Quarta, 15 de fevereiro de 2012
Do Blog do Sombra
UPA de Samambaia: interditata pelo CRM
Por Edson Sombra
Sempre há aqueles que se esquecem de seu papel de representante da
população para incorporar a defesa do indefensável: uma gestão que torna
quase nula a dignidade de quem procura as unidades públicas de saúde do
DF.
No último episódio, coube, lamentavelmente, ao líder do PT na Câmara
Legislativa, deputado Chico Vigilante, levantar questionamento sobre a
interdição da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Samambaia, talvez
por total desconhecimento do assunto. Quis com isso colocar em xeque a
credibilidade dos médicos do Conselho Regional de Medicina, de quem
partiu a difícil decisão. Afinal, a quem interessa o fechamento de um
local de atendimento à saúde?
E o pior: outros companheiros do time vermelho também entraram na onda.
E para quem vem acompanhando o desempenho dos petistas, já considera
uma postura mais do que natural levantar a voz para encobrir, de alguma
forma, os “companheiros”, responsáveis pela pior gestão da saúde já
vivida no Distrito Federal. E, claro, atacar cruelmente quem se opõem a
eles.
O difícil é testemunhar algum parlamentar desse time, aliado do atual
governo, apodrecer nas filas de alguma unidade de saúde em busca de
atendimento médico e ter de sair de lá sem ao menos uma resposta, como
geralmente acontece.
Cabe lembrar que o Conselho Regional de Medicina fez o que a Câmara
Legislativa deveria ter feito, e não faz. A grande maioria governista na
Casa trabalha única e exclusivamente pela blindagem das atrocidades
cometidas pelo atual governo. Perde-se com essa estratégia a principal
prerrogativa de um parlamentar, que é defender o cidadão.
Falar, espernear, denegrir, difamar é fácil. O que não se vê é algum
desses pirotecnistas legislarem de forma a garantir condições mínimas de
dignidade ao profissional que cuida da vida humana. Afinal, numa
eventual fatalidade nesses locais, não será nenhum deles a responder
judicialmente por crime contra a vida, e sim os médicos, enfermeiros e
profissionais da saúde.
Inaugurar, às pressas, uma unidade como esta apenas para fazer número e
mostrar que o programa de governo está sendo cumprido é o perfil de uma
gestão irresponsável e inconsequente. Abrir as portas de uma unidade de
saúde sem as mínimas condições de trabalho, colocando os profissionais
envolvidos como verdadeiros vilões pelo péssimo funcionamento da tal
unidade, é querer fazer o povo de idiota. E defender essa estratégia é
uma atitude ainda mais imbecil.
O processo das UPAs é muito maior do que simplesmente a falta de
estrutura para o atendimento. Há jogo de interesses escusos e vários
outros predicados que se sobrepõem ao verdadeiro objetivo de uma unidade
médica, que é a saúde da população, direito garantido pela Constituição
Federal e grande parte paga pela União.
O fim dessa história ainda não chegou. Brevemente, tudo será revelado. E
o capítulo mais interessante será comprovar que os verdadeiros vilões
não são os médicos, enfermeiros ou qualquer outro servidor público da
saúde que cumprem o seu dever e que, apesar de terem um dos piores
salários, conseguem ter forças para integrar um sistema que está sendo
conduzido para a falência, simplesmente com o objetivo único de
privatizar o que hoje é do povo.
Volto a falar: O mau-caráter desta novela tem outro nome. E o que posso
adiantar é que esse personagem está mais interessado em pensar nos
interesses pessoais do que defender a dignidade do povo. O bom é que as
autoridades competentes já estão de olho nesse quadro de extrema
angústia da população.
