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(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Guia orienta imprensa sobre cobertura responsável de feminicídios no DF

Quinta, 25 de junho de3 2026

Guia orienta imprensa sobre cobertura responsável de feminicídios no DF

Do MPDFT
Publicado: 25/06/2026             Núcleos de Direitos Humanos

Publicação lançada nesta quarta-feira, 24 de junho, reúne diretrizes para jornalistas e reforça o papel da comunicação na prevenção da violência contra a mulher


O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) participou, nesta quarta-feira, 24 de junho, do lançamento do Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal, durante o evento “Comunicação que Protege”, no Espaço Cultural Renato Russo. A iniciativa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP) é resultado de um trabalho conjunto com o MPDFT, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF).

O documento foi desenvolvido para orientar jornalistas, comunicadores, estudantes e profissionais da imprensa na cobertura de casos de feminicídio, promovendo uma abordagem baseada na responsabilidade social, no respeito à dignidade das vítimas e de seus familiares e na prevenção da revitimização.

Durante a solenidade de lançamento, o procurador-geral de justiça do DF, Georges Seigneur, destacou que a notícia pode ser uma porta de entrada para a proteção. “A imprensa possui um papel indispensável na democracia. Ela informa, fiscaliza, dá visibilidade aos problemas sociais e contribui para a formação da consciência coletiva. No enfrentamento à violência de gênero, uma comunicação responsável pode romper silêncios, estimular denúncias, apresentar caminhos de proteção e alcançar mulheres que talvez nunca tenham procurado diretamente uma delegacia, uma promotoria de justiça ou outro serviço da rede de proteção”, disse.

Para a promotora de justiça Gabriela Gonzalez, que integrou o grupo de trabalho responsável pela elaboração do guia, a imprensa é uma aliada na prevenção do feminicídio: “A forma como uma morte é contada não é detalhe. A notícia que informa sobre direitos, sobre canais de proteção e sobre as consequências do crime tem efeito protetor. A informação pode ser, para uma mulher em risco, o que salva a vida dela. Este guia não chega para censurar ou corrigir a imprensa, mas para somar, oferecendo informação técnica e jurídica, e o Ministério Público é parceiro nessa construção. A imprensa não é coadjuvante na prevenção do feminicídio. Ela é, muitas vezes, o único fio que liga essa mulher à informação que pode protegê-la”. A coordenadora do Núcleo de Gênero do MPDFT, promotora de justiça Adalgiza Aguiar, também participou da solenidade.


O secretário de segurança pública do DF, Alexandre Patury, defendeu a importância da prudência na divulgação de informações. “Às vezes a informação mal dada termina ferindo a honra, revitimizando e incentivando que outras pessoas cometam o mesmo crime, o que é chamado de copycat”.

Guia para jornalistas

A proposta do guia é contribuir para que a comunicação seja uma aliada no enfrentamento à violência contra a mulher, oferecendo contextualização dos casos, proteção de crianças e adolescentes órfãos do feminicídio, divulgação dos serviços da rede de proteção e adoção de boas práticas reconhecidas internacionalmente.

Além do lançamento oficial da publicação, o evento contou com palestras do coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios da SSP, Marcelo Zago Gomes Ferreira, e da magistrada Fabriziane Zapata, coordenadora da Coordenadoria da Mulher do TJDFT, responsáveis pela apresentação do guia.

O material apresenta 20 diretrizes para jornalistas, entre elas contextualizar o feminicídio como um problema estrutural, não atenuar a responsabilidade do agressor, reconhecer e proteger vítimas indiretas e incluir informações de serviço em todas as matérias. O documento também traz um glossário com palavras e expressões que devem ser evitadas e aquelas cujo uso é recomendado, além de um checklist para a comunicação responsável.

“Nós apresentamos essas diretrizes na esperança e acreditando que elas sejam efetivamente implementadas. Ela não é um documento nosso, da Justiça, nem da Segurança, mas da sociedade. E somente a imprensa tem a capilaridade necessária para chegar em todas as casas, em todas as pessoas, por isso nós acreditamos muito em vocês todos”, comentou Fabriziane.

Selo Parceiro da Segurança

A programação incluiu ainda apresentação do Selo Parceiro da Segurança — Comunicação Responsável pela secretária executiva institucional e de políticas de segurança pública, Regilene Siqueira Rozal. A proposta é premiar veículos de comunicação que sigam as orientações contidas no guia e adotem boas práticas de comunicação alinhadas à promoção dos direitos humanos e à prevenção da violência contra a mulher. “A forma de comunicar pode proteger ou revitimizar”, concluiu.

O evento reuniu representantes do sistema de justiça, da segurança pública, de órgãos governamentais, da imprensa, de universidades, estudantes e instituições da sociedade civil.

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