Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 25 de março de 2026

Tá na Mesa — Idec — Sua porção semanal de alimentação saudável e sustentável

Quarta, 25 de março de 2026

Tá Na Mesa - Idec

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A gente costuma pensar na comida só quando ela chega ao prato.

Mas e tudo o que acontece antes disso?

Hoje, vamos olhar para nossa alimentação e os impactos que ela deixa em cada etapa.

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Do campo ao prato: o que a gente não vê na alimentação

Quando falamos de alimentação adequada e saudável, não estamos falando apenas de comida ou alimentos. Também estamos falando de pessoas produtoras rurais, de meio ambiente e de como os alimentos são produzidos.

O que chega ao nosso prato carrega histórias — e, muitas vezes, impactos socioambientais que não aparecem na embalagem.

Quando olhamos para a origem dos alimentos

Diferentes análises chamam atenção para o avanço do desmatamento ligado à produção de commodities como soja e carne bovina, uma problemática central no agravamento da crise climáticaE, apesar de parecer distante, esse problema está diretamente conectado ao sistema que sustenta o que comemos todos os dias.

Hoje, a pecuária é a maior responsável pelo desmatamento na Amazônia. Ao mesmo tempo, a expansão da soja, em grande parte destinada à alimentação animal, continua pressionando diversos biomas, sua biodiversidade e comunidades tradicionais.

Esse modelo de produção prioriza lucro e volume em detrimento da segurança alimentar e nutricional e da sustentabilidade. E, nesse processo, os impactos socioambientais acabam sendo tratados como custo secundário.

O que novo estudo revela sobre esse cenário?

Diante desse contexto, nós do Idec, em parceria com a Mighty Earth, analisamos como 14 grandes empresas dos setores de soja, carne bovina e varejo se comprometem com o desmatamento zero em suas cadeias produtivas.

👉 Para entender melhor esse cenário, acesse o estudo completo do Idec em parceria com a Mighty Earth

O estudo revela que, apesar de alguns compromissos públicos assumidos, as maiores empresas ainda falham em pontos essenciais.

Entre os principais problemas identificados estão:

  • Compromissos ambientais vagos ou insuficientes;
  • Falta de rastreabilidade completa, especialmente sobre fornecedores indiretos - aqueles mais no início da cadeia de produção;
  • Auditorias limitadas - comprometendo a veracidade das informações; e
  • Ausência de transparência em dados essenciais.
  • Na prática, isso significa que ainda é difícil garantir que a carne e a soja que chegam ao mercado estejam livres de desmatamento.

Quando promessas não garantem mudanças reais

Os dados do relatório mostram que, mesmo com avanços pontuais, nenhuma das empresas avaliadas consegue comprovar controle total sobre suas cadeias produtivas. Isso dialoga com dados de outros relatórios importantes, como o do Radar Verde (2025), que mostra que, no Brasil, a maior parte dos frigoríficos e dos varejistas não comprovou controle sobre fornecedores indiretos — como as etapas de cria e recria do gado, que acontecem antes da engorda e são consideradas as mais vulneráveis à entrada de produtos ligados ao desmatamento.

Sem esse controle, compromissos de “desmatamento zero” perdem força e podem funcionar mais como estratégia de publicidade do que como mudança real.

É nesse cenário que as práticas de greenwashing ganham espaço, dificultando que a gente saiba, de fato, o que está por trás dos alimentos que consumimos.

Combater o desmatamento também é garantir alimentação adequada

O relatório evidencia que a atual forma de produção de alimentos não se sustenta e que os responsáveis pela destruição devem ser responsabilizados.

Garantir comida de verdade no prato passa, necessariamente, por enfrentar o desmatamento nas cadeias produtivas e lutar por formas de produzir que sejam mais saudáveis e sustentáveis, protegendo territórios, respeitando comunidades e reduzindo impactos ambientais que comprometem a produção de alimentos no presente e no futuro.

O papel das pessoas consumidoras

Como pessoas consumidoras, podemos contribuir com escolhas mais conscientes, priorizando e fortalecendo produtores locais. 

Além disso,  podemos pressionar por cadeias mais transparentes, rastreáveis e livres de desmatamento, mas reconhecendo que a mudança desse cenário depende de decisões estruturais e políticas públicas.

Em um ano eleitoral, isso se torna ainda mais evidente.

Escolher representantes comprometidos com a proteção da natureza, o combate ao desmatamento com o direito à informação e à alimentação adequada é também uma forma de transformar esse sistema.

O voto é uma ferramenta concreta para pressionar por mudanças reais.

Regular é garantir transparência e responsabilidade

O relatório mostra que esses compromissos ainda têm caráter voluntário e reforça a urgência de que isso mude e que políticas públicas avancem em:

  • Rastreabilidade completa e mandatória nas cadeias da carne e da soja;
  • Combate efetivo ao desmatamento, não somente ao desmatamento ilegal; 
  • Responsabilização de quem descumpre compromissos ambientais, com maior transparência nas informações das empresas.
  • Informações claras no momento da compra, permitindo que consumidores e consumidoras entendam os impactos do que estão levando para casa.

Sem isso, seguimos com um sistema que dificulta o acesso à informação e mantém práticas que impactam o meio ambiente e a sociedade.

Informação para transformar o que chega ao prato

Compreender o que está por trás da produção de alimentos é um passo essencial para fortalecer esse debate.

Nosso estudo em parceria com a Mighty Earth mostra que ainda estamos longe de garantir cadeias produtivas livres de desmatamento, mas também aponta caminhos para mudança.

Imagem Guia Alimentar para a População Brasileira
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DICAS

🍎 Projeto quer mudar merenda escolar

Um projeto de lei em Porto Alegre propõe aumentar a presença de alimentos da agricultura familiar na merenda escolar e reduzir gradualmente a de ultraprocessados. A iniciativa prevê também a inclusão de alimentos orgânicos e agroecológicos nas refeições, reforçando o papel da escola no acesso à alimentação adequada. A proposta aponta caminhos importantes para fortalecer sistemas alimentares locais e garantir comida de verdade para crianças e adolescentes. Terra

PARTICIPE

🚜 Fábrica fortalece agricultura familiar

O Brasil vai ganhar a primeira fábrica de máquinas agrícolas voltada exclusivamente para a agricultura familiar, em Maricá (RJ). A iniciativa, fruto de uma parceria entre Brasil e China com participação do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), prevê a produção de tratores adaptados para pequenas propriedades e pode ampliar o acesso à mecanização no campo. A proposta fortalece cooperativas, produção local e políticas públicas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), apontando caminhos para um sistema alimentar mais justo e sustentável. Xepa Ativismo

ALIMENTAÇÃO E SAÚDE

🍓 Frutas no café da manhã: como escolher?

Frutas são ótimas opções para começar o dia, mas não existe fórmula única. Mais do que regras rígidas, o importante é variar, priorizar alimentos in natura e minimamente processados e respeitar o próprio corpo. Combinar frutas com outros alimentos, como cereais e sementes, pode ajudar na saciedade e no equilíbrio das refeições. O Guia Alimentar para a População Brasileira reforça que uma alimentação saudável se constrói no conjunto e não a partir de listas do que “pode ou não pode”. Correio Braziliense

Cultura Alimentar
Cultura Alimentar

Mariana Bombo Perozzi Gameiro

Doutora em Sociologia, consultora senior da Mighty Earth – @standmighty

O Brasil se orgulha em dizer que é o “celeiro do mundo”. Ao mesmo tempo em que leva comida à mesa dos brasileiros, é um grande exportador de produtos agrícolas e pecuários, com uma produtividade imbatível no campo, rico em recursos naturais e clima favorável. Tudo isso é verdade, fruto de um trabalho árduo nas propriedades rurais e nas instituições de pesquisa que se dedicam a melhorar o rendimento das lavouras nacionais. Mas essa história, infelizmente, tem também outro lado.

Concentração de terras e expulsão de famílias do campo, invasão de terras indígenas e áreas protegidas, trabalho analago à escravidão, uso excessivo de pesticidas e agroquímicos, poluição do ar e da água, destruição da vida silvestre e desmatamento. O lado sujo do “agronegócio” está também presente, e os responsáveis precisam mudar de atitude.

Estudos indicam que o país poderia quase dobrar sua área agrícola sem desmatar novas áreas, apenas aproveitando melhor o que já foi aberto. Ainda assim, cerca de 7 árvores foram derrubadas por segundo na Amazônia, em 2024. As empresas do setor, incluindo frigoríficos, traders de grãos e supermercados, devem colocar em prática medidas eficazes e rápidas para garantir cadeias livres de desmatamento e conversão, autorizados ou ilegais, em todos os seus elos.

O estudo que a Mighty Earth e o Idec acabaram de lançar explica mais e aponta caminhos possíveis.

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Tá na Época
Tá na Época

A energia tropical do maracujá

O maracujá é uma fruta amplamente cultivada no Brasil e muito presente na alimentação cotidiana. Rico em sabor e refrescância, ele é conhecido tanto pelo seu uso em sucos quanto em sobremesas e preparações caseiras.

Na cozinha, o maracujá pode ser consumido in natura, em sucos, mousses, molhos para saladas ou até combinado com pratos salgados. Uma dica prática é congelar a polpa em pequenas porções, facilitando o uso no dia a dia. Além de versátil, é um ótimo exemplo de como aproveitar alimentos da estação de forma simples e saborosa.

Chuchu: simplicidade que alimenta o dia a dia

O chuchu é um dos legumes mais presentes na alimentação brasileira, conhecido pela sua leveza e facilidade de preparo. Cultivado em diferentes regiões do país, ele faz parte da culinária cotidiana e aparece em receitas simples, nutritivas e acessíveis.

Na cozinha, o chuchu é versátil e se adapta a diferentes preparações. Pode ser cozido, refogado, usado em sopas, saladas ou até em preparações mais elaboradas. Seu sabor suave combina bem com temperos e outros ingredientes, absorvendo sabores e enriquecendo os pratos. Uma dica prática é já deixar o chuchu descascado e cortado na geladeira por alguns dias, facilitando o preparo das refeições e incentivando o consumo de alimentos frescos no dia a dia.

Caderno de Receita

Abacate com limão e açúcar
Simples, rápido e cheio de sabor, o abacate com limão e açúcar é uma daquelas combinações que atravessam gerações. Cremoso e nutritivo, ele pode ser servido como lanche ou sobremesa e mostra como um alimento da estação pode virar uma preparação prática e gostosa no dia a dia.

 

Ceviche de chuchu com manga
Leve, refrescante e cheio de contraste de sabores, o ceviche de chuchu com manga é uma forma criativa de trazer o legume para o centro do prato. A acidez do limão, combinada com o frescor do chuchu e o toque adocicado da fruta, resulta em uma preparação simples, colorida e perfeita para dias mais quentes.

 

Suco de morango com alface
Refrescante e nutritivo, o suco de morango com alface é uma forma simples de combinar fruta e verdura no dia a dia. A doçura do morango equilibra o sabor suave da alface, resultando em uma bebida leve, colorida e fácil de preparar. Uma opção prática para incluir mais alimentos frescos na rotina e variar o consumo de verduras além do prato tradicional.


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