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(Millôr Fernandes)

sábado, 13 de junho de 2026

Campesinato —‘Portinari e MST são quase sinônimos’, diz filho do artista, na China

Sábado, 13 de junho de 2026

CAMPESINATO
‘Portinari e MST são quase sinônimos’, diz filho do artista, na China

João Candido lembra que Portinari continuava se identificando como camponês mesmo após carreira consagrada como artista

BRASIL DE FATO — Pequim (China)

João Candido Portinari, diretor-geral do Projeto Portinari e filho do artista, no Museu Nacional da China, em Pequim, na China. 10 de junho. | Crédito: Mauro Ramos / Brasil de Fato

“Eu sempre acreditei que o MST e Portinari são quase sinônimos, na sua luta, na sua mensagem, no seu propósito.” A declaração foi dada ao Brasil de Fato no Museu Nacional da China, que expõe cerca de 50 obras originais de Candido Portinari, falecido em 1962. A exposição “O Brasil de Portinari” traz as obras do artista brasileiro pela primeira vez ao continente asiático.

“Meu pai, inclusive, costumava repetir que ele era um camponês. Mesmo como pintor já consagrado, ele dizia: ‘Olha, eu sou um camponês'”. João Candido diz que o acervo do Projeto Portinari possui discursos de quando Portinari foi candidato a deputado federal (1945) e a senador (1947), pelo Partido Comunista do Brasil (PCB). Nos textos, ele explicita sua posição em relação ao campesinato brasileiro.

“Porque ele viu o sofrimento do homem do campo, […] uma das bandeiras da candidatura dele era o campesinato, era a situação trágica dos que trabalham a terra”, disse João Candido.

Uma delegação do MST se encontrava na capital chinesa durante a inauguração da exposição e compareceu ao Museu Nacional da China. “Quando eu fui visitado pelo MST, é como se eu estivesse vendo o meu pai entrando ali”, disse.

Entre as cerca de 50 obras em cartaz estão “Café”, cedida pelo Museu Nacional de Belas Artes, e “Os Retirantes”, do MASP, telas que retratam o trabalhador rural e a fome no campo brasileiro.

“O Brasil de Portinari” foi inaugurada na terça-feira (9) com a presença do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, e segue em cartaz no Museu Nacional da China até 10 de outubro, dentro da programação do Ano Cultural Brasil-China 2026.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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Esta matéria foi postada originalmente no Brasil de Fato de 12/06/2026

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