Da Tribuna da Imprensa
Por Daniela Abreu
A
produção de conhecimento público é o coração de um país, e é na Pós-graduação
que o sangue é constantemente bombeado a cada pesquisa e tese que nasce. Atacar
diretamente as verbas públicas de pós-graduação pode ser um golpe fatal.
A Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes, anunciou no dia onze
de julho um novo corte de verbas que ameaçaria as atividades de pós-graduação e
pesquisa das universidades federais brasileiras. Comunicado que apresenta o
agravamento da situação das universidades que sofrem desde o início do ano com
falta de verba após o governo Dilma retirar do orçamento da educação 600
milhões ao mês.
No
mesmo ano que o governo petista anuncia um programa com o nome “Pátria
Educadora” e discursa ser a educação a prioridade, em janeiro é apresentado o
maior corte ministerial na pasta da educação, chegando a sete bilhões ao ano.
Escolas
e universidades iniciam o ano com inúmeras dificuldades, remetendo aos tempos
FHC quando entra de maneira avassaladora o neoliberalismo nas universidades
públicas, impossibilitando a pesquisa e a extensão.
De
fato os dois mandatos do governo Lula não rompem com o neoliberalismo, mas traz
um modelo repaginado, que mantém a lógica das parcerias público-privada, fortalecendo
as fundações em detrimento de estruturas públicas, mas amplia as bolsas de
pesquisa e seus departamentos com a realização de muitos concursos públicos.
A
política petista que manteve como premissa os interesses do capital,
possibilitando que o modelo desenvolvimentista alcançasse índices fabulosos,
por outro lado buscou concessões sociais, que se revelava tanto na
bolsa-família quanto no incentivo a produção.
Este
era um modelo fadado à falência, e a ação feroz do capital que coloca a vida a
serviço do lucro teria o seu limite. Este se reflete na inflação e
principalmente nos cortes dos setores fundamentais para população brasileira,
saúde e educação.
Uma
vez a política de metas implantada é chegada a hora de enxugar a máquina
pública a serviço do povo. A produção de conhecimento é o que faz pulsar a vida
de um país, ela possibilita inovações, descobertas nas mais variadas áreas.
Cortar 75% da verba da pós-graduação é tentar nocautear a vida produtiva da
universidade pública.
Logo
após o anúncio que alardeou toda a comunidade acadêmica das federais
brasileiras, o ministro da educação, Renato Janine Ribeiro, afirmou que a Capes
vai manter em 100% as bolsas de mestrado e doutorado.
Na
UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que tem se demonstrado ativa na
luta em defesa da educação e hoje com um reitor comprometido com essa luta, o
Conselho Universitário (Consuni) aprovou uma moção em defesa aos programas de
pós-graduação.
A
mobilização contra esse corte é nacional, reitores e pró-reitores reagem em
todo país demonstrando preocupação com os rumos da pesquisa universitária e com
o prejuízo que poderá ocorrer para o conhecimento de gerações. Cada ação como
essa, dilacera a educação e leva a retrocessos inaceitáveis.
No
Rio de Janeiro, profissionais das universidades públicas, estudantes e demais
setores da educação organizam um ato que ocorrerá na Cinelândia nos dias 15 e
16. Estudantes da pós-graduação irão à praça com atividades de greve visando
denunciar e expor trabalhos que serão afetados com tal medida.
A
tentativa de golpear o centro da produção de conhecimento é uma velha canção
neoliberal. A década de 90 foi marcada por uma universidade pública sucateada.
Este ano entrará para a história como o início de uma nova fase da política
neoliberal petista, muito semelhante com a apresentada pelo governo FHC, mas em
fase superior, com bases mais consolidadas. As universidades já enfrentam as
privatizações por dentro das estruturas e a disputa desumana fruto do sistema
meritocrático.
Resistir voltou a ser vital para a sobrevivência do país, e para que futuras gerações possam usufruir dos atuais conhecimentos públicos produzidos. A universidade pública é o único catalizador de produção de um conhecimento que coloca a vida social acima do lucro.
Resistir voltou a ser vital para a sobrevivência do país, e para que futuras gerações possam usufruir dos atuais conhecimentos públicos produzidos. A universidade pública é o único catalizador de produção de um conhecimento que coloca a vida social acima do lucro.

