Sexta, 12 de
outubro de 2012
Por Ivan de
Carvalho
Já
plenamente integrado, com seu partido, na campanha do candidato a prefeito ACM
Neto, o peemedebista Geddel Vieira Lima considera que o democrata concorre
neste segundo turno com “chances reais” de vencer e avança que este é o
resultado mais provável.
Principal liderança do PMDB da
Bahia, Geddel Vieira Lima estima que, apesar da opção do ex-candidato
peemedebista a prefeito Mário Kertész haver optado pelo apoio ao petista Nelson
Pelegrino, não menos de 60 por cento dos eleitores que votaram em Kertész vão
migrar para ACM Neto.
Independentemente dessa estimativa,
o ex-ministro da Integração Nacional assinala que o discurso que se ensaia no
meio governista baiano de que o apoio do PMDB não tem muita importância não se
sustenta.
Mesmo
que se queira fingir ignorar a realidade de uma eleição que, todos sabem, com
base nos dados de hoje, não será fácil para qualquer dos lados, e que se queira
negar o inegável – a expressão histórica e o carisma do PMDB na Bahia e a
relevância de sua estrutura –, um único fato é suficiente para atestar a
relevância do apoio peemedebista.
Na
terça-feira, o candidato do PT, deputado Nelson Pelegrino, passou uma hora na
casa do ex-deputado Afrísio Vieira Lima, pai de Geddel e do presidente estadual
do PMDB, deputado Lúcio Vieira Lima (Geddel fora a Brasília conversar com a
cúpula de seu partido) tentando, numa conversa com Lúcio, obter o apoio do PMDB
a sua candidatura. O candidato não faria isto se sua campanha ou seu partido
não julgassem importante para sua candidatura o apoio do PMDB.
Passando a outro ponto. A uma
lembrança de que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma vão figurar na
campanha de Pelegrino para o segundo turno, Vieira Lima sugeriu que a
participação dos dois na campanha para o primeiro turno – Lula e Dilma com
saturação de inserções na propaganda eletrônica e o ex-presidente também com
presença física e discurso em um comício em Salvador – já produziu para o
candidato do PT o benefício que tinha de produzir. Acredita ele que este fator
foi relevante na campanha para o primeiro turno, mas, por já haver sido
explorado à saciedade, está esgotado – seria, aí já nas palavras do repórter,
como chover no molhado.
Geddel repele quaisquer críticas que
liguem o fato de seu partido, em âmbito nacional – aí incluída a seção baiana –
integrarem a base política do governo Dilma Rousseff ao apoio que está sendo
dado ao democrata ACM Neto em Salvador. Ele diz que essa é uma “questão local”
e até lembra, em seu socorro, que, em São Bernardo – município paulista onde Lula
mora e onde teve sua origem política – o ex-presidente foi a comício pela
candidatura de seu amigo Luiz Marinho, do PT (que foi reeleito) com o
Democratas no palanque.
Na ocasião – aqui é o repórter que
acrescenta – Lula disse que o Democratas era “bem vindo” ao palanque, não
esquecendo de assinalar que a eleição em São Bernardo era um assunto local,
que, ficou muito bem subentendido, nada tem a ver com a circunstância de o
Democratas ser oposição no âmbito federal.
GUERRA – A campanha eleitoral pela prefeitura
de São Paulo está se delineando como uma guerra. A campanha de Serra prepara-se
para usar a fundo a temática do Mensalão, agora que o “núcleo político” já foi
julgado e quase inteiramente condenado pelo Supremo Tribunal Federal. O PT
tentará contra-atacar com coisas não julgadas e algumas nem investigadas,
algumas delas sérias, outras, nem tanto. Mas quem não tem cão caça com gato.
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Este artigo foi
publicado originariamente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho
é jornalista baiano.
