Sexta, 5 de junho de 2026
NADA BOM!
‘Sugestão de substituir Pix de Eduardo Bolsonaro é descabida, subserviente e entreguista’, diz especialista
Paulo Borba analisa movimentações da família Bolsonaro e aponta tentativa de interferência eleitoral
Brasil de Fato — São Paulo (SP)Ana Rosa Carrara E Camila Salmazio E Maria Teresa Cruz
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ). | Crédito: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
A sugestão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) de substituir o Pix pelo Zelle, uma plataforma de pagamentos instantâneos criada e mantida por um consórcio de bancos dos Estados Unidos, é descabida e totalmente política.
Essa é a avaliação de Paulo Borba, professor de Direito Internacional Público da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. A fala do filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro aconteceu em entrevista à Rádio TCM, ocasião em que o ex-deputado defendeu que adotar o Zelle “demonstraria boa vontade” do Brasil em cooperar com os Estados Unidos.
“É uma questão política. É claramente uma tentativa de interferir no processo eleitoral brasileiro. E essa manifestação de Eduardo Bolsonaro vem corroborar exatamente com esse entreguismo e essa subserviência que apregoa a extrema direita com um alinhamento incondicional com os Estados Unidos, o que não faz sentido. Tampouco faz sentido abrir mão do Pix para adotar algum dos sistemas de pagamento oferecidos por empresas dos EUA por uma razão muito simples: eles são pagos. O Pix é custo zero. Não tem taxa, não tem porcentagem. Essa sugestão é descabida e só poderia vir de alguém que não está alinhado com os interesses do Brasil. E isso mostra que o Brasil precisa buscar parceiros comerciais que não nos maltratem”, avalia.
A declaração de Eduardo é mais um elemento de muitas movimentações feitas pela família Bolsonaro nos últimos dias, quando o presidente Donald Trump anunciou a possibilidade de novos tarifaços: um de 25% a partir de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e outro de 12,5% contra países que falharam na fiscalização de trabalho forçado em produtos importados.
O presidente Lula, além de anunciar que vai utilizar a Lei da Reciprocidade, reiterou que vai buscar novos mercados. Para Paulo Borba, a leitura de contexto é fundamental. O professor lembra a forma com que o presidente Lula atuou no tarifaço de 50% no ano passado e pondera que o ideal é seguir na base da negociação.
“No ano passado, não foi feita a retaliação; foi feita a negociação de uma maneira técnica e considero que foi acertada. Essa tarifa onera o exportador, mas também onera o consumidor interno. Esses 25% que são aplicados agora têm um pouco mais de respaldo do que os 50% do ano passado. E, com relação à de 12,5% por causa de trabalho forçado, já teve uma nota do chanceler Mauro Vieira. O presidente Lula já avisou que convém ao Brasil buscar parceiros comerciais mais confiáveis. Essa semana, Marco Rubio chegou a dizer que o Brasil não é um país amigável. Acho que vale perguntar por qual razão o Brasil aparece como não amigável. Não faz sentido atacar um país que mais compra deles do que vende. A balança comercial dos EUA nessa relação com o Brasil é superavitária. Não faz sentido você bater em um país com o qual você tem mais lucro do que despesa”, pontua.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Editado por: Luís Indriuna

