Sexta, 4 de novembro de 2011
E ainda tem mais
Uma nova investigação na Justiça Federal envolve Agnelo Queiroz em desvios no Ministério do Esporte
A dinâmica dos escândalos em Brasília ensina que, quando o acusado deixa o governo, a situação arrefece. O caso do Ministério do Esporte contraria essa
lógica. Orlando Silva deixou o cargo, mas a crise que chegou a seu
antecessor, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), está
longe do fim. Nos próximos dias, a Justiça Federal receberá um processo
em que Agnelo é acusado de receber dinheiro desviado do Esporte para uma
organização não governamental – prática denunciada em outros episódios
envolvendo a pasta. O caso expõe ainda mais o atual governador, depois
de ÉPOCA ter revelado que ele ajudou o policial militar e ongueiro João Dias
a montar uma farsa na defesa de um processo sobre desvios de R$ 2
milhões. Agnelo nega a proximidade com Dias, mas foi desmentido pelo
conteúdo de gravações telefônicas.
No
dia 27 de outubro, o juiz Omar Dantas Lima, de Brasília, determinou o
envio do inquérito 018/2008 à esfera federal. Segundo a polícia, o
presidente do Instituto Novo Horizonte, Luiz Carlos Medeiros, desviou R$
3,4 milhões recebidos dos ministérios do Esporte e da Ciência e
Tecnologia. De acordo com a testemunha Michael Vieira da Silva, Agnelo
recebeu parte dos recursos desviados. Michael diz ter presenciado
conversas telefônicas em que Agnelo pedia dinheiro a Medeiros. Diz ainda
que Medeiros doou computadores e ajudou a financiar a campanha de
Agnelo ao Senado em 2006, ao promover festas com garrafas de champanhe
de R$ 300.
“Tal contribuição foi decisiva para que Agnelo repassasse o convênio do
programa Segundo Tempo para a ONG”, diz Michael. Medeiros disse à
polícia que Agnelo não teve participação na liberação dos recursos para
sua entidade. Em nota, Agnelo nega ter recebido dinheiro de Medeiros e
diz que não facilitou o convênio. Afirma apenas que Medeiros apoiou sua
campanha.
Apesar do testemunho, o delegado Fábio de Farias não citou Agnelo em
seu relatório. O promotor Mozar de Souza, porém, discordou e encaminhou a
apuração à Justiça Federal. No governo Agnelo, o delegado Farias ganhou
uma diretoria da Polícia Civil. O delegado Giancarlos Zuliani, que
mencionou o envolvimento de Agnelo com as ONGs de Dias, passou a um
posto de menor prestígio. Em meio aos diferentes interesses em jogo no
Distrito Federal, a guerra de cargos continua. Na semana passada, Agnelo
exonerou 68 delegados da Polícia Civil após a TV Globo divulgar áudios
que revelam sua proximidade com Dias.
