Sábado, 17 de agosto de 2013
MANIFESTO
Por um PSOL sintonizado com o avanço das lutas da juventude, das trabalhadoras, dos trabalhadores e do povo
Bloco de Esquerda do PSOL
O Brasil assistiu às espetaculares manifestações populares e da juventude nas Jornadas de Junho, contra os podres poderes da República, contra o aumento de tarifas, a repressão policial, os suntuosos gastos públicos com a Copa do Mundo.
Questionando os governos, os parlamentos e todas as opressões, milhões de pessoas ocuparam as ruas, bloquearam estradas,
enfrentaram a polícia. Produziu-se, pela ação massiva, uma jornada de
manifestações espetaculares que mexeram nas relações de força da sociedade e
abriram uma nova conjuntura mais favorável aos movimentos combativos e à
oposição político-partidária de esquerda como o PSOL.
A ira de centenas de milhares de jovens atinge
governos em todos os níveis e, de lá para cá, o processo não se encerrou.
Continua, pois as demandas se multiplicam, a ira contra o corte nos gastos
públicos e benefícios aos grandes capitalistas produz novas manifestações,
greves e paralisações, lutas nas periferias e ocupações de câmaras municipais
e assembleias legislativas.
O sentimento anti-partido é legítimo, pois é um
rechaço aos partidos da ordem e que governam contra o povo (PMDB, PT, PSB, PDT,
PCdoB, PV, PSDB, PSD, DEM, PTB, PMN, PR); é um rechaço aos partidos que fazem
do estado um balcão de negócios e evidenciam que a política tradicional é uma
carreira corrupta.
Caberá ao PSOL continuar legitimando-se diante
desta conjuntura como um partido que nada tem a ver com esta ordem. O lugar do
PSOL é nas ruas, é no apoio e participação ativa nas manifestações, no
incentivo à democracia das ruas, às saídas pela democracia direta. É na
oposição frontal e radical ao governo Dilma-PT-PMDB, aos governos estaduais e
municipais tanto da base federal como da base tucana.
Nas ruas, ao lado do povo e longe
do governismo
Não cabe nenhuma aproximação do PSOL com o
governismo. Não podemos ter um senador que, desrespeitando resolução da executiva
nacional do partido e contra a vontade da militância real, comparece em uma
audiência com Dilma, em um momento que o governo procura relegitimar-se
diante da sociedade. Não podemos ter um senador que se mantém na base
governista do Senado e que participa da aprovação do estatuto da juventude, que
tira direitos.
Se o nosso partido quer ser amplo, oposição de
esquerda e anticapitalista, não pode cogitar a participação no Foro de São
Paulo (tal como propõe a tese do bloco dirigido por Randolfe Rodrigues e Ivan
Valente). Este Foro é dirigido pelos partidos que, no nosso país, sustentam o
governo Dilma, que estão sendo rechaçados nas ruas. Não podemos nos juntar
com partidos que defendem o governo Dilma que, após as Jornadas Junho,
anunciou, como primeiro ponto de seu suposto pacto, um ajuste fiscal com mais
cortes nos gastos públicos.
O PSOL precisa se credenciar como o partido dos
indignados brasileiros, o partido que apoia o Passe Livre e o Tarifa Zero, a
desmilitarização das PMs, as lutas dos povos indígenas, quilombolas, sem terra,
sem teto, pelo estado laico, por saúde e educação pública de qualidade e contra
a criminalização dos movimentos. Enfim, que dialoga com a radicalidade das
centenas de milhares de jovens que foram às ruas e com as suas pautas.
O PSOL precisa se credenciar como o partido que
apoia as greves e lutas dos trabalhadores, animadas pelas jornadas de junho,
suas campanhas salariais e seus confrontos com patrões e governos, enfrentando as traidoras e corruptas
burocra- cias que deram as costas às jornadas de junho e consideram que greve
geral só se faz contra regi- mes ditatoriais, como afirmou o presidente da CUT.
O PSOL precisa ser o partido que contribui para
recolocar um projeto de ruptura com a ordem social. Assim, o centro de nossa
ação não pode ser a defesa e nem a legitimação desta institucionalidade. O
nosso centro de gravidade é a busca da mobilização nas ruas e da
auto-organização popular como estratégicos para um projeto de poder popular e
socialista.
Este perfil de partido exige uma virada no PSOL:
na sua política, no seu funcionamento, na sua direção. Este é o desafio do IV
Congresso do PSOL. As jornadas de junho encontraram um PSOL muito tensionado
por um caminho institucionalista, um problema grave e que vinha de antes.
Pois o bloco encabeçado por Randolfe e Ivan Valente ampliou de forma despudorada suas alianças com setores da direita e com
os partidos do mensa lão, primeiro em 2010 e depois em 2012. Foi esse bloco
que colocou Lula, Dilma e os ministros do PT no programa de televisão do
partido em Belém em 2012. Foram eles que apoiaram a aliança do PSOL de Macapá
com o DEM, PTB e PSDB. Foi esse bloco que protegeu e admitiu no interior do
partido, até o limite, os dirigentes aliados à máfia de Carlinhos Cachoeira.
Oposição de esquerda contra a ordem social autoritária e desigual
Os novos tempos abertos no Brasil exigem uma
política e um partido afinado com a voz das ruas e capaz de, nas eleições de
2014, apresentar uma candidatura e um programa sintonizados com a radicalidade das mobilizações de massa e os anseios de mudanças profundas da
juventude.
Milhares de nossos militantes e lideranças estiveram nas ruas. Por isso, precisamos e podemos ter nosso PSOL apresentando um
perfil que volte a credenciar a ideia de partido junto a milhões de jovens e
trabalhadores, e isto significará bater de frente com a ordem, a
institucionalidade corrupta, seus governos e seus partidos.
E isto significará ter, de uma vez por todas, um
partido democrático, militante, com instâncias que funcionem e sejam
respeitadas.
Chamamos os filiados do PSOL que estão indo às
plenárias municipais a
elegerem delegados ao IV
Congresso em torno das
ideias deste manifesto. Assim, teremos um PSOL
verdadeiramente de lutas, de massas, democrático e socialista.
Assinam este manifesto as seguintes teses:
Tese — As Jornadas de Junho, Nossa Estratégia e
os Desafios do PSOL
Tese — Avançar a Resistência Popular e Defender
o PSOL (Ação Popular Socialista —APS)
Tese Democracia Real Já, nas Ruas e no PSOL
Tese — Por Novos Levantes no Brasil
Tese — Por um PSOL afinado com as ruas: de luta,
socialista e radicalmente democrático!
Tese — Tomar as Praças e Ruas, Avançar Nas
Conquistas Rumo Ao Socialismo!
Tese — Nada será como antes!
