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(Millôr Fernandes)

domingo, 24 de maio de 2026

VAI DE GRAÇA —Tarifa Zero contabilizou 37,8 milhões de acessos no transporte público do DF

Domingo, 24 de maio de 2026

VAI DE GRAÇA
Tarifa Zero contabilizou 37,8 milhões de acessos no transporte público do DF

Programa aumentou em cerca de 70% o fluxo de passageiros aos domingos e feriados na capital federal

BRASIL DE FATO — Brasília (DF)

Seminário na CLDF reuniu pesquisadores, gestores e movimentos sociais para discutir os impactos da gratuidade no transporte do DF. | Crédito: João Pedro Carvalho/Agência CLDF

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, nesta quinta-feira (21), o 2º Seminário de Tarifa Zero no DF para avaliar os impactos do primeiro ano do programa “Vai de Graça”, que garante transporte gratuito aos domingos, feriados e datas específicas no sistema de ônibus e metrô da capital. O encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos, representantes de movimentos sociais e usuários do transporte coletivo para discutir os efeitos econômicos, sociais e estruturais da política implantada em março de 2025.

Dados apresentados pela Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) mostram que o programa contabilizou cerca de 37,8 milhões de acessos gratuitos no período analisado. Desse total, 89% ocorreram no sistema rodoviário e 11% no metrô. A média de passageiros aos domingos saltou de 271 mil para 461 mil usuários, crescimento de 70% em comparação ao período anterior à implantação da gratuidade.

O levantamento da CTMU aponta ainda que o benefício foi aplicado em 82 dias entre março de 2025 e fevereiro de 2026, sendo 52 domingos, sete feriados e 23 datas específicas, como Carnaval, aniversário de Brasília e festividades de fim de ano. Segundo os dados apresentados, os feriados registraram aumento médio de 73% na demanda do transporte público.

O investimento do Governo do Distrito Federal (GDF) no primeiro ano do programa foi de R$ 351,2 milhões, valor equivalente a 11% do custo operacional total do sistema de transporte público no período analisado. Desse montante, R$ 302 milhões foram destinados ao sistema de ônibus e R$ 49,1 milhões ao metrô. O custo médio por acesso foi estimado em R$ 9,28.


Economia e aumento da demanda

Durante o seminário, o pesquisador Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), apresentou um estudo que projeta impactos econômicos positivos caso a gratuidade seja ampliada para todos os dias da semana.

“A tarifa zero não é um ônus para os cofres públicos, porque o aumento do consumo gera arrecadação tributária imediata. Estimamos que a gratuidade integral injetaria mais de R$ 2,1 bilhões por ano na economia do Distrito Federal”, afirmou.

Segundo o pesquisador, a economia gerada para as famílias de regiões periféricas tende a ser direcionada ao comércio local, alimentação e pequenos serviços, fortalecendo a circulação de renda nas regiões administrativas.

Levantamento do Instituto Fecomércio-DF reforçou esse cenário. De acordo com os dados apresentados no seminário, 96% dos lojistas perceberam aumento no fluxo de clientes nos dias de gratuidade. Parte dos empresários relatou crescimento nas vendas entre 10% e 27,2%. O estudo também aponta que 54,4% dos usuários reinvestem o valor economizado com transporte em alimentação, enquanto 60% afirmaram ampliar o acesso a atividades de lazer e cultura.

Além dos impactos econômicos, a Secretaria de Economia do DF apresentou dados indicando aumento de 5,4% na emissão de notas fiscais e crescimento de 8,6% no valor médio das transações comerciais em dias contemplados pelo programa.
Infraestrutura, críticas e debate

Apesar da ampliação do acesso ao transporte, usuários relataram problemas de superlotação em linhas que ligam regiões como Santa Maria, Itapoã e São Sebastião à Rodoviária do Plano Piloto. O seminário também discutiu a necessidade de ampliar a infraestrutura urbana para acompanhar o aumento da demanda.

Representando o Metrô-DF, o superintendente de operações Renato Vilela destacou a integração tecnológica do sistema e a unificação da bilhetagem como medidas importantes para facilitar o deslocamento dos passageiros. Segundo ele, o metrô registrou 4,3 milhões de acessos gratuitos durante o período analisado.

“Nosso compromisso é trazer para a população a capacidade de usar o sistema de forma transparente e segura. Locomoção é tempo e dinheiro, e trabalhamos para que essa mobilidade fácil e rápida se reverta em economia real para o cidadão, tratando o transporte como um direito social”, declarou.

A coordenadora da associação Rodas da Paz, Ana Luiza Carbone, defendeu que a discussão sobre tarifa zero seja acompanhada por investimentos em mobilidade ativa, como ciclovias e calçadas acessíveis.

“Não adianta o ônibus ser de graça se o usuário não tem calçadas seguras ou infraestrutura para acessar o transporte com dignidade. Precisamos repensar a modelagem para a tarifa zero estimular a mobilidade ativa e não apenas o lucro das empresas, garantindo o direito pleno à cidade”, pontuou.

Outro dado apresentado pela CTMU mostrou que as 20 linhas mais utilizadas do sistema, o equivalente a apenas 2% das 951 linhas existentes, concentraram 21% da demanda total registrada pelo programa. Já 760 linhas consideradas de baixa utilização, que representam 80% da rede, atenderam o mesmo percentual de passageiros.

Transparência

A comissão também criticou a falta de transparência do Executivo na divulgação de dados operacionais. Segundo a CTMU, ainda existem divergências entre informações disponíveis no portal Mobilidade Transparente e dados encaminhados pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) à CLDF. Parlamentares cobraram pesquisas oficiais com usuários, divulgação detalhada dos custos do sistema e estudos sobre impactos ambientais e tributários da política pública.

Ao encerrar o seminário, o deputado distrital Max Maciel, presidente da Comissão na CLDF, afirmou que os resultados do programa reforçam a viabilidade da ampliação da gratuidade no transporte público do DF.

“O ‘Vai de Graça’ provou que o acesso à cidade aumenta o consumo e a segurança alimentar. Precisamos agora de um fundo de transporte e conselhos locais para que o usuário decida as linhas que realmente atendem seus desejos e necessidades”, declarou.

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Editado por: Clivia Mesquita

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Esta matéria foi originalmente postada no Brasil de Fato (DF) no dia 21.maio.2026
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