Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 4 de agosto de 2024

Eleições municipais —Nunes e Bolsonaro atacam Boulos durante convenção do MDB em São Paulo; campanha psolista fala em 'desespero'

Domingo, 4 de agosto de 2024
O atual prefeito e o ex-presidente afirmaram que o candidato da esquerda é um 'invasor' e lançaram acusações

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | postado no Brasil de Fato em 03 de agosto de 2024

Jair Bolsonaro, Ricardo Nunes e suas respectivas esposas - Caroline Oliveira/Brasil de Fato

Durante a convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, o atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamaram o opositor Guilherme Boulos (Psol) de “invasor” e defensor da "ditadura na Venezuela".

"Tomar e invadir a maior prefeitura da América Latina? Não vai. São Paulo vai vencer esse perigo. Eu estou disposto, eu tenho coragem e tenho vocês. E vocês vão me ajudar a não entregar a cidade para um invasor e para quem defende a ditadura da Venezuela", disse Nunes, na manhã deste sábado (3), no estacionamento da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

“O que nos une é perigo que o Psol representa contra a nossa sociedade, contra o povo de São Paulo. O que nos une é a ameaça de ver o Boulos como prefeito, que há poucos dias estava invadindo o Ministério da Fazenda, depredando a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], fechando estradas pelo Brasil inteiro. Nós não queremos isso. Nós nos unimos contra esse mal”, completou o prefeito.

Na mesma linha, Bolsonaro classificou Boulos como "alguém que nunca trabalhou na vida e que quando foi para as ruas foi para invadir a propriedade alheia, liberar maconha e aborto e perverter as nossas crianças com ideologia de gênero", utilizando jargões acusatórios bastante repetidos pela extrema direita.

Em resposta, o coordenador da campanha de Boulos, Josué Rocha, lembrou que Ricardo Nunes é investigado pela Polícia Federal por participar supostamente da chamada “máfia das creches, que desviou dinheiro do ensino infantil na Prefeitura de São Paulo. Até o momento, a PF já indiciou 111 suspeitos.

“Investigado por envolvimento num esquema de roubo de dinheiro de creches, Ricardo Nunes se agarra ao bolsonarismo para agredir seus adversários com mentiras e fake news em mais uma tentativa desesperada de esconder seus esquemas na prefeitura de São Paulo”, afirmou Rocha em nota enviada à imprensa após a convenção do MDB.

“Pior: ao melhor estilo bolsonarista, tentou censurar pelo menos 5 veículos de comunicação que noticiaram denúncias sobre o esquema. São Paulo não pode ficar refém do bolsonarismo”, concluiu.

sábado, 24 de março de 2018

O destino está dando a Boulos uma chance de corrigir seu passo em falso

Sábado, 24 de março de 2018
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

É a este que Lula vê como seu filho político...

Talvez o destino dê uma mãozinha para Guilherme Boulos, detonando sua aposta desastrada de tentar pegar carona nas vicissitudes do ex-presidente Lula, o que equivaleria a trocar uma trajetória ascendente e promissora pela esperança de tornar-se o terceiro poste de um político profissional em franco declínio.

É que o Lula vem emitindo claros sinais de que, tão logo seja formalmente declarado inelegível pela Justiça Eleitoral (como ninguém mais duvida que será), já escolheu como seu substituto o segundo poste, Fernando Haddad.

quarta-feira, 21 de março de 2018

“Bolsonaro é uma farsa e é bandido”, diz Boulos em entrevista ao Congresso em Foco

Quarta, 21 de março de 2018

Acesse a matéria do Congresso em Foco no link:http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/bolsonaro-e-uma-farsa-e-e-bandido-diz-boulos-em-entrevista-ao-congresso-em-foco/

sábado, 22 de outubro de 2016

Brasil: “A prioridade da esquerda é impulsionar um novo ciclo de mobilização social”

Sábado, 22 de outubro de 2016
"De um ponto de vista de esquerda, não me parece que o PT tenha condição de ser o condutor de um processo de reorganização da esquerda brasileira"
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Do Esquerda.Net
Em entrevista ao Esquerda.net, Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), adverte que o governo Temer é o mais perigoso para os trabalhadores desde o início da Nova República. E defende que o grande desafio posto à esquerda brasileira é reconstruir a sua vinculação com o povo. Por Luis Leiria, do Rio de Janeiro.
Luís Leiria
Guilherme Boulos - Foto Mídia Ninja
Em entrevista ao Esquerda.net, Guilherme Boulos adverte que o governo Temer é o mais perigoso para os trabalhadores desde o início da Nova República - Foto Mídia Ninja
Aos 34 anos, Guilherme Boulos assumiu um protagonismo decisivo nas mobilizações contra o novo governo nascido do impeachment de Dilma Rousseff, sob o lema “Fora Temer”. O MTST, por ele dirigido, é o mais dinâmico dos movimentos sociais que atuam no Brasil e o que mais cresceu nos últimos anos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A Vila Olímpica e a Vila Autódromo

Quarta, 3 de agosto de 2016
Do Esquerda.Net
O legado olímpico, para os mais pobres, são remoções, especulação imobiliária, militarização da cidade. Não adianta tapar os vazamentos da Vila Olímpica. A face real dos Jogos é a Vila Autódromo. Por Guilherme Boulos
 
“Vila Autódromo foi alvo de assédio contínuo: despejos, violência, intimidação. Maioria das 600 famílias foi removida para regiões distantes ou recebeu indemnizações insuficientes para comprar outra casa”
“Vila Autódromo foi alvo de assédio contínuo: despejos, violência, intimidação. Maioria das 600 famílias foi removida para regiões distantes ou recebeu indemnizações insuficientes para comprar outra casa”

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O Capitalismo do 1%. "A desigualdade tem aumentado em ritmo galopante", diz Guilherme Boulos

Quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Do Blog Náufrago da Utopia 
O CAPITALISMO DO 1%
Por Guilherme Boulos
Uma economia para o 1%. Com esse título, a organização não governamental britânica Oxfam lançou no mês passado um estudo das desigualdades no mundo. Pela primeira vez na história o 1% mais rico superou em renda e patrimônio os 99% restantes. Os dados basearam-se no Relatório anual de 2015 do banco Credit Suisse.

O estudo mostrou que a metade mais pobre da humanidade (3,6 bilhões de pessoas) viu sua riqueza cair 38% nos últimos cinco anos, perda de US$1 trilhão. E se apropriou de apenas 1% do aumento da riqueza global desde 2000. Enquanto isso, o 1% mais rico abocanhou a maior parte deste incremento.

A riqueza da metade mais pobre equivalia em 2010 à dos 388 homens mais ricos do mundo. Nos últimos anos, essa indecência só se agravou: as 3,6 bilhões de pessoas mais pobres agora têm o mesmo que 62 membros do Clube dos bilionários.

Os resultados são alarmantes. Mostram que, desde o estouro da crise em 2008, a desigualdade tem aumentado em ritmo galopante. Enquanto as políticas de austeridade achatam a renda dos trabalhadores e atacam os sistemas de seguridade social, o lucro dos bancos bate recordes, assim como os ganhos de altos executivos.

Quem viu o lucro do Bradesco avançar 14% no ano passado, em plena recessão, não deveria estranhar os resultados apresentados pela Oxfam. No entanto, o relatório foi seguido de ruidosa chiadeira.


 












Os defensores da ordem foram a campo tentando desqualificar os dados do Credit Suisse por sua metodologia. Alegaram, principalmente, que o uso do conceito de riqueza líquida (renda e patrimônio, com subtração das dívidas) distorcia os resultados.

Vale pontuar que, semanas atrás, quando o mesmo Credit Suisse fez um duro prognóstico da recessão brasileira apontando-a como a pior da história, não vimos nenhum articulista da direita nacional fazer suas ponderações "metodológicas".

De toda forma, a própria Oxfam se encarregou de responder o questionamento sobre a riqueza líquida, afirmando que "os 50% mais pobres são, na maioria, pessoas lutando para sobreviver com pouca ou nenhuma riqueza para apoiá-los. Apesar desse número incluir aqueles em dívida –riqueza negativa, mas com algum patrimônio– é importante notar que esses são a exceção e não a regra".

Além disso, foi alegado que, se excluídas as dívidas do cálculo, haveria uma mudança na distribuição da riqueza global e os números não seriam tão chocantes. Isso não é verdade, diz a Oxfam, "já que excluindo a dívida dos 10% mais pobres, a fatia da riqueza do 1% mais rico se modifica pouco, passando de 50,1% para 49,8%". Ou seja, as desigualdades mundiais não se resolveriam com alteração metodológica.

Há quem prefira atacar os dados a deparar-se com a realidade. Compreensível. Afinal não deve ser fácil para os amantes da ordem reconhecer que seu sistema meritocrático da "oportunidade para todos" desandou numa plutocracia onde 1% tem mais que todos os 99% restantes.

O capitalismo fracassou em suas promessas. O mundo de hoje é muito mais desigual que o do século passado. Nem todos os perfumes da Arábia, nem o cinismo do discurso neoliberal conseguirão maquiar esta realidade.

Aí está Bernie Sanders, pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos. Aí está o Podemos, na Europa. E o fortalecimento de diversos movimentos populares mundo afora. Será difícil silenciá-los ante a profundidade do abismo que separa o 1% da maioria trabalhadora.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Boulos: Recessão pode trazer para as ruas a "Massa trabalhadora vinda do asfalto esburacado das periferias"

Quinta, 11 de fevereiro de 2016
"Apenas uma coisa é certa. Se este povo for às ruas em 2016 não será para tirar selfies com a tropa de choque."
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Do Náufrago da Utopia
Celso Lungaretti

Mais uma vez os articulistas de esquerda começam a chegar onde estou há um bom tempo. Em julho de 2015 eu alertava:
"O arrocho fiscal do Joaquim Levy vai matar brasileiros de fome e consequências da miséria, literalmente. Temos de procurar uma saída heterodoxa para o buraco em que estamos. A ortodoxa é impraticável, vai gerar um tsunami social. 
...se [a política econômica] não mudar, este país vai pegar fogo..."
Bem, o malfadado austericídio continua aí, só mudou o encarregado de no-lo impor. Nisto admito ter cometido um erro de autoria: o ajuste fiscal, com todas as suas mazelas e injustiças, deve ser creditado inteiramente à Dilma; não era do Levy nem é do Barbosa, meros executantes.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Sobre velhos e velhacos

Sábado, 23 de janeiro de 2016
Do Outras Palavras
Por
Guilherme Boulos

o-DEP-facebook
Feliciano Filho (à direita) posta selfie com Kim Kataguiri e filho do deputado Jair Bolsonaro

Kim, da “Folha” é um garoto da ordem. Expressa, de forma confusa, os anseios de uma classe média sem projeto nem visão de país, que –sentindo-se insegura– busca apoio nas bengalas do conservadorismo

Por Guilherme Boulos
Quando questionado por sustentar ideais de igualdade e justiça social aos 70 anos de idade, o saudoso Plínio de Arruda Sampaio (1930-2014) respondeu: “Ficar velho não é virar velhaco”. Há pessoas que, mesmo velhas, permanecem jovens de espírito. Abertas para o novo. E há outros que, mesmo jovens, carregam os medos e preconceitos das velhas gerações. Jovens, mas com o espírito de velhos rançosos. É o caso de Kim Kataguiri, que lidera o MBL (Movimento Brasil Livre) e tornou-se agora colunista da Folha.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Visões da crise: aprofundar o austericídio ou buscar caminhos populares para sair da recessão?

Sábado, 19 de dezembro de 2015
Celso Lungaretti

Por Guilherme Boulos
VAI TARDE
A saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda é uma boa notícia. Levy entrou há um ano prometendo ajustar as contas, que hoje estão ainda mais desajustadas. Prometeu também uma "travessia para o crescimento", mas afundou o país em uma recessão histórica. Era o fiador do "grau de investimento". Este também se foi.
 
A questão agora é se a política econômica vai junto com o ministro. De nada adianta crucificar Levy e esquecer que foi Dilma quem o colocou e o manteve até agora. De nada adianta tirá-lo do cargo e deixar intocada a política suicida de austeridade (*). Seria trocar seis por meia dúzia.
 
O ajuste fiscal de Dilma e Levy –além de desastroso para os trabalhadores– jogou a economia num ciclo vicioso, alavancado pela redução do investimento público, a retração do consumo e o aumento dos juros.
 

O desestímulo à atividade produtiva e ao consumo popular reduziu consideravelmente a arrecadação. Em outubro, caiu 11,3% em relação ao ano anterior. A queda acumulada de 2015 chega próxima a 4%, levando à pior arrecadação em cinco anos. Redução da arrecadação significa desajuste fiscal.
 
Outro disparate foi o aumento galopante dos juros. Das eleições de 2014 para cá, a taxa Selic foi elevada em 3,25%. Segundo cálculo do economista João Luis Mascolo, realizado para a BBC, cada meio ponto percentual de aumento dos juros representa um ônus de até R$ 10 bilhões por ano para a União com o pagamento da dívida pública. Ou seja, R$ 65 bilhões de acréscimo com juros apenas em 2015. Novo desajuste fiscal.
 
Por isso, este ajuste não é apenas antipopular. Além de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos em programas sociais e produzir recessão e desemprego, nem sequer ajustou as contas. Ao contrário, ampliou o rombo.

Para manter o pacto com a elite financeira, Dilma reforçou a ideia do senso comum midiático de que as dificuldades fiscais remetiam a gastos sociais elevados. Argumento falacioso de quem tem preguiça de ver os números. Muito mais do que programas sociais, o que pressiona o Orçamento são as desonerações fiscais e subsídios pelo BNDES –o Bolsa Empresárioe principalmente os escorchantes juros da dívida pública –o Bolsa Banqueiro.
 
Neste ano, estima-se a perda de R$ 104 bilhões em desonerações e R$ 25,5 bilhões em empréstimos subsidiados, que, aliás, foram ambos "compensados" pelos empresários com retração de investimentos e com demissões. O gasto com juros da dívida ultrapassou R$ 277 bilhões. A previsão para o Orçamento de 2016 é de R$ 304 bilhões, sem contar a amortização.
 
Já o investimento com o Bolsa Família foi de R$ 27 bilhões neste ano. Com o Fies de R$ 12 bilhões. O Minha Casa, Minha Vida foi praticamente paralisado em 2015. O ajuste fechou a torneira no andar de baixo e a manteve escancarada no andar de cima.
Essa política fracassou. Conseguiu de uma só vez agravar a recessão, retrair a indústria, ampliar o desemprego e atacar duramente os mais pobres. Só os bancos comemoram novo aumento de seus ganhos.
 
Levy vai tarde e não deixará saudades. Nelson Barbosa, o novo ministro, cumprirá as ordens da chefe. Resta saber quais serão elas. Afundar o país de vez na política de austeridade ou apontar caminhos populares para o enfrentamento da crise.
 
Por tudo o que temos visto, é difícil acreditar na segunda opção, mas talvez seja esta a última chance de Dilma Rousseff.
* os grifos são todos meus

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Boulos e o novo pacote: "Aplausos da Febraban, repúdio das ruas". Quem paga a conta?

Quinta, 17 de setembro de 2015

 QUEM PAGA A CONTA?

Por Guilherme Boulos, do MTST.

O anúncio dos cortes de R$ 26 bilhões no orçamento pela equipe de Dilma revela mais uma vez a saída que o governo oferece para a crise. Refém das chantagens de agências de risco e de ultimatos editoriais como o desta Folha no último domingo, a conta veio novamente para o andar de baixo. Cortes na moradia, na saúde e congelamento salarial para os servidores.
Para aumentar a arrecadação, a principal medida proposta foi a recriação da CPMF, sem qualquer alíquota progressiva. Taxação de fortunas, lucros de bancos, dividendos? Nem uma palavra. Ao contrário, o governo apontou para a redução do IOF, que incide sobre o capital financeiro. A Febraban aplaudiu e pediu bis.
Tal como a covardia do governo, impressiona a hipocrisia tributária dos ricos no Brasil. Reclamam sem parar da carga de impostos, obtiveram isenções bilionárias nos últimos anos e ganharam horrores no período de bonança. Agora não aceitam pagar a conta. Brasileiro já paga muito imposto, dizem. Permitam a pergunta: quais brasileiros?
Se estão falando dos mais pobres e dos setores médios têm razão. Segundo o IPEA, os trabalhadores com renda mensal até dois salários mínimos deixam 54% dos seus gastos em impostos. Já aqueles com renda superior a trinta salários mínimos deixam para a Receita 29% dos seus gastos, quase a metade dos mais pobres.

Esta distorção ocorre porque a maior parte da carga tributária brasileira (51,3%) incide sobre o consumo de bens e serviços. Neste quesito, os diferentes são tratadas convenientemente como iguais. Outros 25% da carga são sobre os salários. Apenas 18% sobre a renda e –pasmem– menos de 4% sobre a propriedade.
As faixas do IR são uma aberração. A última faixa pega os que ganham acima de R$ 4.400 mensais e tem alíquota de 27,5%. Isso quer dizer que um trabalhador que ganhe R$ 5.000 por mês paga proporcionalmente o mesmo imposto do alto executivo que ganha R$ 100 mil. E a alíquota é baixíssima para os padrões internacionais. Na Argentina, a alíquota máxima é de 35%, no Chile 40% e em Portugal 46%.
No caso do imposto sobre a propriedade imobiliária a situação é ainda mais gritante. O ITR (Imposto Territorial Rural) é calculado a partir da autodeclaração dos proprietários sobre o valor de sua terra. A arrecadação anual do ITR em todo o Brasil –país conhecido pelos imensos latifúndios improdutivos– é menor que dois meses de arrecadação de IPTU da cidade de São Paulo. Em 2012, a União angariou ridículos R$ 677 milhões com ITR, enquanto a arrecadação do IPTU paulistano foi de R$ 5 bilhões. A Katia Abreu paga menos impostos por suas fazendas do que você pelo seu apartamento.

Portanto é verdade que brasileiro paga muito imposto, desde que estejamos falando da maioria trabalhadora do país. Quanto aos ricos, banqueiros e grandes empresários, sua tributação é uma mamata. Choram de barriga cheia.  
São eles que devem pagar a conta da crise. E as propostas para isso são bastante concretas. E, diga-se, bem mais eficazes para solucionar a crise fiscal do que cortar R$26 bilhões em áreas sociais.
O auditor fiscal Fabio Avila de Castro apresentou em um trabalho acadêmico no ano passado apontando algumas alternativas.  
Primeiro, a taxação sobre a repartição de lucros e dividendos. O Brasil é um dos poucos países que não faz esta tributação. Segundo os cálculos do auditor, uma alíquota de 15% sobre a repartição de lucros geraria arrecadação anual de R$ 36,5 bilhões. E uma alíquota de 20% sobre os dividendos poderia gerar R$ 48,9 bilhões.
Outra medida seria igualar o modo de tributação dos lucros ao já aplicado sobre os salários, com suas faixas de isenção e progressividade. Isso renderia, segundo ele, R$ 59 bilhões de receita anual.
O economista Odilon Guedes e o Sindicato dos Economistas de São Paulo também construíram uma proposta tributária no mesmo sentido.
Acrescentam temas como a federalização e aumento do imposto sobre heranças (que hoje tem teto de 8%), a regulamentação da taxação de grandes fortunas a partir de R$ 5 milhões (previsto no Artigo 153 da Constituição) e até mesmo a isenção de IR para trabalhadores de menor renda, mediante o aumento de sua alíquota para os mais ricos e a criação de novas faixas.
Ou seja, soluções para que o andar de cima pague a conta da crise não faltam. Inclusive reduzindo impostos sobre os mais pobres e setores médios, através de uma orientação por taxar muito mais a renda do que o consumo.
Soluções populares não faltam. Falta, isso sim, coragem para enfrentar os grandes interesses econômicos. Aplausos da Febraban, repúdio das ruas. 
Fonte: Blog Náufrago da Utopia