Segunda,
7 de janeiro de 2013
Por
Ivan de Carvalho
Apesar
do tão maldito resultado do julgamento do Mensalão e do novo escândalo
representado pelo Rosegate – o escândalo do qual a Operação Porto Seguro, da
Polícia Federal, levantou a ponta do véu –, o PT está bem posicionado para as
eleições previstas para 2014, especialmente as presidenciais.
A popularidade da presidente Dilma Rousseff é
muito alta e ainda existe, na reserva para alguma emergência, a hipótese da
candidatura do ex-presidente Lula, apesar dos “incômodos” representados pelo
que Marcos Valério haja dito ou venha a dizer ao Ministério Público Federal e
pelo Rosegate.
Mas há motivos para o PT preocupar-se com sua
permanência no Poder Executivo federal além de 2014. Está bem claro que uma
grande parte da popularidade do ex-presidente Lula no seu segundo mandato e sua
capacidade de eleger Dilma Rousseff para sucedê-lo deveu-se ao desempenho da
economia e ao reforço do Bolsa Família.
É certo que o Bolsa Família continua aí e até se
expande e um outro programa paralelo, de “inclusão”, está chegando. Para não deixar
passar a oportunidade, vale aqui lembrar o cálculo político feito por José
Dirceu, quando no auge de seu poder, para um interlocutor que manifestara
alguma dúvida sobre o acerto do Bolsa Família: dez milhões de famílias
atendidas, 40 milhões de votos. (Como não penso nesses termos, estou certo de
que o Bolsa Família deve continuar, ainda que precisando de aperfeiçoamentos,
enquanto seja necessário para atender à finalidade a que, oficialmente, se
destina).
Voltando à economia. A curva de popularidade de
Lula teve muito a ver com o bom desenvolvimento da economia, apesar do imenso
incidente do Mensalão, em meados do seu primeiro mandato. Em 2011, primeiro ano
do governo Dilma Rousseff, o crescimento do Produto Interno Bruto alcançou
apenas 2,7 por cento. E no segundo ano, 2012, pode chegar no máximo a um por
cento – pesquisa do Banco Central junto a analistas e investidores do mercado
financeiro resultaram na estimativa de 0,98 por cento.
Para
este ano, o terceiro do governo Dilma Rousseff, a previsão técnica de
crescimento do PIB, no momento, é de 3,3 por cento, embora o ministro da
Fazenda, o panglossiano Guido Mantega, viesse manifestando convicção em que não
seria menor que quatro por cento. O superávit primário programado não foi
alcançado e para tapar o buraco fez-se um malabarismo financeiro pouco
recomendável. A inflação ficou, em 2012, bem acima do ponto médio da meta. A
crise financeira e econômica mundial, que persiste, prejudicou a balança
comercial e, muito seriamente, o ingresso de divisas estrangeiras,
consequentemente, o balanço de pagamentos. O consumidor endividou-se com o
crédito fácil que lhe vinha sendo oferecido e está se recolhendo. Resumindo, a
perspectiva não é animadora.
Outros
motivos de preocupação do PT. Um deles, a hipótese de uma candidatura do
governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, à
sucessão de Dilma Rousseff. Seria a perda de um importante aliado e um problema
crítico no Nordeste, exatamente onde o PT tem desfrutado da maior vantagem de votos
em eleições presidenciais. Existe também a muito provável candidatura de Aécio
Neves, do PSDB. E o fato de que o apoio do PMDB vai custar mais caro, pois esse
partido estará no comando das duas casas do Congresso Nacional, Câmara e
Senado, a partir de fevereiro e até 31 de dezembro de 2014.
Quanto
ao PT em geral (não mais em relação às eleições para presidente), o partido vai
ter muito trabalho para descolar-se da imagem negativa de haver patrocinado o
Mensalão. O PT já percebeu isso e não para de espernear para mostrar
inconformismo e passar a imagem de que foi injustiçado.
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Este artigo foi publicado originariamente
na Tribuna da Bahia desta segunda.
Ivan de Carvalho é jornalista
baiano
