Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ação Direta de Inconstitucionalidade questiona reforma e lei sobre previdência complementar

Segunda, 3 de dezembro de 2012
Do STF
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) ajuizaram, no Supremo Tribunal Federal (STF), a Ação Direta de Inconstitucionalidade (AD) 4885, com pedido de medida cautelar, na qual questionam o artigo 1º da Emenda Constitucional (EC) 41/2003, na parte em que alterou a redação do parágrafo 15 do artigo 40 da Constituição Federal (CF). Contestam também a Lei 12.618/2012, que autorizou a criação de entidade fechada de previdência complementar do regime próprio de previdência dos servidores públicos civis, incluídos os do Poder Judiciário e os próprios magistrados.

As duas entidades alegam vício nas alterações introduzidas pela EC 41/2003 (chamada Reforma da Previdência 2), pois seriam fruto de corrupção praticada pelo Poder Executivo junto a membros do Congresso Nacional. Nessa afirmação, apoiam-se no julgamento da Ação Penal (AP) 470, em que foram condenados diversos parlamentares e ex-membros do Poder Executivo na época da aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) que resultou na promulgação da EC 41.

“No julgamento ainda não concluído da AP 470, esse egrégio STF reconheceu e declarou ter ocorrido o crime de corrupção praticado por membros do Poder Executivo em face de membros do Poder Legislativo, que visou exatamente à obtenção da aprovação da Reforma da Previdência 2, promovida pela PEC 40/2003, que resultou na promulgação a EC 41/2003”, sustentam.

Inconstitucionalidades

A AMB e a Anamatra sustentam que a redação dada pela EC 41/2003 ao parágrafo 15 do artigo 40 da CF teve o propósito de afastar a exigência de uma lei complementar especial para dispor sobre o regime de previdência complementar de natureza pública, como estava previsto na redação originária dada pela EC 20/98.

Partindo da suposta existência de corrupção na aprovação da PEC 40/2003 que resultou na edição da EC 41, as duas entidades sustentam que o parágrafo 15 do artigo 40, na redação que lhe foi dada pela EC 41, “padece de vício de inconstitucionalidade formal, decorrente da violação do artigo 1º, parágrafo único, da CF, porquanto não houve a efetiva expressão da vontade do povo por meio de seus representantes na votação da PEC”.

Alegam, ainda, violação do parágrafo 2º do artigo 60 da CF, porquanto a PEC não teria sido efetivamente discutida e votada pelas duas casas do Congresso. Por fim, apontam infração dos artigos 37, cabeça, da CF, por violação do princípio da moralidade, e 5º, LV, “porque o processo legislativo, que integra o devido processo legal, foi fraudado por meio de conduta criminosa”.

As entidades alegam ainda que, mesmo que a Suprema Corte tenha reconhecido apenas a prática do crime de corrupção no processo legislativo que resultou na promulgação da EC 41/2003, “dúvida não pode haver de que a conduta ocorrida subsume-se à hipótese de um dos ‘crimes contra o livre exercício dos poderes constitucionais’, qual seja o previsto no artigo 6º, item 2, da Lei 1.079/50”. Tal dispositivo prevê, entre os crimes de responsabilidade, o de “usar de violência ou ameaça contra algum representante da nação para afastá-lo da Câmara a que pertença ou para coagi-lo no modo de exercer o seu mandato, bem como conseguir ou tentar conseguir o mesmo objetivo mediante suborno ou outras formas de corrução”.

A ADI alega que o parágrafo 15 do artigo 40 da CF, na redação da EC impugnada, é dúbio, pois abre brecha para duas interpretações sobre a necessidade ou não de edição de uma lei complementar para dispor sobre o regime de previdência complementar de natureza pública. Assim, no entender das entidades, “subsiste a necessidade de edição de uma lei complementar especial” dispondo sobre o tema. Sem isso, sustentam, “haverá  uma grande insegurança jurídica na criação das dezenas ou centenas de entidades de previdência complementar pela União, Estados e municípios, diante da incerteza sobre quais normas atualmente existentes, pertinentes à previdência complementar de natureza privada, seriam aplicáveis ou não ao regime de previdência complementar de natureza pública”.

Entretanto, segundo as associações, mesmo que pudesse ser autorizada a instituição de entidade de previdência complementar para os servidores públicos por lei de iniciativa do Poder Executivo, como passou a dispor o parágrafo 15 do artigo 40, tal entidade não poderia alcançar a magistratura, porque, nos termos do artigo 93, inciso VI, da CF, compete ao STF a iniciativa de lei complementar dispondo sobre a previdência dos magistrados.

Por último, as entidades afirmam que, ainda que se admita a desnecessidade de uma lei complementar especial, a Lei 12.618/2012, também impugnada, não observou a exigência contida no próprio parágrafo 15 do artigo 40, na redação dada pela EC 41, de que a previdência complementar seria instituída por “intermédio de entidades fechadas, de natureza pública”, já que autorizou a criação de uma entidade de previdência complementar com nítido caráter de natureza privada”.

Assim, sustentam, o acolhimento de qualquer um desses fundamentos “inviabiliza a instituição da previdência complementar aos membros da magistratura, pelo menos até que seja editada uma lei complementar de iniciativa do STF, ou editada uma lei complementar especial para dispor sobre a previdência complementar de natureza pública, ou ainda, com base no princípio da eventualidade, uma lei ordinária que efetivamente preveja a criação de uma entidade de previdência complementar de natureza pública, e não privada”.


Medo agita Rússia

Segunda, 3 de dezembro de 2012
Por Ivan de Carvalho
De uns tempos para cá, uma das referências mais comuns entre pessoas conhecidas que se encontram é sobre o “fim do mundo” ou da atual civilização, fato que ocorreria no dia 21 de dezembro de 2012, ou, melhor dizendo, no dia 22 de dezembro de 2012. Isto porque, segundo muitos afirmam, o último dia do calendário maia é 21 deste mês, portanto, o mundo ainda existiria aí, mas o dia 22 não estaria no calendário, o que leva muitos a garantir e outros tantos a desconfiar que, se o dia não existe é porque o mundo também não. Ou porque começam fenômenos que levam a uma transformação radical.

            Algumas notícias a respeito dessa história mal chegaram a aparecer, envergonhadas, na mídia, mas foi um grande sucesso de bilheteria o filme 2012, baseado exatamente nessa história. Se o leitor for internauta e buscar no Google e no Youtube, por exemplo, encontrará centenas, milhares de itens relacionados ao “fim dos tempos” e adjacências, que no imaginário de alguns poderia ser uma coisa abrupta acontecendo, talvez, à zero hora do dia 22 deste mês, ou, na avaliação de outros – entre estes, muitos cristãos – um processo crítico que se desencadearia em tempos próximos e duraria alguns anos, com imensas calamidades naturais na terra, várias delas sob influência de forças celestes abaladas, e outras, como guerras (a terceira guerra mundial, nuclear, e a quarta guerra mundial, com a última batalha da História, a de Armagedon), produzidas diretamente pela insanidade humana.

            A razão principal pela qual estou tratando aqui deste assunto é que ele está sendo continuamente abordado, sem nenhuma profundidade, sempre “en passant”, três, quatro, cinco segundos, talvez pelo receio de parecerem ridículos os que o abordam em centenas de milhares de conversar sobre assuntos variados. Mas a mídia (televisão, jornais, revistas, rádio, blogs e sites de várias temáticas) mostra-se absolutamente alheia, talvez ignorante desse amplíssimo interesse difuso das pessoas. Somente em publicações impressas (raras) ou eletrônicas especializadas o tema obtém tratamento sem preconceito e é tratado com alguma amplitude.

            No entanto, apesar disso, o interesse difuso pelo assunto é atestado numa reportagem de Ellen Barry, publicada ontem no New York Times e reproduzida no Brasil pela Folha de S. Paulo. Dá conta de que há relatos diversos de comportamentos incomuns em toda a Rússia. Detentas de uma prisão perto da fronteira com a China teriam sofrido uma “psicose coletiva” e foi preciso chamar um padre para acalmá-las. (Mas o que sabia o padre sobre o assunto?). Em uma fábrica próxima a Moscou, cidadãos em pânico levaram todos os fósforos, querosene, açúcar e velas. Um portal de estilo maia está sendo construído em gelo na rua Karl Marx, em Chelyabinsk.

            Na semana passada, o governo russo decidiu acabar essa história de fim do mundo. Seu ministério de situações emergenciais (o correspondente à estranhíssima e até apavorante FEMA – Agência Federal de Emergências –, dos Estados Unidos) afirmou na sexta-feira que teve acesso a “métodos de monitoramento do que está acontecendo no planeta Terra” e que podia afirmar, com certeza, que o mundo não vai acabar em dezembro (!!!!). Aviso bonitinho, mas ordinário.

            Na semana passada, vereadores de Moscou enviaram uma carta aos três principais canais de televisão da Rússia, pedindo que eles parem de levar ao ar informações da suposta profecia sobre o calendário maia e o dia 21 de dezembro de 2012.

            O chefe de medicina sanitária da Rússia, um alto oficial da Igreja Ortodoxa Russa, congressistas e um ex-DJ que ganhou recentemente um concurso, “Batalha dos Videntes”, em um programa de TV, garantiram que o mundo não acaba este mês. Uma autoridade propôs que quem espalhar o “boato” seja processado – imagino que por perturbação da ordem pública. E acho bom. Porque, assim, o mundo aguardaria primeiro o desfecho do processo para resolver se acaba ou não.
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Este artigo foi publicado originariamente na Tribuna da Bahia desta segunda.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

Baêêêeêêêaaaaaa

Segunda, 3 de dezembro de 2012
Ufa!!! Foi por pouco, mas o Bahia conseguiu permanecer na Série A do Campeonato Brasileiro ao derrotar, neste domingo, no Serra Dourado o time do Atlético de Goiás.
Hino do Bahia - Armandinho, Trio Elétrico Dodô & Osma.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Pajero de R$ 55 mil usado por Rose pertencia a esquema de Paulo Vieira

Domingo, 2 de dezembro de 2012
E-mails e documentos obtidos pela investigação sugerem que despesas do veículo podem ter sido pagas por Vieira

Alfredo Junqueira, de O Estado de S. Paulo
RIO - Relatório da Operação Porto Seguro indica que o Mitsubishi Pajero TR4 de Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, pertenceu à organização que negociava pareceres técnicos desmantelada pela Polícia Federal e que era comandada pelos irmãos Vieira, ex-diretores de agências reguladoras. Os e-mails e documentos obtidos pela investigação sugerem que despesas do veículo podem ter sido pagas por Paulo Vieira, apontado pela PF como chefe do esquema.

Em um capítulo dedicado aos bens associados a Paulo Vieira, o relatório descreve um Pajero fabricado em 2010 e registrado em nome de Patricia Baptistella, funcionária da faculdade em Cruzeiro (SP) pertencente à família do ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA). Em e-mail de 2 de maio de 2011, Rose cobra de Vieira a transferência do veículo para seu nome e a quitação de despesas como seguro e licenciamento. Leia a íntegra

Época: Rosemary, Rose, Rosa

Domingo, 2 de dezembro de 2012
"A Porto Seguro mostra a teia da baixa política. Um dos fios podres é a desmoralização de agências reguladoras. Com a indicação de Rose e a cumplicidade do senador “incomum” José Sarney, o Congresso aprovou raposas para regular os galinheiros. Foi o caso de Paulo Vieira, cuja incompetência técnica para dirigir a Agência Nacional de Águas (ANA) tinha sido atestada por especialistas."

"Lula agora precisa explicar direitinho quem o apunhalou. Nunca antes na história um presidente foi tão traído. Duvido que fale antes da viagem de duas semanas que fará, a partir desta sexta-feira, para Paris, Berlim, Doha e Barcelona."

Dois parágrafos do excelente artigo "Rosemary, Rose, Rosa" da jornalista Ruth de Aquino na Revista Época.

Choradeira e vergonha

Domingo, 2 de dezembro de 2012
MIGUEL REALE JÚNIOR - O Estado de S.Paulo

O PT diz-se vítima de perseguição judicial, com violação de princípios de um direito democrático. O partido põe-se na condição de condenado graças à propaganda da imprensa conservadora, manipuladora da opinião pública. Os réus teriam, então, sido responsabilizados por serem os ministros do Supremo suscetíveis à pressão popular. Esse discurso é irracional, como todas as choradeiras de vitimização.

A teoria do domínio do fato, tão falada no julgamento do mensalão, nada mais é do que a busca de critérios para distinguir quem deve ser considerado autor ou coautor e quem cabe ser visto apenas como cúmplice por auxiliar na prática do delito. É uma questão mais velha que a Sé de Braga.

Já o Código Penal de 1830 definia autor como o que comete, constrange ou manda alguém praticar crime, sendo cúmplices os demais que concorrem para a realização do delito. Autor, dizia Tobias Barreto, o maior penalista do século 19, é aquele "cujo fato resultante é obra sua" e cúmplice, quem pratica "simples ato de apoio e coadjuvação", merecedor de pena atenuada. O Código Penal de 1940 não fez distinções, depois introduzidas pela reforma de 1984.

Autor ou coautor, portanto, é o que pratica parte necessária do plano delituoso tendo o domínio do fato, designação surgida na Alemanha com Welzel e aprimorada em 1963 por Roxin. Será autor ou coautor aquele a quem se pode atribuir a ação como obra sua por exercer de modo real a condução de sua realização, podendo interrompê-la ou finalizá-la, pois tem em suas mãos o acontecer do fato delituoso. A distinção entre autor e cúmplice reside, pois, na circunstância de que o primeiro tem o domínio sobre o fato delituoso e, segundo Roxin, uma posição objetiva que garanta esse efetivo domínio, enquanto o cúmplice não detém tal domínio. Leia a íntegra

Mambembe

Domingo, 2 de novembro de 2012
Roberta Sá e Chico Buarque
 

É hora de comemorar!

Domingo, 2 de dezembro de 2012
Membros da Avaaz, é hora de comemorar!

Há algumas horas, a maioria esmagadora da ONU votou o reconhecimento da Palestina como 194º Estado do mundo! É uma grande vitória para o povo palestino, para a paz e para a nossa comunidade! As pessoas de todo o mundo estão se unindo a enormes multidões na Palestina para comemorar.

A jornada do povo palestino para a liberdade está longe do fim. Mas este é um grande passo e nossa comunidade teve um papel fundamental nisso. Respondendo à votação, a embaixadora da Palestina para a Europa, disse:

"Avaaz e seus membros em todo o mundo desempenharam um papel fundamental ao persuadir os governos para apoiar a candidatura do povo palestino a um Estado e para a liberdade e a paz. Eles estiveram conosco durante todo o tempo e tal solidariedade e apoio serão lembrados e queridos em toda a Palestina." - Leila Shahid, Delegada Geral da Palestina para a Europa



Ação em Bruxelas: Enquanto os líderes da UE se reúnem, isso estava acontecendo do lado de fora

Ação em Madri: membros da Avaaz pedem que o Primeiro-ministro da Espanha diga SIM!
Os governos dos EUA e de Israel, em dívida com grupos pesados de lobby (sim, infelizmente, até mesmo Obama cedeu ao lobby), jogou tudo o que tinham para acabar com a votação, usando ameaças financeiras e até mesmo ameaçando derrubar o presidente palestino se ele fosse em frente. A Europa foi o voto decisivo. E por causa da intensa pressão dos EUA, há apenas duas semanas os líderes não apoiavam o Estado palestino. Conhecendo as apostas, a nossa comunidade respondeu com a velocidade e a força democrática que precisávamos para vencer:

  • Quase 1.8 milhão de nós assinaram a petição por um Estado palestino.

  • Milhares de nós doaram para financiar pesquisas de opinião pública em toda a Europa – mostrando que incríveis 79% dos europeus apoiavam a criação de um Estado palestino. Nossas pesquisas apareceram em toda a mídia, e foram repetidamente citadas em debates parlamentares no Reino Unido, Espanha e França!

  • Enviamos dezenas de milhares de e-mails, mensagens no Facebook e tweets para os líderes de toda a Europa e fizemos milhares de chamadas para os ministérios de assuntos estrangeiros e chefes de Estado.

  • Nós abrimos uma bandeira gigante do tamanho de um prédio de 4 andares do lado de fora da Comissão da UE em Bruxelas (à direita), enquanto os líderes estavam reunidos. Então, realizamos uma grande ação em Madrid. E anteriormente, navegamos com uma flotilha de navios em frente ao prédio das Nações Unidas pedindo pela votação. Nossas ações foram manchete em toda a Europa.

  • Colaboradores e membros da Avaaz se reuniuram com dezenas de ministros, assessores, jornalistas, parlamentares e líderes em cada um dos países-chave, em muitos casos se unindo para conquistar os líderes, um por um, por meio de reuniões, pressão, resoluções parlamentares e declarações públicas, sempre com base na onda de poder das pessoas por trás dessa causa.

  • Entramos em contato com líderes importantes como Stéphane Hessel, um sobrevivente dos campos de concentração nazistas de 94 anos de idade, e Ron Pundak, um israelense que desempenhou um papel fundamental no processo de paz de Oslo, para falar em favor de um Estado palestino.
Um por um, importantes Estados europeus romperam com os EUA para atender a um chamado por justiça e ao seu povo. Na contagem final da votação que acabou de acontecer, apenas 9 dos 193 países votaram contra! França, Espanha, Itália, Suécia e maior parte da Europa votou pela Palestina.

Os EUA e Israel argumentaram primeiro que um Estado palestino era perigoso para a paz, e então, quando foram derrotados, disseram que não importava e que a votação foi apenas simbólica. Mas se fosse apenas algo simbólico eles não teriam feito de tudo para tentar impedir a votação. E depois de anos de má-fé e conforto por parte de Israel com o status quo à medida em que eles constantemente colonizam mais terra palestina, este movimento mostra aos EUA e Israel que se eles não se envolverem com boa fé, os palestinos e o mundo estão preparados para seguir em frente sem eles. É uma forma mais equilibrada para as negociações de paz de verdade. E essa é a melhor alternativa para o tipo de violência que vimos o governo de Israel e o Hamas em Gaza oferecerem este mês.

Durante décadas, o povo palestino sofreu sob uma sufocante ditadura militar israelense, controles repressivos em suas viagens e trabalho, a negação contínua dos seus direitos e da ameaça constante de insegurança e violência. Há 65 anos, a ONU reconheceu o Estado de Israel, começando um caminho para o estabelecimento de um lar seguro para o povo judeu. Agora os palestinos dão um passo na mesma direção e ganham dignidade aos olhos da comunidade internacional, o que lhes foi negado por uma geração. E, com essa dignidade, poderemos construir os alicerces da paz.

Com esperança e alegria,

Ricken, Alice, Ari, Wissam, Allison, Sam, Julien, Pascal, Wen, Pedro, Saravanan, Emma, Ben, Dalia, Alexey, Paul, Marie, Aldine, Luca, Jamie, Morgan e toda a equipe da Avaaz.

PS.: Aqui estão algumas fontes (em inglês) – A Associated Press cobriu a vitória de ontem, o Guardian cobriu a nossa pesquisa de opinião há duas semanas, o Daily Briefing da Avaaz oferece um mapa do resultado da votação, e o Haaretz descreve a resposta de Israel.

MAIS INFORMAÇÕES:
ONU reconhece Palestina como Estado observador não membro (Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1193448-onu-reconhece-palestina-como-estado-observador-nao-membro.shtml
Assembleia-Geral da ONU reconhece Palestina como Estado observador (Estadão)
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,assembleia-geral-da-onu-reconhece-palestina-como-estado-observador-,967164,0.htm
ONU aprova Palestina como Estado observador (Público)
http://www.publico.pt/mundo/noticia/palestina-considerada-estado-observador-pela-onu#/0

A Secretaria de Administração do DF não cumpriu o acordo das convocações de novos professores

Domingo, 2 de dezembro de 2012
O ano está acabando e a Secretaria de Administração não cumpriu o prometido sobre as nomeações de professores aprovados em concurso da SEDF. O acordo era que a SEAP convocasse o mesmo número de professores aposentados neste ano, mas isso não foi feito e o resultado óbvio foi a falta de professores o ano todo.

Para 2013 a perspectiva é de crescimento do número de alunos e ainda haverá a redução do número de professores efetivos por conta das aposentadorias. Então, há motivos de sobra para o Governo nomear muitos professores.

E vamos retomar a pressão! Vamos deixar sair o resultado do número de matrículas dos alunos para reorganizarmos o movimento pelas nomeações!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Os planos do governo para o DF e para você

Sábado, 1 de dezembro de 2012
Do Urbanistas Por Brasilia
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O GDF tem proposto ao longo de 2012 diversos planos, projetos, ações e contratos de longo prazo que irão afetar profundamente a vida da população, a realidade econômica e ocupação urbana do DF. A população do DF é constantemente surpreendida por um festival de siglas e informações que não dão a real dimensão do que está prestes a ocorrer com o DF.

Assim, é fundamental que seja dado conhecimento sobre quais são as diversas decisões e projetos do GDF ocorrendo nesse momento e que estão estão motivando diversos setores da sociedade civil a se organizarem por meio do Movimento em Defesa de Brasília . Informe-se, participe e divulgue!

1) Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB)

Status: aguardando votação na CLDF nas próximas semanas (requerimento de urgência urgentíssima)

Fruto de contratação de uma consultoria privada, o conteúdo do PPCUB foi apresentado para a população de forma pouco didática, em pleno feriado de Corpus Christi, e está prestes a ser aprovado pela Câmara Legislativa. Ninguém sabe dizer com segurança o que está sendo mantido e o que está sendo alterado na área tombada. A Unesco recomendou a suspensão do PPCUB e sua reavaliação, mas o GDF ignora. O Iphan recomendou correções estruturais no conteúdo do documento que também resultariam em sua paralisação, mas o GDF ignora. Que cronograma é esse que o GDF tem que cumprir? Esse documento irá ditar o futuro da capital da República, um Patrimônio Cultural da Humanidade, e tem que ser feito com extremas seriedade e cautela, seja no prazo que for necessário. O PPCUB não está em condições de ser aprovado na Câmara Legislativa e precisamos impedir que isso ocorra de forma açodada nas próximas semanas.

2) Lei de Uso e Ocupação do Solo do DF (LUOS)

Status: aguardando votação na CLDF

Também resultado de contratação de uma consultoria privada, a LUOS complementa o polêmico Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e propõe diversas alterações nas cidades do DF (aumento de alturas, alterações nos usos permitidos e outros parâmetros que regulam as ocupações das cidades). Elaborada ao mesmo tempo do PPCUB, o que reduziu a participação e discussão com a sociedade, foi encaminhada para a CLDF sem discussões aprofundadas nem a transparência necessária a uma legislação tão importante. Aprovar a LUOS de forma açodada pode acarretar danos irreversíveis a todas as cidades do DF, indistintamente.

3) Parceria Público-Privada (PPP) do Lixo por 30 anos

Status: audiência pública realizada e em processo de contratação

Brasília é a única grande capital brasileira que ainda destina seus resíduos a um “lixão”. Em lugar de resolver a questão de forma exemplar, a polêmica “PPP do Lixo” cria  um monopólio para a iniciativa privada nos próximos 30 anos, sem transparência e com sérios problemas de conteúdo, fere os princípios da gestão participativa e democrática, exclui os grupos sociais envolvidos e depõe contra a eficiência do Estado, a responsabilidade e a economicidade do gasto de recursos públicos(*). Essa PPP está sendo criada sem considerar as diretrizes do Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos do DF ou da  Lei 12.305/2010, as quais essencialmente definem que a gestão de resíduos sólidos e limpeza urbana deve ser primeiramente discutida com a sociedade para só então haver a decisão por contratação ou PPP. Porque o contrato é de 30 anos se suas condições têm tantas críticas? Porque os especialistas não estão sendo ouvidos pelo governo?


4) Licitação do Transporte Público com contrato para 20 anos

Status: em processo de contratação
A licitação do transporte público feita para um período de 20 anos cria um oligopólio para três empresas que já exploram atualmente o pior transporte público do país, inviabiliza a longo prazo ajustes e correções no contrato, perpetua o transporte público no DF baseado na queima do diesel. É uma solução precária e emergencial que será adotada a longo prazo mas que não considera o transporte do DF como um sistema integrado tampouco as soluções de vanguarda ou comprovadamente eficientes como metrô, VLT, transporte de vizinhança, ônibus elétricos, etc. Trata-se de uma decisão sem a transparência desejada e ignorando alertas de especialistas para um período excessivamente longo que pode inclusive aprofundar a crise do transporte público no DF.

5) Consultoria de Singapura planejando os próximos 50 anos do DF

Status: contrato assinado e trabalhos se iniciando

No segundo semestre de 2012 o Governo do DF apresentou para a imprensa o projeto “Brasília 2060” sem qualquer previsão na legislação (PDOT) ou discussão prévia com a população com quatro eixos principais a serem desenvolvidos: um novo aeroporto internacional e de cargas, um distrito financeiro internacional, um polo logístico e um parque industrial.

Além desses projetos o Brasília 2060 prevê a implantação intensiva de indústrias no DF, considerando de antemão a indústria armamentista! O contrato entre o GDF e a empresa Jurong Consultants, de  Singapura, foi concebido e desenvolvido pela Terracap, e é questionável em termos de como está ocorrendo e do que está sendo proposto. A empresa Jurong, de Singapura (país asiático), sequer conseguiu comprovar a sua notória especialização para justificar a inexigibilidade adotada pelo GDF. A envergadura dos projetos a serem desenvolvidos para o Brasília 2060 criará eixos econômicos e de ocupação que impactarão fortemente a realidade do DF, sem qualquer tipo de justificativa ou demanda da população e ignorando o que já foi definido pelo Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF (PDOT).

6) Sucateamento da Saúde, Educação e Segurança no DF

O GDF tem priorizado as obras do Estádio Nacional e os mega-contratos entregando a gestão do DF a longo prazo para a iniciativa privada e ao mesmo tempo precarizando as atividades de interesse público sob sua responsabilidade. É importante destacar que o DF foi a única unidade da federação que recusou o financiamento (e a fiscalização) do BNDES para a construção de seu Estádio para a Copa do Mundo. Partos nos corredores de hospitais, insegurança generalizada, greves constantes, são realidades que infelizmente estão se tornando rotina para o brasiliense e não podemos assistir a isso tudo sem uma forte reação de retomada dos rumos do DF.

O Distrito Federal precisa urgentemente que ocorra o resgate da qualidade da saúde, educação e segurança que já tivemos um dia, que haja finalmente um sistema transporte público integrado, inteligente, eficiente e modelo para o país, que tenhamos um planejamento das cidades priorizando a qualidade de vida de seus habitantes e não os interesses do mercado imobiliário.

A população do Distrito Federal não deu um cheque em branco para que o DF seja desfigurado ou se transforme em uma mercadoria a ser negociada e por esse motivo continuará divulgando as informações que tem sido pouco consideradas pela mídia.

Rose foi elo entre Wagner e empresários


Sábado, 1 de dezembro de 2012 
Ex-chefe de gabinete da Presidência em SP usou cargo para agendar reunião do governador da Bahia com pessoas ligadas a Paulo Vieira

Bruno Boghossian - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Rosemary Noronha usou seu cargo como chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo para agendar uma reunião do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), com empresários ligados a Paulo Vieira - diretor afastado da Agência Nacional de Águas, apontado pela Polícia Federal como chefe de uma quadrilha que comprava pareceres técnicos.

Jaques Wagner discutiu incentivos a empresa na Bahia
Rose foi indiciada por tráfico de influência na Operação Porto Seguro, por articular reuniões entre autoridades e pessoas ligadas a Paulo. Em troca de audiências com o governador baiano e outros ocupantes de cargos públicos, segundo a investigação, a ex-chefe de gabinete recebeu "favores", como viagens de navio.

E-mails interceptados pela PF mostram que Paulo pediu a Rose que marcasse uma audiência com Wagner em fevereiro de 2009 para Carlos Cesar Floriano, do grupo Tecondi, e Alipio José Gusmão, do grupo Formitex. Os dois estavam interessados em pedir incentivos fiscais ao governo baiano para reativar uma fábrica do setor químico no Centro Industrial de Aratu, na região metropolitana de Salvador. O negócio não se concretizou, segundo o gabinete de Wagner. Leia a íntegra

Rosemary queria ajuda de Dirceu para nomear Vieira

Sábado, 1 de dezembro de 2012
Agência Estado
Uma sequência de e-mails interceptados pela Polícia Federal revela como a ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, usou a proximidade com o ex-ministro José Dirceu para emplacar a nomeação de Paulo Vieira como diretor da Agência Nacional de Águas (ANA). Rose queria que Dirceu, afastado do governo desde 2005 após o escândalo do mensalão, influenciasse a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na escolha de Vieira para o posto. Os documentos fazem parte do inquérito da Operação Porto Seguro, que desarticulou a organização que vendia pareceres técnicos de órgãos da administração pública. Leia a íntegra

Manifestação reúne 2 mil pessoas contra obras e ações do governo para as Copas

Sábado, 1 de dezembro de 2012
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Cerca de 2 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, participaram na tarde de hoje (1º), de uma manifestação contra obras e medidas tomadas pelo governo federal para a realização da Copa do Mundo e da Copa das Confederações. O ato Copa para Quem? reuniu integrantes de 50 movimentos sociais de São Paulo e coincidiu com a data em que foi feito o sorteio dos grupos da Copa das Confederações, no Anhembi, capital paulista.

De acordo com a coordenadora do Comitê Popular da Copa em São Paulo, Graziela Natasha Massoneto, o protesto quer mostrar que as Copas não trazem só o futebol, mas sim muita especulação imobiliária, despejos de famílias inteiras e uso dos recursos públicos de maneira a não beneficiar toda a população. “Esse recurso público vai ser utilizado só para a elite porque o povo não vai poder participar efetivamente deste grande evento”.

Graziela ressaltou que o grupo reivindica que as famílias sejam retiradas de maneira planejada e com destino certo. “Isso deveria ser feito de forma pacífica e com cadastro nos movimentos sociais, com todos sabendo para onde vão”.

Um outro ponto destacado é o que ela chama de "estado de exceção", no qual comerciantes estarão impedidos de vender seus produtos em estabelecimentos no entorno dos estádios. Além disso, Gabriela chamou a atenção do fato de que espaços públicos serão fechados para as fun zones, áreas onde serão montados telões para a exibição dos jogos.

“Mas o acesso será pago. Se a pessoa não tiver o ingresso não poderá entrar. O trabalhador comum também não conseguirá assistir aos jogos nos estádios porque o ingresso mais barato custa mais de R$ 50,00. Um trabalhador que ganha um salário mínimo não vai poder participar porque ele não vai ter esse dinheiro para dispensar no futebol”.
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Leia também: Manifestantes protestam contra demolição de escola e antigo Museu do Índio para obras do Maracanã
 

“Agnelo está sendo irredutível, e quer nos massacrar mesmo", diz líder do MST

Sábado, 1 de dezembro de 2012

Terracap usa ordem de despejo para retirar MST de fazenda no Gama


Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

A Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) vai apresentar, na próxima segunda-feira (3), ordem judicial de despejo para que as 1,3 mil famílias acampadas na Fazenda Gama, atrás do Catetinho e do Setor Park Way, deixem a área de 4.093 hectares.

Os acampados prometem resistir à ordem judicial, como disse a porta-voz do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Petra Magalhães. Ela acredita em entendimento com o governo do Distrito Federal, embora o governador Agnelo Queiroz tenha se negado a negociar com eles.

Petra salientou que desde o início de novembro solicita ao governo que aponte outra área para realocação das famílias que ocupam a Fazenda Gama desde agosto último, mas “Agnelo está sendo irredutível, e quer nos massacrar mesmo. Está sendo o pior governo com o qual temos tratado. Mas – quem sabe! – possa surgir uma luz” nas próximas 48 horas.

A ocupação da fazenda começou com 800 famílias e gradativamente incorporou mais 500 das quase 3 mil famílias distribuídas em oito acampamentos em terras do Distrito Federal, dos quais Pipiripau, perto de Planaltina, é o mais antigo, com 12 anos.

A bunda de Rita Lee e os fundos dos bancos

Sábado, 1 de novembro de 2012
Em 4 de novembro a roqueira Rita Lee mostrou seus fundos em show na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Foi penalizada com a perda de patrocínio de um banco.

Ora, que coisa mais sem sentido! Rita apenas mostrou os fundos. E os bancos que vivem de alugar os próprios fundos?
Rita mostra. Bancos vivem de alugá-los.

MPF manifesta-se pela prisão de Luís Octavio Índio da Costa, ex-controlador do Banco Cruzeiro do Sul

Sábado, 1 de dezembro de 2012
Do MPF
Procuradoria entende que prisão é “o único instrumento eficaz para se evitar atos futuros de ocultação patrimonial” de esquema criminoso que atingiu R$ 1 bilhão
 
A Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PRR3) requereu a revogação da liminar concedida ao ex-controlador do Banco Cruzeiro do Sul, Luís Octávio Azeredo Índio da Costa, bem como o restabelecimento da ordem de prisão preventiva decretada contra ele pela 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Preso após investigação que o apontou como um dos responsáveis pela prática de crimes contra o sistema financeiro nacional que atingiriam montante acima de R$ 1 bilhão e pelo crime de lavagem ou ocultação de bens, Luís Octávio foi beneficiado com habeas corpus impetrado por sua defesa no qual alegava-se suposto constrangimento ilegal, e do argumento de que o paciente possui bons antecedentes, tem domicílio certo, ocupação lícita e que não teria mais qualquer poder de gestão junto ao Banco Cruzeiro do Sul desde que foi decretada a intervenção da instituição financeira pelo Banco Central. No início de novembro, decisão monocrática do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) concedeu liminar ao ex-banqueiro.

Agnelo vai muito mal. É desaprovado por 70,3% dos brasilienses

Sábado, 1 de dezembro de 2012
"Dizia-se, também, que a avaliação positiva do governo de Agnelo Queiroz teria aumentado substancialmente, graças a algumas obras urbanas que têm sido realizadas e medidas que têm sido anunciadas. Pois a avaliação positiva do governo do DF aumentou pouco: de 9,2% para 12,1%, enquanto a negativa subiu de 59,4% para 60,2%. Agnelo é aprovado por 17,4% dos brasilienses (era por 16,3% em março) e desaprovado por 70,3% (65,3% em março)."


Furnas continua impedida de operar hidrelétrica de Simplício, no rio Paraíba do Sul

Sábado, 1 de dezembro de 2012
Do STJ
Por risco de dano ambiental e à saúde pública, Furnas Centrais Elétricas continua proibida de encher o reservatório do Aproveitamento Hidrelétrico (AHE) de Simplício, no rio Paraíba do Sul, divisa dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Com base no princípio da precaução, que orienta o julgamento de questões envolvendo o meio ambiente, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Felix Fischer, negou pedido da União e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para suspender uma liminar da Justiça Federal que impede o início do enchimento do reservatório até o término das obras do sistema de coleta e tratamento de esgoto em cidades ribeirinhas.

O princípio da precaução recomenda que, na falta de certeza científica, sejam sustadas atividades potencialmente lesivas ao ambiente. Embora haja autorização do Ibama para o início da operação de Simplício, o presidente do STJ observou que outros órgãos técnicos se manifestaram contra, entre eles o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro e o Grupo de Apoio Técnico Especializado (Gate) do Ministério Público do Rio.

A festa dos inocentes

Sábado, 1 de dezembro de 2012
Parodiando Herbert Marcuse, poderíamos afirmar que a massa do povo, incluindo-se, é claro, a tão falada massa proletária, se encanta com pequenos ganhos obtidos no seu dia-a-dia, sejam esses ganhos fruto de sua luta ou obtidos como dádiva “generosa” dos senhores do poder.
 
Um diminuto espaço para morar, uma geladeira, um freezer, uma TV LCD e, (suprema felicidade!) um automóvel, são elementos suficientes para levar as camadas populares ao conformismo e à fácil cooptação política pela classe ora dominante.
 
Tal comportamento das massas populares não é próprio apenas do Brasil, e sim, de todos os recantos do mundo. Aqui, tivemos o exemplo patente do populismo lulo-petista, oferecendo ao capitalismo a paz social para que pudesse usufruir grandes lucros sem nenhuma ameaça.
 
Respeitando os pilares fundantes da política econômica implantada pelo Plano Real, o lulo-petismo teve condições de implementar algumas políticas sociais que implicaram em pequenas melhorias na condição de vida das massas e isso tem sido razão para que elas levem a cabo a festa dos inocentes que se expressou na vitória eleitoral da candidata Dilma Rousseff em 2010 à Presidência da República e a de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo.
 
 Não percebe o povo, incluindo-se, como já foi dito, a massa proletária, que ele tem direitos históricos muito maiores do que as migalhas que lhe são ministradas pelo sistema capitalista no Brasil através do governo lulo-petista. Não percebe, que do ponto de vista histórico, tem o povo o direito supremo de libertar-se dos grilhões de um sistema cuja alma é a busca incessante de lucros e foi, justamente o lucro, medula do capitalismo, que foi assegurado à burguesia, nesses últimos anos, especialmente na gestão petista, que tão bem se aproveitou o velho sistema.
 
Diante desses fatos, resta-nos a nós, socialistas revolucionários, a tarefa de despertar as massas populares de sua inocência e nunca acalentar suas fantasias como tem feito o PT, o PCdoB e o PSB que funcionam como o braço esquerdo do sistema.
 

O caso dos royalties


Sábado, 1 de dezembro de 2012
Por Ivan de Carvalho
Os governadores e prefeitos de todo o país teriam como exercer pressão quase irresistível sobre a presidente da República para que não vetasse, como fez ontem, o artigo 3º do projeto de lei aprovado pelo Congresso sobre uma nova forma de distribuição dos royalties do petróleo a Estados e municípios.

            O artigo 3º foi introduzido pelos congressistas no projeto de lei do governo. Com esse artigo, as novas normas de distribuição se aplicariam também aos contratos de exploração já em vigor, retirando, quanto a isso, a situação privilegiada dos principais produtores, mais notóriamente Rio de Janeiro e Espírito Santo.

            O Rio de janeiro e o Espírito Santo lutavam pelo veto – já esperado desde o meio da semana –, alegando que sem ele o projeto aprovado implicaria na quebra de contratos e também impediria que muitos compromissos assumidos pelo Estado do Rio de Janeiro em relação à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016 se tornariam insustentáveis. Como se isso fosse um excelente argumento.

Em um país em que a Copa da Fifa e as Olimpíadas parecem ser a prioridade nacional, a presidente da República aceitou o argumento e aplicou o veto. Com isso, aliás, o governo Dilma Rousseff atendeu a um aliado importante, o governador fluminense Sérgio Cabral, que oficialmente é do PMDB (partido no qual entrou a pedido do então presidente Lula), mas na realidade funciona como quinta coluna do PT dentro do PMDB e tem sido alvo de todas as atenções e agrados de Lula e Dilma.

O outro argumento, o de que os recursos do subsolo do país pertencem à União e de que quase todo o petróleo em exploração ou com exploração futura prevista está no subsolo marinho, portanto fora dos limites territoriais de qualquer Estado ou município, foi descartado para efeito do artigo 3º e o veto dado a ele pela presidente. Este argumento ficou valendo somente contratos de exploração a serem feitos a partir de agora. Ninguém acredita que o Congresso se rebele contra o veto presidencial e o derrube.

Outra questão foi que o Congresso eliminou o dispositivo do projeto do governo que obrigava a aplicação de 100 por cento dos royalties em educação. Esta obrigatoriedade pode parecer muito bonitinha e politicamente correta, mas não é. Chega a ser uma burrice. Os Estados tem problemas muito diferentes uns dos outros. O mesmo ocorre entre os municípios. Obrigar todos a aplicarem todo o dinheiro dos royalties numa mesma coisa, a educação, é um absurdo. Mas a presidente, segundo se noticia, vai editar uma medida provisória restabelecendo a obrigatoriedade de 100 por cento para o setor de educação.

Claro que teria cabimento e seria talvez até sensato que a lei não fosse tão aberta como quis o Congresso, ao eliminar a norma dos 100 por cento e deixar ao livre arbítrio dos Estados e municípios a aplicação do dinheiro dos royalties. Alguma limitação evitaria, por exemplo, que o dinheiro fosse para aumentar gastos com ONGs misteriosas ou fantasmas, propaganda oficial injustificada e mais um monte de besteiras em que muitos gestores gastam receitas públicas.

Mas não custaria a presidente ter um olhar mais amplo, ver a situação de calamidade em que estão os setores de saúde e de segurança pública e estabelecer na medida provisória que os royalties possam ir, além da educação, para saúde e segurança.

PINOCCHIO REVISITADO – Soube ontem pelo blog Bahia em Pauta que dois cientistas espanhóis conduziram, durante quatro anos, um estudo com cem pessoas, aparelhos de termografia e ressonância magnética. Não mediram narizes para saber se crescem com a mentira, mas comprovaram que ficam mais quentes. Outro blog, o Gama Livre, sugeriu que os eleitores tenham o direito de pegar e dar uma torcida nos narizes dos candidatos, nas campanhas eleitorais – especialmente no momento das promessas. Quanto mais quente, pior.
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Este artigo foi publicado originariamente na Tribcuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

Rose e a sedução do poder

Sábado, 1 de novembro de 2012
Da Revista Época
De onde vinha a influência de Rosemary de Noronha, a mulher que se apresentava como “namorada” de Lula – e, com isso, nomeava afilhados, interferia em órgãos do governo e recebia recompensas

DIEGO ESCOSTEGUY E ALBERTO BOMBIG, COM LEOPOLDO MATEUS, MARCELO ROCHA, MURILO RAMOS, FLÁVIA TAVARES E LEANDRO LOYOLA
NO PERU Luiz Inácio Lula da Silva (à dir.) em viagem ao Peru, em maio de 2008, com Rosemary no detalhe. Ela viajou 23 vezes ao exterior na comitiva do presidente (Foto: Celso Junor/Estadão Conteúdo)

(Trecho da reportagem de capa da edição de ÉPOCA desta semana)
Capa da revista ÉPOCA - edição 759 (Foto: Reprodução/Revista ÉPOCA)
Uma triste passagem de bastão marcou a política brasileira na semana passada: saiu de cena um escândalo político; entrou outro. De um lado, o Supremo Tribunal Federal fez história ao definir as penas dos condenados do mensalão. Treze dos réus, incluindo o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, vão para a cadeia em tempo integral – uma rara ocasião na história brasileira em que poderosos pagarão por seus crimes. De outro lado, uma nova personagem irrompeu na cena política nacional: Rosemary Nóvoa de Noronha, ou Rose. Falando em nome de um padrinho político poderoso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rose trabalhou pela nomeação de vários afilhados no governo federal. Ao se dirigir a diretores de empresas estatais ou órgãos do governo, Rose frequentemente se apresentava como “namorada” do ex-presidente. Um dos afilhados de Rose, Paulo Vieira, foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Porto Seguro, acusado de chefiar uma quadrilha que cobrava propinas de empresários, em troca de pareceres jurídicos favoráveis em Brasília – fosse no governo, nas agências reguladoras ou no Tribunal de Contas da União. Rubens Vieira, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), irmão de Paulo e outro dos afilhados de Rose, também foi preso. Tão logo o caso veio a público, na sexta-feira dia 23 de novembro, Rose foi exonerada do cargo que exercia, como chefe do gabinete da Presidência em São Paulo.
“CHEFÃO” Em e-mail, Rosemary avisa Paulo Vieira que falou com o “chefão” sobre sua nomeação para a diretoria da Agência Nacional de Águas. O chefão era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: reprodução)

Como foi possível que Rose, uma simples secretária do PT, acumulasse tanto poder e prestígio, a ponto de influenciar nos rumos do governo federal – e causar tamanho salseiro? “A investigação demonstra que o poder de Rose advinha da relação dela com Lula. Não há elementos, entretanto, de que o ex-presidente soubesse disso ou tivesse se beneficiado diretamente do esquema”, afirma uma das principais autoridades que cuidaram do caso. “Lula cometeu o erro de deixar que essa secretária se valesse da íntima relação de ambos”, afirma um amigo do casal Lula e Dona Marisa. “Deveria ter cortado esse caso há muito tempo.” Os autos do processo, de que ÉPOCA obteve uma cópia integral, e entrevistas com os principais envolvidos revelam que:

1) Lula, ainda presidente da República, prestou – mesmo que não soubesse disso – três favores à quadrilha. Por influência de Rose, indicou os irmãos Paulo Vieira e Rubens Vieira para a direção, respectivamente, da ANA e da Anac. Lula, chamado em e-mails de “chefão” ou “PR” por Rose, também deu um emprego no governo para a filha dela, Mirelle;

2) A quadrilha espalhou-se pelo coração do poder – e passou a fazer negócios. Os irmãos Vieira, aliados a altos advogados do PT que ocupavam cargos no governo, passaram a vender facilidades a empresários que dependiam de canetadas de Brasília;

3) Rose, gabando-se de sua relação com Lula, tinha influência no Banco do Brasil. Trabalhou pela escolha do atual presidente do BB, Aldemir Bendine, indicou diretores (um deles a pedido de Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT condenado no caso do mensalão), intermediou encontros de empresários com dirigentes do BB e obteve um contrato para a empresa de construção de seu marido;

4) Despesas do procurador federal Mauro Hauschild, do PT, ex-chefe de gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e, depois, presidente do INSS, foram pagas pela quadrilha. É uma situação similar à do recém-demitido número dois da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda – que, segundo a PF, recebeu propina;

5) A PF, mesmo diante das evidências de que Rose era uma das líderes da quadrilha, optou por não investigá-la. Não pediu o monitoramento das comunicações de Rose e não quis detonar a Operação Porto Seguro no começo de setembro, quando a Justiça autorizara as batidas e prisões. Esperou até o fim das eleições municipais.

De acordo com o relato feito a ÉPOCA por um alto executivo que trabalhou na Companhia das Docas do Porto de Santos (Codesp), Rose evocava sua relação com Lula para fazer indicações e interferir, segundo seus interesses, nos negócios da empresa. Nessas ocasiões, diz o executivo, Rose se apresentava como “namorada do Lula”. “Ela jogava com essa informação, jogava com a fama”, diz ele.