Domingo, 6 de julho de 2014
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
Adriano Belisário
Negócios familiares, proximidade com governos, financiamento de
campanhas e diversificação de atividades – da telefonia ao setor
armamentício – compõem a história das gigantes Odebrecht, OAS, Camargo
Corrêa e Andrade Gutierrez
Apesar de mais conhecidas no Brasil por sua atuação no setor de
construção civil, as chamadas “quatro irmãs” – Odebrecht, OAS, Camargo
Corrêa e Andrade Gutierrez – hoje atuam em diversas outras atividades.
As empreiteiras respondem apenas por parte dos lucros destes grupos
econômicos que atuam em todos os continentes, com foco nos mercados da
África, América Latina e Ásia. Juntas, possuem empreendimentos que vão
do agronegócio à moda, passando pela petroquímica, setor armamentício,
telefonia e operação de concessões diversas.
Os controladores, porém, permanecem os mesmos e os maiores ganhos
ficam com as famílias que comandam as empresas. “O controle de base
familiar é uma característica da formação do capital monopolista dos
grupos econômicos constituídos no Brasil. Embora isso não impeça a
abertura de capital, esta é feita de modo a preservar sempre o controle
acionário dos ativos mais rentáveis pelas famílias controladoras. Isso
confere à estrutura societária desses grupos um formato piramidal, em
que um controlador último controla toda uma cadeia de empresas”, analisa
o cientista político da Universidade Federal do Estado do Rio de
Janeiro (UNIRIO) João Roberto, que coordena o Instituto Mais Democracia.
Além do controle familiar, outro traço comum é o fato de serem
grandes financiadoras de campanhas. Entre as eleições de 2002 e 2012,
juntas, as quatro empresas investiram mais de R$ 479 milhões em diversos
comitês partidários e candidaturas pelo Brasil. No Estado do Rio de
Janeiro, o PMDB é de longe o partido mais beneficiado, com R$ 6,27
milhões, mais que a soma dos quatro seguintes: PT, PSDB, PV e DEM. Porém
os repasses podem ser ainda maiores em anos não-eleitorais. Em 2013,
por exemplo, somente a Odebrecht repassou R$ 11 milhões dos R$ 17
milhões arrecadados pelo PMDB. Veja mais no infográfico:
[Dê um clique sobre a imagem para ampliá-la]
Infografia: Bruno Fonseca
Além dos contratos para obras públicas, o governo federal também
incentiva o negócio dessas empresas através do BNDES. Por meio da Lei de
Acesso à Informação a reportagem apurou que, entre 2004 e 2013, o banco
realizou 1665 transferências para as construtoras das “quatro irmãs”,
totalizando mais de R$ 1,7 bilhão em empréstimos. Deste total, a
Odebrecht e Andrade Gutierrez foram as maiores beneficiadas, levando R$
1,1 bilhão. As duas também lideram o ranking de desembolsos para
operações de exportação entre 2009 e março de 2014. Juntas, levaram mais
de U$ 5,8 bilhões em empréstimos neste segmento. “É importante chamar a
atenção para o fato de que o BNDES também tem participações, através do
BNDESPAR no capital de empresas controladas pelas referidas
empreiteiras, como a CPFL, controlada pela Camargo Correa; a Braskem,
controlada pela Odebrecht; e da Oi/Telemar, controlada pela Andrade
Gutierrez”, destaca João Roberto.
Conheça a história dessas quatro gigantes.