Segunda, 7 de janeiro de 2013
Carlos Newton
A juíza federal Adriana Freisleben de Zanetti, da 5ª Vara Federal
Criminal de São Paulo, determinou o comparecimento quinzenal de Rosemary
Noronha em juízo, pessoalmente, para informar e justificar atividades, e
esses 15 dias se completam hoje, 7 de janeiro.
O clima é de grande suspense e os jornalistas devem fazer plantão
diante da 5ª Vara Federal, tentando entrevistar ou pelo menos fotografar
a ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, que é
íntima de Lula e foi sua acompanhante em 24 viagens internacionais,
quando estiveram juntos visitando 32 países, na ausência da
primeira-dama, dona Marisa Letícia.
A ex-chefe de gabinete da Presidência continua proibida do exercício
de atividade ou função pública e de se ausentar do País sem autorização
judicial. Mas a juíza atendeu a um pedido do criminalista Celso
Vilardi, um dos advogados de Rose (ela tem três, além do ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, que coordena a defesa),
e já liberou a ex-assessora de Lula para que possa circular sem
restrições dentro do País, embora ela esteja sem ir às ruas desde a
eclosão do escândalo, só tendo saído uma vez, às escondidas, para
prestar depoimento.
“Eu aleguei que as medidas impostas à minha cliente eram até mais
severas do que aquelas aplicadas a outros investigados que chegaram a
ter prisão decretada”, disse o advogado, garantindo: “Rose vai
comparecer rigorosamente a todos os atos a que for intimada”.
VAI OU NÃO VAI?
Como se vê, o advogado não esclareceu se sua cliente estará hoje na
Vara Federal ou se, “distraidamente”, vai desconhecer que os 15 dias se
esgotaram e ficar aguardando intimação, embora a decisão da juíza
Adriana Zanetti especifique quando e de que forma suas determinações
devem ser cumpridas.
Se a manobra do advogado for nesse sentido de aguardar intimação, não
há dúvida de que será muito arriscada, porque a juíza então poderá até
decretar a prisão preventiva de Rose, por desobediência à ordem
judicial.
Na direção do PT e no Instituto Lula, o clima é de muita apreensão,
porque Rose é conhecida por seu temperamento explosivo. Por isso, desde
que irrompeu o escândalo da Operação Porto Seguro, desfechada pela
Polícia Federal para desbaratar a quadrilha que agia em agências
reguladoras e no próprio governo, a cúpula do PT e o comando do
Instituto Lula (leia-se: Paulo Okamoto, Luiz Dulci, Paulo Vannuchi, Clara Ant e José de Filippi Júnior)
estão mantendo Rose em local incerto e não sabido, onde ela está
vivendo numa espécie de cárcere privado, pois não pode sair em hipótese
alguma e está impedida até de atender ao telefone.
Mas essa estratégia não poderá durar para sempre, porque Rose está obrigada a comparecer em juízo a cada 15 dias.
Fonte: Tribuna da Imprensa
