Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Compreender a Dívida Pública

Quinta, 2 de novembro de 2011
 Do resistir.info

Justiça da Grã-Bretanha autoriza extradição de Assange para ser julgado na Suécia por crime sexual

Quarta, 2 de novembro de 2011
Da Agência Brasil
Renata Giraldi
A Justiça da Grã-Bretanha autorizou hoje (2) a extradição do criador e fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, de 40 anos, para a Suécia. Ele é acusado de abuso sexual e estupro, crimes que, segundo a Justiça, ocorreram em Estocolmo, capital da Suécia, em 2010. O australiano nega as acusações e se disse vítima de manipulação política de grupos contrários ao trabalho do WikiLeaks.

Assange sinalizou hoje (2) que pretende recorrer da decisão. Ele tem duas semanas para recorrer à Suprema Corte da Grã-Bretanha. Mas ele próprio disse que só tomará essa decisão caso conclua que o tema trata de uma questão de "importância pública". Se a decisão da Justiça britânica for mantida, determinando sua extradição para a Suécia, a medida deve ser executada em um prazo de dez dias.

O criador e fundador do WikiLeaks virou um personagem público depois que o portal publicou documentos secretos envolvendo vários governos, principalmente o dos Estados Unidos, e empresas, referentes a assuntos de Estado e de diplomacia.

Assange está em liberdade, mas deve usar uma pulseira eletrônica e permanecer em uma residência no Oeste de Inglaterra, localizada a 200 quilômetros de Londres. A decisão de hoje da Justiça britânica é resultado de um recurso impetrado por Assange contra a sentença do tribunal de primeira instância, que, em fevereiro, decidiu favoravelmente à sua extradição da Grã-Bretanha para a Suécia.

Os responsáveis pelo WikiLeaks definem o portal como sendo uma organização transnacional sem fins lucrativos, com sede na Suécia, que publica informações, documentos e fotos vazadas de governos ou empresas sobre assuntos considerados de interesse público.

Rio de Janeiro foi o estado que mais recebeu verbas para entidades sem fins lucrativos

Quarta, 2 de novembro de 2011
Do "Contas Abertas

Dyelle Menezes
Na tentativa de passar o pente-fino nos contratos firmados entre o governo federal e as entidades sem fins lucrativos, na última segunda-feira (31), a presidente Dilma Rousseff assinou decreto para suspender durante 30 o repasse de verbas para esse tipo de instituição. Este ano, dentre todas as unidades da federação, o Estado do Rio de Janeiro foi o que mais recebeu repasse pela chamada “modalidade 50”, cerca de R$ 494,6 milhões. Essa forma de pagamento, destinada a entidades privadas sem fins lucrativos, por meios das ONG’s, esteve no centro das denúncias que derrubaram os ex-ministros Orlando Silva (Esporte) e Pedro Novais (Turismo).
 
Em 2011, aproximadamente R$ 2,2 bilhões já foram desembolsados para as 27 unidades federativas, incluindo o Distrito Federal, que ocupa a segunda posição em relação ao montante desembolsado nesta modalidade de pagamento. As entidades com sede no DF receberam R$ 352,7 milhões este ano. Na terceira colocação está o Estado de São Paulo, que embolsou a quantia de R$ 329,9 milhões. (veja tabela com todos os Estados). 
 

Marcelo Freixo e as milícias do Rio de Janeiro

Quarta, 2 de novembro de 2011
Deputado estadual de São Paulo fala sobre as ameaças das milícias a deputado do Rio de Janeiro

Possibilidade de Plebiscito na Grécia causa a ira do "Mercado"

Quarta, 2 de novembro de 2011
Da "Auditoria Cidadã da Dívida"
Os jornais de hoje [1/11] destacam a crise generalizada nas bolsas do mundo inteiro, pelo fato de o Primeiro Ministro da Grécia, George Papandreou, ter proposto um Plebiscito para que a população grega decida se aceita ou não as medidas propostas pelos líderes da União Européia, na semana passada: demissões em massa, cortes de gastos sociais, privatizações, dentre várias outras.

Apesar de ainda não estar claro o real objetivo político de Papandreou com esta proposta, o certo é que, mais uma vez, ficou evidente que o “mercado” (ou seja, os rentistas) não quer nem ouvir falar em democracia real, atualmente reivindicada pelas manifestações no mundo todo. A pressão do “mercado” é imensa, mesmo que tal Plebiscito seja apenas uma possibilidade (já dificultada pelo fato de o governo ter uma frágil maioria no Parlamento), e sequer possa decidir sobre as inúmeras medidas nefastas já aprovadas antes deste novo pacote da União Européia (UE).

Como sempre, a grande imprensa cobriu este episódio dando a entender que a Grécia e sua população seria irresponsável, “caloteira”, por submeter a voto as medidas de “austeridade” colocadas como condição para os rentistas aceitarem uma redução da dívida. Porém, omite-se que foram os próprios bancos privados que estimularam a Grécia a se endividar fortemente (inclusive com a utilização de instrumentos ilegais de endividamento), e depois multiplicaram as taxas de juros exigidas para o refinanciamento destas dívidas.

Também não se fala que tais bancos sempre dispuseram de auxílio ilimitado do Banco Central Europeu (BCE) durante a crise global iniciada em 2008, tendo acesso a empréstimos baratos (de cerca de 1% ao ano) para emprestarem à Grécia por taxas várias vezes maiores. Nos últimos meses, os rentistas – em conluio com as “agências de classificação de risco” - estavam exigindo juros de mais de 15% ao ano para refinanciar a dívida grega, o que caracteriza um autêntico cartel, e uma total alteração das condições anteriores, o que pode ser questionado pelo artigo 62 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados.

Tal aumento deliberado das taxas de juros empurrou a Grécia para o FMI e a UE, para tomar empréstimos (necessários para o refinanciamento da dívida anterior) condicionados, claro, a medidas nefastas neoliberais.

Acesse "Auditoria Cidadã da Dívida"

O novo caminho se perde na Polícia Civil

Quarta, 2 de novembro de 2011
Não bastassem as inúmeras substituições que já ocorreram em secretarias, administrações e em outros cargos de escalão superior do governo Agnelo Queiroz, contribuindo, certamente, para o imobilismo que se verifica nas ações do governo, hoje foi a vez da queda da delegada Mailine Alvarenga. Ela foi substituída pelo delegado Onofre de Moraes, titular da delegacia do Cruzeiro.

Essa mudança se deve muito à inquietação no seio da Polícia Civil. Não só o movimento reivindicatório de que se cumpram os compromissos assumidos por Agnelo, mas também a reação ao discurso do governador ao se defender das denúncias que a cada dia pipocam na mídia sobre o programa Segundo Tempo, quando respondia ele pelo ministério dos Esportes.

Em manifestação de sua assessoria de comunicação, o governador acusou segmentos da Polícia Civil do DF de terem agido com má-fé e a serviço de terceiros para prejudicar-lhe. A acusação incluiu principalmente o delegado que chefiou as investigações da Operação Shaolin, e que resultou na prisão do soldado PM João Dias, que agora denuncia o esquema montado com o programa Segundo Tempo.

O que causa estranheza a alguns, é que a substituição da delegada Mailine Alvarenga tenha colocado em seu cargo o delegado Onofre de Moraes, velho aliado de governos passados.

Sua delegacia, a do Cruzeiro, ocupou espaços na imprensa quando do chamado Sudoeste Caboclo, episódio que teria envolvido o PM João Dias, secretário de estado e assessores próximos do governador, além de doleiros. A delegacia não pode registrar o rolo, pois acusadores e acusados se evadiram do local. 

Onofre chegou a ser candidato a deputado distrital em eleições anteriores em aliança com o ex-governador Joaquim Roriz.

Sobre o conflito na USP

Quarta, 2 de novembro de 2011
Ninguém está acima da lei. Mas, quem é ninguém? O que é a lei? Qual é a verdade?

por Jorge Luiz Souto Maior, prof. livre docente da Faculdade de Direito da USP
Para deslegitimar o ato de estudantes da USP, que se postaram contra a presença da polícia militar no campus universitário, o governador Geraldo Alckmin sentenciou: “Ninguém está acima da lei”, sugerindo que o ato dos estudantes seria fruto de uma tentativa de obter uma situação especial perante outros cidadãos pelo fato de serem estudantes. Aliás, na sequência, os debates na mídia se voltaram para este aspecto, sendo os estudantes acusados de estarem pretendendo se alijar do império da lei, que a todos atingem.

Muito precisa ser dito a respeito, no entanto.

Em primeiro lugar, a expressão, “Ninguém está acima da lei”, traduz um preceito republicano, pelo qual, historicamente, se fixou a conquista de que o poder pertence ao povo e que, portanto, o governante não detém o poder por si, mas em nome do povo, exercendo-o nos limites por leis, democraticamente, estatuídas. O “Ninguém está acima da lei” é uma conquista do povo em face dos governos autoritários. O “ninguém” da expressão, por conseguinte, é o governante, jamais o povo. Claro que nenhum do povo está acima da lei, mas a expressão não se destina a essa obviedade e sim a consignar algo mais relevante, advindo da luta republicana, isto é, do povo, para evitar a deturpação do poder.

Nesse sentido, não é dado ao governante usar o preceito contra atos de manifestação popular, pois é desses atos que se constroem, democraticamente, os valores que vão se expressar nas leis que limitarão, na sequencia, os atos dos governantes.

Dito de forma mais clara, a utilização do argumento da lei contra os atos populares é um ato anti-republicano, que favorece o disfarce do império da lei, ao desmonte da contestação popular aos valores que estejam abarcados em determinadas leis.

Foi isso, aliás, que se viu recentemente em torno do direito das pessoas se manifestarem, de forma organizada e pacífica, contra a lei que criminaliza o uso da maconha. Todos estão sob o império da lei, mas não pode haver obstáculos institucionalizados para a discussão pública da necessidade ou não de sua alteração.

A lei, portanto, não é ato de poder, não pertence ao governante. A lei deve ser fruto da vontade popular, fixada a partir de experiências democráticas, que tanto se estabelecem pelo meio institucionalizado da representação parlamentar quanto pelo livre pensar e pelas manifestações públicas espontâneas.

E, ademais, qual é a verdade da situação? A grande verdade é que os alunos da USP não estão querendo um tratamento especial diante da lei. Não estão pretendendo uma espécie da vácuo legal, para benefício pessoal. Para ser completamente, claro, não estão querendo fumar maconha no Campus sem serem incomodados pela lei. Querem, isto sim, manifestar, democraticamente, sua contrariedade à presença da PM no Campus universitário, não pelo fato de que a presença da polícia lhes obsta a prática de atos ilícitos, mas porque o ambiente es colar não é, por si, um caso de polícia.

Querem pôr em discussão, ademais, a legitimidade da autorização, dada pela atual Direção da Universidade, em permitir essa presença.

A questão da legitimidade trata-se de outro preceito relevante do Estado de Direito, pois a norma legal, para ser eficaz, precisa ser fixada por quem, efetivamente, tem o poder institucionalizado, pela própria ordem jurídica, para poder fazê-lo e, ainda, exercer esse poder em nome dos preceitos maiores da razão democrática.

Vejamos, alguém pode estar questionando o direito dos alunos de estarem ocupando o prédio da Administração da FFLCH, sob o argumento de que não estão, pela lei, autorizados a tanto. Imaginemos, no entanto, que a Direção da Unidade, tivesse concedido essa autorização. A questão, então, seria saber se quem deu autorização tinha a legitimidade para tanto e mais se os propósitos da autorização estavam, ou não, em conformidade com os preceitos jurídicos voltados à Administração Pública.

Pois bem, o que os alunos querem é discutir se a autorização para a Polícia Militar ocupar os espaços da Universidade foi legítima e quais os propósitos dessa autorização. Diz-se que a presença da Polícia Militar se deu para impedir furtos e, até, assassinatos, o que, infelizmente, foi refletido em fatos recentes no local. Mas, para bem além disso, a presença da Polícia Militar tem servido para inibir os atos democráticos de manifestação, que, ademais, são comuns em ambientes acadêmicos, envoltos em debates políticos e reivindicações estudantis e trabalhistas. Uma Universidade é, antes, um local experimental de manifestações livres de ideias, instrumentalizadas por atos políticos, para que as leis, que servirão à limitação dos atos dos nossos governantes, possam ser analisadas criticamente e aprimoradas por intermédio de práticas verdadeiramente democráticas.

A presença ostensiva da Polícia Militar causa constrangimentos a essas práticas, como, aliás, se verificou, recentemente, com a condução de vários servidores da Universidade à Delegacia de Polícia, em razão da realização de um ato de paralisação de natureza reivindicatória, o que lhes gerou, dentro da lógica de terror instaurada, a abertura de um Inquérito Administrativo que tem por propósito impingir-lhes a pena da perda do emprego por justa causa.

Dir-se-á que no evento que deu origem à manifestação dos alunos houve, de fato, a constatação da prática de um ilícito e que isso justificaria o ato policial. Mas, quantas não foram as abordagens que não geraram a mesma constatação? De todo modo, a questão é que os fins não justificam os meios ainda mais quando os fins vão muito além do que, simplesmente, evitar a prática de furtos, roubos, assassinatos e consumo de drogas no âmbito da Universidade, como se tem verificado em concreto.

Há um enorme “déficit” democrático na Universidade de São Paulo que de um tempo pra cá a comunidade acadêmica, integrada por professores, alunos e servidores, tem pretendido pôr em debate e foi, exatamente, esse avanço dessa experiência reivindicatória que motivou, em ato de represália, patrocinado pelo atual reitor, o advento da polícia militar no campus, sob a falácia da proteção da ordem jurídica.

A ocupação da Administração da FFLCH pelos alunos, ocorrida desde a última quinta-feira, não é um ato isolado, advindo de um fato determinado, fruto da busca frívola de se “fumar maconha” impunemente no campus. Fosse somente isso, o fato não merecia tanta repercussão. Trata-se, isso sim, do fruto da acumulação de experiências democráticas que se vêm intensificando no âmbito da Universidade desde 2005, embora convivendo, é verdade, com o trágico efeito do aumento das estratégias repressoras. Neste instante, o que deve impulsionar a todos, portanto, é a defesa da preservação dos mecanismos de diálogo e das práticas democráticas. Os alunos, ademais, ainda que o ato tenha tido um estopim, estão sendo objetivos em suas reivindicações: contra a precarização dos direitos dos trabalhadores; contra a privatização do ensino público; contra as estruturas de poder arcaicas e autoritárias da Universidade, regrada, ainda, por preceitos fixados na época da ditadura militar; pela realização de uma estatuinte; e contra a presença da Polícia Militar no Campus, que representa uma forma de opressão ao debate.

O ato dos alunos, portanto, é legítimo porque seus objetivos estão em perfeita harmonia com os objetivos traçados pela Constituição da República Federativa do Brasil, que institucionalizou um Estado Democrático de Direito Social e o fato de estarem ocupando um espaço público para tanto serve como demonstração da própria origem do conflito: a falta de espaços institucionalizados para o debate que querem travar.

A ocupação não é ato de delinquência, trata-se, meramente, da forma encontrada pelos alunos para expressar publicamente o conflito que existe entre os que querem democratizar a Universidade e os que se opõem a isso em nome de interesses que não precisam revelar quando se ancoram na cômoda defesa da “lei”.

São Paulo, 30 de outubro de 2011.

Fonte: Diretório Central dos Estudantes da USP

Requiem de Mozart

Quarta, 2 de novembro de 2011

Manifestantes protestam contra ameaça de morte ao deputado Freixo

Terça, 1 de novembro de 2011
Acesse o Jornal do Brasil e veja fotos da manifestação contra as ameaças ao deputado carioca.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Gravações feitas pela Polícia Civil mostram relação entre governador Agnelo e policial João Dias

Terça, 1 de novembro de 2011
As gravações foram feitas em 2010 com autorização da Justiça para apurar suposto desvio de dinheiro do Ministério do Esporte. De acordo com a polícia, Dias pediu ajuda de Agnelo para elaborar a defesa na ação civil do Ministério Público Federal.
Vídeo: Máteria do DFTV 2ª Edição 01/11/2011

Fonte: G1 - DFTV 2ª Edição // Blog do Sombra

Deputados criticam poder excessivo da Fifa na Lei Geral da Copa

Terça, 1 de novembro de 2011
Da Agência Câmara
Em debate na Câmara, representantes de entidades de defesa do consumidor também contestaram a possibilidade de venda casada de ingressos pela Fifa e a falta de critérios para devolução e reembolso das entradas. Relator não descarta mudanças na proposta (PL 2330/11).

Deputados criticaram nesta terça-feira (1º) o que classificaram como “poder excessivo” conferido à Federação Internacional de Futebol (Fifa) no projeto da Lei Geral da Copa do Mundo de 2014 (PL 2330/11, do Executivo). Em audiência pública na comissão especial responsável pela análise da proposta, outros parlamentares manifestaram preocupação com o rompimento de regras previamente acertadas com a Fifa, no protocolo assinado pelo governo brasileiro com a entidade.
O deputado Romário (PSB-RJ) disse que “a Fifa não pode mandar no nosso País”. Ele destacou que a instituição está marcada por acusações e que o presidente do Comitê Organizador da Copa, Ricardo Teixeira, também é alvo de diversas denúncias de corrupção. O parlamentar contestou o dispositivo do projeto de lei que isenta a Fifa de responsabilidade por danos sofridos pelo consumidor em relação à sua segurança. Romário irá propor uma emenda, a fim de estabelecer a responsabilidade solidária da federação e do Poder Público.
“Não podemos permitir que se crie o Estado Fifa dentro do Estado brasileiro”, afirmou o deputado José Rocha (PR-BA). O parlamentar defendeu que sempre sejam oferecidos ingressos avulsos para o consumidor. Já a questão do consumo de bebida alcoólica dentro dos estádios, na visão de Rocha, pode ser discutida, estabelecendo-se, por exemplo, áreas específicas onde o consumo seja permitido. Por sua vez, o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) disse que formulará emenda com o intuito de prever ingressos a preços populares para o evento.

Protocolo
Os deputados Edio Lopes (PMDB-RR) e Cesar Colnago (PSDB-ES) pediram que cópia do protocolo, contendo todas as exigências da Fifa para a realização da Copa no Brasil, seja enviado à comissão. O presidente da comissão especial, deputado Renan Filho (PMDB-AL), informou que já solicitou ao governo cópia do documento.


“Na negociação do projeto de lei, nós vamos romper protocolos previamente acertados com a Fifa?”, questionou Édio Lopes. “Foi acertado que romperíamos certas regras internas para poder sediar esse evento”, afirmou. “Será que o governo negociou mal com a Fifa?”, questionou Cesar Colnago “Se alguém negociou algo que fere os nossos direitos fundamentais e sociais, negociou mal”, opinou.

Segundo o relator da proposta, deputado Vicente Candido (PT-SP), que já teve acesso ao documento, o PL 2330/11 é uma “síntese do protocolo assinado entre a Fifa e o governo brasileiro”. Porém, Candido afirmou que isso não impede que a proposta seja alterada. “Estamos cobrindo uma lacuna da falta de discussão do governo com a sociedade civil”, destacou.

Para o deputado José Guimarães (PT-CE), a comissão especial deve evitar a “polarização” entre os favoráveis à Fifa e os contrários à entidade. “O melhor caminho é ouvir todos e extrair o que é melhor para o Brasil”, declarou.

Segundo o parlamentar cearense, é preciso combinar os direitos já inscritos nas leis brasileiras com a Lei Geral da Copa, fazendo as adaptações possíveis. “Teremos de criar excepcionalidades para os dias do evento. Não tenho a menor dúvida de que o Brasil não perderá sua soberania”, opinou.

Aldo Rebelo
Já o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que o governo está muito acanhado na defesa do projeto. “Temos de ter um debate não só com o novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, mas com todos aqueles que participaram da elaboração do texto”, declarou. “Só a Fifa pode fazer o evento; se o Brasil quer sediá-lo, terá que aceitar algumas regras”, ressaltou.

Ao final da audiência, a comissão especial aprovou o requerimento de realização de audiência pública com o ministro Aldo Rebelo. Segundo o presidente da comissão, também já foi aprovado pelo colegiado pedido de audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Lara Haje

Inca renova recomendações para tratamento do câncer de mama no país

Terça, 1 de novembro de 2011
Da Escola Nacionlal de Saúde Pública
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) anuncia, nesta segunda-feira (31/10), sete recomendações para controle da mortalidade do câncer de mama que complementam as lançadas em 2010, por ocasião do Outubro Rosa. As recomendações lançadas em 2010 foram focadas em ações de prevenção, detecção precoce e informação de qualidade. As recomendações de 2011 representam um avanço porque adicionam às anteriores novas recomendações focadas no tratamento das mulheres com tumores malignos de mama. Ambas não têm força de lei, mas, se forem seguidas pela sociedade brasileira, têm potencial para reduzir a mortalidade decorrente do câncer de mama no Brasil, além de garantir melhora na qualidade de vida de mulheres com a doença.
O anúncio das recomendações, ação pioneira do Inca, ampliou as discussões sobre o tema em todo o país e contribuiu para impulsionar a mobilização dos movimentos organizados de mulheres. Medidas como essas fortalecem políticas públicas e contribuem para o controle do câncer de mama no país.
O câncer de mama hoje é o responsável pelo óbito de 12 mil mulheres por ano. É o tumor que mais mata a população feminina em todo o país, com exceção da Região Norte. Por isso, o Inca pretende reunir especialistas brasileiros, gestores, pesquisadores, ONGs e profissionais de saúde para discutir políticas públicas e o papel da sociedade no controle da doença. "O objetivo do Inca no Outubro Rosa é contribuir com informação de qualidade para a sociedade sobre a doença. Esperamos que, por meio desse amplo debate, essas recomendações possam ser incorporadas na atenção às mulheres", afirmou o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini.
Segundo publicação lançada pelo Inca Estimativas - Incidência de Câncer no Brasil 2010-2011, o país terá 500 mil novos casos de câncer por ano. Desse total, 49.240 mil são relativos aos tumores de mama. As maiores taxas estimadas da ocorrência deste câncer estão nos estados: no Rio de Janeiro 88,3 casos de câncer de mama por cada 100 mil mulheres; no Rio Grande do Sul, 81,57, por 100 mil; no Paraná, 54,46, por 100 mil e em São Paulo, 68,04 por 100 mil.
Abaixo as sete recomendações do Inca para o tratamento do câncer de mama no país 
O Inca recomenda que:
 1. Toda mulher com diagnóstico de câncer de mama confirmado deve iniciar seu tratamento o mais breve possível, não ultrapassando o prazo máximo de 3 meses.
Estudos científicos mostram que atraso superior a três meses entre o diagnóstico e o início do tratamento do câncer de mama comprometem a expectativa de vida da mulher (sobrevida).
2. Quando indicado, o tratamento complementar de quimioterapia ou hormonioterapia deve ser iniciado no máximo em 60 dias e o de radioterapia no máximo em 120 dias.
O prazo para o início do tratamento complementar é um componente crítico no cuidado do paciente com câncer de mama. Atrasos no início do tratamento complementar aumentam o risco de recorrência local da doença e diminuem a sobrevida. Em algumas situações de tratamento com quimioterapia, a radioterapia pode ocorrer apos os 120 dias.
3. Toda mulher com câncer mama deve ter seu diagnóstico complementado com a avaliação do receptor hormonal.
Os receptores hormonais são proteínas que se ligam aos hormônios mediando seus efeitos celulares. A avaliação é feita no material da biópsia, que medirá um percentual dos receptores nas células tumorais. A dosagem desses receptores permite identificar as mulheres que irão se beneficiar do tratamento complementar chamado hormonioterapia. A presença de receptores hormonais nos tumores de mama é alta na população e aumenta com a idade.
4. Toda mulher com câncer de mama deve ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar especializada que inclua médicos (cirurgião, oncologista clínico e um radioterapeuta), enfermeiro, psicólogo, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta.
O câncer de mama é uma doença complexa, cujo tratamento requer a cooperação de diferentes profissionais e saberes. A experiência mundial aponta que serviços que oferecem uma abordagem multidisciplinar e multiprofissional têm melhor desempenho no tratamento do câncer de mama.
5. Toda mulher com câncer de mama deve receber cuidados em um ambiente que acolha suas expectativas e respeite sua autonomia, dignidade e confidencialidade.
Acolher as mulheres em suas necessidades nas diferentes etapas do tratamento, por meio de abordagem humanizada que respeite seus direitos, possibilita melhor enfrentamento da doença.
6. Todo hospital que trata câncer de mama deve ter Registro de Câncer em atividade.
Os Registros Hospitalares de Câncer coletam informações essenciais para acompanhar, monitorar e avaliar a qualidade do tratamento oferecido à mulher. As informações dos Registros subsidiam a implementação de políticas e ações de melhoria contínua na busca de padrões de excelência no tratamento.
7. Toda mulher com câncer de mama tem direito aos cuidados paliativos para o adequado controle dos sintomas e suporte social, espiritual e psicológico.

Marcelo Freixo: parapoliciales en Brasil son "desafío al Estado democrático"

Terça,1 de novembro de 2011
Da BBC Mundo
A punto de abandonar transitoriamente Brasil por amenazas de muerte, el diputado estatal Marcelo Freixo aseguró que los grupos criminales de Río de Janeiro integrados por policías son "un desafío al Estado democrático de derecho".

Freixo, conocido activista de los derechos humanos de 44 años, dijo en diálogo telefónico con BBC Mundo que las siete amenazas que recibió en octubre corresponden a "milicias" que operan principalmente en la zona oeste de Río de Janeiro.

Esos grupos integrados por policías y expolicías, guardias de cárceles y bomberos fueron el blanco de una comisión parlamentaria presidida por Freixo en 2008, que investigó sus actividades tras el secuestro y tortura de dos periodistas.

Lei pretende aumentar rigor contra corrupção no setor privado

Terça, 1 de novembro de 2011
Do "Contas Abertas"

Lucas Marchesini
A corrupção é problema grave no Brasil. Contudo, o que muitas vezes se esquece é que grande parte dela se dá na relação entre as esferas públicas e as entidades privadas. Para tentar reverter a situação, no ano passado, a Controladoria Geral da União (CGU) enviou para o Congresso Nacional o Projeto de Lei n. 6826, de 2010, que trata da responsabilização civil e administrativa da pessoa jurídica. Atualmente, o texto está sendo analisado por uma comissão especial na Câmara dos Deputados. Depois de aprovado pelos participantes, sem necessidade de passar pelo Plenário da Casa, o projeto segue direto para o Senado Federal.

Sem a lei, a punição para empresas envolvidas em corrupção passam quase que exclusivamente pela responsabilização das pessoas físicas envolvidas, enquanto a pessoa jurídica, a companhia, é declarada inidônea e fica por determinado período sem poder celebrar contratos com a União. Entre as sanções previstas no PL estão multa (de 1% a 30% do faturamento bruto), impedimento de receber benefícios fiscais e o fechamento temporário ou extinção da empresa, dependendo da gravidade do ilícito praticado.

PDT comandava ONG sob suspeita no Ministério do Trabalho

Terça, 1 de novembro de 2011
Do iG Último Segundo

Metade da direção da Confederação Nacional dos Evangélicos é ligada ao PDT, partido que chefia o Ministério do Trabalho há 4 anos 

Severino Motta e Adriano Ceolin, iG Brasília

A ONG que recebeu R$ 3,3 milhões do Ministério do Trabalho num convênio suspeito de irregularidades, conforme o iG revelou na semana passada, é dirigida por pessoas ligadas ao PDT - partido que comanda a pasta há quatro anos.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), três das seis pessoas identificadas como dirigentes da Confederação Nacional dos Evangélicos (Conae) têm ou já tiveram algum vínculo com a sigla trabalhista.

O atual presidente da ONG, Hélio César de Araújo Júnior, filiou-se ao PDT de Goiás em 29 de setembro último. A situação de Araújo, no entanto, encontra-se sub-júdice porque ele também aparece filiado ao PTB goiano.

O diretor de Educação da Conae, Argemiro Batista, é filiado ao diretório municipal do PDT de Santo Antônio do Descoberto (GO) desde 2008. Outro integrante da direção da Conae, pastor Elzimar da Silva Santos, tesoureiro da ONG, filiou-se ao partido em outubro de 2007, dois meses antes da assinatura do convênio com o Ministério do Trabalho.

Ele seguiu filiado ao PDT durante toda a execução do convênio de R$ 3,3 milhões, destinado à qualificação profissional de jovens para o mercado de trabalho. Um ano depois do final da vigência do convênio, em 2009, ele deixou a sigla.

CNBB, ambientalistas, indígenas e camponeses pedem mudanças no projeto do Código Florestal

Terça, 1 de outubro de 2011
Da Agência Senado
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras entidades que integram o Comitê Brasil em Defesa das Florestas apresentaram aos senadores, nesta segunda-feira (31), sugestões ao projeto de reforma do Código Florestal (PLC 30/11), para restringir atividades em Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e de reserva legal.

A principal modificação sugerida diz respeito a artigo do projeto que autoriza a manutenção de atividades agrossilvopastoris, de ecoturismo e de turismo rural existentes em APPs até 22 de junho de 2008 - data da edição do Decreto 6.514/2008, que determina punições para crimes contra o meio ambiente.
Para Raul do Valle, do Instituto Socioambiental (ISA), a data é "inconcebível", uma vez que a última modificação na delimitação de APPs foi em 1986. Ele sugeriu que, pelo menos, seja acolhida emenda do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), apresentada quando da tramitação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), estabelecendo como marco temporal o dia 24 de agosto de 2001, data da edição da Medida Provisória 2.166-67, que alterou regras para áreas protegidas.

A emenda foi rejeitada pelo relator na CCJ, Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). Atualmente, o projeto tramita nas comissões de Ciência e Tecnologia (CCT) e Agricultura (CRA), onde também é relatado por Luiz Henrique. Na semana passada, o senador apresentou seu substitutivo nessas comissões e manteve 2008 como marco temporal para a regularização de atividades em APPs.

Segundo Raul do Valle, sob argumentos em defesa de cultivos históricos, como de café, em Minas Gerais, e de uva, no sul do país, poderão ser consolidadas atividades insustentáveis, como as pastagens nas margens dos rios e nos morros.

O dirigente do ISA também rebateu argumento relacionado ao custo da recuperação das áreas de preservação, citando pesquisas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), as quais indicam práticas simples de recuperação da vegetação, a partir do isolamento da área desmatada. 

Desastres naturais

Senador Paulo Paim é contra uso de FGTS em obras da Copa

Terça, 1 de outubro de 2011
Da Agência Senado
Ao abrir audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para debater os planos de saúde corporativos, o senador Paulo Paim, presidente do colegiado, anunciou que vai tentar derrubar, no Senado, emenda incluída pela Câmara dos Deputados na Medida Provisória 540/11, que permite o uso de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em obras da Copa do Mundo de 2014 ou dos Jogos Olímpicos de 2016.

- Vou apresentar emenda para derrubar esse artigo. Estou convicto de que vamos derrubar essa emenda- disse Paim.

Aprovada na forma de projeto de lei de Conversão no último dia 26, a Medida Provisória 540/11 foi criada originalmente para instituir o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) e conceder vários incentivos fiscais para a indústria nacional com o objetivo de aumentar a competitividade de produtos brasileiros no exterior.

Becos dos Gama

Terça, 1 de novembro de 2011
Publicada no Diário da Justiça a Ata de Julgamento que declarou nula a Lei Distrital 826/2010, lei dos becos do gama
Lei anterior já havia sido anulada pelo Tribunal

Já foi publicada, em 27 de outubro, no Diário da Justiça a Ata de Julgamento da ação direta de inconstitucionalidade contra a lei distrital número 826 de 2010. A lei foi derrubada —e desde a sua origem— pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

O julgamento ocorreu no dia 18 deste mês. O placar foi uma lavada: 13 votos pela anulação da lei e apenas um a favor da sua legalidade.

A lei 826 foi um arremedo de coisa ruim e absurda costurada e liderada pelo deputado cabo Patrício e o governador-tampão, Rogério Rosso. Como a Justiça já havia anulado a lei 780 de 2008, aquela que ilegal e inconstitucionalmente doava áreas verdes / passagens de pedestres em quadras residenciais do Gama a militares da PM e dos Bombeiros, havia necessidade, nem que fosse para enganar alguns, que se fizesse aprovar outra lei que pudesse ser alardeada, mesmo que enganosamente, como a solução para as ocupações irregulares dos chamados "becos” (mas que na realidade não são becos).

Claro que os desembargadores não embarcaram na dos distritais e nem na do governador Rogério Rosso, até por que era cristalina a ilegalidade e inconstitucionalidade da lei 826/2010.

Esporte dá dinheiro para entidade que contrata consultoria do PC do B

Terça, 1 de novembro de 2011
Deu em "O Estado de S. Paulo"

Dirigentes do partido receberam R$ 825 mil de confederação contratada pelo Ministério do Esporte; um deles trabalhou na Esplanada e foi o responsável pela assinatura de 2 convênios com a mesma associação

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo
Dois dirigentes do PC do B receberam recursos públicos por meio de uma empresa de consultoria, a Casa de Taipa Comunicação Integrada. A empresa foi criada para atuar em projetos ligados ao Ministério do Esporte, a pasta que é comandada pelo partido.

Um dos donos da empresa é Júlio César Filgueira, ex-secretário do ministério e filiado ao PC do B. Seu sócio, Oswaldo Napoleão Alves, é também do partido e coordenador do núcleo de ensino e pesquisa da Escola Nacional da legenda comunista.

Em agosto passado, a consultoria dos dois comunistas recebeu R$ 825 mil da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). Júlio Filgueira deixou o ministério em outubro de 2009. Em dezembro criou a Casa de Taipa com Oswaldo Napoleão. Em agosto deste ano a empresa foi contemplada com o contrato.

Esqueçam o que estava escrito


Terça, 1 de novembro de 2011 
Por Ivan de Carvalho
Todo mundo está dizendo, na mídia tradicional, na Internet, nas conversas pessoais, porque é óbvio. O câncer de laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é agora elemento fundamental na política brasileira. Isto porque Lula, o líder mais popular do país e – com a licença da presidente argentina Cristina Kirchner – da América do Sul. Não sei se de todas as Américas e Caribe, porque, vai ver, os 52 anos de endeusamento do ditador Fidel Castro pela onipresente e incontestada propaganda comunista em Cuba podem tê-lo colocado em patamar superior ao do ex-presidente brasileiro.

Mas justamente pela imensa popularidade que tinha no momento de deixar o governo e pela influência preponderante que tem sobre o seu partido, que detém a Presidência da República e inúmeras outras posições políticas em todo o país – obtidas por eleições e por nomeações –, bem como pela capacidade de articulação de que desfruta no âmbito da coalizão de governo, o câncer de laringe de Lula é fator essencial da política brasileira a partir do último fim de semana, quando recebeu diagnóstico definitivo, ante os resultados da biópsia realizada.

Referi-me, ontem, neste espaço, ao nível crítico de incerteza a que a doença levou a política brasileira, agora governada pelo que se pode chamar de “princípio da incerteza”. É claro que a atividade política e as lutas pelo poder político estão muito longe de constituir uma ciência exata. Mas os graus de incerteza naturalmente variam a depender dos elementos em jogo.

Nas primeiras notícias, afirmou-se que a doença de Lula tinha “mais de 60 por cento” de chances de cura. No domingo à noite, em entrevista ao Fantástico, o médico pessoal de Lula, Roberto Kalil Filho, apresentou estimativa melhor, chance de cura “de 80 por cento, o que é muito bom”. Mas, como ainda restam 20 por cento, o fator incerteza é muito expressivo. O tumor tem três centímetros e foi qualificado pela equipe médica como “não muito grande”. É o tipo mais comum de câncer de laringe, tem agressividade média, será tratado com quimioterapia e radioterapia.

Inicialmente, afastou-se a realização de cirurgia, por não ser neste momento considerada indispensável. A cirurgia, explicou a equipe médica, atingiria as cordas vocais do ex-presidente. Este é um problema sério para qualquer pessoa, mas para Lula, um líder político e popular, que usa a palavra como um dos principais instrumentos de sua atividade, seria um desastre. De qualquer maneira, daqui a 40 dias avançados exames de imagem vão avaliar os resultados da quimioterapia e radioterapia. Espera-se que sejam bons, mas, se não forem, a hipótese de cirurgia voltará a ser examinada.

Lula poderia ser o candidato do PT a presidente em 2014, mesmo que a presidente Dilma Rousseff esteja bem junto ao eleitorado. Mas se ela não estiver popular, o PT tinha Lula como – para repetir uma expressão que já usei antes – rede de segurança. Lula é o melhor candidato reserva possível. A persistência dessa condição vai depender muito da evolução da doença e do tratamento.

E é isto que eleva a nível crítico a incerteza em toda a política brasileira e desde já, não somente em 2014 ou 2012, ano de eleições municipais. O PT está solidário, como o povo brasileiro, com o político, em muitos casos, com a pessoa de Lula, sempre (não há de se ficar levando em conta alguns espíritos de porco). Mas, internamente, o PT está agitadíssimo e a coalizão de governo não estará alheia ao mesmo estado mental.

É como se houvessem passado uma borracha na página. “Esqueçam o que estava escrito aí. Vamos começar uma nova história. E não sabemos ainda o que escrever sobre o personagem principal”.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

A Viola e o Violeiro

Terça, 1 de novembro de 2011
Tioão Carreiro e Pardinho