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(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Pós-graduação vai às Ruas no Rio de Janeiro! Pátria Educadora mutila a produção de conhecimento nas Universidades Federais! Novo corte de verbas na Educação

Quarta, 15 de julho de 2015
Da Tribuna da Imprensa
Por Daniela Abreu




A produção de conhecimento público é o coração de um país, e é na Pós-graduação que o sangue é constantemente bombeado a cada pesquisa e tese que nasce. Atacar diretamente as verbas públicas de pós-graduação pode ser um golpe fatal.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes, anunciou no dia onze de julho um novo corte de verbas que ameaçaria as atividades de pós-graduação e pesquisa das universidades federais brasileiras. Comunicado que apresenta o agravamento da situação das universidades que sofrem desde o início do ano com falta de verba após o governo Dilma retirar do orçamento da educação 600 milhões ao mês.
No mesmo ano que o governo petista anuncia um programa com o nome “Pátria Educadora” e discursa ser a educação a prioridade, em janeiro é apresentado o maior corte ministerial na pasta da educação, chegando a sete bilhões ao ano.
Escolas e universidades iniciam o ano com inúmeras dificuldades, remetendo aos tempos FHC quando entra de maneira avassaladora o neoliberalismo nas universidades públicas, impossibilitando a pesquisa e a extensão.
De fato os dois mandatos do governo Lula não rompem com o neoliberalismo, mas traz um modelo repaginado, que mantém a lógica das parcerias público-privada, fortalecendo as fundações em detrimento de estruturas públicas, mas amplia as bolsas de pesquisa e seus departamentos com a realização de muitos concursos públicos.
A política petista que manteve como premissa os interesses do capital, possibilitando que o modelo desenvolvimentista alcançasse índices fabulosos, por outro lado buscou concessões sociais, que se revelava tanto na bolsa-família quanto no incentivo a produção.
Este era um modelo fadado à falência, e a ação feroz do capital que coloca a vida a serviço do lucro teria o seu limite. Este se reflete na inflação e principalmente nos cortes dos setores fundamentais para população brasileira, saúde e educação.
Uma vez a política de metas implantada é chegada a hora de enxugar a máquina pública a serviço do povo. A produção de conhecimento é o que faz pulsar a vida de um país, ela possibilita inovações, descobertas nas mais variadas áreas. Cortar 75% da verba da pós-graduação é tentar nocautear a vida produtiva da universidade pública.
Logo após o anúncio que alardeou toda a comunidade acadêmica das federais brasileiras, o ministro da educação, Renato Janine Ribeiro, afirmou que a Capes vai manter em 100% as bolsas de mestrado e doutorado.
Na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que tem se demonstrado ativa na luta em defesa da educação e hoje com um reitor comprometido com essa luta, o Conselho Universitário (Consuni) aprovou uma moção em defesa aos programas de pós-graduação.
A mobilização contra esse corte é nacional, reitores e pró-reitores reagem em todo país demonstrando preocupação com os rumos da pesquisa universitária e com o prejuízo que poderá ocorrer para o conhecimento de gerações. Cada ação como essa, dilacera a educação e leva a retrocessos inaceitáveis.
No Rio de Janeiro, profissionais das universidades públicas, estudantes e demais setores da educação organizam um ato que ocorrerá na Cinelândia nos dias 15 e 16. Estudantes da pós-graduação irão à praça com atividades de greve visando denunciar e expor trabalhos que serão afetados com tal medida.
A tentativa de golpear o centro da produção de conhecimento é uma velha canção neoliberal. A década de 90 foi marcada por uma universidade pública sucateada. Este ano entrará para a história como o início de uma nova fase da política neoliberal petista, muito semelhante com a apresentada pelo governo FHC, mas em fase superior, com bases mais consolidadas. As universidades já enfrentam as privatizações por dentro das estruturas e a disputa desumana fruto do sistema meritocrático.

Resistir voltou a ser vital para a sobrevivência do país, e para que futuras gerações possam usufruir dos atuais conhecimentos públicos produzidos. A universidade pública é o único catalizador de produção de um conhecimento que coloca a vida social acima do lucro.