Segunda, 30 de março de 2026
Sucessão
Celina Leão assume o GDF com defesa de golpistas do 8 de janeiro e alinhamento à extrema direita
Posse nesta segunda (30) na CLDF foi marcada por discursos religiosos e reafirmação de aliança com Michelle Bolsonaro
Brasil de Fato — Brasília (DF)
30.mar.2026
Celina Leão toma posse como governadora do DF na CLDF, em cerimônia marcada por discursos políticos e religiosos. | Crédito: Felipe Ando/Agência CLDF
Em uma cerimônia marcada por forte simbolismo religioso e político, Celina Leão (PP) tomou posse como governadora do Distrito Federal nesta segunda-feira (30), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Em seu discurso, a nova governadora fez críticas ao Judiciário e adotou um tom alinhado a setores da extrema direita.
Celina assume o cargo após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), que deixa o governo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Durante sua despedida, Ibaneis criticou gestões anteriores, classificando como um “desastre” os governos de José Roberto Arruda (PSD-DF), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Ele também afirmou que entrega um governo organizado e cheio de conquistas para sua sucessora.
A composição política do evento reforçou a proximidade da nova gestão com o bolsonarismo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), apontada como amiga próxima de Celina Leão, acompanhou a cerimônia da primeira fileira. Apesar de não compor a mesa oficial, sua presença foi interpretada como um sinal de apoio político.
Também estiveram presentes a senadora Damares Alves (Republicanos) e a deputada federal Bia Kicis (PL), que trataram a posse como uma vitória. Durante os discursos, termos como “governo dos justos” foram recorrentes, misturando referências religiosas com a atuação política.
Religião e o 8 de Janeiro
Um dos momentos mais polêmicos ocorreu quando Celina Leão comentou os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro. Em sua fala, a governadora afirmou que o episódio ainda tem consequências e mencionou pessoas presas, que classificou como “inocentes”.
“Acho que estive ao seu lado nos momentos mais difíceis desta cidade, que foi o 8 de janeiro, um momento pelo qual, até hoje, as pessoas têm pagado um preço. Nós temos pessoas inocentes presas, vidas sacrificadas e, em nome dessas vidas, governador Ibaneis, quero lhe agradecer.”
Em outro trecho, ao se dirigir a Michelle Bolsonaro, Celina adotou um tom simbólico ao falar sobre o cenário político atual: “O deserto muitas vezes é a visão da terra prometida. Esse deserto que o povo brasileiro, o presidente Bolsonaro e você enfrentam vai ter um fim e eu tenho certeza de que esse fim está muito próximo.”
Investigações e o BRB
Celina Leão assume o governo sendo ré em um processo de improbidade administrativa relacionado à Operação Drácon, que investiga um suposto esquema de propina envolvendo emendas parlamentares para compra de leitos de UTI. Sem citar diretamente o processo, Celina defendeu: “não tenho nenhuma condenação criminal. E isso não é sobre ter ficha limpa, é sobre ter a consciência limpa”.
Ao comentar as investigações envolvendo o Banco de Brasília (BRB), a governadora afirmou que não teve participação nas decisões. “O BRB é um patrimônio do povo do Distrito Federal. Deixo claro que não participei de nenhuma decisão sequer consultada sobre o assunto e no nosso governo não cabe a omissão.”
A sessão solene de posse foi presidida pelo presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), e contou com a presença de deputados distritais da base aliada, além do agora ex-governador Ibaneis Rocha, que transmitiu o cargo à sucessora. Representantes do Tribunal de Justiça do DF e do Ministério Público do DF também participaram da solenidade de posse da governadora.
Entre os parlamentares da oposição, apenas Dayse Amarílio (PSB) esteve presente na cerimônia. Não compareceram os deputados petistas Ricardo Vale, Chico Vigilante e Gabriel Magno, e nem os deputados do Psol Max Maciel e Fábio Felix.
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Editado por: Flavia Quirino

