Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Embrapa e UFRJ estudam propriedades da romã do semiárido brasileiro

Domingo, 6 de fevereiro de 2011
Da Agência Brasil
Alana Gandra - Repórter

Rio de Janeiro - A Embrapa Agroindústria de Alimentos e a Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vão iniciar uma pesquisa que visa agregar valor à produção nacional de romã. O projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e terá participação de produtores do semiárido brasileiro.

A coordenadora do projeto, Regina Isabel Nogueira, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, informou à Agência Brasil que será pesquisada a safra que começou em dezembro e vai até este mês de fevereiro. Os pesquisadores pretendem confirmar se as características da romã, já conhecidas em outros países, alguns deles desde a antiguidade, permanecem em solo e clima brasileiros. Entre elas, o aproveitamento da fruta para a elaboração de ingredientes antioxidantes, que retardam o envelhecimento precoce e reduzem riscos para doenças como hipertensão e artrite.

Ao contrário de países da Europa, Ásia e Oriente Médio, que exploram a romã pelas suas propriedades boas para a saúde humana, essa fruta é pouco conhecida no Brasil. Seu consumo se limita à época das festas de final de ano. A fruta está sendo introduzida na região semiárida brasileira.

“E nós escolhemos fazer alguns processamentos com aquela fruta que você não consegue alcançar um padrão de comercialização dela fresca”, comentou Regina. “A nossa idéia é começar os estudos para já ter no Brasil algum conhecimento sobre essa fruta que vai ser produzida aqui, saber se ela vai manter as propriedades que traz do país de origem, se vai melhorar etc”.

A pesquisadora salientou que a participação dos produtores do semiárido é importante para os estudos. “A gente quer incentivar que eles produzam e agreguem valor a essa produção. A idéia do projeto é essa: estudar as diferentes fases da romã, caracterizando, elaborando alguns produtos. E ver o resultado disso, retornando para o produtor para que ele se motive a não ficar só no plantio experimental e, sim, começar a introduzir a agroindústria, a exemplo de outras coisas que aconteceram naquela região”. Ela citou o caso da uva, da manga e do melão, que se expandiram no semiárido.

O que se busca hoje é que os alimentos não sejam apenas nutritivos, mas também tenham propriedades funcionais, salientou. No caso da romã, a pesquisa objetiva, mais adiante, dizer, por exemplo, se um dos compostos bioativos da fruta, que é a antocianina, é bom para a saúde e contribui para diminuir a produção de radicais livres relacionados a algumas doenças coronárias, informou Regina. Destacou que o estudo ainda é incipiente, mas admitiu que “com o andar da carruagem, a meta é associar a parte farmacêutica também”.

Todas as partes da fruta serão utilizadas na pesquisa. A Escola de Química da UFRJ fará os estudos sobre as sementes da romã, enquanto a Embrapa Agroindústria desenvolverá as pesquisas sobre a casca e a polpa. Regina Nogueira disse que o projeto tem prazo para desenvolvimento de dois anos no CNPq. Caso ele seja incluído na programação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o prazo poderá ser alongado, visando a obtenção de maiores informações.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Choque

Sábado, 5 de fevereiro de 2011
Que houve o apagão em sete estados do Nordeste, não há dúvida, mesmo com a declaração de Edison Lobão, um dos ministro sarneyzistas do governo Dilma. A dúvida, se há, é quanto se existe mesmo um ministro das Minas e Energia no país.
Fifó, o novo símbolo do Ministério das Minas e Energia

O outro apagão

Sábado, 5 de fevereiro de 2011
 Por Ivan de Carvalho
Durante o apagão elétrico no Nordeste, os que ancoravam a difícil cobertura do incidente na Rede Bandeirantes (cobertura que, vale o registro, as demais redes de televisão aberta captadas em Salvador estranhamente quase ignoraram enquanto ele ocorria) faziam referência freqüente a um “outro apagão” – o das “autoridades” ou “fontes oficiais” que poderiam informar a população sobre o problema, mas haviam-se posto fora de contato.
    Bem, certamente ocorreu aí uma falta de respeito, não tanto aos veículos de comunicação social, ainda que também a eles, mas à população brasileira e especialmente aos pelo menos 30 por cento de cidadãos brasileiros que habitam no Nordeste e na parte do Norte atingida pelo blecaute. As pessoas foram deixadas duplamente nas trevas, sem a capacidade de tentar fazer um planejamento pessoal mínimo para enfrentar o apagão, por sequer terem uma estimativa do governo – ao menos das autoridades da área elétrica – sobre as perspectivas de normalização, no tempo e lugares, do fornecimento de energia. Pessoas, indústrias e centros industriais, transportes e sistemas de controle de trânsito, hospitais precisavam desesperadamente de esclarecimentos de emergência que ninguém apareceu para dar. Ou todos se esconderam para não dar.
    Não é este, no entanto, o “outro apagão” a que pretendia me referir ao escolher o título para estas linhas. A idéia veio de um dos fatos produzidos pelo apagão elétrico. No presídio Aníbal Bruno, em Recife, houve por conta da escuridão um tumulto que resultou na morte, à facadas, do preso Thiago Henrique Moraes da Silva, enquanto outro preso, Alexandre Gomes da Silva, ferido, foi levado a um hospital. A teoria das autoridades prisionais é de que aproveitaram-se as trevas para executar o preso que já estava marcado pelos “colegas” para morrer.
    E é exatamente aí que se insinua à denúncia e ao exame a sombra sinistra do “outro apagão”. Assumiu recentemente a presidência da República a presidente Dilma Rousseff (ela ainda insiste em presidenta, não tanto por vontade própria, mas por disciplina quanto a seguir as orientações do seu marketing político) com um discurso de defesa verdadeira (não fingida e seletiva, como é quase a praxe) dos direitos humanos, tanto internamente quanto internacionalmente.
    A iraniana Sakineh não pode ser apedrejada. Malvadezas em Cuba, na Coréia do Norte, na China, em Guantánamo não podem ser ignoradas. O Brasil respeita o princípio da autodeterminação dos povos, mas isto não significa a liberação da autodeterminação de governos criminosos para agirem à vontade, com o aval de nossa omissão diplomática e política ou até, como já aconteceu – caso Cuba – com a aprovação evidente da Presidência da República do Brasil.
    Mas ao levantar a vista para olhar essas próximas ou distantes paragens planetárias, não temos o direito de continuar ignorando o “outro apagão”, que está sob os nossos pés, e mais uma vez insinuou sua sombra terrível no incidente do presídio Aníbal Bruno, em Recife.
    É que na quase totalidade dos presídios brasileiros, onde apodrecem os presos comuns, homicidas, latrocidas, estelionatários, estupradores (estuprou, vai ser vítima de violência sexual no presídio, mas, se não estuprou, provavelmente será também, e tudo com o consentimento tácito das direções dos presídios), ladrões de galinha e até alguns inocentes condenados por equívoco judicial, os direitos humanos são teoria sem prática e a punição, por causa do desrespeito a esses direitos, vai muito além da pena estabelecida em sentença.
   Há um permanente apagão dos direitos humanos no sistema prisional brasileiro. E isso é, infeliz e incrivelmente, considerado normal pelas autoridades diretamente responsáveis pelo setor, que nem por isto são enquadradas pelas autoridades superiores. Esta concepção de normalidade é o mais aterrador – a parte mais escura – desse “outro apagão”.

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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pedra cantada

Sexta, 4 de fevereiro de 2011

As centrais sindicais, atreladas a partidos como são, estão dispostas a fazerem o que o governo quer. Já estão admitindo um salário mínimo pior do que os R$580 pelos quais esbravejavam que iriam brigar. Pelegas, por essência, devem ficar “pianinhas”. Discurso só para enganar os trabalhadores, dando a impressão de que estão brigando por salário mínimo justo.

E tome esporada no trabalhador.

Viu, viu!

Sexta, 4 de fevereiro de 2011
Não disse que vinha por aí mais uma desculpa esfarrapada. Veio! Segundo o sarneyzista Edison Lobão, que foi o ministro de energia do ex-presidento Lula e é o da atual presidenta Dilma, nada de apagão. Ele deve pensar que essa história de apagão, como diria o Tiririca, é coisa que colocam na cabeça da gente.

Aquela escuridão toda, e demorada, que houve aqui em Salvador, Bahia, e em mais oito estados brasileiros, é pura invenção das nossas mentes, ou da oposição.

E ele, o Lobão, ainda continuará nas Minas e Energia

Minha Nossa Senhora dos Fifós!

A complicada queda de um ditador

Sexta, 4 de janeiro de 2011 
Por Ivan de Carvalho
Em política, poucas coisas são tão gratificantes quanto a queda de um ditador. Isto não elimina o fato de que política é uma coisa muito complicada nem a possibilidade do que, intrinsecamente, é um acontecimento desejável, resultar, logo dobrada a esquina, em uma situação mais tormentosa ainda que a eliminada.

            Pouco depois de iniciados os protestos populares no Egito contra o governo de 30 anos (mandatos sucessivos obtidos em eleições controladas) do presidente-ditador Hosni Mubarak, escrevi sobre o assunto neste espaço, assinalando que uma das hipóteses que se abriam com a possibilidade do fim da Era Mubarak seria a de que a mudança política no Egito – a mais populosa nação árabe e limítrofe de Israel, o que a torna um elemento crítico para a paz na região e no planeta – poderia resultar numa instabilidade político-militar e diplomática de grande amplitude. E de agravamento progressivo, mas acelerado, vale a pena acrescentar agora.

            No momento, o que era, quando fiz a mencionada abordagem do tema, uma possibilidade, já se tornou uma certeza – logo chegará ao fim a Era Mubarak, iniciada em seguida ao assassinato do ex-presidente egípcio Anwar Sadat, que deflagrou uma guerra contra Israel e não a venceu, mas ganhou posição na opinião pública árabe para ser capaz de assinar um acordo de paz com este país, atraindo para acordo semelhante a Jordânia (outro país essencial no conflito regional por ser também limítrofe de Israel).

            A questão urgente neste momento não é quantos e quais erros (foram muitos) cometeu Mubarak no poder. Ele vai sair e a história resolverá isso algum dia, bem como julgará a importância que teve no processo de manutenção do que, tenho certeza, é um estado de paz provisória na região. Uma paz destinada a ser profunda e totalmente quebrada em futuro talvez não distante. É o resultado da rebelião, é se ela levará ao fim da paz.

            Entre as muitas questões envolvidas nos acontecimentos que se desdobram agora no Egito (com os gigantescos protestos de rua e os não menos intensos conflitos entre contestadores e simpatizantes de Mubarak), duas me parecem as mais importantes. Uma, a questão dos direitos humanos, uma ferida profunda na sociedade egípcia e, aliás, não raro com muito mais intensidade, em todos os países árabes e na quase totalidade dos países, incluindo não árabes, nos quais prevalece a religião islâmica.

No Egito, as instituições islâmicas não têm responsabilidade por isto, como não tinham no Iraque e não têm na Turquia, no Cazaquistão ou mesmo no Paquistão. Mas têm tudo a ver – não a doutrina do Corão, mas as instituições que orbitam em torno dele e o interpretam à sua própria maneira e à dos seus interesses – com regimes absurdos como o que domina o Irã ou o que dominou o Afeganistão no tempo dos talibãs. E muito a ver com o que acontece na Líbia, no Sudão e em dezenas de outros países asiáticos e africanos.

A outra questão: o grande perigo que há no Egito de agora é que, depois do anúncio de Mubarak de que terminará seu mandato em setembro e não buscará outro e das garantias de seu governo de que o filho dele, Gamal, não será candidato à sucessão do pai e de que de setembro poderá até haver uma antecipação da mudança para agosto, a mobilização de oposição sinta-se forte o suficiente (já vem dando sinal dessa crença) para transformar em realidade o grito de “Mubarak, saia já”.

Então, não haveria clima para preparar uma “transição ordenada”, mas para uma revolução talvez incontrolável, na qual os manifestantes insatisfeitos com a falta de empregos, a desigualdade social e a economia decadente podem ser instrumentalizados por facções políticas e religiosas que, no poder, cuidariam de por em prática o que têm na cabeça – incendiar o mundo árabe e mais algumas nações islâmicas contra Israel, que, suspeita-se, tem cerca de 200 bombas nucleares.

Então...
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

Iansã é guerreira, mas não é a responsável pelo apagão no Nordeste

Sexta, 4 de fevereiro de 2011
Em apagões anteriores as autoridades sempre jogam a culpa em Iansã, nos trovões, nos raios. A real culpada, contudo, é a incompetência dos governos.

Nos tempos do fifó

Sexta, 4 de fevereiro de 2011
Foto: Centro de Tradição Caipira de Rio Preto/SP
Horas depois do apagão de ontem (3/2), e da madrugada de hoje, que atingiu estados do Nordeste, o tal ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) nada divulgou sobre a escuridão vivida por milhões de brasileiros na noite desta quinta e madrugada de hoje.

Mas as explicações esfarrapadas, mais uma vez, devem estar a caminho.

Em novembro de 2009, no governo Lula, mas que tinha Dilma como a toda poderosa chefe da Casa Civil da Presidência, pelo menos 18 estados brasileiros ficaram sem luz. Naquela ocasião, desculpas esfarrapadas. Foi raio, não foi raio, foi isso, não foi isso, foi aquilo não foi aquilo.  Quatro dias depois daquela escuridão Dilma apareceu nas TVs e decretou o apagão como “caso encerrado”.

Foi “um caso encerrado”, mas não resolvido. Os investimentos na área continuaram modestos, os recursos do orçamento foram em grande parte “contigenciados”. Aliás, em 2009 de todos os ministérios foi o das Minas e Energia que mais teve recursos na chamada “reserva de contingência”. Foram R$5,8 bilhões (bilhões, isso mesmo) bloqueados pelo governo federal para compor as metas de superávit primário, que só servem para pagar os juros da dívida pública. E ainda tem gente que acredita que essa coisa de dívida já foi solucionada e não tem mais nada com as agruras do cidadão.

Naquele ano, 2009, outros R$15 bilhões do orçamento do ministério foram usados para pagamento de royalties de petróleo e gás aos estados e municípios. Restaram apenas míseros R$3,8 bilhões para aplicação em todos os programas da pasta, dentre eles projetos do setor energéticos do Brasil.

Como se esperar uma situação que não seja de apagão de quando em vez?

Preparemos então, pelo menos, os fifós dos tempos de nossos avós, pois vem mais escuridão por aí.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

STF adota medidas contra manobras destinadas a retardar o processo do mensalão

Quinta, 3 de fevereiro de 2011
Do STF
Por entender que não há omissões nem contradições no acórdão (decisão colegiada) em que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a 5ª Questão de Ordem na Ação Penal do mensalão (AP 470), suscitada pela defesa do ex-deputado federal e presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson (RJ), além de outros réus, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, nesta quinta-feira (04), o recurso de embargos de declaração interpostos contra essa decisão.

No recurso, a defesa de Roberto Jefferson insistiu em 13 questões que vem, sistematicamente, trazendo à Suprema Corte nos autos desse processo, sob a alegação de que em seu indeferimento haveria omissões e contradições. O relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, disse ser a “undécima vez que o réu recorre das mesmas decisões”, sempre com as mesmas alegações.

O Plenário endossou o argumento do relator de que se trata de nítida manobra para retardar o andamento da Ação Penal 470, em que 40 pessoas são acusadas de envolvimento em suposto esquema de compra de votos de parlamentares para votar a favor de projetos de interesse do governo no Congresso.

Diante do questionamento do ministro sobre a atitude a tomar diante de tais manobras procrastinatórias – que só estariam sendo praticadas pela defesa de Roberto Jefferson –, o Plenário decidiu por fim a elas. Daqui para frente, todos os recursos interpostos contra decisões do relator devem ser por este trazidos resumidamente ao Plenário, que as rejeitará, se continuarem utilizando os mesmos argumentos e forem intempestivas (fora de prazo) ou apresentarem outros vícios.

O caso
A exemplo do que já ocorrera em julgamento do Plenário de 8 de abril do ano passado, o relator rebateu a todos os argumentos reiterados pela defesa de Roberto Jefferson. Entre outros, está o inconformismo do ex-deputado contra a negativa de inclusão do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva como réu da AP 470, embora esse pedido já tivesse sido rejeitado pelo Plenário em 19 de junho de 2008.

A defesa reiterou, também, entre outros, a alegação de nulidade do processo desde a realização de interrogatório em Recife e em Brasília, no fim de 2007, sem a presença do próprio Roberto Jefferson.
Novamente, o relator informou que as audiências foram coordenadas por seu gabinete de maneira a dar aos advogados dos corréus a oportunidade de presenciá-las, se assim o desejassem. Entretanto, mesmo informado com antecedência, Jefferson a elas não compareceu.

Também refutando alegação reiterada pela defesa do ex-deputado federal, o ministro relator informou que as datas das audiências não foram coincidentes e houve, inclusive, a instrução para que os agendamentos de interrogatórios fossem comunicados ao gabinete para não haver coincidência de datas.

Entre os pontos alegados pela defesa e rejeitados pelo relator está, ainda, a falta de atualização do processo na secretaria do Supremo, o que estaria impedindo a defesa de conhecer do inteiro teor dos autos antes das audiências. Barbosa afirmou que a digitalização é feita num prazo considerado bom, além do que os autos físicos ficam disponíveis no Tribunal para a consulta da defesa.

A defesa contestou, ainda, a expedição de carta de ordem para a oitiva de testemunha sem que fossem julgados os embargos de declaração contra o recebimento da denúncia, embora os embargos de declaração não interrompam o curso do processo e os embargos já tivessem sido julgados.

Outras questões reclamadas pela defesa de Jefferson dizem respeito à publicação do acórdão; impossibilidade de formular perguntas ao ex-presidente da República, arrolado como testemunha no processo; acareação de Jefferson com testemunha e fornecimento de endereço de testemunhas.


Processos relacionados
AP 470

Que cumpram com as obrigações

Quinta, 3 de fevereiro de 2011

Deverá ocorrer na terça-feira (8/2) a escolha do novo corregedor e do ouvidor da CLDF —Câmara Legislativa do Distrito Federal. Que o ouvidor ouça. Que o corregedor cumpra realmente a suas atribuições de apurar e corrigir os erros e abusos de colegas distritais.

A CLDF até hoje não teve muita sorte com a maioria de seus corregedores. Alguns tiveram comportamento que merecia até mesmo investigação pela Corregedoria.

Também serão escolhidos no dia 8 de fevereiro os presidentes e vices das comissões permanentes.

Mais oito lambanças da CLDF contestadas pelo MPDF

Quinta, 3 de fevereiro de 2011
Que sabemos ser a CLDF —Câmara Legislativa do Distrito Federal— uma usina de leis inconstitucionais, sabemos. Mas a coisa passa dos limites, mesmo que os limites sejam os de assembléias legislativas de outras unidades da Federação. Nós, em Brasília, somos os maiorais. Raro o mês em que pelo menos uma porcaria de lei não é aprovada por nossos distritais.

Agora são oito leis feitas por suas excelências na mira do MPDF —Ministério Público do Distrito Federal (as leis, claro. É verdade que tem um monte de distritais também) Elaboradas todas elas como “agrado” a determinados grupos de eleitores, algumas acarretam prejuízos enormes ao patrimônio público.

O MPDF entrou no finalzinho de janeiro com uma Adin —Ação Direta de Inconstitucionalidade— para derrubar, de uma só vez, as oito lambanças da CLDF.

Uma dessas oito leis questionadas é a de número 1.501 de julho de 1997. A lei destina áreas de propriedade do Governo do DF na cidade do Paranoá para militares da PM e dos Bombeiros de Brasília.

O MPDF deve conseguir no Conselho Especial do TJDF —Tribunal de Justiça do Distrito Federal— a declaração de inconstitucionalidade de todas as oito leis, pois são elas flagrantemente inconstitucionais.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Canto pra Yemanjá

Quarta, 2 de fevereiro de 2011
Os Tincoãs

É dia de festa no mar da Bahia

Quarta, 2 de fevereiro de 2011
 Os cestos com os presentes de Yemanjá. Foto: Gama Livre

Pequenina, linda, graciosa e já no samba de roda. Foto: Gama Livre

A Rainha do Mar na Casa do Peso.  Foto: Gama Livre


                       Foto: Gama Livre
Um Raul Seixas ecológico contra a pesca com dinamite na Baía de Todos os Santos.

Mais disputa no Democratas

Quarta, 2 de fevereiro de 2011
 Por Ivan de Carvalho

No momento em que estas linhas eram escritas, as atenções do meio político e de uma parte, talvez não muito expressiva, da população, concentravam-se na eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados, cargo para o qual o candidato oficial – apoiado oficialmente pelo aglomerado de partidos governistas e pelos dois principais partidos de oposição, o PSDB e o Democratas – era o deputado petista gaúcho Marco Maia. Aliás, Maia já vinha, porque ocupava antes o cargo de primeiro vice-presidente da Câmara, exercendo a presidência desde que o peemedebista Michel Temer deixou este cargo para ser o vice-presidente da República.
           
            Não esperei pelo resultado. Maia tinha três desafiantes, nenhum deles uma ameaça à sua eleição – Sandro Mabel, “rebelde” do PR, cujo partido apoiava Marco Maia; Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro, militar reformado, radical e extremamente franco, figura polêmica por natureza; e Chico Alencar, do Psol do Rio de Janeiro.

  Os dois últimos justificavam suas candidaturas com o propósito de mostrar que nem todos, na Câmara dos Deputados, concordam que esta casa legislativa e, mais amplamente, o próprio Congresso Nacional, sejam um mero apêndice do Poder Executivo, sem independência para tomar decisões próprias e sempre obediente à vontade do presidente (vá lá, do presidento ou da presidenta) da República. Quanto a Sandro Mabel, que já andou profundamente metido em trapalhadas de natureza ética, só ele mesmo parecia capaz de entender a própria candidatura.

 Mas se as eleições no Congresso concentravam as atenções no meio político, corria em paralelo, chamando alguma atenção até pelo surpreendente e inusitado, o drama-quase comédia do Democratas, um partido em busca de rumo, ainda que seja (pelo menos por enquanto) o quarto no ranking dos maiores partidos do país.

 Bem, na segunda-feira a bancada do DEM na Câmara dos Deputados escolheu, por 27 votos contra 16 dados ao concorrente, o deputado baiano ACM Neto para líder da bancada. Isso vem sendo considerado uma espécie de prévia ou demonstração de força na disputa pelo comando do partido, que terá seu desfecho em 15 de março. E a vantagem de ACM Neto, de 11 votos numa bancada de 43 deputados, vem sendo considerada suficientemente ampla para desestimular o bloco que apresentaria como candidato a presidente da legenda o ex-senador pernambucano e ex-vice-presidente da República Marco Maciel.

 Mas isso, confirmando-se, encerra a disputa? Parecia, na superfície, que sim, mas constatou-se ontem que não. É que o outro grupo do atual presidente do partido, deputado fluminense Rodrigo Maia (do qual faz parte ACM Neto), ao contrário do que a mídia vinha equivocadamente fazendo parecer, não tem como candidato apenas o senador José Agripino Maia, do Rio Grande do Norte.

Este senador, que o ex-presidento Lula tanto se esforçou para derrotar, sem conseguir, tem um concorrente dentro do mesmo grupo – o deputado Ronaldo Caiado, de Goiás. Isto surpreendeu Agripino, a ponto de ele comentar para o Blog do Noblat que “você está mal informado, o Caiado me apóia”. Caiado, no entanto, confirmou ontem mesmo que sua candidatura foi colocada em dezembro, está de pé, e mais: “Estamos conversando. Vamos ver como será composta a Executiva. É um jogo de xadrez, não de damas onde há um mata-mata. Temos ainda 45 dias para definir”, ressaltou, falando ao mesmo blog.

            Aí complicou. Vão acabar disputando no DEM até o cocô do cavalo do bandido.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quarta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano

Salve a Rainha do Mar!

Quarta, 2 de fevereiro de 2011
Dorival Caymmi

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Toninho do Psol

Terça, 1 de janeiro de 2011
"Estranhei que o programa de TV do PDT tenha impedido o Sen. Cristovam de falar. Será retaliação do Lupi pelas criticas de CB a Agnelo no DF? (Toninho do Psol, candidato a governador do DF, continuando alfinetando no Twitter)
Eu apóio o povo egípcio. http://www.avaaz.org/apoieoegito  Junte-se a nós.

Não deu zebra. Sarney mas uma vez é presidente (ou presidento?) do Senado

Terça, 1 de fevereiro de 2011
A ética não tem vez no Senado. Pela quarta vez José Sarney, o dos atos secretos, é eleito presidente da Casa. E com 70 votos dos 81 possíveis.

Depois os senadores se perguntam o porquê da horrível imagem que o povo tem do Senado. Com Renans e Sarneys vai ser difícil a recuperação da imagem.

Ao senador Randolfe Rodrigues —Psol/Amapá— foram dados oito votos, o que até surpreendeu os aliados de Sarney, havendo ainda dois votos brancos e um nulo. A essa altura, há de ter gente lamentando a ausência do ex-senador José Roberto Arruda, aquele do arrombamento do painel de votação do Senado. Gostariam de saber os nomes de alguns dos onze parlamentares que não votaram no cacique maranhense.

Veja abaixo a face do novo/velho presidente do Senado, na visão do jornalista Palmério Dória, que ousou escrever um livro sobre o político que foi da UDN, da Arena, do PDS e do PMDB e poderá ser de qualquer outro partido. O que interessa é manter o poder, o poder de manipular presidentos e presidentas desse nosso Brasil varonil.


União gastou R$ 756 milhões com aluguel de imóveis em 2010

Terça, 1 de fevereiro de 2011
Do "Contas Abertas"
Milton Júnior

Já pensou em pagar um aluguel de R$ 63 milhões ao mês?! Bem, isso é o que a União pagou, em 2010, por imóveis alugados em todo o Brasil e até no exterior. No total, R$ 756,3 milhões foram gastos no ano passado com despesas de locação de imóveis. O valor representa aumento de 19% em relação ao ano anterior. Desde 2002, mais de R$ 4,3 bilhões (em valores corrigidos) foram desembolsados para arcar com a locação de salas, prédios, casas e até espaços para festas e eventos utilizados por órgãos ligados aos Três Poderes (veja a tabela).

Para se ter ideia da quantia gasta com locação de imóveis nos últimos nove anos, basta dizer que ela seria suficiente, por exemplo, para construir cerca de 174 mil casas populares de R$ 25 mil ou adquirir um espaço equivalente a quase quatro cidades do tamanho de São Paulo. Isso considerando o custo médio do m² no Brasil, que é de R$ 769, segundo dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE). 
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PAC tapou rombo de R$ 11,7 bi em 2010

Terça, 1 fevereiro de 2011
Deu em "O Estado de São Paulo"
Governo recorreu ao programa para fechar contas, infladas por gastos em ano eleitoral

A equipe econômica prometeu até os últimos dias de 2010 - mas não conseguiu - cumprir a meta de superávit primário das contas do setor público. Mesmo com forte crescimento econômico, arrecadação recorde, e uso de manobras contábeis que engordaram o caixa, o governo ainda teve de recorrer ao artifício de desconsiderar parte das despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para cumprir a meta.

Embora o resultado, o segundo menor do governo Lula, já fosse esperado pelos analistas, a divulgação dos números finais ontem pelo Banco Central (BC) alimenta as dúvidas sobre a promessa do governo de que 2011 será ano de ajuste fiscal.
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Leia a íntegra da reportagem.

ACM Neto e a liderança

Terça, 1 fevereiro de 2011 
Por Ivan de Carvalho
A eleição, no final da tarde de ontem, do deputado baiano ACM Neto para a função de líder do Democratas na Câmara dos Deputados, por 27 votos contra 16 dados ao paranaense Eduardo Sciarra foi um marco importante – ainda que não possa ser, por enquanto, considerado decisivo – na luta que está sendo travada pelo controle do partido.

    Esta não é uma luta ruim para o DEM, seja qual for seu resultado, mas tornou-se inevitável e a esta altura é considerada irreversível. Caso não haja muita competência e bom senso de ambas as partes, o resultado último poderá ser a extinção do Democratas, formalmente, porém bem mais provavelmente na prática.

    Se as coisas chegarem a esse estágio, o Democratas terá feito o que o ex-presidento Lula pediu às vésperas das eleições e o povo não fez. Lula dissera aos eleitores que o DEM precisava ser “extirpado”.

    Encolheu, por conta do papel que há anos escolhera de coadjuvante do PSDB (da mesma forma que o PMDB vem encolhendo por haver escolhido ser coadjuvante do PT, coisa de que muitos peemedebistas já estão se arrependendo), mas não foi extirpado, saindo das eleições ainda como o quarto maior partido brasileiro. A disputa interna, no entanto, pode fazer o que o eleitorado não fez.

   A vitória de ACM Neto na batalha pela liderança democrata na Câmara dos Deputados aproxima o grupo liderado por políticos como o próprio ACM Neto, o senador José Agripino, os deputados Rodrigo Maia (atual presidente nacional do DEM), Ronaldo Caiado e o baiano José Carlos Aleluia (um dos vice-presidentes) de outra vitória, pelo comando do partido. Nesse grupo também está Rosalba Carlini, governadora do Rio Grande do Norte.

    No outro lado estão, principalmente, o presidente de honra do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen, o outro governador do DEM, Raimundo Colombo, de Santa Catarina, o ex-líder Paulo Bornhausen, filho de Jorge, a senadora Kátia Abreu e o ex-senador Marco Maciel, ex-vice-presidente da República. E, claro, o prefeito de São Paulo, Jorge Kassab, que pode ser considerado, em grande medida, o pivô dessa disputa no DEM.

    Kassab, ligado ao tucano José Serra, quer ser candidato a governador de São Paulo em 2014 e para isto sua estratégia passa por atrair o PMDB paulista, cujo quase eterno controlador, Orestes Quércia, morreu há pouco tempo de câncer. Mas Kassab quer ter a seu serviço tanto o PMDB (para onde poderá acabar migrando) quanto o Democratas. A vitória de ACM Neto, ontem, é uma pedra em seu caminho, pois, entre outras coisas, sugere fortemente que o grupo simpático a Kassab no DEM está em desvantagem na batalha pelo controle da legenda.

   Claro que a escolha de ACM Neto para a liderança do Democratas na Câmara dos Deputados e a perspectiva de que o grupo partidário em que se inscreve (e que tem mais ligações com o tucano Aécio Neves que com o tucano José Serra) assuma o controle nacional democrata dá algum oxigênio à seção baiana do DEM e reforça a liderança pessoal de Neto na Bahia. Também de Aleluia, se o grupo em que está vencer a luta pelo comando nacional do DEM.
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   Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
   Ivan de Carvalho é jornalista baiano.