Sexta,
4 de janeiro de 2013
Por
Ivan de Carvalho
Peço licença para sugerir aos
donos do jornal e ao diretor de redação que me concedam licença por um tempo,
antes que leitores comecem a me considerar maluco, se é que isto não aconteceu
ainda. É que ando escrevendo muito sobre “fim dos tempos”, profecias,
apocalypse, essas coisas que as pessoas sensatas consideram insensatez. E, para
complicar mais ainda a situação, escrevendo sobre tais coisas em um espaço
preferencialmente (não obrigatoriamente, é verdade) dedicado à política.
Mas
enquanto não me concedem a licença, vejam isso. Diz notícia do portal de internet
G1 que o cantor Zeca Pagodinho percorreu na manhã de ontem as ruas de Xerém, no
município de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), para ajudar as vítimas da
chuva que atinge várias regiões do estado do Rio de janeiro desde a noite de
quarta-feira.
Em
entrevista que deu à TV Globo, Zeca Pagodinho – conta a reportagem – disse que
sua casa foi “mais ou menos afetada” pela chuva. Ele disse que vive lá há quase
20 anos e nunca viu nada parecido. “Lá em cima a situação está muito ruim, tem
criança desaparecida, tem família soterrada, tem casa que desceu rio abaixo.
Havia 200 desabrigados em Xerém e já confirmada pelo menos uma morte.
Três alternativas:
1.
Uma tempestade tropical normal somada a uma povoação mal localizada.
2.
Um sinal do “fim dos tempos”. Sem exagero. Na Bíblia se antecipa que no fim dos
tempos – insisto, não se fala em fim do mundo – “até os ribeiros matarão”.
3.
Um efeito do projeto HAARP, a sigla em inglês para um programa americano cuja
estação oficialmente reconhecida está no Alaska. Há quem diga que existem cinco
estações desse tipo no mundo, sendo três controladas pelos Estados Unidos, uma
pela Otan e uma pelo Reino Unido. O objetivo real do projeto HAARP é o de
controle climático mediante emissões de grande potência de radiofrequência
muito baixa. Emitidas, elas atingem a ionosfera, empurram-na para cima, criam
um vácuo que é imediatamente preenchido por vapor de água.
O processo é complexo, mas teoricamente (e provavelmente
já na prática) pode causar tempestades de chuva, com ou sem granizo, tornados,
e, já ou mais adiante, furacões, terremotos, maremotos. Muitos o supõem capaz
disso tudo e de, mudando a direção dos ventos, enviar furacões de volta ao mar,
evitando que atinjam continentes, ou provocar secas, inclusive secas muito
prolongadas. Há suspeitas que um similar russo (anterior ao HAARP) produziu uma
devastadora seca de três anos na Califórnia. Foi detectada uma gigantesca
estação soviética (a URSS ainda existia) como fonte das emissões, mas as
desconfianças eram impossíveis de comprovar. A seca californiana acabou quando
a estação americana do Alaska surgiu.
E que tem o Rio de Janeiro com isso? O fenômeno
dos chamados “rastros químicos” espalhados com muita frequência por aviões da
Força Aérea nos Estados Unidos. Esses “rastros químicos” são como rastros de
aviões a jato, mas demoram muitas horas antes de se dispersarem. Pode ser um
bombardeio para facilitar a precipitação das nuvens em chuva ou até uma rede
guia para as radiofrequências do sistema HAARP. Pelo menos uma vez, os “rastros
químicos” já foram vistos nos céus do Rio de Janeiro. Ninguém deu explicações,
nem a mídia tradicional questionou. Em janeiro de 2011 chuvas torrenciais – um
verdadeiro tsunami pluvial e fluvial – causaram devastação na região serrana do
Rio. Teresópolis, Nova Friburgo e Itaipava estiveram no centro da catástrofe.
Mas como janeiro é mesmo época de chuva, tudo ficou por conta de um
surpreendente capricho da natureza. Agora, exatamente dois anos depois (menos
dois ou três dias), a água despenca em Xerém. Mas não tem problema: os
meteorologistas estão explicando tudo no quadro de clima dos telejornais.
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Este artigo foi publicado
originariamente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista
baiano.
