Segunda, 25 de maio de 2026
Taciano,
Em maio de 2014, a primeira Semana do Extrativismo reunia cerca de 30 participantes no Gabiroto, polo central da Reserva Extrativista Rio Xingu, no Pará. Entre extrativistas, organizações da sociedade civil, empresas e instituições públicas, nascia ali um espaço de diálogo sobre economia da sociobiodiversidade, proteção territorial e políticas adequadas à realidade da Terra do Meio.
Durante três dias, o grupo avaliou experiências iniciadas desde 2008 e debateu caminhos para fortalecer arranjos produtivos, tecnologias locais, comercialização e políticas públicas. Na pauta estavam produtos como borracha, castanha, óleos de babaçu, andiroba e copaíba, farinhas, frutas e sementes florestais.
Ao final do encontro, foi elaborado e entregue ao governo estadual o manifesto da I Semana do Extrativismo da Terra do Meio, com propostas para um programa de desenvolvimento regional. O documento defendia, entre outras medidas, uma lei estadual de subvenção para produtos extrativistas e o reconhecimento das populações da Terra do Meio como guardiãs de um dos maiores patrimônios socioambientais do planeta, e de uma economia capaz de conservar rios, florestas, e modos de vida tradicionais.
Participantes da I Semana do Extrativismo, extraindo látex de seringueira, em maio de 2014
Rafael Salazar/Poltrona Filmes
Nos anos seguintes, a Semex ampliou sua representatividade. Em 2015, a participação do povo Xipaya marcou a presença indígena no encontro. Depois, outros povos também passaram a integrar essa construção coletiva.
O encontro também avançou nas conquistas, uma delas sendo a participação de agricultores, indígenas e extrativistas no Programa de Aquisição de Alimentos, que leva alimentos das roças, da floresta e dos rios para escolas das comunidades, fortalecendo a cultura e promovendo saúde e conservação ambiental.
Em 2025, a 10ª edição contou com maior presença do poder público, incluindo MMA, ICMBio, Conab, Funai, Banco do Brasil e Governo do Pará, além de parceiros como Mercur e Natura. Os anfitriões foram extrativistas de dezenas de comunidades, indígenas de oito povos diferentes, e agricultores familiares.
Leve essa história de sucesso para a sala de aula!
Para ajudar a trabalhar o tema, preparamos o Kit Didático: Saberes tradicionais e estratégias sustentáveis de geração de renda: as propostas de povos indígenas e comunidades tradicionais, alinhado às competências da BNCC e à Lei 11.645/08, que torna obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.
O material reúne uma curadoria pronta para uso em sala de aula com vídeos, fotografias, documentos históricos e reflexões de lideranças. Através de exemplos reais, o kit oferece roteiros de debate e atividades práticas que reconhecem os povos indígenas e ribeirinhos como protagonistas de alternativas econômicas sustentáveis.
É a ferramenta ideal para desmistificar preconceitos e mostrar aos alunos que a "floresta em pé" é um modelo vivo de inovação e futuro.
Fortaleça iniciativas que valorizam territórios, florestas e economias da sociobiodiversidade.Socioambiental se escreve junto. 

Fabiola Silva
Jeferson Straatmann
Instituto Socioambiental (ISA)
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