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(Millôr Fernandes)

sábado, 23 de maio de 2026

Crise na saúde —Ministério Público de Contas pede suspensão de convênios na área de saúde por suspeita de irregularidades

Sábado, 23 de maio de 2026

Crise na saúde
Ministério Público de Contas pede suspensão de convênios na área de saúde por suspeita de irregularidades

Representação aponta possível sobreposição de serviços e falhas na execução dos contratos avaliado em R$ 31 milhões

Brasil de Fato — Brasília (DF)

Crédito- Sandro Araújo/Agência Saúde.Jpeg

Órgão de controle questiona modelo adotado pela gestão distrital e pede análise urgente do TCDF.

O Ministério Público de Contas do Distrito Federal (MPCDF) protocolou uma representação junto ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) pedindo a suspensão imediata de três convênios firmados entre a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) e o Instituto Esporte e Vida (IEV). Os contratos somam R$ 31.670.601,20 e têm como objetivo a execução de serviços assistenciais especializados em ortopedia.

A medida cautelar foi apresentada com base em indícios de sobreposição de objetos, risco de quarteirização, antieconomicidade e possível conflito de interesses. Segundo o MPCDF, a principal irregularidade identificada é a sobreposição de serviços entre os três ajustes.

A análise aponta que os projetos Diagnóstico Ortopédico Ampliado (DOA), Diagnóstico Ortopédico Assistido por Ressonância (Doar) e o programa “Fila Zero” executam ações semelhantes voltadas aos mesmos pacientes do SUS no DF.

A representação destaca ainda que os convênios utilizam os mesmos códigos OCI/SIGTAP para procedimentos ortopédicos. Nos projetos DOA e Doar, por exemplo, aparece o código 09.03.01.004-0, indicando que dois contratos distintos estariam financiando o mesmo procedimento assistencial.

O Ministério Público também aponta possível duplicidade de despesas. Isso porque cada convênio prevê equipes próprias e completas, incluindo médicos, técnicos, recepcionistas e profissionais administrativos, mesmo com execução prevista nos mesmos espaços físicos. O documento afirma não haver critérios claros de compartilhamento de profissionais ou divisão objetiva de custos.

Custos e possível prejuízo

Outro ponto levantado pelo MPCDF é o uso inadequado do modelo adotado. Conforme a análise das planilhas, apenas entre 63% e 69% dos recursos seriam destinados diretamente aos procedimentos assistenciais. O restante corresponde a despesas administrativas, estrutura, locação e apoio operacional.

Segundo o órgão, caso a SES/DF tivesse optado pelo modelo de credenciamento já utilizado em outros serviços, a economia poderia ultrapassar R$ 10 milhões.

A representação também questiona a capacidade operacional do Instituto Esporte e Vida. Para executar os atendimentos, o IEV indicou unidades privadas terceiras: o Centro Clínico e Ecográfico de Sobradinho, o Centro de Imagem Samambaia e o CIG Centro de Imagens Gama.

Em documento citado pelo MPCDF, a própria área técnica da SES/DF registrou que o instituto constava no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) como “consultório isolado”, com apenas um profissional cadastrado e sem equipamentos registrados. Para o Ministério Público, isso pode caracterizar quarteirização dos serviços.

Além disso, o MPCDF questiona a ausência de participação do Conselho de Saúde do Distrito Federal na discussão e acompanhamento dos convênios.

Diante das suspeitas, o órgão pediu ao TCDF a suspensão cautelar dos contratos e a realização de fiscalização imediata para apurar a regularidade da modelagem jurídica, a capacidade operacional da entidade e a economicidade dos ajustes.

Em nota ao Brasil de Fato DF, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que trabalha de maneira transparente com os órgãos de controle e, sempre que demandada, responde aos questionamentos realizados, estando sempre à disposição para esclarecimentos.

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Editado por: Clivia Mesquita



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Esta matéria foi originalmente postada no Brasil de Fato (DF) em 21.maio.2026
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