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(Millôr Fernandes)

sábado, 5 de novembro de 2011

Passados dez meses, investimentos estão lentos

Sábado, 5 de novembro de 2011
Do "Contas Abertas"

Dyelle Menezes
Pelo visto, aqueles que acreditavam ser impossível cortar R$ 50 bilhões do Orçamento de 2011 e, ao mesmo tempo, preservar os investimentos em obras e compras de equipamentos, como afirmou o governo federal no começo do ano, estavam certos. Passados dez meses de 2011, a União (Executivo, Legislativo e Judiciário) ainda não conseguiu emplacar ritmo de investimento maior do que no ano passado. Em relação aos valores e ao mesmo período, as aplicações diminuíram quase 11%, passando de R$ 34 bilhões em 2010 para R$ 30,3 bilhões este ano.

O economista, Newton Marques, membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), afirma que o corte nas despesas correntes podem ter afetado o investimento. “Toda vez que há um corte, tanto nas despesas correntes como nas aplicações, a economia é afetada. A crítica que vem sendo feita ao governo federal, por conta do baixo investimento, é procedente. A gestão é contraditória porque não cumpre o papel de induzir o crescimento, apesar do discurso de preocupação com a desaceleração econômica mundial, que pode afetar o Brasil”, explica.

A preocupação da presidente Dilma Rousseff em arrumar a casa e quitar compromissos assumidos em anos anteriores, em detrimento de iniciar novas obras previstas no orçamento de 2011, é outro fator que chama a atenção. Segundo levantamento feito pelo Contas Abertas, aproximadamente 70,5% do total desembolsado é composto por “restos a pagar”, ou seja, compromissos rolados do governo Lula, no  montante de R$ 21,4 bilhões. No mesmo período do ano passado, o valor foi de pouco mais que R$ 20 milhões.