Terça, 9 de
outubro de 2012
Por Ivan de
Carvalho
O deputado Jutahy Magalhães disse
ontem que ficou muito feliz em saber que o ex-candidato do PMDB a prefeito,
Mário Kertész e o partido iriam se posicionar juntos em relação ao segundo
turno nas eleições de Salvador e acrescentou que está “muito confiante na
decisão do PMDB”.
Há um problema, no entanto, que o
deputado do PSDB, partido que integra a coligação que apoia a candidatura do
democrata ACM Neto, não chegou a comentar. O comando nacional do PMDB prefere,
“onde for possível”, segundo o vice-presidente da República, peemedebista
Michel Temer, formar aliança com o PT. Isto acontecerá, com certeza, ele deixou
claro, em São Paulo.
Difícil antecipar se Salvador é um
dos lugares onde é possível tal aliança. Mas convém observar que o PMDB baiano
já cometeu (não vamos aqui analisar as razões ou motivações, nem mesmo as
circunstâncias que contribuíram) um grave erro político na Bahia, quando rompeu
com o governo Jaques Wagner vários meses antes das eleições de 2010. De lá para
cá, o PMDB baiano só tem levado bofetadas (no sentido figurado) do
situacionismo estadual e federal.
Uma delas, de grande destaque, foi a
interferência intensa do então presidente da República Luiz Inácio Lula da
Silva em favor da reeleição de Jaques Wagner para governador, quando Geddel
Vieira Lima, seu ex-ministro, se desincompatibilizara para deixar o governo. E
quando o PT, baseado em pesquisas eleitorais e outros dados, convenceu-se, às
vésperas do segundo turno, de que Dilma seria eleita presidente da República
contra Serra sem nenhuma dificuldade, então a própria candidata entrou na
campanha pró-Wagner, portanto contra os concorrentes deste, dos quais os mais
importantes eram o democrata Paulo Souto e o peemedebista Geddel Vieira Lima.
Este, sem fazer comentários, ficou politicamente ferido e profundamente
magoado.
Veio o segundo turno. Nos primeiros
momentos, com o cabuloso e até hoje muito mal resolvido escândalo nucleado em
Erenice Guerra – ministra-chefe da Casa Civil de Lula indicada por Dilma, que
deixara o cargo para candidatar-se, e a reação de evangélicos e católicos às
posições do PT e da própria candidata em relação ao aborto e outras questões
sensíveis às igrejas – Dilma Rousseff correu atrás do prejuízo e, depois de um
prolongado tempo de quarentena (após a vitória que afinal acabou sendo
tranquila e a posse) que mais pareceu castigo, nomeou Geddel vice-presidente de
Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. (Ontem, corria o boato – não
confundir com informação – de que o PMDB nacional exigira a presidência da Caixa
Econômica Federal, hoje com o PT, para apoiar o petista Fernando Haddad para
prefeito de São Paulo).
Um corte para o PC do B da Bahia.
Saiu enfraquecido das eleições para vereador da capital e no conjunto da Bahia.
É que o PC do B, faz tempo, tornou-se uma espécie de “puxadinho” do PT. No país
e aqui. Quem estiver interessado em confirmar, basta conferir os resultados
eleitorais de agora e os de antes. No caso de Juazeiro, precisou de uma
complicada, complexa e autoritária operação de salvamento para manter a
prefeitura.
Voltando ao caso do PMDB em âmbito
nacional: o partido está se tornando cada vez mais um puxadão do PT,
aparentemente por ser refratário a riscos, aguardando desconfortável e
conformadamente o dia em que se tornará mais um puxadinho. Na Bahia,
entretanto, ressuscitar a antiga aliança com o PT, apartando-se da oposição, é
transformar-se instantaneamente em puxadinho. Não terá espaço em 2014, porque o
PT, salvo no caso de debandada de importantes aliados, não lhe dará espaço
algum.
Juntando-se às oposições, o PMDB
tratará com os aliados de igual para igual, terá o espaço correspondente à sua
importância e, na hora de jogar, sempre estará no jogo. Não correrá o grave
risco de ser gandula.
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Este artigo foi
publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
Ivan de Carvalho
é jornalista baiano.
