Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 13 de outubro de 2023

ENTREVISTA EXCLUSIVA —Presidente da EBC, Hélio Doyle, confirma pressão de Pimenta para demitir Luiz Carlos Braga: 'resolva a situação'

Sexta, 13 de outubro de 2023

"Sou uma vítima da ditadura militar", disse presidente da EBC, Hélio Doyle, ao rechaçar as declarações de Luiz Carlos Braga - Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

Declarações do jornalista negando a ditadura militar e criticando Lula incomodaram o ministro e o Palácio do Planalto

Igor Carvalho
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 13 de Outubro de 2023

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Hélio Doyle, confirmou que o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, o pressionou pela demissão do jornalista Luiz Carlos Braga, que, durante sua participação em um podcast, negou a existência da ditadura militar, elogiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e criticou a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu não vivo alheio ao mundo, eu estive com o ministro Pimenta e ele estava muito contrariado, bastante contrariado e pediu para eu resolver a situação da melhor maneira, me disse ‘resolva a situação’”, detalhou Doyle.

O presidente da EBC explicou que, desde que assumiu o comando da estatal, todos os bolsonaristas que não são servidores foram demitidos. Mas Doyle não considera que esse fosse o caso de Braga. “Não que ele seja bolsonarista, eu não o considero bolsonarista, mas ele manifestou posições ruins, posições negativas sobre vários aspectos, inclusive a negação da ditadura militar”, disse.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Bolsonaro prefere impeachment agora para estar imune depois

Quarta, 22 de abril de 2020
Presidente Jair Bolsonaro saúda o público durante posse presidencial, no Palácio do Planalto. Foto: Reprodução [Marcelo Camargo/Agência Brasil]

Do 
Hélio Doyle*
Um dilema ronda os meios políticos no Brasil — o dilema do impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro. Embora os motivos para afastar Bolsonaro do governo sejam muito mais numerosos e consistentes do que os alegados para destituir Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff, abrir agora um processo de impedimento no Congresso é muito mais complicado, politicamente, do que parece — entre outros motivos, porque é isso que Bolsonaro quer, ou, pelo menos, prefere.
Paradoxalmente, se o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aceitar um dos pedidos de impeachment já protocolados, Bolsonaro não se incomodará, pois sabe que as circunstâncias atuais o favorecem e ele poderá até sair mais forte. O que o presidente da República teme é que o processo seja aberto depois da pandemia, quando poderá estar sendo responsabilizado pelas mortes e enfrentará uma forte recessão econômica.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

48% do eleitorado brasiliense não têm em quem votar

Terça, 29 de outubro de 2019

Clique na imagem abaixo para melhor visualizá-la

Faltando três anos, ainda, para novas eleições no Distrito Federal, a rejeição a potenciais candidatos existentes no imaginário político social do brasiliense e a total indefinição da opção eleitoral que faria para escolher um novo governador são os comportamentos político eleitorais mais expressivos na atualidade da Capital Federal. É o que revela a mais recente levantamento da WHD Pesquisa e Estratégia. Veja abaixo, a análise de Hélio Doyle, responsável pelo levantamento.

Por Hélio Doyle
Hoje vamos mostrar quem está mais forte na disputa pelo governo em 2022. Ressalvando, porém, que uma pesquisa de intenção de votos a três anos das eleições não diz quem vai ganhar nem mesmo aponta favoritos, apenas permite identificar tendências e averiguar o potencial de possíveis candidatos.

A surrada expressão “se a eleição fosse hoje” não tem sentido algum, pois os candidatos não estão definidos, não há campanha em andamento e as pessoas respondem às pesquisas fora do clima e do ambiente eleitoral. Se a eleição fosse realmente hoje, provavelmente os resultados da pesquisa seriam bem diferentes.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Se não mudar, a máquina administrativa do Governo de Brasília vai continuar sem funcionar

Sexta, 30 de março de 2018
Por
Hélio Doyle
Os primeiros governantes de Brasília eram prefeitos, nomeados pelo presidente da República depois de aprovados pelo Senado. Em 1969, para atender à vaidade do coronel Hélio Prates da Silveira, o prefeito foi promovido a governador. Como uma cidade-estado — pois o território de Brasília, a cidade, é o mesmo do Distrito Federal, o “estado” — tanto faz chamar de prefeito ou governador. De qualquer maneira, a Prefeitura do Distrito Federal virou Governo do Distrito Federal, hoje corretamente chamado de Governo de Brasília, para ressaltar que a capital federal não é apenas o Plano Piloto, mas todo o Distrito Federal.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Por enquanto, maioria dos eleitores brasilienses ainda não sabe em quem votar ou vai anular o voto

Segunda, 26 de março de 2018
Por
Hélio Doyle*

Não dá ainda, a menos de sete meses do pleito, para arriscar previsões sobre a eleição para governador de Brasília.  Como já escrevi aqui, quem cravar o vencedor, ou mesmo os nomes de quem vai para o segundo turno, é irresponsável, vidente ou cabo eleitoral de algum candidato. O quadro continua incerto, principalmente porque não se sabe sequer quem serão mesmo os candidatos. Há alguns já considerados certos, mas as indefinições ainda são muito relevantes.
Pesquisas realizadas recentemente e o sentimento do pulso dos brasilienses dão algumas indicações que deveriam ser consideradas por candidatos e seus estrategistas:
  • Seis a sete entre 10 eleitores não simpatizam com nenhum dos possíveis candidatos já colocados. Estima-se que um quarto dos eleitores tem forte tendência a anular o voto, se os candidatos forem esses. A rejeição aos políticos tradicionais continua altíssima e são bem poucos os eleitores que conhecem os candidatos que fogem dos padrões tradicionais, como Alexandre Guerra (Novo), Fátima de Sousa (PSol) e Paulo Chagas (PRP).
  • Se os pré-candidatos do tronco rorizista-arrudista estão aguardando uma pesquisa para saber qual deles está mais bem colocado e deve ser o cabeça de chapa do grupo, podem economizar o dinheiro: é Jofran Frejat (PR), muito à frente de Alberto Fraga (DEM), Izalci Lucas (PSDB) e Alírio Neto (PTB).
  • É enorme o risco de o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) não ir sequer para o segundo turno. Pode-se dizer que oito em 10 eleitores desaprovam sua gestão e nem todos, entre os poucos que a aprovam, pretendem votar nele. Para a maioria, neste  governo Brasília ficou pior do que antes. A chance de Rollemberg é se tornar o “voto útil” no segundo turno, se chegar nele, contra um candidato do grupo à direita, especialmente se não for Frejat.
  • Fala-se nos deputados distritais Joe Valle (PDT) para governador e Chico Leite (Rede) para senador, embora esses dois partidos tenham candidatos à presidência já declarados (Ciro Gomes e Marina Silva). Mas, se a dupla for essa, faria mais sentido, hoje, inverter a chapa, pois Chico Leite tem mais do que o dobro das intenções de voto de Joe Valle.
  • O PT ainda não tem candidato a governador, mas é real a possibilidade de, pela primeira vez, não estar entre os três primeiros colocados.
  • De qualquer maneira, nenhum candidato anunciado tem intenção de voto significativa até agora. Nem Frejat, que está à frente dos demais.
  • As duas cadeiras em disputa para o Senado estão mais para o senador Cristovam Buarque (PPS) e para Jofran Frejat ou para o deputado Alberto Fraga, se não forem candidatos ao governo. As chances de Leila do Vôlei (PRB) e Chico Leite não devem ser desconsideradas. Mas a maioria do eleitorado também não sabe ainda em quem votar para senador.
Nada, mas nada mesmo, porém, pode ser considerado definitivo. O quadro atual, que em si já é incerto, pode sofrer inúmeras mudanças diante de variáveis como as candidaturas à presidência da República, as definições finais de candidatos e coligações e, claro, a campanha que cada um conseguirá fazer. O enorme número de eleitores que não sabem em quem votar ou não querem votar em ninguém pode mudar todo o quadro, se houver migração deles para algum candidato.

sábado, 24 de março de 2018

A lógica fisiológica pode ser derrotada, mas falta coragem

Sábado, 24 de março de 2018
Por

A lógica fisiológica pode ser derrotada, mas falta coragem

Há ainda quem pergunte se é possível ao governo ter apoio na Câmara Legislativa sem lotear a administração pública entre distritais, além de dar a eles outros benefícios ilegítimos e condenáveis. Perguntam como, por exemplo, impedir a constituição de uma CPI por parlamentares oposicionistas em um ano eleitoral.
Achar que nada pode ser diferente é uma posição conformista e cômoda, ou de quem nada quer mudar para que tudo continue como está. É perfeitamente possível manter boas relações entre o governo e os distritais de outra maneira, mesmo considerando a baixa qualidade política da maioria dos deputados. E se o governo tem de recorrer a métodos escusos para impedir a criação da CPI é porque já começou errado, em 2015, mantendo as práticas da velha política, que tanto prejudicam a população. O cachimbo entorta a boca e agora o governador não sabe como fazer de outro jeito.

terça-feira, 20 de março de 2018

Acusar falsamente, não se desculpar e fugir das redes não fica bem para quem quer ser governador

Terça, 20 de março de 2018


Fraga e Bolsonaro fazem muito barulho, mas não terão os votos da maioria absoluta dos brasilienses e dos brasileiros nas próximas eleições.

Fraga sofreu enorme desgaste nos últimos dias ao postar informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco, executada no Rio de Janeiro.

Do Portal ContextoExato
e http://heliodoyle.com.br/

Por
Hélio Doyle
O deputado Alberto Fraga, do DEM, diz que será candidato ao governo de Brasília. As apostas políticas, porém, são de que acabará sendo candidato ao Senado. Mas não se deve descartar a possibilidade de que irá mesmo é tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados. É melhor garantir um mandato de deputado federal para os próximos quatro anos, ainda mais para quem tem processos em tramitação. Fraga não se elege governador e pode se eleger senador — mas não está garantido.

Fraga sofreu enorme desgaste nos últimos dias ao postar informações falsas sobre a vereadora Marielle Franco, executada no Rio de Janeiro. Sem procurar checar a veracidade do que estava reproduzindo e no seu tom habitual, preconceituoso e violento, Fraga cometeu a indignidade de fazer acusações mentirosas a uma mulher assassinada brutalmente. Para piorar o que já estava ruim, Fraga reconheceu que errou mas não pediu desculpas, e cancelou suas contas nas redes sociais — nas quais estava sendo bombardeado e agora é chamado de covarde. Nada bom para qualquer pessoa, ainda mais para quem quer ser governador.

Fraga, coronel da PM, é o típico político que tem muitos votos, mas não o suficiente — 50,01% dos votos válidos — para se eleger governador. Dependendo do número de candidatos, pode se eleger senador com seu teto de votos, que dificilmente passa dos 20%. Mas correrá risco, ainda mais com sua propensão de falar e fazer bobagens.

O eleitorado de Fraga tem a mesma composição básica do de Jair Bolsonaro: é a direita radical, homofóbica, conservadora e adepta de métodos violentos para combater a criminalidade e, por extensão, para derrotar adversários políticos e ideológicos. A direita e os conservadores moderados e democráticos terão outras opções, mais “civilizadas”, em outubro.

Fraga e Bolsonaro fazem muito barulho, mas não terão os votos da maioria absoluta dos brasilienses e dos brasileiros nas próximas eleições.

domingo, 18 de março de 2018

Execução de Marielle não é mais uma dentre tantas mortes, é um fato de dimensões políticas

Sábado, 18 de março de 2018
Por
Hélio Doyle*
Nada vale mais que uma vida, qualquer vida. Não interessa se a vida é de esquerda, de centro ou de direita, ou se tem ou não tem ideologia. Por isso é deplorável que se comemore  a morte de alguém, por pior que a pessoa morta nos pareça. É igualmente deplorável que a execução de uma parlamentar no exercício do mandato, seja quem for, não seja unanimemente condenada, por toda a sociedade e por todo o espectro político, como um atentado à liberdade e à democracia. E o pior, que procurem “justificar” o assassinato.

quarta-feira, 14 de março de 2018

A política é diálogo e negociação transparente, não é conchavo e negociata

Quarta, 14 de março de 2018
Por
Hélio Doyle*
Uma tática dos velhos políticos para manter seus esquemas de poder e impedir a renovação é dizer que não há como governar sem entregar secretarias e empresas públicas a políticos e distribuir cargos na administração. O tradicional toma lá dá cá, dizem eles, é essencial para a governabilidade. Alguns até tentam elaborar argumentos pretensamente sofisticados para justificar as práticas e métodos da velha política, mas a maioria cai logo nos lugares-comuns e em explicações rasteiras.

sábado, 10 de março de 2018

Governador revoga decreto que assinou sem saber o que estava assinando

Sábado, 10 de março de 2018
Por
Acabo de saber que o governador Rodrigo Rollemberg revogou seu decreto que estabelecia sigilo sobre suas viagens.
O fato positivo é o governador reconhecer o erro e prontamente corrigi-lo.
O fato negativo é o governador reconhecer que assinou o decreto “sem ter ciência do inteiro teor das alterações e no que elas acarretariam”. Ou seja, assinou sem saber o que estava assinando.


quinta-feira, 8 de março de 2018

Assim é a velha política: deputados se vendem e são comprados, alianças oportunistas são articuladas

Quinta, 8 de março de 2018
Por Hélio Doyle
A Câmara dos Deputados, que já é rotineiramente uma enorme feira livre onde tudo se vende e tudo se compra, a partir de hoje é um gigantesco mercado: deputados estão se colocando à venda e sendo comprados com respaldo da legislação que esses mesmos deputados aprovaram. É um comércio imoral, mas legalizado, no qual deputados federais são mercadorias que não têm qualquer valor de uso para a sociedade, mas que rendem muito dinheiro para eles próprios e para os donos de partidos.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Uma história banal: o secretário apertou o governador — “ou ela ou eu” — e a subsecretária foi demitida

Segunda, 5 de março de 2018

Perguntam-me por que a subsecretária de Publicidade, Thiara Zavaglia, foi demitida pelo governador Rodrigo Rollemberg e o que isso significa para o governo. Acho natural que perguntem: Thiara já trabalhava com Rollemberg no Senado, foi peça importante do núcleo de comunicação na campanha eleitoral que coordenei e comandava a publicidade do governo desde o início do mandato, quando eu era o responsável pela comunicação. Sua queda, é claro, surpreendeu.

sábado, 3 de março de 2018

Três anos de mesmo do mesmo no metrô velho e obsoleto

Sábado, 3 de março de 2018
Por
Em 2015 uma composição do metrô parou na via e centenas de passageiros saíram caminhando pela ferrovia, antes que fosse desligada a energia de 750 V C/C. Preocupados, dois especialistas em transporte que já haviam trabalhado no metrô procuraram o governador Rodrigo Rollemberg e o alertaram para o risco da situação, pois poderia ter havido muitos mortos. Rollemberg pediu que eles conversassem com o presidente da Companhia do Metropolitano, Marcelo Dourado, que os recebeu. Nessa reunião e posteriormente em uma carta, eles mostraram a Dourado, ponto a ponto e em linguagem técnica, problemas que viam no metrô. “Não pode o GDF esperar uma catástrofe de imensas proporções”, avisaram.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Não há favoritos quando 65% dos eleitores não querem votar em nenhum dos postulantes

Quinta, 22 de fevereiro de 2018
Por 
Hélio Doyle
Muitos perguntam quem é o favorito, ou quem vai ganhar as eleições para governador em outubro. Quem responder proferindo o nome de um possível candidato pode ser classificado em uma dessas situações: 1) simpatiza ou trabalha para esse candidato; 2) nada entende de política e de eleições; 3) está isolado do mundo e não vê o que acontece à sua volta; 4) é astrólogo, vidente ou exerce atividades assemelhadas.
Não há favorito e muito menos algum candidato, em Brasília, no qual se possa apostar na vitória. Na verdade, não se sabe sequer quem serão mesmo os candidatos. Muitos se colocam para a disputa pelo governo, mas alguns deles acabarão nas listas para o Senado ou para as câmaras. Os únicos que podem ser considerados já definidos por seus partidos são os ainda desconhecidos Alexandre Guerra, do Novo, e Paulo Chagas, do PRP, mas até as convenções partidárias tudo pode mudar.
Dentre os postulantes ao Buriti, Jofran Frejat e Rodrigo Rollemberg se destacam à frente dos demais, mas com números nada expressivos em se tratando de um governador e um político que foi candidato ao governo em 2014. Algo como 14 entre 100 eleitores brasilienses com Frejat, nove entre 100 com Rollemberg. E, o que é significativo, 65 eleitores entre 100 sem ter candidato, pensando em se abster, anular o voto ou digitar a opção de voto em branco.
Depois do prazo de filiação partidária (7 de abril) e da realização das convenções (entre 20 de julho e 5 de agosto) é que o quadro de candidatos estará mais definido e as pesquisas quantitativas terão mais consistência. Mas mesmo assim ainda será cedo para fazer previsões, pois a curta campanha eleitoral (propaganda só a partir de 16 de agosto, com 35 dias para as inserções e programas no rádio e na TV) sem financiamento empresarial promete ser diferente das anteriores e surpresas podem ocorrer. A eleição começará a ser definida em setembro.
Voltando à pergunta: se permanecerem os candidatos até agora falados, a tendência é a disputa entre Frejat e Rollemberg, que terão mais votos por exclusão  — tipo no menos ruim, de acordo com o ponto de vista — do que por opção. E um elevado número de abstenções, votos nulos e em branco. Isso, porém, ainda não os torna favoritos.
O potencial favorito, mesmo, é um personagem que ainda não surgiu na cena eleitoral brasiliense ou ainda não se revelou: um candidato honesto, ficha limpa, que não seja político “profissional” e demonstre ter competência para governar e capacidade de articulação política e com a sociedade para fazer uma boa gestão. E que, com posições centradas, ofereça alternativas que fujam de posições extremadas. São os eleitores que estão dizendo isso.
Se esse personagem surgir no palco, o cenário muda e pode ficar mais interessante.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Rollemberg pensa que consegue enganar alguém ao propor eleições de administradores em 2022

Quarta, 21 de fevereiro de 2018
Por
Hélio Doyle*
É preciso ser ingênuo, burro ou nada conhecer sobre os políticos para acreditar no ridículo motivo dado pelo governador Rodrigo Rollemberg ao justificar a demora de três anos para apresentar o projeto instituindo eleições diretas para administrador regional. A versão apresentada por ele: antes de fazer as eleições é preciso realizar concurso para contratar servidores de carreira para as administrações regionais, hoje repletas de funcionários de livre provimento — leia-se, apadrinhados por deputados distritais, outros políticos e amigos dos governantes. E o concurso não foi ainda realizado porque a Lei de Responsabilidade Fiscal impedia.

Fico imaginando se essa desculpa esfarrapada foi bolada pelo governador ou por algum de seus assessores mais próximos, para saber quem é que faz pouco da nossa inteligência. É muito bom que sejam contratados servidores concursados para trabalhar nas administrações regionais, acabando assim com o notório cabide de emprego no governo e exemplo do toma lá dá cá que prevalece na gestão de Rollemberg. Mas a impossibilidade de realizar o concurso não impedia que o projeto fosse apresentado há muito tempo.

Tanto não impedia que com um ano e quatro meses de governo um projeto semelhante foi enviado à Câmara Legislativa. Naquela ocasião, nem se falou na importância de ter servidores de carreira nas administrações. O projeto do governo era muito ruim em todos os aspectos e previa que as eleições diretas seriam realizadas com o pleito de 2018. Foi retirado e só agora foi apresentada a nova versão, marcando as eleições para 2022 — ou seja: mesmo que fosse reeleito, Rollemberg não teria de conviver com os administradores eleitos diretamente.

Tudo isso mostra que o projeto só está sendo apresentado para que o governador possa dizer que cumpriu sua promessa de campanha e tenha uma explicação — ainda que fajuta e ridícula — por ter demorado mais de três anos para propor a medida que só será aplicada cinco anos depois. Como se alguém fosse cair na esparrela eleitoreira e oportunista.

Seria bom que a Câmara Legislativa recusasse esse projeto e deixasse essa decisão para os próximos legisladores. É preciso discutir com mais profundidade e abrangência, com a sociedade, o papel, a estrutura e o grau de autonomia das administrações regionais, a composição e funcionamento dos conselhos comunitários e se eleições diretas de administradores são mesmo o melhor método para democratizar o processo, aumentar a participação popular no governo e acabar de vez com as nefastas práticas da velha política executadas pelos governos anteriores e continuadas pelo atual.

*Fonte: Blog do Hélio Doyle

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Nem Rollemberg nem distritais têm legitimidade agora para propor eleições nas administrações

Terça, 20 de fevereiro de 2018
Por
Hélio Doyle
A Câmara Legislativa pode prestar dois grandes serviços aos brasilienses, ainda que essa não seja sua prática rotineira: manter o veto do governador Rodrigo Rollemberg ao projeto do deputado Chico Vigilante que estabelece eleições e mandatos de quatro anos para os administradores regionais; e rejeitar liminarmente o projeto do governador estabelecendo que os administradores serão eleitos diretamente a partir de 2022.
São dois projetos oportunistas, demagógicos e nocivos para Brasília. A discussão sobre o assunto é importante e o processo de nomeação de administradores regionais deve mudar, mas não em ano eleitoral, sem debate com a população e com governador e distritais em fim de mandato. Essa discussão tem de ser levada à sociedade e não pode se limitar ao método de escolha dos chefes das administrações regionais — é muito mais profunda.
O governador levou três anos e um mês para apresentar o projeto de eleição direta dos administradores, promessa feita pelo então candidato Rodrigo Rollemberg. Nesses três anos usou as administrações como moeda para negociatas políticas com distritais, entregando a eles a indicação dos administradores e dos ocupantes de cargos comissionados. Não teve qualquer preocupação com a eficiência das gestões e com a boa prestação de serviços à população. Agora, no fim da gestão, apresenta o projeto para não dizer que não cumpriu a promessa eleitoral. Mas para vigorar em 2022…
Em 16 de maio de 2016 escrevi em minha coluna no Jornal de Brasília:
“A participação da comunidade na escolha de administradores regionais é fundamental. O que não pode é continuar o velho sistema de sempre: as administrações entregues a deputados distritais e a outros políticos como moeda de troca. A sociedade, por isso, tem de discutir intensamente qual a melhor maneira de assegurar essa participação da comunidade. Já que o Distrito Federal não tem municípios e prefeituras, a fórmula a ser adotada terá de ser inovadora.”
”O primeiro debate tem de ser sobre o que deve ser uma administração regional, qual o seu papel, como deve se organizar, como se relaciona com as secretarias e empresas públicas e que território deve abarcar. Esse, obviamente, precede a discussão sobre a eleição do administrador.” (ambos os trechos estão em meu livro Assim é a Velha Política)
Nem os distritais no último ano da legislatura nem o governo no último ano de mandato têm legitimidade para estabelecer o que vigorará para os futuros ocupantes da Câmara Legislativa e do Buriti. Esperaram três anos, um ano a mais não fará diferença. Podem continuar com o toma lá dá cá até dezembro.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

É mais fácil e cômodo aceitar os números oficiais do que apurar e contestar

Sexta, 16 de fevereiro de 2018
Informação oficial: 750 mil pessoas participaram do carnaval de rua em Brasília, “um público abaixo do esperado”, segundo um jornal, pois no ano passado foram 1,5 milhão de pessoas. A imprensa brasiliense, como de costume, não se deu ao trabalho de checar a informação fornecida pelo governo e repetiu os números como se fossem verdadeiros. Mas tudo indica que não são. Nem havia 1,5 milhão de pessoas em 2016 nem 750 mil neste ano.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

A via é do DER, o viaduto é da Novacap. Eixão é do DER, Eixinho é do Detran . . .

Quarta, 7 de fevereiro de 2018

Quem deveria ser demitido, é o presidente da Novacap, Julio Menegotto.

Do Portal ContextoExato

Segundo servidores do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), não cabe ao órgão, e sim à Novacap, a manutenção do viaduto que desabou no Eixão Sul. Por isso, argumentam, foi injusta a demissão do diretor do DER, Henrique Luduvice. Tanto é que foi a Novacap que assinou, em 2013, um contrato para a restauração do viaduto e da Galeria dos Estados.

Roriz e Arruda nada fizeram. O TCDF avisou. Paulo Tadeu protelou. Agnelo e Rollemberg ignoraram

Quarta, 7 de fevereiro de  2018
Não tem muito sentido também a exaltação
ao Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Do Portal ContextoExato

Demagogia e oportunismo são características da velha política e dos velhos políticos. Esses dois ingredientes, como era inevitável, estão presentes em muitos dos discursos, comentários e entrevistas que têm sido feitos a respeito do desabamento do viaduto no Eixão Sul. Tenta-se “faturar” politicamente o desastre, especialmente para desgastar, em ano eleitoral, o governador Rodrigo Rollemberg e sua gestão. Da parte de políticos, há poucas análises e avaliações sérias e muita retórica vazia.

Tanto o governador quanto seus auxiliares responsáveis pela área têm, sim, responsabilidade pelo que ocorreu. As obras em pontes e viadutos deteriorados e que são riscos para as pessoas não foram priorizadas e não mereceram a atenção necessária. Faltou ao governador reconhecer publicamente esse grave erro, antes de anunciar as tardias medidas posteriores ao desastre. Um governante tem de ter coragem de se autocriticar. Faltou também anunciar uma rigorosa e rápida investigação interna para apurar as responsabilidades, mesmo tendo o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Henrique Luduvice, sido corretamente demitido.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Dinheiro para manutenção de pontes e viadutos tem, o que faltou e falta é priorizar

Terça, 6 de fevereiro de 2018
Dinheiro para manutenção de pontes e viadutos tem, o que faltou e falta é priorizar
Foto: Tony Winston/Agência Brasília

O governador disse que o governo gastou R$ 67 milhões na reforma de pontes e viadutos, como se isso fosse um grande feito.



Do
Portal ContextoExato
Um relatório de auditores do Tribunal de Contas do DF, de 2011, alertou o governo sobre o péssimo estado de viadutos e pontes em Brasília. Em alguns, como o que desabou parcialmente hoje, a necessidade de reparos era considerada urgente. Antes de o TCDF se manifestar vários engenheiros já haviam avisado, pela imprensa, que a população corria riscos devido à falta de manutenção de vias de grande movimento. Mas nem o governo anterior, de Agnelo Queiroz, nem o atual, de Rodrigo Rollemberg, cuidaram do viaduto no início do Eixão Sul.
Rollemberg, em pífia entrevista coletiva, informou que fez o serviço em alguns viadutos, mas não todos, pois não tinha recursos nos três primeiros anos de gestão, corroborando a desastrada fala do diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, Henrique Luduvice, que justificou a sua omissão com falta de dinheiro. O governador disse que o governo gastou R$ 67 milhões na reforma de pontes e viadutos, como se isso fosse um grande feito.