Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 27 de julho de 2018

Campanha pelos 23 manifestantes condenados é lançada no Rio

Sexta, 27 de julho de 2018
Da

Por por Bruna Freire, especial para a Ponte

Centenas de pessoas participaram do lançamento da campanha ‘Não é só pelos 23, é por todas e todos que lutam!’, na Universidade Federal do Rio de Janeiro


Evento marcou resposta dos 23 manifestantes à condenação imposta pela Justiça do RJ | Foto: Bruna Freire

O lançamento da campanha “Não é só pelos 23, é por todos que lutam” aconteceu nesta terça-feira (24/7), no salão nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e reuniu centenas de pessoas, entre elas, representantes de movimentos sociais, jornalistas e fotógrafos independentes, e partidos políticos. A mediação da mesa ficou sob responsabilidade de José Pimenta, representante do Centro Brasileiro de Solidariedade Aos Povos (CEBRASPO). Doze dos 23 condenados compareceram: Elisa Quadros Pinto Sanzi, Rebeca Martins de Souza, Shirlene Feitoza da Fonseca, Eloisa Samy Santiago, Igor Mendes da Silva, Bruno de Sousa Vieira Machado, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Felipe Frieb de Carvalho,Filipe Proença de Carvalho Moraes, Luiz Carlos Rendeiro Júnior, Pedro Guilherme Mascarenhas Freire e Rafael Rêgo Barros Caruso.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ministro concede liminar para afastar prisão preventiva dos manifestantes Igor Mendes, Môa e Sininho

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Quinta, 25 de junho de 2015
Igor Mendes

 Sininho
Sininho foi novamente a delegacia, mas não chegou a prestar depoimento
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Do STJ
O ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu liminar a Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho; Igor Mendes da Silva e Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, a Môa, todos acusados de participação em atos violentos durante protestos no Rio de Janeiro.
A decisão do ministro – tomada na última segunda-feira (22) – revogou a determinação de prisão preventiva dos três manifestantes e restabeleceu medidas alternativas: obrigação de comparecimento mensal ao juízo processante, nas condições que este fixar, para informar e justificar suas atividades; proibição de ausentar-se da comarca sem prévia autorização judicial e assinatura de termo de comparecimento a todos os atos do processo.
Sebastião Reis Júnior determinou a expedição do alvará de soltura de Igor Mendes da Silva, que estava preso, e de salvo conduto em favor de Elisa Quadros e Karlayne Moraes, que eram consideradas foragidas.
Encontro cultural
A defesa dos manifestantes recorreu de decisão do juiz da 27ª Vara Criminal da comarca do Rio de Janeiro que, em 2 de dezembro de 2014, decretou pela segunda vez a prisão cautelar de Eliza, Karlayne e Igor, por entender que houve descumprimento das medidas cautelares impostas anteriormente.
Eles estavam proibidos de participar de manifestações, mas teriam comparecido a um encontro cultural – pacífico, segundo a defesa – organizado pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio.
Em sua decisão, o ministro citou parecer do Ministério Público Federal favorável ao provimento do recurso ao argumento de que não haveria relação entre o fato motivador da ordem de prisão e aqueles que deram início à ação penal – a qual diz respeito ao crime de quadrilha armada.
Segregação ilegal
Segundo o ministro, ficou aparente a ilegalidade da prisão, uma vez que a simples presença em manifestação pacífica, de fim cultural, sem a ocorrência dos atos de violência verificados anteriormente, não configurou o descumprimento das medidas cautelares em vigor na época.
Sebastião Reis Júnior acrescentou que a prisão preventiva é medida desproporcional, tendo em vista a pena que eventualmente será imposta aos três manifestantes caso sejam condenados pelo crime de quadrilha ou bando armado. Também foi destacado na decisão que, durante o tempo em que a ação penal originária permaneceu suspensa, não houve manifestação judicial quanto à necessidade de manutenção da prisão cautelar, o que configura constrangimento ilegal.
O recurso da defesa ainda terá seu mérito analisado pela Sexta Turma do STJ, que poderá confirmar ou não a liminar.
Leia a decisão.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Igor Mendes, Karlayne Moraes e Elisa Quadros (Sininho) tiveram seu pedido de liminar deferido pelo STJ!

Terça, 23 de junho de 2015
Da Tribuna da Imprensa
Via Mídia Independente Coletiva 
 
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A sentença tem publicação prevista para a próxima quarta feira (24). Moa e Elisa não estarão mais foragidas. Igor será, finalmente, libertado. O pedido de liminar em nome deles foi feito por seus advogados Marino D'Icarahy e Nilo Batista.

Vitória! Vitória?... As últimas batalhas vencidas em defesa dos 23 ativistas perseguidos pelos protestos contra a Copa, as denúncias de corrupção contra a FIFA, contra a Odebrechet - envolvendo o então governador Sérgio Cabral - seja, finalmente, no deferimento deste pedido de liminar, apontam as contradições de um processo/estado de exceção. Mas, o processo continua, e, com ele, a ameaça contra a liberdade dos 23 e de todos nós de expressarmos a nossa revolta, de exercermos nosso direito de resistência! 

Além disto, RAFAEL BRAGA VIEIRA continua PRESO já HÁ MAIS de DOIS ANOS. O elo mais frágil desta cadeia de acontecimentos é negro, proletário, criado na região norte da cidade do Rio de Janeiro. Ele foi preso no dia 20 de junho de 2013 por estar "portando" duas garrafas de desinfetante? Não, ele foi preso/tipificado por ser negro, como expressão máxima do medo das elites frente a revolta popular, como bode expiatório. A "justiça" neste caso é a tentativa de racionalização deste temor, da culpa é do ódio de raça e classe destas elites.

Estas vitórias parciais devem nos animar para ampliar a nossa luta contra este estado de exceção não-declarado. Ninguém fica para trás!

LIBERDADE PLENA AOS 23! LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA VIEIRA! A LUTA CONTINUA!

NÃO PASSARÃO!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Justiça suspende processo contra 23 ativistas, entre eles Sininho

Segunda, 19 de maio de 2015
Desembargador Siro Darlan foi quem deferiu a liminar
Jornal do Brasil
Nesta segunda-feira (18), a Justiça do Rio suspendeu o processo contra os 23 ativistas acusados de associação ao crime e atos violentos durante os protestos de 2013 e 2014. Entre eles o da manifestante Elisa Quadros, conhecida como Sininho.
A liminar foi deferida pelo desembargador Siro Darlan, e suspende o processo até que o habeas corpus impetrado pelos advogados dos ativistas seja julgado. O julgamento da ação de defesa, que será feito pela 7ª Câmara Criminal ainda não tem data para acontecer.

Justiça do RJ suspende processo contra 23 ativistas acusados de ato violento. Dentre eles, Sininho

Segunda, 19 de maio de 2015
Leia a reportagem em:
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/05/desembargador-suspende-processo-contra-23-ativistas-no-rio.html

Ou no link:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/05/1630898-justica-do-rio-decide-suspender-processo-contra-23-ativistas.shtml

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Os 23 ativistas do RJ serão julgados amanhã por "associação criminosa armada", embora não haja arma, nem crime, nem associação

Quinta, 29 de janeiro de 2015
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Confesso que nunca havia ouvido o nome de Gregório Duvivier até a Folha de S. Paulo publicar nesta 5ª feira (29), na seção Tendências/Debates, seu emocionante artigo Eles lutavam por todos nós. Foi o título, claro, que chamou minha atenção.
 
Acabo de dar uma olhada na Wikipedia. Fiquei sabendo que se trata de "ator, humorista, escritor, roteirista e poeta brasileiro", "um dos criadores do canal Porta dos Fundos" (que não tenho a mínima ideia do que seja) e filho da cantora Olívia Byington (agora, sim!).
 
Em 1974, quando o cenário musical brasileiro (e tudo o mais...) parecia terra arrasada, fiquei sabendo de um grupo de rock acústico (!) carioca que tinha pontos de contato com o trabalho de Egberto Gismonti (!!) e acabara de lançar o disco de estréia. Apesar da capa ridícula, parecendo desenho de criança, comprei, escutei, gostei. Ouvi a faixa "Brilho da noite" até riscar o vinil.

Quatro anos mais tarde, A Barca do Sol lançou um excelente LP em conjunto com a Olívia. Seus trinados de soprano casaram-se às mil maravilhas com as canções sofisticadas dos barqueiros. É um cult para mim.
 
Mas, não foi só esta a lembrança que o texto do Duviviem me evocou. Sua indignação sincera e algo ingênua me fez recordar o primeiro artigo político que escrevi na vida.
 
Muito inferior ao do Duvivier, até porque ele tem 28 anos e eu tinha 16. Mas, com forte simbolismo para mim, por ser o passo inicial nas duas linhas-mestras da minha trajetória: a militância revolucionária e a profissão de jornalista.
 
Saudosismo à parte, sua publicação na íntegra se justifica por estar protestando contra uma terrível injustiça das otoridades policiais e judiciais do Rio de Janeiro, que são a negação viva dos brasileiros cordiais e tudo fazem para tornar horrorosa aquela que o mundo inteiro via como cidade maravilhosa.
 
Trata-se de mais uma grotesquerie da extemporânea caça às bruxas que desencadearam quando a mocidade voltou em junho/2013 à praça que era do povo como o céu é do condor, mas agora é dos repressores do povo e os condores estão ameaçados de extinção.

Last but not least, CONCLAMO OS COMPANHEIROS DO RIO DE JANEIRO E OS CIDADÃOS COM ESPÍRITO DE JUSTIÇA A COMPARECEREM EM PESO AO JULGAMENTO, LEVANDO SUA SOLIDARIEDADE AOS PERSEGUIDOS POLÍTICOS E DEIXANDO CLARO QUE A CIDADANIA SE IMPORTA, SIM, COM O CERCEAMENTO DO DIREITO DE LIVRE MANIFESTAÇÃO.
 
Será nesta sexta-feira (30), provavelmente a partir das 13 horas, na av. Erasmo Braga, 115 - sobreloja 712 - lam II, no Centro. Maiores detalhes com a Secretaria, pelo fone (21) 3133-3453, ramal 3453; ou pelo e-mail cap27vcri@tj.rj.gov.br.
 
Eis o artigo do Duvivier, que tem minha total aprovação:
 
Ninguém está falando sobre isso, mas 23 ativistas estão sendo processados por associação criminosa armada –embora não haja arma, nem crime, nem associação. Além da ausência de antecedentes criminais, os ativistas têm em comum apenas o fato de terem participado das manifestações de junho e, no ano seguinte, dos protestos contra a Copa. Só. A maioria se conheceu na cadeia.
Duvivier qualifica o juiz Itabiana de "notável reacionário" 
Não se sabe qual o critério escolhido para prendê-los, já que milhões de pessoas protestaram entre junho de 2013 e junho de 2014 (dentre as quais eu), mas o critério parece ter sido o fato de serem, em sua maioria, professores.
 
Depois de meses de escuta telefônica em que até os advogados de defesa foram grampeados (isso, sim, é crime, senhor juiz) nada pode ser dito, de fato, contra os manifestantes.
 
Em um dos telefonemas, Camila Jourdan, professora da UERJ, pergunta se o amigo vai levar os "livros" e as "canetas". O código poderia ter passado desapercebido, mas a polícia fluminense, que anda vendo "Sherlock" demais na HBO, descobriu se tratar de uma mensagem cifrada. "Livros" seriam bombas e "canetas", armas.
 
Imediatamente após decriptar a intrincada linguagem anarquista, a polícia, sem mandado de busca e apreensão, invadiu e revistou a casa dos ativistas. Não encontrou nada.
 
Aliás, encontrou. Livros e canetas. Mas não só. As casas tinham uma quantidade suspeita de camisetas pretas. Em algumas, máscaras de gás e, em uma delas, encontraram uma garrafa de gasolina (aquele líquido usado para abastecer carros e geradores). Mesmo assim, sem flagrante, foram presos –para, algumas semanas depois, serem soltos.
Sininho, que os reaças do Rio adoram perseguir, é ré.
A mesma sorte não teve o único preso que é analfabeto, Rafael Braga. Ele está preso até hoje por ter sido encontrado portando uma garrafa de desinfetante Pinho Sol. Mesmo soltos, os manifestantes tiveram seus direitos políticos cassados. Enquanto aguardam julgamento, não podem participar de nenhuma reunião pública nem abandonar sua comarca.
 
O julgamento ocorre nesta sexta (30) e, apesar de não terem cometido crime algum previsto no Código Penal, tudo indica que os manifestantes serão condenados pelo juiz Flávio Itabaiana. Notável reacionário que se orgulha de nunca ter absolvido alguém, Itabaiana tem em mãos um processo de 7.000 páginas.
 
A grande peça no tabuleiro de Itabaiana é a opinião pública. A mesma mídia que condenou as manifestações e que logo depois passou a festejá-las, voltou-se novamente contra elas quando da morte trágica do cinegrafista Santiago Andrade. (Não há qualquer ligação entre os 23 processados e a morte de Santiago.)
 
Graças ao investimento de parte da mídia que queria a reeleição de um governador, manifestar virou sinônimo de matar cinegrafistas e eis que o gigante adormeceu –a golpes de reportagens tendenciosas e manchetes repulsivas. Resultado: a polícia desceu o pau, a classe média aplaudiu e o Brasil voltou a ser aquele país sem revolta.
 
A muita gente interessa a calmaria: na calada da noite de Ano Novo, aumentaram a passagem de ônibus em R$ 0,40. Se houve uma guerra, a máfia do ônibus saiu vitoriosa.
 
Vale tentar conscientizar de novo essa mesma opinião pública e lembrar que os 23 ativistas processados estavam lutando por nós. E querem continuar lutando –dando aulas, lendo livros, usando canetas. O aumento vertiginoso das passagens prova que a gente precisa deles, mais do que nunca.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Esopo e os políticos ontem e hoje

Quarta, 23 de dezembro de 2014
Por
Siro Darlan
, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e Coordenador Rio da Associação Juízes para a democracia.

Esopo foi um pensador grego que escreveu no século VII antes de Cristo fábulas de caráter moral e alegórico que permanece aplicável até os tempos atuais. Uma delas me chama muita atenção pelo seu caráter pedagógico e a prevalência do instinto animal da força sobre a razão.
 
Conta Esopo que um Lobo estava bebendo água num riacho, logo mais abaixo um cordeiro começou a beber. O Lobo, fazendo uso de sua superioridade, de sua força e de sua arbitrariedade reclamou arreganhando os dentes: Como você tem a ousadia de vir sujar a água que estou bebendo? O Cordeiro, com subserviência e humildade respondeu: Como sujar? A água corre daí para cá, logo não posso estar sujando sua água.
 
O Lobo, autoritário, replicou: Não me responda. Pois sei que você estragou o meu pasto. O Cordeiro humilde respondeu: Como posso ter estragado seu pasto, se nem dentes tenho? Ao que emendou o Lobo, fiquei sabendo que você andou falando mal de mim há um ano. O Cordeiro, inocente, respondeu: Como poderia falar mal do senhor há um ano se sequer completei um ano? E o Lobo arrogante não tendo mais argumentos, atacando o Cordeiro, ainda disse: Se não foi você, foi seu pai, sua mãe, algum parente. Devorando o mais fraco.
 
A história é a mesma. O Lobo reformou um estádio com superfaturamento e entregou para seus amigos construtores, destruiu o parque aquático e a pista de atletismo às vésperas de uma olímpiada. Expulsou os índios, aumentou a tarifa dos transportes, colocou o helicóptero oficial para transportar animais de estimação e contratou a esposa para administrar as concessionárias públicas responsáveis pela má prestação do serviço e alto custo para o rebanho.
 
O Cordeiro oprimido pelo alto custo de vida e entristecido pelo uso feito das taxas e impostos cobrados pelo Lobo foi às ruas reclamar contra essa exploração exigindo respeito aos mais humildes e oprimidos. O Lobo, tal como no século VII A/C, deu ordens a seus guardas para que prendessem os Cordeiros e os levassem para as masmorras acusando-os de incendiarem a Casa das Leis, que nunca foi incendiada; quebrarem as vidraças dos banqueiros, que nunca reclamaram qualquer dano.
 
Enfim, mais uma vez, o autoritarismo e a força venceram a razão e os argumentos disponíveis dos mais frágeis. Os cordeiros estão nas masmorras. Mas, quem se importa?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Juiz mandou prender ativistas por realizarem uma festa com crianças e professores

Sexta, 5 de dezembro de 2014




Ontem ativistas saíram do Fórum do Rio de Janeiro em passeata pela Avenida Presidente Antonio Carlos em direção à Cinelândia. O ato aconteceu em virtude da prisão do ativista Igor Mendes (colaborador fixo do nosso blog).

Ato em repúdio à prisão de Igor Mendes chegou à Cinelândia por volta das 20h, centenas de pessoas aderiram e participaram. A prisão de qualquer ativista envolvido no processo farsante da Copa abre precedente para criminalização de qualquer tipo de manifestação, inclusive atos culturais!

O motivo pelo qual o juiz Itabaiana mandou prender novamente ativistas políticos foi por participarem de atividade cultural no dia 15 de outubro de 2014 (veja as fotos abaixo), o que, segundo ele seria um descumprimento das restrições impostas no parecer que concedeu Habeas Corpus que proibia a participação dos mesmo em protestos. Protesto?

Tem alguma coisa muito errada com as percepções destes policiais e juízes do Rio de Janeiro.


Eduardo Viveiros de Castro (Antropólogo) 

"A Globo, através do G1, "informa" que três pessoas estão sendo acusadas de descumprir medida cautelar que as proibiam de participar de atos políticos de protesto. Isto porque estiveram presentes ao evento cultural realizado na Cinelândia no dia 15 de outubro passado. Estive lá, entre outros convidados, como palestrante, para dar uma aula pública sobre direitos dos índios na CF. Não foi um ato de protesto - não houve violência, nem bloqueio de ruas, nem "perturbação da ordem pública". O evento foi plenamente anunciado pelas redes sociais, e não foi objeto de qualquer proibição por parte das autoridades constituídas. Se foi um ato político ele o foi como todo ato humano. Essas ordens de prisão contra os três ativistas estão baseadas em uma interpretação maliciosa da natureza do evento. Protesto veementemente aqui contra essa evidência - mais uma - de que voltamos a viver num regime autoritário".


Palavras do advogado Marino D'Icarahy 

Ufa! Terminamos a peça com o pedido de habeas corpus na noite de ontem, feito em conjunto por nosso escritório e pelo DDH, em favor de IGOR MENDES, Elisa e Karlayne. Estamos confiantes de que a justiça triunfará mais uma vez, pela força dessa unidade e pela confiança na prevalência do Direito sobre mais essa perseguição política sofrida por esses ativistas. Vamos partir agora para a distribuição eletrônica.

Mais tarde, concluiremos as demais medidas programadas em prol dos nossos assistidos, contra as barbaridades desse processo bizarro e kafkiano, as quais esperamos conseguir distribuir ainda hoje. 

A luta continua! A vitória é a nossa meta!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Criminalização de manifestações: Advogados pedem revogação da prisão preventiva de ativistas

Quinta, 4 de dezembro de 2014
Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasi
Os advogados dos ativistas Elisa Quadros, conhecida pelo apelido de Sininho, Igor Mendes da Silva e Karlayne Pinheiro, apresentaram hoje (5) pedidos de habeas corpus para os tres. Os ativistas tiveram a prisão preventiva decretada quarta-feira (3) pelo juiz da 27ª Vara Criminal da capital, Flavio Itabaiana, por descumprimento de medida cautelar. Igor Mendes foi detido ontem (4). Sininho e Karlayne são considerados foragidas da Justiça.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Criminalização de manifestantes: Sininho e dois ativistas têm prisão preventiva decretada no Rio


Quarta, 3 de dezembro de 2014
O avogado Marino D´Icarahy, que representa os três ativistas, argumentou que o evento apontado pela Justiça não se tratava de um protesto, mas sim de uma exposição cultural. Ele criticou o pedido de prisão e disse que pedirá a suspeição do juiz Itabaiana.
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Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil
Os ativistas Elisa Quadros, conhecida pelo apelido de Sininho, Igor Mendes da Silva e Karlayne Pinheiro, conhecida pelo apelido de Moa, tiveram suas prisões preventivas decretadas hoje (3), no Rio de Janeiro, por ordem da Justiça. O decreto de prisão foi assinado pelo juiz da 27ª Vara Criminal da Capital, Flavio Itabaiana.
Rio de Janeiro - A ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, deixa a 17 DP após prestar depoimento sobre o caso do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade (Fernando Frazão/Agência Brasil)
A ativista Elisa Quadros, a Sininho, tem prisão preventiva decretada pela JustiçaFernando Frazão/Rio de Janeiro
De acordo com a medida, os três descumpriram medidas cautelares impostas por um habeas corpus concedido em agosto, pela 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, que impedem que eles participem de manifestações. Segundo o Tribunal de Justiça (TJ-RJ), os ativistas participaram de um protesto na Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores.

sábado, 2 de agosto de 2014

Elisa Sanzi [Sininho]: "No cárcere você entende o poder do estado"

Sábado, 2 de agosto de 2014
A ativista conhecida como Sininho diz que vivemos uma farsa eleitoral, fala dos seus dias na prisão e diz compreender quem age com violência nas manifestações
por Helena Borges

Revista IstoÉ — Edição 2332
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Ela diz que sua identidade está sendo destruída para a criação de um líder

Elisa Sanzi, 28 anos, é conhecida como Sininho, apelido dado por colegas de ativismo que a consideram parecida com a personagem da história infantil Peter Pan, no aspecto físico e na rebeldia. De vestido, meia-calça, botas de cano longo e óculos escuros, recebeu ISTOÉ no escritório de seu advogado, Marino D’Icarahy, no centro do Rio de Janeiro. Antes de iniciar a entrevista, o advogado avisou que ela não poderia comentar nada sobre as acusações de dano ao patrimônio, formação de quadrilha e lesão corporal.
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"Que democracia é essa que te obriga a votar, mas, na horade escutar o povo, não escuta? Não vou me obrigar a votar"

Elisa deixou o presídio há pouco mais de uma semana, beneficiada por um habeas corpus. Nascida em Porto Alegre, mudou-se para o Rio ainda criança. É produtora cultural, já foi casada e não tem filhos. “Teve uma época em que me afastei do movimento, tinha acabado de casar, pensei em investir na carreira, essas coisas que a sociedade cobra. Mas acabei optando por investir em meus ideais”, diz.

Você é a líder das manifestações?

Elisa Sanzi — Não. É o seguinte: existe um circo midiático que foi formado à minha volta pela necessidade de uma ação de liderança para o que estava acontecendo no Brasil. E essa criação de uma nova identidade foi tão grande que está me obrigando a dar depoimentos e a fazer um papel que eu nunca quis e que não existe. Estou me colocando em uma posição em que tenho que dar explicação de como comecei, por que fiz cada coisa. Não é algo que eu queira. A gente repete, repete, repete, mas acho que as pessoas não entendem. Não, não existe uma liderança. Não sou líder de nada. Participei ativamente de alguns movimentos, mas isso não significa ser uma liderança. Tanto que nunca fui muito de falar em assembleia, só apoio as lutas. É diferente. 
Leia na IstoÉ a íntegra da entrevista de Sininho

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sininho toca. E em um ponto importante


Por mais que mirem em mim, estão destruindo uma pessoa, mas não vão destruir o movimento. (Sininho, ativista perseguida pelo Estado)
Acesse o link abaixo e leia matéria do Estadão.
http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,precisam-criar-um-lider-para-criminalizar-o-movimento-diz-sininho,1535267

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ativistas são soltos no Rio em meio a tumulto entre manifestantes e jornalistas

Quinta, 24 de julho de 2014
Da Agência Brasil Edição: Luana Lourenço
Um tumulto marcou a libertação dos ativistas Igor Pereira D'Icarahy, Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho, e Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, presos há 13 dias no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio.
Manifestantes tentaram impedir que repórteres e fotógrafos registrassem a saída dos ativistas do presídio, o que motivou o tumulto. A saída dos três ativistas ocorreu no início da noite de hoje (24), pouco mais de 24 horas depois da concessão do habeas corpus pela Justiça do Rio. Um oficial de Justiça chegou à unidade às 16h com o alvará de soltura para liberar os três manifestantes.
Sob aplausos e palavras de ordem contra a imprensa e a polícia, cerca de 30 manifestantes aguardaram durante todo o dia a saída dos presos. Igor foi o primeiro a deixar o complexo, seguido por Camila e Elisa. O tumulto começou quando Sininho, a última a deixar a prisão, seguia escoltada pelos manifestantes até um carro. Entre chutes e empurrões, manifestantes e repórteres só encerraram a confusão quando o carro em que a jovem estava deixou o local.

Leia também: Movimentos sociais criticam processo contra ativistas no Rio

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ela será ela amanhã

Sexta, 18 de julho de 2014
Do Jornal do Brasil
Paulo Fonsseca Sillva

A Justiça arbitrária que mantém ativista na prisão pode estar ajudando a construir uma futura líder nacional de proporções bem maiores do que se imagina.

A ativista é apontada como líder e mentora das manifestações que desde o ano passado atacam governos, corrupção e cobra melhor distribuição de renda e cumprimento dos direitos sociais.

Sua prisão, sob a acusação de associação criminosa – antiga designação para formação de quadrilha -, é fortemente questionada. 

Para o desembargador Siro Darlan, que assinou pedidos habeas corpus para ativistas detidos, não havia elementos para mantê-los presos. A decisão cita ainda "constrangimento ilegal do direito de ir e vir (...) diante da ilegalidade da prisão temporária".

Integrantes do PCdoB e Psol também impetraram uma representação no Conselho Nacional de Justiça contra o juiz que emitiu mandados de prisão e de busca e apreensão contra ativistas. A representação argumenta que o ato foi de "completa arbitrariedade e abuso de autoridade" e ainda que “tais prisões e apreensões possuem um nítido caráter intimidatório, sem fundamento fático ou legal que legitime a prisão, destinado a reprimir com o Direito Criminal a liberdade de expressão cidadã”.

A arbitrariedade da Justiça e o clamor em torno da libertação da guia dos protestos sociais remetem o momento atual aos tempos da ditadura. E nesta comparação, não é improvável traçar um paralelo entre as líderes da resistência de hoje e de ontem.

No passado, tivemos uma líder que combateu com unhas, dentes e armas a opressão, a injustiça, os governos autoritários e os desmandos. Que enfrentava a ditadura de rosto erguido, e que por isso sofreu a prisão e a tortura. Que foi vítima da arbitrariedade da Justiça, e combateu as autoridades liderando protestos e manifestações. 

Estas coincidências trazem à tona a questão: as arbitrariedades de hoje farão com que "ela" se transforme "nela", amanhã?