Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 28 de setembro de 2023

20 Anos de História: “Cidade dos Bonecos” celebra duas décadas de arte e cultura popular

Quinta, 28 de setembro de 2023

A Cia. Cidade dos Bonecos, originária do Gama, traz inovações para o público do Distrito Federal, que incluem a inauguração oficial de seu próprio Espaço Cultural e uma ampla variedade de atividades culturais.

Por 
Israel Carvalho, editor do Portal Gama Cidadão —28 de setembro de 2023

 
Domingos Rodrigo com seu personagem Zecão. Foto: Matheus Nascimento

“Cidade dos Bonecos 20 Anos de História” é um marco histórico na cena cultural do Distrito Federal. Promovido pela respeitada companhia teatral Cidade dos Bonecos, nascida e radicada no Gama, o projeto comemora duas décadas de dedicação à arte e à cultura, trazendo uma série de atividades e ações enriquecedoras para o público de todo o DF. Ele chega trazendo atrações diversificadas, desde Ciclo de Roda de Conversas, Oficina de Construção de Bonecos “Máquina Cênica”, Mediações de Espetáculos, Oficinas das Malas Culturais até a criação da web-série Boneco TV, além da Mostra de Repertório, que acontecerá na sede do grupo, na Ponte Alta do Gama. Com a meta de formar plateia, celebrar identidades culturais e favorecer a acessibilidade, o projeto busca unir comunidades diversas em torno da arte.

Uma parte central do “Cidade dos Bonecos 20 Anos de História” é o Ciclo de Roda de Conversas, um espaço de diálogo entre artistas, pesquisadores e o público, que se reúnem para explorar o mundo do Teatro de Formas Animadas. A Oficina de Construção de Bonecos é uma oportunidade bastante interessante para que estudantes de artes visuais e cênicas mergulhem nas técnicas e processos de criação. A Mostra de Repertório traz espetáculos emocionantes à Ponte Alta durante 4 dias de outubro, numa sala de espetáculos da companhia teatral, recém-inaugurada e batizada por “Teatron”, enquanto as Mediações de Espetáculos buscam aprimorar a compreensão e o apreço pelo teatro.

Com um olhar voltado para a educação, o projeto também tem oferecido Oficinas das Malas Culturais, proporcionando ferramentas aos professores de escolas rurais para incorporar o universo dos bonecos em sua prática pedagógica. Além disso, a web-série Boneco TV mergulha nas particularidades do Teatro de Formas Animadas, com depoimentos, técnicas de manipulação e esquetes, oferecendo um mergulho fascinante na arte.

Já em andamento, o projeto deve durar em torno de 12 meses, pois possui um forte compromisso com a inclusão e diversidade, reservando posições significativas para mulheres, pessoas com deficiência e grupos vulneráveis na equipe técnica, que é um grande diferencial. Através de uma mistura de atividades presenciais e virtuais, o projeto “Cidade dos Bonecos 20 Anos de História” busca criar uma experiência cultural profunda e duradoura, fortalecendo a missão da companhia de tornar a arte acessível e transformadora para todos.

Sobre a Cia. Cidade dos Bonecos

Fundada em 2001 por Domingos Rodrigo, a Cia. Cidade dos Bonecos é uma força pioneira na cena artística do Distrito Federal. Comprometida com a educação e a cultura, a companhia tem uma história de projetos inovadores que buscam enriquecer as comunidades através do Teatro de Formas Animadas. Reconhecida nacional e internacionalmente, a Cidade dos Bonecos continua impulsionando a arte e a cultura, contribuindo para um futuro mais inclusivo e vibrante.


Serviço:
Local: Sede da Cia. Cidade dos Bonecos
Endereço: Avenida Buritis, condomínio Esquina do Sol, lote 15/17 comercial, Ponte Alta – Norte do Gama
Datas dos espetáculos:
07 de outubro – A Flor do Sertão
08 de outubro – Estação Brasil
14 de outubro – Contos, histórias e canções
15 de outubro – A história do Mané Bocó
Horário: às 16h30

Confira a programação completa no link abaixo:

Entrada: Gratuita
Classificação: Livre

Assessoria de Imprensa: Amanda Guedes @agassessoriaeeventos

Relacionado

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Projeto de Lei concede empréstimos dos Fundos Constitucionais de Financiamento à Cultura


Quinta, 18 de junho de 2015
Atualmente alocação de recursos é destinada somente aos setores que desenvolvem atividades relacionadas à agropecuária, mineração, indústria, agroindústria, turismo, infraestrutura, comércio e serviços
O deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB) apresentou na Câmara, nesta semana, projeto de lei que estimula a concessão de empréstimos com recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO) para as atividades ligadas à economia criativa. Atualmente, os fundos garantem a execução de programas de financiamento somente aos setores que desenvolvem atividades relacionadas à agropecuária, mineração, indústria, agroindústria, turismo, infraestrutura, comércio e serviços.
Fonte: Assessora de Comunicação do Deputado Giuseppe Vecci

domingo, 23 de novembro de 2014

Artistas do DF se mobilizam contra projeto que retira verbas da Cultura

Domingo, 23 de novembro de 2014
O Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC), criado em 1991, é o principal instrumento de fomento às atividades artísticas e culturais da Secretaria de Cultura do DF que oferece apoio financeiro a fundo perdido.

Artistas de Brasília estão em pé de guerra contra o governo Agnelo/Filippelli. Eles convocam os cidadãos brasilienses a se mobilizarem contra o Projeto de Lei Complementar nº 108/2014. O projeto enviado por Agnelo à CLDF, na quinta-feira, 20/11, permite um verdadeiro assalto aos recursos do Fundo de Apoio à Cultura – FAC.

Segundo o maestro e pianista Rênio Quintas, coordenador do Fórum de Cultura do DF, existiriam no caixa do FAC uma verba de, aproximadamente, 65 milhões. Com as contas públicas no vermelho – as estimativas são de um rombo superiora R$ 2 bilhões, o governador desejaria usar os recursos carimbados pra projetos culturais para pagar outras despesas governamentais. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Vergonha! Museu de Arte de Brasília (MAB) continua abandonado pelo governo do DF

Terça, 10 de junho de 2014
Dê um clique sobre as imagens para ampliá-las. Fotos: Gama Livre — 10/6/2014
Placa nova no balão da entrada para a via em que está o Museu de Arte de Brasília (MAB). Pena que só a placa é conservada pelo governo do DF. O museu está abandonado.
Nesta terça, 10 de junho, por volta das 12 horas eu estava na Vila Planalto, no estacionamento da histórica igrejinha de madeira, quando ao meu lado parou um automóvel com placa de São Paulo. Eram dois turistas paulistas e um casal de franceses. Pediram informação de como poderiam chegar ao Museu de Arte de Brasília, o MAB. Indiquei o caminho e disse, “siga as placas, mas o museu não está funcionando há muito tempo”.
Eles se foram para o tal Museu de Arte. Encucado, pensei: como a hora é da Copa da Fifa, a “Copa das Copas”, poderia ter havido a reabertura do museu. E fui conferir. As placas indicam claramente o caminho para se chegar ao museu, que fica quase às margens do Lago Paranoá, no Setor de Hotéis e Turismo Norte. Ali próximo à Concha Acústica e ao Palácio Alvorada, e bem juntinho do Hotel Lakeside.
As placas levam ao Museu. O museu leva o peso  do abandono pelo governo do DF.
Quando entrei na via ao lado do Museu de Arte, os quatro turistas já estavam voltando. Por me reconhecerem como a pessoa que havia indicado como chegar ao MAB, o paulista ao volante fez um sinal de “negativo” e seguiu seu caminho, possivelmente ao centro do Plano Piloto.

 Entrada para o subsolo do Museu de Arte. Fechada e com mato na rampa.
Estacionei o carro e fui conferir o fechamento do museu. Mais do que fechamento, o abandono, o mato crescido, o vidro quebrado, a parede rachada, a pintura deteriorada, as janelas velhas, a pichação da escultura que fica no gramado da frente do Museu de Arte e, os portões fechados com correntes. 
O retrato do abandono
As fotos dão uma visão do estado de abandono a que está relegado o Museu de Arte de Brasília (MAB), museu criado em 1985 pelo governo do DF e que, com área superior a oito mil metros quadrados, já reuniu centenas e centenas de importantes obras de arte. São três pavimentos. O térreo, o superior e o subsolo.
Móveis jogados no espaço aberto ao redor do prédio do MAB. 
Abandono geral e completo. Um desrespeito à arte e ao patrimônio público do povo de Brasília.

 Vidro quebrado e esquadrias 'podres' nas janelas.
Escultura da área externada do museu mostra os sinais de pichação e do abandono do museu pelo governo do DF.

Por Taciano — Gama Livre

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

GDF: Agnelo deve mudar secretário de Cultura

Sexta, 9 de novembro de 2012

Novas mudanças à vista no GDF. Quem deve sair é o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, ou Pedro Tierra como é conhecido por escrever poesias. Quadro histórico do PT, Hamilton parece ter se cansado das dificuldades internas do GDF e decidiu assumir um cargo na Fundação Perseu Abramo, do Partido dos Trabalhadores, onde já trabalhou.

Recentemente, a sua pasta foi envolvida em denúncias de que o GDF queria desviar R$ 18,5 milhões do Fundo de Amparo à Cultura para o custeio de festividades como o Carnaval de 2013 e o Natal deste ano. A classe artística de Brasília se mobilizou, ganhou o apoio de pelo menos dois dos três senadores candangos e parece ter conseguido evitar o sangramento nos já parcos valores voltados ao incentivo das atividades culturais na Capital Federal.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

É hoje a manifestação para salvar o Teatro Goldoni da sanha do GDF

Quarta, 24 de outubro de 2012
É hoje (24/10), às 14 horas, o abraço da classe artística, e de quem mais queira, à Casa d’Italia, onde se localiza o Teatro Goldoni. O governo do DF, esquecendo seus compromissos com a cultura, quer por que quer torrar nos cobres o imóvel. Talvez, quem sabe, para ter mais dinheiro para enfiar no dispensável estádio de futebol. Os especuladores imobiliários estão babando com a intenção do governo de vender o imóvel e mudar a destinação daquela área.

O teatro Goldoni fica no prédio da Casa d’Italia, na Entre Quadras Sul 208/209, no Eixinho Leste.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Governo Agnelo quer fechar teatro e faturar com a venda do imóvel; 'basta de transações por baixo dos panos!'

Quinta, 18 de outubro de 2012
O Governo do Distrito Federal tenta acabar com a trajetória de um teatro que já mostrou que quer fortalecer a Cultura do DF. O Governo do DF ao ignorar os benefícios que a atividade teatral propicia à comunidade e colocar à venda na calada da noite o terreno da Casa d’Italia, que como Centro Cultural em atividade há 20 anos não pode fazer caixa para quitar quantia incompatível com a arrecadação, mata com uma “canetada” o esforço coletivo por tantos anos para manter um espaço cultural acessível aos grupos locais aberto. O GDF ignorou o pedido de prorrogação da concessão de uso, mostrando-se insensível à Cultura. Mais do que isto, está tentando mudar a destinação do terreno:

- na Norma de Construção, Uso e Gabarito do terreno onde se localiza o Teatro Goldoni, NGB 018/97, da área construída é obrigatório que 40% sejam ocupadas por atividades culturais e

- na Licitação descreve como proibida a ocupação por atividade cultural.
Por isso viemos pedir à classe cultural do Distrito Federal que ajudem a preservar o Teatro Goldoni das investidas de faturamento do GDF em cima de atividades tão pouco favorecidas economicamente, mas que são de grande importância para a formação de cidadania.

AJUDEM A SALVAR O TEATRO GOLDONI

Vamos nos reunir em torno da Casa d’Italia dia 24 de outubro, quarta feira, às 14 horas para mostrar ao governo que o espaço para a cultura tem que ser ampliado e não aceitamos amputação de mais um teatro da cidade.

Basta de transações por baixo dos panos!

Além de tudo, existem muitos teatros que estão inativos por falta de manutenção e outros a serem construídos nas Regiões Administrativas abandonadas pelo poder público. Enquanto isso nossas crianças crescem sem o acesso aos Bens Culturais que têm direito.

PARA SABER MAIS

ANTECEDENTES

Existem em Brasília duas instituições de 3º grau que colocam na cidade cerca de 30 atores por ano – a UnB (Universidade de Brasília) e a Faculdade Dulcina de Moraes. Mas outras escolas estão sendo criadas. A prática ao sair das escolas, condição para que estes atores desenvolvam suas potencialidades, se torna rara e insipiente, porque a cidade não tem mercado para absorvê-los, pois não existe estratégia de divulgação para o teatro brasiliense e é insuficiente o estímulo para que o público seja frequentador assíduo dos teatros. Tampouco os incentivos econômicos são suficientes para que estes jovens formem seus próprios grupos e tornem-se empreendedores culturais. O Distrito Federal tem uma característica de estado com muitas cidades em torno da capital, que são chamadas atualmente de Regiões Administrativas. A ligação de transporte é muito deficiente entre estas cidades/RAs. Só a Cultura e o Esporte são capazes de mobilizar as pessoas e fazê-las se movimentarem. O teatro pode criar motivação para que estas pessoas circulem, conheçam e se sintam incluídas, portanto participem da sociedade e sejam cidadãs.

TEATRO GOLDONI

O Teatro Goldoni é um pequeno teatro experimental com cerca de 100 lugares feito com critérios da mobilidade cênica e rigor técnico, que permite a organização e a troca da relação palco/plateia de maneira rápida e econômica. Foi construído  deste formato para reduzir custos de apresentação dos espetáculos e tornar viáveis as montagens teatrais dos grupos teatrais recém saídos das escolas. Foi criado em 1998 para provocar o encorajamento de formação de grupos locais que pudessem contar com a apresentação de espetáculos durante uma temporada mais longa do que as habitualmente apresentadas, fator de relevância na formação e treinamento do ator. 

Em relação ao público o teatro procurou atender a uma demanda reprimida de “Teatro de Bairro”, pois apenas estavam funcionando satisfatoriamente, nessa ocasião, as duas salas do Teatro Nacional Claudio Santoro de proporções gigantescas para o abrigo de grupo de teatro recém formados. O Goldoni mobilizou atores, público e empresários. A proposta foi bastante desafiadora, teve boa repercussão, apoio da mídia e a grande procura por esse tipo de sala sugeriu que fosse criada uma segunda sala – a Sala Adolfo Celi, anexa ao Goldoni, ação facilitada pelo programa de doação de equipamentos de iluminação da Funarte.  Hoje, existem muitas outras salas de pequeno porte na cidade. Mas ainda assim, novo público precisa ser atraído e formado para garantir todas as fases da cadeia produtiva.

PONTO DE CULTURA

Com o aumento do número de espetáculos produzidos na região uma nova necessidade se fez presente: a formação de técnicos para dar suporte aos espetáculos e assim foi criado o ESTEC Estúdio de Tecnologia Cênica, um programa de formação de técnicos de cena para dar apoio aos que estavam sobre o palco, sob as luzes. Projeto que tem como prioridade a qualificação de jovens oriundos do ensino médio sem formação profissional e em situação de risco social. Todos os cursos do Ponto de Cultura ESTEC foram e são gratuitos.

O teatro investiu na criação do espaço, na operação dos espetáculos e nas facilidades e redução de custos da encenação. Foi contemplado pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura. Mas o preço do ingresso adotado por contingências que todos conhecem, torna economicamente inviáveis as estratégias comerciais de continuidade para apresentação de espetáculos e a formação de grupos.

Atualmente os produtores locais encontram dificuldades para captar recursos necessários às montagens, que vêm em sua maioria do FAC (Fundo de Apoio à Cultura) da Secretaria de Cultura do GDF, pois não temos ainda na cidade Leis de Incentivos locais nem  patrocinadores em número proporcional aos habitantes e, portanto, os grupos que estavam minimamente estruturados migraram para os grandes centros de produção cultural atrás da sobrevivência como grupo.

MELHOR ESPAÇO CÊNICO

Em 2007 o jornal Correio Braziliense consultou seus leitores para saber qual era na época o melhor espaço cênico de Brasília. A escolha recaiu no Teatro Goldoni. Motivo explicado pelos leitores: o calor humano dos técnicos e atendentes, a surpresa de sempre encontrar um novo espetáculo com nova disposição palco/plateia, como se fosse um novo teatro.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Senadores Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg criticam uso de recursos da cultura para festas no DF

Quarta, 19 de setembro de 2012
Cristovam Buarque considerou uma “irresponsabilidade” retirar dinheiro do fundo para usar em festas.
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Da Redação da Agência Senado

Os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e Cristovam Buarque (PDT-DF) e representantes do movimento cultural do Distrito Federal manifestaram-se contra a proposta de utilizar recursos do Fundo de Apoio a Cultura (FAC) para financiar festas de datas comemorativas.

A proposta do governo do Distrito Federal foi debatida durante reunião interna realizada nesta terça-feira (18), na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado.

Apoio à cultura

O FAC é o principal instrumento de fomento às atividades artísticas e culturais da Secretaria de Cultura do DF, que oferece apoio financeiro a fundo perdido para projetos selecionados por editais públicos. Sua fonte de recursos consiste em 0,3% da receita corrente líquida do governo do Distrito Federal. Para 2012, estão previstos R$ 44 milhões para o fundo.

Cristovam Buarque considerou uma “irresponsabilidade” retirar dinheiro do fundo para usar em festas.

— Investindo em cultura, com um pouquinho de dinheiro, conseguimos alcançar resultados fantásticos. É só estabelecer as prioridades certas – alertou o senador.

Segundo Rodrigo Rollemberg, financiar esses eventos, que “são muito caros”, representaria uma queda expressiva dos recursos do FAC. Para ele, a luta deveria ser pela ampliação do apoio à cultura, não o contrário, o que pode resultar o esvaziamento do fundo.

Rollemberg informou que está tentando marcar um encontro com o governador Agnelo Queiroz (PT), juntamente com o movimento cultural, a fim de mostrar a posição dos senadores para que essa proposta seja revogada.
Descaso

Para o diretor-executivo do Núcleo de Arte e Cultura de Brasília (NAC), Marbo Giannaccini, não se pode retirar a verba destinada a promover e fomentar a cultura na capital para financiar festa. Ele defende que recursos para festas devem estar previstos no orçamento do GDF.

— Há um descaso geral com a cultura. Ela continua sendo a última prioridade do governo – critica Giannaccini.

O Coordenador do Fórum de Cultura do DF, maestro Rênio Quintas, afirma que a proposta quebra o princípio estabelecido em lei. Conforme disse, houve um aumento no valor destinado à cultura, que há três anos não passava de R$ 3 milhões, e atualmente chega a R$ 44 milhões.

— O governo cresceu o olho, não no sentido de melhorar nosso movimento. Estamos numa luta de “Davi contra Golias” – afirmou o maestro.

A reunião contou com a presença do secretário-executivo da Rede das Culturas Populares, Marcelo Manzatti; do presidente da Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV), André Carvalheira; do presidente da Associação Brasiliense de Violão (Bravio), Alvaro Henrique; do secretário-executivo da Fundação Brasileira de Teatro, Augusto Lacerda Brandão e da representante da Associação Cultural Claudio Santoro, Gisele Santoro.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Borboleta Azul

Sexta, 3 de agosto de 2012


Com libreto e música do maestro Jorge Antunes, e texto baseado em uma ideia de Cristovam Buarque, a mini-ópera “A Borboleta Azul” será apresentada às 17 horas deste sábado (4/8) no programa “Vesperal Lírica” da Brasília Super-Rádio FM (89,9Mhz).

Após a radiotransmissão de “A Borboleta Azul” será apresentada a ópera “I Due Foscari”, de Giuseppe Verdi, com libreto de Francesco Maria Piave, baseado em história de Lord Byron.

O programa “Vesperal Lírica” tem a produção de João Carlos Taveira.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Números calculados com varinha de condão orientam políticas culturais

Terça, 3 de janeiro de 2012
Publicado originalmente em O Miraculoso
Por Jorge Antunes*

Ainda hoje o Ministério da Cultura baseia sua política no Sistema de Informações e Indicadores Culturais que o IBGE elaborou há 5 anos. O trabalho do IBGE foi baseado nos fenômenos da prática cultural brasileira no período 2003-2005.

Em 2004, o Ministério da Cultura celebrou o convênio com o IBGE. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística recebeu a incumbência de elaborar uma base de informações relacionadas ao setor cultural. O objetivo era construir indicadores culturais que serviriam como base para fomentar estudos, pesquisas e publicações na área da Cultura. Assim, o IBGE forneceria aos órgãos governamentais, e a quem mais pudesse se interessar, subsídios para o planejamento de ações na área.

Às vezes o IBGE inventa novas metodologias para suas pesquisas. Para o cálculo do PIB, por exemplo, já assistimos mágicas mirabolantes que deram a impressão de que, da noite para o dia, saltamos pontos acima na classificação mundial da economia.

Já há algum tempo o IBGE vem aplicando varinha de condão em seus cálculos. O Ministério da Cultura tem feito uso de dados esdrúxulos do IBGE para implementação de sua política cultural. A análise das políticas culturais do MinC torna evidente seu objetivo: ampliação dos mercados com vistas à auto-sustentabilidade da prática cultural, para que o Estado abandone de vez o cumprimento ao preceito constitucional de apoio à Cultura.

Só podem ser auto-sustentáveis as práticas culturais de massa em que a cadeia produtiva se sucede num infindável círculo vicioso de exploração capitalista, com a hegemonia da mediocridade. A ignorância e a ingenuidade atraem o capital estrangeiro. É isso que interessa ao governo. Assim, para a alegria do capital é preciso que sejam extintas as orquestras sinfônicas, que não se combata o turismo sexual, que se acabem as temporadas de ópera e que se precarize o ensino superior gratuito.

Dessa forma, a arte popular de massas, perpetuando a tradição, e também a arte medíocre, popularesca e efêmera, encontram o apoio incondicional do Estado e do empresariado que despeja seus tributos, com isenção fiscal, na manutenção do status quo. A esses agentes patrocinadores só interessa patrocinar a produção cultural que atinge, de modo imediato, um grande público.

A arte contemporânea de vanguarda e todas as manifestações culturais transgressoras e de pequeno público não têm o apoio devido. Essa opção política é danosa para a diversificada cultura brasileira, porque os eventos artísticos de pequeno público são exatamente aqueles cujas inovações estéticas são os alicerces da arte do futuro. A história mostra que obras de arte de pequeno público, feitas por artistas inovadores, tornaram-se rentáveis algumas décadas depois. A Villa-Lobos não bastaria o talento: foi preciso o apoio do governo estadonovista para que, hoje, sua obra pudesse vir a ser a que mais arrecada direitos autorais para o Brasil.

Para abalizar sua política, o MinC impõe nova palavra de ordem nos círculos de artistas: a economia da cultura. Na medida em que são escassos os grupos de artistas organizados, o Minc organiza-os, induzindo e apoiando a montagem de feiras, fóruns e câmaras setoriais onde, impositivamente, o tema é discutido.

Para vender seu peixe, o MinC se apoia em dados do IBGE dizendo que a cultura é o quarto item de consumo das famílias brasileiras e que as atividades culturais já movimentam 7,9% da receita líquida do país.

Quem se debruça nos documentos do IBGE e, em especial, no Sistema de Informações de Indicadores Culturais, se dá conta da grande farsa que vem sendo montada para que, definitivamente, se mediocrize a cultura brasileira.

Segundo a mencionada pesquisa do IBGE "as famílias brasileiras gastam em média com cultura R$ 115,50 por mês, dos quais R$ 50,97 com telefonia, seguida pela aquisição de eletrodomésticos ligados à área cultural (R$ 17,25) e atividades de cultura, lazer e festas (R$ 13,82)".

O grande estelionato estatístico se revela ao estudarmos a metodologia do IBGE no trato do fenômeno cultural. As atividades econômicas direta e indiretamente relacionadas à cultura deveriam ser aquelas ligadas aos costumes, ao lazer e às artes. Assim, os itens deveriam estar ligados ao livro, ao rádio, ao vestuário, à televisão, ao teatro, à música, às artes visuais, ao espetáculo, às bibliotecas, aos arquivos, aos museus, ao patrimônio histórico, etc.

Os quadros do IBGE bem esclarecem as razões de tão surpreendentes conclusões. O telefone está lá presente, como item decisivo da economia da cultura. Só agora compreendo porque é difícil implantar-se a proibição de telefones celulares nos presídios. Isso certamente prejudicaria a economia da cultura.

Nas tabelas do IBGE estão relacionados, como atividades do setor cultural, outros itens estranhos: computadores, telefones, artefatos para caça, reparação e aluguel de veículos automotores, pesquisa de ciências físicas e supervisão de joalheria.

Para a pesquisa de orçamentos familiares, o IBGE considerou itens também curiosíssimos: datilografia, casamento, aluguel de cadeira de praia, curso de primeiros socorros, cópia xerox, taxa de instalação de interfone e curso de mecânica em refrigeração.

Estranhei a ausência de um item importante para a economia da cultura: a fabricação de vidro para janelas de automóveis. Somos inúmeros os cidadãos brasileiros que usamos a janela de vidro do carro para nos protegermos dos ataques sonoro-culturais de motoristas. Eu, pelo menos, aciono imediatamente o vidro de meu carro quando, ao lado, outro carro toca um som funkiano em último volume.
*Jorge Antunes é maestro, compositor, pesquisador da UnB e do CNPq, e colunista do Jornal O MIRACULOSO

terça-feira, 26 de julho de 2011

Artistas anunciam que Funarte permanecerá ocupada por tempo indeterminado

Terça, 26 de julho de 2011
Da Radioagência NP
A sede da FunArte (Fundação Nacional de Arte), na cidade São Paulo, permanecerá ocupada por tempo indeterminado. Nesta segunda-feira (25), aproximadamente 700 pessoas entraram no prédio para protestar contra as políticas culturais do governo federal. Os integrantes de mais de 200 coletivos teatrais contam com o apoio de organizações sociais e artistas de outras áreas.

Os manifestantes exigem que 2% do orçamento da União seja destinado à cultura. O valor é recomendado pelas Nações Unidas e está previsto na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 150. A integrante do grupo teatral Parlendas Natalia Siufi relata que as políticas de renúncia fiscal beneficiam mais as empresas do que os artistas.

“O principal problema é que nunca houve um programa de política pública decente no Brasil. São sempre políticas de editais, que a gente fica esperando, e nada acontece. Ou as políticas privadas, onde a própria empresa vai pegar o dinheiro público, que seria dinheiro de imposto, para gerir um recurso que vai para a arte de interesse privado.”

Os artistas ainda pedem a aprovação da PEC 236, que prevê a inclusão da cultura como direito social, ao lado da educação, saúde, moradia, entre outros. Para Siufi, os investimentos devem ser transferidos diretamente aos coletivos, sem intermediários.

“Nós queremos dinheiro público financiando uma arte pública, que é feita para o público, acessível, gratuita. Defendemos uma arte feita pelo povo. Qualquer trabalhador brasileiro que quiser trabalhar com arte têm que ter esse direito garantido. Por isso, queremos a aprovação da PEC que define a cultura como direito social.”

No início do ano, o governo cortou dois terços do orçamento do Ministério da Cultura. Dos R$ 2,2 bilhões previstos para 2011, apenas R$ 800 milhões foram liberados.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

26/07/11

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

MPDFT discute a impessoalidade na aplicação dos recursos do Fundo de Apoio à Cultura

Terça, 8 de fevereiro de 2011
Do MPDF
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) reuniu, na manhã desta segunda-feira, artistas, gestores culturais, representantes da Secretaria de Cultura e outros profissionais da área para discutir o princípio da impessoalidade na aplicação dos recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). A audiência pública foi aberta pela Vice-Procuradora-Geral de Justiça, Zenaide Souto Martins, para quem o objetivo principal do encontro é "a obtenção de dados sólidos que baseiem a aplicação do ordenamento jurídico".

Para a Promotora Cátia Gisele Vergara, titular da 6ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público (Prodep), o tema é polêmico e a audiência pública é uma boa oportunidade para esclarecer o que é o princípio da impessoalidade e permitir que ele também seja aplicado em relação ao FAC. "Nosso objetivo é evitar favoritismos e permitir igualdade de acesso ao recurso", afirmou.

Em 2009, os recursos do FAC chegaram a 33 milhões de reais. Com o aumento dos valores disponíveis, a gestão do fundo precisou se profissionalizar. A partir de sugestões apresentadas pelo Ministério Público, o processo seletivo passou por modificações, de modo que pudesse atender o critério da impessoalidade. Segundo o promotor Albertino Pereira Neto, "a atividade de fomento deve estar ao alcance de todos os que têm condições de participar".

O secretário de Estado de Cultura, Hamilton Pereira da Silva, acredita que a cultura não pode ser vista apenas como um bom negócio: ela é antes um direito do cidadão, como saúde, transporte e educação. Por isso, há desafios que devem ser enfrentados pelo poder público. Entre eles, tornar republicanas as relações entre Estado, artistas e produtores; ser transparente na distribuição de recursos públicos; democratizar o acesso e descentralizar a distribuição dos recursos; garantir e estimular a pluralidade das expressões culturais. Segundo o secretário, enfrentar essas dificuldades significa que o princípio da impessoalidade não pode ser aplicado à cultura como no sistema fordista. "O mecenas deixou de ser privado e foi incorporado pelo Estado", acredita o secretário.

O Ministério Público de Contas foi representado na audiência pública pelo procurador Demóstenes Albuquerque. Para ele, o recurso público aplicado em cultura também deve seguir as regras republicanas. Segundo o procurador, "todos devem concordar com a aplicação do 'núcleo duro' do princípio da impessoalidade, que significa que o acesso ao recurso público independe do governo de plantão".

"Estamos diante do desafio filosófico-jurídico de adequar a atividade artística à legislação", afirmou o coordenador do FAC, Leonardo Hernandes. Para ele, a concentração de recursos existe, mas é geográfica e de classe social. Para mudar esse quadro, Hernandes apresentou algumas propostas: criar categorias distintas nos editais, separando novos realizadores de artistas experimentados; criar sistemas de pontuação mais elaborados; tornar a gestão do FAC mais eficaz, democrática e transparente.

Para a bailarina Rosa Coimbra, conselheira de Cultura do DF, com o aumento dos recursos, os problemas também aumentaram. "Ainda não chegamos ao modelo ideal, mas não é possível parar o mercado cultural". A artista acredita que, no caso dos produtos culturais, é difícil atingir o princípio da impessoalidade . "A pessoalidade, ou seja, a capacidade do artista, determina a qualidade do projeto", afirmou.

O princípio da impessoalidade, segundo a assessora jurídica da Secretaria de Cultura, Andreza Ferreira, é plenamente atendido pelos editais. No entanto, ela ressalva que a objetividade absoluta não é possível em relação à seleção de manifestações artísticas. "A própria lei de licitações reconhece o caráter peculiar do artista", lembrou a assessora.

O diretor de teatro Ricardo Guti também concorda que a impessoalidade é fundamental nos processos de seleção. No entanto, a área cultural é bastante específica. "Como podemos estabelecer critérios objetivos?", questionou.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um filme de terror. Ou de tragédia


Foto: João Mutti
 Foto de vidro quebrado do Cine Itapuã e
que reflete a imagem de parte da praça em 
frente, espaço também abandonado.

A primeira página do Caderno Diversão & Arte do Correio Braziliense de hoje  (7) traz reportagem sobre o lamentável estado em que se encontra o outrora famoso Cine Itapuã ou, para os que preferirem, Cine Clube Porta Aberta, quando era tocado por Cláudio Alcântara e Gerson. Hoje, como Centro Cultural Itapuã, não passa de um espaço abandonado pelas autoridades do Distrito Federal. Há mais de ano que o Centro, localizado na cidade do Gama, não tem qualquer atividade cultural.
O estado deplorável em que se encontra o Cine Itapuã, e também a praça em que se localiza, foi também pauta de uma reportagem do jornal Correio do Gama, jornal novo da cidade.
Cadeiras quebradas, sala tomada pelo mofo, pintura praticamente inexistente, teto em péssimas condições, instalações elétricas sem condições de uso, as hidráulicas talvez em pior estado, equipamentos de projeção fora de combate. É o cenário e enredo do filme de terror (ou tragédia) com a cultura e que está em cartaz no Cine Itapuã. Filme patrocinado pelo descaso e desprezo com que as autoridades do DF nutrem pela área da cultura na Região Administrativa do Gama. Um filme que o pessoal ligado à cultura da cidade luta para emplacar um final feliz. Para isso, contudo, terá de haver muita luta, muita mobilização, muito grito. Isto porque, o que tem acontecido até agora é pura encenação das autoridades. A cada mobilização da comunidade cultural há promessas de reformas urgentes. Depois, o esquecimento e o abandono. A cidade do Gama não conta no momento com qualquer sala de exibição de filmes. Até as duas que existiam no shopping da cidade foram fechadas. Acharam mais lucrativo dar outra destinação às áreas. E a cultura chora.

Leia a reportagem no Correio Braziliense Cine Itapuã Interditado