaba de comprar 10% da terceira maior empresa de carnes brasileira, a Minerva Foods.
E uma monarquia fundamentalista na qual as mulheres votaram pela primeira vez, apenas na semana passada.
Fonte: http://www.maurosantayana.com

sábado, 18 de julho de 2015

Por que ser nacionalista?

Sábado, 18 de julho de 2015
Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br
Escrito por Paulo Metri
Depois de participar de um debate, uma jovem veio em minha direção e perguntou de supetão: “Por que ser nacionalista?” Respondi da melhor forma que pude, pois a articulação ficou comprometida pelo confronto com o inusitado. Depois, conscientizei-me que, para os jovens, com a dosagem diária de informações corrompidas pela mídia do capital, deve ser difícil entender que ser nacionalista é bom.

segunda-feira, 9 de março de 2015

NACIONALISMO E PETRÓLEO

Segunda, 9 de março de 2015







Wladmir Coelho


A campanha contra a Petrobras revela em seus fundamentos uma série de preconceitos repetidos desde o final do século XIX. Estes preconceitos apresentam-se nos meios de comunicação revestidos de números, exemplos e vocabulário refinado sempre condenando as iniciativas nacionalistas confundidas ou transformadas em populismo entendido este como sinônimo de irresponsabilidade política e econômica.

O vocabulário e as práticas econômicas defendidas na grande mídia originam-se do pensamento liberal radicalizado no modelo neoliberal de nossos dias. Neste discurso é negada a existência de um sistema econômico nacional e considerado pecado mortal a intervenção do Estado na economia.

Nacionalismo econômico

No século XIX o economista alemão Friedrich List observou como mola do crescimento econômico dos Estados Unidos exatamente a forte presença do Estado na economia seja subsidiando ou protegendo a iniciativa nacional. List, ao contrário dos liberais clássicos, entendeu e defendeu a existência do sistema econômico nacional como base do crescimento econômico.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

E se fossem os russos?

Quarta, 25 de fevereiro de 2015 
E SE FOSSEM OS RUSSOS ?



Por Mauro Santayana

(Hoje em Dia) - O advogado e blogueiro Pettersen Filho reproduz, em seu blog, anúncio da embaixada dos EUA, recrutando jovens “líderes” brasileiros, como “bolsistas”, com a seguinte mensagem:

“O Departamento de Estado dos EUA, por meio do Atlas Corps – uma rede internacional de líderes sem fins lucrativos, tem o prazer de anunciar oportunidades para líderes emergentes da sociedade civil para obter bolsas de estudos de 6 a 18 meses nos Estados Unidos. Interessados em se candidatar devem ter de 2 a 10 anos de experiência trabalhando em alguma ONG, nível universitário, até 35 anos de idade e fluência na língua inglesa…

Os bolsistas selecionados serão inseridos em uma organização renomada na área social nos Estados Unidos. Despesas com passagem aérea, visto de entrada nos EUA, seguro saúde, alimentação, transporte local e acomodação partilhada serão totalmente custeadas. Informações sobre o programa e como se candidatar estão disponíveis no site:http://apply.atlascorps.org.”

Não bastando trazer ONGs de fora, ou criar, aqui mesmo, organizações que se infiltram nos mais diferentes segmentos da sociedade brasileira - e, como lembra Pettersen - estão especialmente ativas na Região Amazônica, os EUA seguem firmes em sua permanente estratégia de cooptação de jovens "líderes" locais de todo o mundo, por meio de organizações de fachada, ou “associadas”. 

A esperança é a de que eles, em seu retorno, espalhem o que "aprenderam"  e atuem na defesa dos interesses norte-americanos.

Melhor, ainda, se, no futuro, alguns chegarem a posições proeminentes em seus respectivos países,  para,  como reza o slogan do AtlasCorps, "mudar sua perspectiva e mudar o mundo" - como aconteceu,  com certeza, ao menos quanto à primeira metade da frase, com um jovem sociólogo brasileiro, financiado, nos anos 1960 - como lembrou em artigo o jornalista Sebastião Nery - pela Fundação Ford, com expressiva quantia para fundar uma organização chamada CEBRAP, muitos anos antes de chegar à Presidência da República.

Se fossem os russos e os chineses - parceiros do Brasil no BRICS - ou os cubanos - conhecidos por seu envolvimento em causas humanitárias, como o combate ao Ebola - que publicassem por aqui anúncio semelhante, dá para imaginar como seria o alarido fantasioso e anacrônico, “anticomunista” e “anti-bolivariano", dos hitlernautas brasileiros, nos portais e redes sociais.

Mas como se trata dos EUA - prestes a estrear, nos cinemas nacionais, nova campanha de lavagem cerebral, com o filme "American Sniper" - nação "libertadora" do Iraque, da Líbia e da Síria, países em que suas guerras e "primaveras" deixaram  milhões de mortos e refugiados e que estão entregues agora a terroristas originalmente armados pelos próprios EUA para combater quem estava no poder anteriormente - o assunto, com exceção de alguns sites da "blogosfera", quase passa em brancas nuvens por aqui.