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(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

PMDB e segundo turno

Quarta, 10 de outubro de 2012
Por Ivan de Carvalho
O principal líder do PMDB da Bahia, Geddel Vieira Lima – irmão do presidente da seção estadual do partido, deputado federal Lúcio Vieira Lima – chegou a Salvador na noite de ontem. Poucas horas antes de seu desembarque na capital baiana, em círculos muito próximos dele, comentava-se o óbvio.

Geddel vinha conduzir conversas internas com lideranças peemedebistas, envolvendo a bancada estadual, o ex-candidato a prefeito Mário Kertész (que ontem já retomara suas atividades de radialista) e algumas outras pessoas, com o objetivo de chegar a uma decisão que se aproximasse o máximo possível de um consenso quanto ao apoio a ser dado a um dos dois candidatos a prefeito classificados para o segundo turno em Salvador, o democrata ACM Neto e Nelson Pelegrino, do PT.

Nos já citados círculos próximos a Geddel Vieira Lima, chamava-se a atenção para declarações do presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, senador por Roraima. Misturando o segundo turno de São Paulo com o de Salvador, o senador acabou falando do que não sabia.

Uma das coisas ditas pelo presidente nacional do PMDB foi a de que o partido, em Salvador, deve se aliar à coligação liderada pelo Democratas, que tem para a prefeitura o candidato ACM Neto. Neste particular, Valdir Raupp avançou o sinal, pois esse apoio realmente pode acontecer, mas não está assegurado ainda, já que a hipótese contrária, de apoio ao candidato governista Nelson Pelegrino não está descartado.

O processo de decisão do PMDB baiano (que está liberado pelo comando nacional do partido para adotar a posição que julgar mais adequada) está em curso, com as conversas já mencionadas para acontecer, em busca de uma decisão tão próxima quanto possível do consenso – já que esperar um consenso absoluto parece inviável.

Um político mais intimamente ligado a Geddel Vieira Lima – após assinalar que no momento fortes pressões se exercem sobre Geddel a respeito da decisão a tomar – faz um reparo enfático a um detalhe das declarações do presidente nacional do partido, Valdir Raupp, que falou sem consultar e obter a autorização do principal interessado e, inclusive, segundo prometeu, ficou de esclarecer suas declarações, repondo as coisas nos devidos lugares.

Geddel, diz o político intimamente ligado a ele e mencionado no parágrafo anterior, caso apoie, com o PMDB baiano, a candidatura de ACM Neto, não pedirá sua exoneração do cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, para o qual foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff.

Afinal, pediria exoneração por qual razão? Ele não está no cargo por nada que diga respeito às eleições deste ano para a prefeitura de Salvador. Foi convidado e aceitou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da CEF em função do apoio que o PMDB da Bahia deu à candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República nas eleições de 2010. Mesmo sob a circunstância de que, na campanha para o primeiro turno, quando o PMDB tinha Geddel como candidato ao governo, Dilma, candidata a presidente, fez campanha eletrônica para o candidato Jaques Wagner, do PT. Apesar disso, no segundo turno, Dilma pôde continuar contando com o apoio de Geddel e do PMDB baiano.

Na realidade, diz o mesmo peemedebista ligadíssimo a Geddel Vieira Lima, se este e o PMDB apoiarem a candidatura a prefeito de Pelegrino é que ele, Geddel, se sentirá obrigado a apresentar sua exoneração da vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal exatamente para que não pareça que apoiou o candidato petista em troca de sua permanência no cargo que ocupa na CEF.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quarta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.