Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O Dr. Lulenstein optou por destruir a criatura

Quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Por Celso Lungaretti 
 
A facção dilmista tudo fez para que o PT salvasse Eduardo Cunha no Conselho de Ética, preço a ser pago para este não dar o pontapé inicial no impeachment presidencial.
 
A facção lulista tudo fez para que o PT detonasse Cunha, o qual reagiu exatamente como previsto.
 
Qual a lógica?
 
Quanto maior for a duração da agonia de Dilma, mais avançará  a desmoralização do partido, pulverizando as chances de Lula na eleição de 2018.
 
Se ela cair logo, haverá uma mexida no quadro e, caso o novo governante fracasse, é bem possível que Lula volte garbosamente como salvador da Pátria.
 
Então, como na novela célebre de Mary Shelley, o dr. Frankenstein optou por destruir a criatura.

sábado, 28 de novembro de 2015

O drama se aproxima do previsível desfecho e eu repito o apelo: Dilma, renuncie antes de ser afastada!!!

Sábado, 28 de novembro de 2015
Por Celso Lungaretti

É tão deprimente o desenrolar dos acontecimentos que eu nem os esmiuçarei, limitando-me às conclusões genéricas. 

As investigações da Operação Lava-Jato chegaram nesta semana ao centro do poder e, pelo andar da carruagem, não está longe o dia em que os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff se lastrearão no conhecimento (que, tudo leva a crer, realmente tinha) da roubalheira na Petrobrás e em sua omissão face a ela, deixando de tomar as providências que lhe cabiam como presidente do Conselho de Administração, ministra e depois presidente da República.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Preso pede impeachment de Dilma pela segunda vez

Terça, 27 de outubro de 2015
Do Congresso em Foco
Fábio Góis
Detento que cumpre pena por roubo em São Vicente (SP) volta a pedir afastamento da presidente. Desta vez, ele acusa Dilma de ter usado dinheiro desviado da Petrobras para se reeleger. Escrito à mão, requerimento deve ser arquivado

Partiu da cela 12 da Penitenciária de São Vicente 1, no município de mesmo nome em São Paulo, o segundo mais recente pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Na Câmara desde o último dia 14, o requerimento escrito à mão é assinado pelo presidiário João Pedro Boria Caiado de Castro, 38 anos, condenado a seis anos e 11 meses de detenção por roubo. A petição é um das dez que ainda aguardam decisão do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem cabe dar andamento ou arquivar matérias desse tipo. Este é o segundo pedido de impeachment contra a presidente apresentado pelo presidiário (clique para ler o novo texto).

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Entregue a Cunha novo pedido de impeachment contra Dilma Rousseff


Terça-feira, 20 de outubro de 2015
Carolina Gonçalves – Repórter da Agência Brasil
Partidos de oposição entregaram hoje (21) ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), novo pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff assinado pelos juristas Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique, e Janaína Conceição Paschoal.
Pauderney Avelino (DEM-AM) se disse confiante com o andamento do processo: “Acredito que o presidente Eduardo Cunha não tem como rejeitar este pedido. Ele agrega as pedaladas de 2015 e quatro decretos sem número editados pelo governo Dilma. Estes quatro decretos perfazem total de R$ 820 milhões que foram créditos abertos sem autorização do Congresso Nacional. Isto já foi motivo da rejeição das contas e do crime de responsabilidade pelo qual ela será responsabilizada”.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Dilma e o Dilúvio

Segunda, 19 de outubro de 2015
Por Celso Lungaretti

Desta vez ficou nítida a discrepância com Lula... 
Na semana passada, o que há de mais representativo e influente no PT fritou Joaquim Levy como nunca. Ainda assim, Dilma Rousseff declarou que o manterá como ministro da Fazenda. Por quê?

Porque os interesses do partido e da presidenta são conflitantes neste momento.

Como o Juquinha que só pensava em sexo, a Dilma só pensa em evitar o impeachment. Seu ego descomunal impregna cada decisão que toma. Pactuará com o pior demônio do inferno, se for necessário. Mas não admite a perspectiva sair do Palácio do Planalto pela porta dos fundos.

Então, com a popularidade no fundo do poço e cada vez mais mal amada pela esquerda, agarra-se como uma náufraga na única boia que julga poder salvá-la: o grande capital.

Foram os endinheirados que exigiram o arrocho fiscal e Dilma teme que, expelido Levy, parte deles cerre fileiras com a oposição e a outra parte apenas assista ao espetáculo, não movendo uma palha para evitar o impedimento presidencial. Então, ela bate o pé: que fique Levy e que se dane o povo brasileiro! 

Pois a recessão não cessará de agravar-se enquanto não for retirado o bode da sala... quer dizer, do governo. Um milhão de coitadezas foram para a rua da amargura. Quantos mais terão de pagar pela irredutibilidade da Dilma?
...e escancarado o clima de guerra com Rui Falcão.

Já o Lula e o Rui Falcão, ao abrirem o jogo (e o fogo) contra Levy, priorizam a sobrevivência do PT, pois a recessão o está destruindo. Quanto mais tempo persistir a indefinição atual, maior será o estrago. 

Ser identificado pelos trabalhadores como o partido responsável pela pior penúria das últimas décadas deverá causar verdadeiros desastres eleitorais. A perda da hegemonia nas ruas foi só um trailer do que está para vir.

Então, os grãos petistas estão fazendo pressão máxima para que a Dilma desista da guinada à direita e reassuma as bandeiras históricas do partido, mesmo que isto venha a ser a gota d'água para o impeachment.

E a presidenta a eles resiste porque coloca sua autoimagem acima do País, do partido, do seu ídolo de ontem e do seu padrinho de hoje, dos ideais que longinquamente a levaram a pegar em armas, dos clássicos marxistas que leu e esqueceu, das agruras dos desempregados e do desespero dos miseráveis, acima até de Deus, caso nele acredite. 

Não é nem "depois de mim, o dilúvio!". É "se eu tiver de morrer, que venha o dilúvio e nos mate a todos de uma vez!".

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Reino da Licenciosidade e o Império da Impunidade

Sexta, 16 de outubro de 2015
Depois de confirmações e desmentidos ficou claro, esta semana, o conluio entre o governo e a Câmara, ou seja, entre Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, com o beneplácito do Lula. Seu objetivo é impedir o impeachment da presidente da República e forçar a decisão do Conselho de Ética da Câmara de não condenar o deputado.

Coisa de quadrilhas da velha Chicago, entre ameaças, agressões verbais, desfaçatez e muita falta de moral. Porque se existem evidências de Dilma haver cometido crime de responsabilidade, teria que ser iniciado um processo. Da mesma forma, se o presidente da Câmara recebeu e escondeu na Suiça dinheiro podre da Petrobras, nada mais necessário do que submetê-lo à apreciação dos encarregados de zelar pela ética, na casa a que pertencem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Bicudo e Reale vão apresentar novo pedido de impeachment a Cunha na sexta-feira


Quarta, 14 de outubro de 2015
Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil
Líderes oposicionistas informaram hoje (13) que novo pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff será apresentado na sexta-feira (16), como resultado da reformulação do que foi entregue pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale e Janaina Pascoal e que aguarda análise do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para evitar que seja submetido à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender o rito definido por Cunha para o impeachment.
“As oposições formularam uma questão de ordem ao presidente da Casa e essa questão de ordem foi por ele respondida. O que o STF fez hoje foi suspender as respostas dadas pelo presidente Eduardo Cunha. Uma das questões [de ordem]que fizemos é se cabia o aditamento [aos pedidos de impeachment] e a resposta, à época, foi que sim, poderia haver. Com a decisão do supremo, essa decisão [de Cunha] ficou suspensa”, disse o líder do PSDB Carlos Sampaio (SP), acompanhado pelos líderes do PPS, Rubens Bueno (PR), do SD, Paulinho da Força (SP) e da minoria, Bruno Araújo (PSDB-SP).

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Terceira liminar do STF impede rito de impeachment definido por Cunha

Terça, 13 de outubro de 2015
André Richter - Repórter da Agência Brasil
Uma nova decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida pela ministra Rosa Weber, suspendeu hoje (13) os efeitos do rito definido por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para processos de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, em tramitação na Câmara dos Deputados.
A liminar da ministra é a terceira concedida hoje no Supremo para impedir Cunha de receber denúncia  de crime de responsabilidade contra a presidenta com base no rito definido por ele. A decisão não cita se o presidente da Câmara está impedido de adotar outro rito. A ministra atendeu a pedido liminar dos deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Paulo Teixeira (PT-SP).

Cunha promete despachar todos os pedidos de impeachment até amanhã


Terça, 13 de outubro de 2015
Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que despacha ainda hoje (13) os pedidos de impeachment apresentados até agora contra a presidenta Dilma Rousseff. Apenas o pedido elaborado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior deve ficar para amanhã (14). Partidos de oposição apoiam o texto dos advogados e, durante toda a manhã, buscaram mais tempo para incluir informações ao requerimento.
“Eles farão um aditamento e, em função disso, vou respeitar. Não deverei despachar hoje, mas o aditamento pode acontecer a qualquer momento”, explicou Cunha, ao esclarecer que esse acréscimo poderia ser feito mesmo depois do despacho da Presidência da Casa.
A ideia da oposição é fechar o texto ainda hoje, incluindo, no pedido dos juristas, informações do procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Júlio Marcelo de Oliveira. Ele pede a abertura de um novo processo para analisar operações do governo federal que teriam violado a Lei de Responsabilidade Fiscal este ano, a partir de demonstrativos contábeis oficiais da Caixa Econômica, do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), já encaminhados ao TCU.

Liminar do STF suspende rito de tramitação de processos de impeachment de Dilma

Terça, 13 de outubro de 2015
Carolina Gonçalves – Repórter da Agência Brasil
STF analisa recurso sobre ex-diretor da Petrobras, o ministro e relator do processo, Teori Zavascki, preside a segunda turma que julga o recurso da PGR (Valter Campanato/Agência Brasil) 
A liminar que suspende a tramitação dos processos de impeachment foi concedida pelo ministro Teori Zavascki —Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki concedeu hoje (13) liminar que suspende os efeitos do rito, definido por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para processos de impeachment contra presidenta Dilma Rousseff, em tramitação na Câmara dos Deputados.
O ministro acatou mandado de segurança impetrado pelo deputado Wadih Damous (PT-RJ). O pedido de Damous foi apresentado sexta-feira (9), assim como outro mandado do deputado Rubens Pereira Jr. (PCdoB-MA), que também tentava impedir a abertura de um processo. Eles alegam o fato de Cunha ter afirmado que o regimento interno da Casa seria a norma adequada para conduzir o rito processual. Para esses parlamentares, o processo teria que ser guiado pela Lei 1.079/1950, que regulamenta processos de impeachment.
A orientação expressa por Cunha foi lida em plenário no final do mês passado, quando apresentou um documento de 18 páginas, em que destaca que, desde a Constituição de 1988, a competência para processar ou julgar o presidente da República por crimes de responsabilidade é do Senado. 
--> A Câmara ficou restrita a analisar a admissibilidade da denúncia.

Saiba Mais
 

Defesa de Dilma por juristas esquece o embasamento legal

Terça, 13 de outubro de 2015
Da Tribuna da Internet
Por Jorge Béja
Semana passada a Tribuna da Internet publicou matéria com o ministro Dias Toffoli (9/10) e com o jurista Yves Gandra (10/10) a respeito da possibilidade de Dilma perder o mandato por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ambos confirmaram que o TSE tem competência para “cassar” o mandato da presidente. Porém, ministro e jurista não indicaram o embasamento legal.
Hoje, 2ª feira (12/10), o Globo publica matéria a respeito da defesa de Dilma junto ao TSE, resumida em cinco perguntas e cinco respostas que dois outros notáveis juristas entregaram aos advogados da presidente. São perguntas curtas e respostas também objetivas. Uma delas muito mal construída e redigida: (“Tal reprovação caracteriza hipótese caracterizadora de crime de responsabilidade?”)!!!
Ainda assim, desse jeito torto de formular quesito, Celso Antonio Bandeira de Mello e Fábio Konder Comparato responderam negativamente. Também sem indicar, contudo, o embasamento legal que justificasse a resposta.
DIPLOMAÇÃO
Vamos explicar. O TSE não pode “cassar” mandato eletivo de presidente e vice-presidente da República. A competência que o TSE tem é para desconstituir a diplomação deles. Diplomação é a condição intransponível para que ambos, presidente e vice, tomem posse. A posse é a consequência da diplomação. Sem diplomação não há posse. E se a diplomação cai, é revogada (anulada ou desconstituída), ipso facto a posse também perde seus efeitos e eficácia. E assim transcorrendo, ambos, presidente e vice-presidente são obrigados a deixar o cargo.
A diplomação é ato tão solene e indispensável que o artigo 216 do Código Eleitoral dispõe: “Enquanto o TSE não decidir recurso interposto contra a expedição do diploma, poderá o diplomado exercer o mandato na sua plenitude”.
O QUE FALTOU DIZER

Em sentido inverso: após decisão revocatória da diplomação, o diplomado passa a não poder mais exercer o mandato. Isso vale para as eleições gerais e para todas as demais. Portanto, é a diplomação de Dilma e Temer que está sendo analisada através de duas medidas, uma de Investigação Judicial Eleitoral, outra de Impugnação de Mandato Eletivo.
Se tais medidas forem providas pelo plenário do TSE, a presidente e o vice-presidente deixarão os cargos para os quais a diplomação os credenciou a tomarem posse. É isso que faltou dizer.
DINHEIRO SUJO
Segundo noticiado, as medidas no TSE contra Dilma e Temer dizem respeito ao arrecadamento de dinheiro para a campanha de 2013, que não teriam sido todas lícitas, mas sujas. A ser verdade — e essa verdade somente pode ser apurada e decidida pelo TSE –, Dilma e Temer deixarão a presidência e a vice-presidência da República, respectivamente, em virtude da revogação — digamos, cassação— de suas diplomações.
E arrecadação ilícita para a campanha presidencial leva à perda do mandato de quem, com dinheiro desonesto, se elegeu. Assim, as representações com base no descumprimento da Lei nº 9.504/97 (lei geral das eleições) devem ser apreciadas e julgadas pelo TSE, quando se referirem a eleições presidenciais, pois leva à perda do registro do candidato e projeta-se na sua diplomação.

Preservar o poder é mais importante

Terça, 13 de outubro de 2015
Para neutralizar a rebelião, começa também amanhã a Semana de São Francisco, com a distribuição de cargos e nomeações para os deputados garfados pelo ex-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, responsável pelo congelamento das promessas antes feitas por  Michel Temer. Aliás, permanece afastado o vice-presidente, depois do malogro  da efêmera  coordenação política que não deu certo.  Seus movimentos vem sendo monitorados com lupa, depois de ter-se  aproximado do verdadeiro incentivador do impeachment, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O problema é que sendo presidente do PMDB e beneficiário maior da operação “Fora Dilma”, Temer perdeu a confiança dos ministros palacianos. (Carlos Chagas, em artigo de hoje, 13 de outubro, na Tribuna da Imprensa. Clique aqui e leia a íntegra)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Impeachment: carta aberta ao eminente jurista e professor Doutor Dalmo de Abreu Dallari

Sexta, 9 de outubro de 2015

Dalmo Dallari não vê motivos para impeachment
Da Tribuna da Internet
Jorge Béja 

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Rio de Janeiro, 9 de Outubro de 2015.
Eminente Jurista e Professor Doutor Dalmo de Abreu Dallari.
Li na edição de ontem de O Globo (página 3) as breves considerações do Dr. Dallari a respeito da votação ocorrida na véspera, no Tribunal de Contas da União,  em que o plenário da corte, por unanimidade, aprovou parecer recomendando ao Congresso a reprovação das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff.
Para o Dr. Dallari “o julgamento foi político, e não jurídico. É indiferente para a discussão sobre o impeachment porque a presidente não pode ser responsabilizada por atos estranhos ao exercício do mandato. As “pedaladas” são atos formais e administrativos da equipe econômica, feitos sem a interferência da presidente. Questões formais não caracterizam ato de má-fé, não ensejam crime de responsabilidade. As “pedaladas” não ferem a lei orçamentária porque  não desviaram recursos do orçamento para atividades não autorizadas e não há qualquer vantagem pessoal que Dilma tenha levado com as contas do governo”.
PREÂMBULO
Porque vindas da notabilíssima inteligência do Dr. Dallari, o sempre bâttonier de todos nós advogados (primus inter pares), as considerações me despertaram dúvidas. Mais diretamente dizendo: me tiraram o sono. O sono de quem se encontra, no saber jurídico, muito distante do Dr. Dallari, com quem este seu alunado sempre aprendeu através da leitura de suas mais de trinta obras jurídicas publicadas. É por isso que tomo a liberdade de escrever esta carta, na certeza de que todas aquelas dúvidas serão dissipadas. A seguir, excelso Dr. Dallari, ainda que de forma ligeira, mas objetiva, as exponho.
SOBRE O TCU
O Tribunal de Contas da União, posto em posição singular na Administração brasileira, segundo Hely Lopes Meirelles, por ser ele órgão auxiliar do Poder Legislativo, mesmo assim a referida Corte não é um tribunal político, mas técnico-jurídico. Ao TCU compete examinar o destino que o administrador deu aos dinheiros públicos, aferindo as contas apresentadas, se elas estão exatas, comprovadas e na conformidade da lei. Seu corpo funcional não é de leigos, mas de competentes, experientes e concursados peritos em contas e contabilidade pública.
Na prestação de contas da Presidente da República, referente a 2014,  foram detectadas doze irregularidades, não contestadas pela presidente, que se limitou a tentar explicar ou justificar poucas delas. Logo, não consigo atribuir cunho politico à atuação de um Tribunal de Contas, seja da União, dos Estados e dos Municípios. Politizar suas conclusões técnicas seria o mesmo que dar peso político a um laudo pericial de Instituto de Criminalística que concluiu que um acidente automobilístico ocorreu pelo excesso de velocidade (140 km/hora) que o condutor empreendeu ao seu veículo, quando a velocidade máxima permitida era de 80 km. Ou emprestar o mesmo peso político a um exame de Instituto Médico Legal que concluiu que a morte da vítima foi causada por eletroplessão.
A LEI, SEM RESSALVA
O artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal é cogente. Não admite exceção, atenuação ou contorno. Diz, imperativamente, ser proibida operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da Federação que a controle, na qualidade de beneficiário de empréstimo.
Não obstante, o governo federal usou recursos da CEF, do BB, do BNDES para pagar despesas com seus projetos sociais. Ainda que a causa possa ser vista como nobre, mesmo em ano eleitoral, como foi o ano de 2014, a lei proíbe. E a lei não ressalva a exceção da “boa-fé” para beneficiar o infrator. Para tanto seria indispensável que no texto daquele artigo constasse a ressalva “Salvo existir boa-fé, é proibida a operação de crédito entre….”. Onde o legislador não excepcionou, não é lícito ao intérprete excepcionar.
DILMA É QUE É RESPONSÁVEL
Também as “pedaladas” não são meros atos formais e administrativos da equipe econômica, sem a responsabilização do Presidente da República. Se assim fosse o Presidente da República nunca seria alcançado pela referida lei, mas apenas sua equipe econômica. Também se assim fosse o artigo 71, I, da Constituição Federal seria letra morta quando outorga ao Tribunal de Contas da União poder e competência para apreciar as contas apresentadas anualmente pelo Presidente da República para, em seguida, com parecer prévio, serem enviadas ao Congresso Nacional.
O TCU também examina contas de outros agentes públicos. As do Presidente da República são as principais delas e estão destacadas na lei. Por isso não consigo entender a irresponsabilização da presidente Dilma Rousseff à luz desses argumentos expostos pelo Dr. Dallari. Menos ainda quando o Dr. Dallari garante que a presidente não pode ser responsabilizada por atos estranhos ao exercício do mandato. Pois foi juntamente em razão do exercício do mandato de Presidente da República que as contas relativas a 2014 de Dilma Rousseff foram examinadas e rejeitadas pelo TCU.
IMPEACHMENT
O parecer final do TCU, emitido anteontem, pela unanimidade de seu plenário, não “é indiferente para a discussão sobre o impeachment…”. Me atrevo dizer que a peça é de decisiva importância. Vamos ao artigo 73 da Lei de Responsabilidade Fiscal:
As infrações aos dispositivos desta Lei Complementar serão punidas segundo o Decreto-Lei 2848, de 7.12.11940 (Código Penal); a Lei nº 1079, de 10.4.1950; o Decreto-Lei nº 201, de 27.12.1967; a Lei 8429, de 2.6.1992 e demais normas da legislação pertinente”.
Nem cogito aqui daquelas outras, mas apenas da Lei nº 1079/1950, que é a lei que cuida Dos Crimes Contra a Lei Orçamentária. É a Lei do Impeachment. Diz o artigo 4º que é crime de responsabilidade do Presidente da República o(s) ato(s) que atente (atentem) contra a lei orçamentária e a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos. Diz ainda o artigo 10 que são crimes de responsabilidade…infringir, patentemente e de qualquer modo, dispositivo da lei orçamentária…ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer um dos demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente. E também diz o artigo 11 que são crimes contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos…ordenar despesas não autorizadas por lei ou sem observância das prescrições legais…abrir crédito sem fundamento em lei ou sem formalidades legais…
São crimes da autoria do Presidente da República — e, não, de sua equipe — e que culminam com o seu afastamento da presidência. Em consequência do que está previsto na legislação e a ela submetendo o parecer unânime do Tribunal de Conta da União, vejo, em sentido contrário da visão do Dr. Dallari, que o resultado que o TCU envia ao Congresso é a peça que faltava para que a presidente Dilma Rousseff seja submetida ao processo de impeachment.
Muito agradeço a atenção que o Eminente Jurista e Professor Dalmo de Abreu Dallari vier a dispensar a esta Carta Pública.
Atenciosa e Respeitosamente,
Jorge Béja

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Dilma deveria renunciar imediatamente!

Quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Por Celso Lungaretti
O governo Dilma sofreu derrota acachapante no Tribunal de Contas da União, por irresponsabilidade fiscal.
 
Certamente sofrerá outra no Tribunal Superior Eleitoral, por financiamento ilícito da campanha presidencial de 2014.
 
A probabilidade de impedir que o processo de impeachment seja aberto na Câmara Federal é remotíssima.
 
E a economia brasileira continuará indo de mal a pior enquanto os parlamentares estiverem decidindo o impedimento ou não da presidenta. Quantos deles se manterão fiéis a um governo moribundo, arriscando-se a receberem o troco do eleitorado na eleição seguinte? Há alguma dúvida quanto ao desfecho da chanchada?
 
Se Dilma insistir em rumar contra a corrente, apenas aumentará sua quota de desastres e vexames, dando aos adversários a oportunidade de comemorarem outros triunfos marcantes até a apoteose final.
 
Deveria renunciar. Imediatamente. Pois, quanto mais tempo refugar, mais reforçará a impressão de haver sido chutada.

E a esquerda tem é de curvar-se à evidência do fato de que, depois de tantas lambanças cometidas, Dilma não tem mais salvação. Ela mesma pavimentou o caminho para seu defenestramento, principalmente ao não entrar em confronto franco com o capitalismo, mas pretender corrigi-lo com medidas heterodoxas que apenas serviram para colocar a economia em parafuso.
 
Depois, reelegendo-se quando a situação já era gravíssima, cometeu um erro pior ainda: acreditou que a volta à ortodoxia bastasse para recolocar as coisas nos eixos.
 
Mas, como já acontecera no Governo João Goulart, a guinada à direita não funcionou porque os endinheirados jamais confiariam nela plenamente e a esquerda passou a desconfiar dela por estar mancomunada com o grande capital.
 
Perdeu o apoio dos únicos que poderiam dar-lhe uma mão forte nesta hora e não ganhou nada em troca. Como eu cansei de alertar, se não demitisse o Joaquim Levy, acabaria morrendo abraçada com ele. Podem preparar dois caixões.
 
O impeachment, no entanto, não é nenhum fim do mundo. Caberá à esquerda fazer um profundo processo de autocrítica, reagrupar suas forças e travar as novas lutas que se impõem:
  • favorecer a impugnação da chapa como um todo, evitando que a transição se decida num conchavão entre PMDB, PSDB e forças subalternas; e
  • colocar-se frontalmente contra todas as iniciativas que visem equilibrar as contas públicas sangrando os trabalhadores, os pobres e os indefesos.
Pois, de um novo governo que tende a ser articulado basicamente por tucanos e fisiológicos, só podemos esperar, em essência, por mais do mesmo neoliberalismo que Joaquim Levy tentou socar-nos goela adentro, provavelmente vendido de forma mais hábil, por um economista de primeiro time, ao invés do pobre coitado que o Luiz Carlos Trabuco levou a Dilma a empossar.
 
Em suma, a luta continuará. Com a vantagem de que a esquerda reassumirá sua verdadeira identidade, livrando-se do mico de defender o mandato de uma presidente com cuja política econômica jamais poderia compactuar.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Em tempo de guerra, mentira (e manipulação) como terra

Terça, 22 de setembro de 2015
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Carlos Ayres Britto, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, foi quem, no momento decisivo, salvou Cesare Battisti da perseguição inquisitorial encabeçada pelos reacionários Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, juntamente com o carola Cezar Peluso.

(Abro um parêntesis: se você só se informa --ou desinforma-- nos espaços petistas, talvez estranhe a inclusão de Lewandowski nessa lista. Mas, caso tivesse, como eu, acompanhado cada segundo das quatro longas sessões em que se decidiu o destino de Battisti, perceberia que se trata de um inimigo figadal da verdadeira esquerda, a revolucionária, tendo várias vezes externado seus preconceitos. Perseguiu encarniçadamente o Cesare e votou sempre contra ele, tanto quanto os outros dois mastins.

O Lewandowski haver se tornado queridinho dos blogueiros e articulistas chapa-branca só demonstra o quanto o PT decaiu. Hoje não passa de mais um partido da ordem e do status quo.)

Parêntesis fechado, vamos ao que viemos: a manipulação desmedida que ora grassa na internet e até na mídia.

Sempre ponderado e imparcial, Ayres Britto concedeu à Folha de S. Paulo entrevista na qual avaliou inexistir, por enquanto, crime de responsabilidade que respaldasse o impeachment de Dilma Rousseff. Mas, disse muitas outras coisas e fez as mais contundentes críticas à presidenta.

O que interessava aos desesperados em salvar a cabeça da Dilma foi trombeteado no título e no abre da matéria; o resto, suprimido ou minimizado.

Então, se você não ficar esperto, será feito de tolo, manipulado sem dó nem pudor. Como pode constatar em seguida:
"A crise econômica se agudiza e passa a manter com a instabilidade política uma relação de causa e efeito, de retroalimentação. Aí, é natural que se pense numa alternativa de direção para o país. Não vejo nisto uma tentativa de golpe, desde que esta preocupação com a governabilidade não desborde, no plano já das providências, do esquadro constitucional. Tudo é válido, todos os antídotos para debelação da crise são válidos, desde que residentes na Constituição. A busca do fundamento jurídico para implementar esta intenção, este propósito, não é golpe.
O impeachment é um tema que não está imune à discussão. A presidente não pode ter a pretensão de excluir o substantivo impedimento da pauta, da agenda de preocupação nacional. Outra coisa é ela dizer: 'Não dei motivos para meu impedimento, não há fundamento jurídico'. Corretíssimo ela dizer isto. A outra pergunta é por que se chegou a este estado de coisa. Porque, por mais que se simpatize com ela, não se pode tapar o sol com a peneira.
O que é o chefe de um Poder Executivo? É uma autoridade pública eletiva que é chefe da administração pública, é chefe do governo e é chefe de Estado. E o fato é que ela vai mal nas três chefias. É uma opinião generalizada, e isso coloca o país numa situação delicada. Se o chefe do Poder Executivo vai mal nas três dimensões elementares, ele abre os flancos para que a nação discuta até a possibilidade do seu impeachment. (...) A situação factual pode chegar a um ponto tal de insustentabilidade da permanência da presidente." (OU SEJA, DISCUTIR E PROPOR O IMPEACHMENT DA DILMA, RESPEITADO O TEXTO CONSTITUCIONAL, NÃO É NEM NUNCA FOI GOLPISMO, AO CONTRÁRIO DO QUE ELA FANTASIOSAMENTE AFIRMA)
 

"Há uma ação de impugnação de mandato na Justiça Eleitoral. Seria uma via de desinvestidura da presidente da República... Isto (...) levaria de roldão a candidatura do vice-presidente também. Em noventa dias teríamos novas eleições." (OU SEJA, POR ENQUANTO BRITTO NÃO VÊ DILMA COMO PASSÍVEL DE IMPEACHMENT POR PARTICIPAÇÃO OU CUMPLICIDADE EM ESQUEMAS DE CORRUPÇÃO. MAS POR CRIME ELEITORAL, SIM)
"Ela não foi denunciada, ela está formalmente fora do petrolão. Se viesse a lume, neste caso, poderia ser até no mandato passado." (OU SEJA, BRITTO NÃO DESCARTA QUE, COM O SURGIMENTO DE NOVAS REVELAÇÕES DA OPERAÇÃO LAVA-JATO, VENHAM A EXISTIR MOTIVOS PARA O IMPEACHMENT, MESMO QUE OS DELITOS IMPUTADOS A DILMA SEJAM RELATIVOS A SUA GESTÃO ANTERIOR)