Sábado, 5 de novembro de 2011
Deu em o "Estado de S. Paulo"
Fundação da BA - que em 8 anos recebeu R$ 60 mi da pasta - sugeriu pista móvel de borracha, mas material está encalhado em balcão
Leandro Colon, enviado especial a Feria de Santana, Bahia
O abandono de 15 mil metros quadrados de borracha
destinados a pistas de atletismo simboliza, no interior da Bahia, o
descontrole e a falta de critério que tomaram conta do Ministério do
Esporte. A pasta abraçou uma ideia mirabolante e “pioneira” de um
professor de capoeira e presidente da Fundação de Apoio ao Menor de
Feira de Santana (Famfs): transformar pneus velhos em pistas de
atletismo.
O resultado está nos galpões da entidade. O material está encalhado e
abandonado, conforme verificou a reportagem do Estado na quinta-feira
passada.
O professor Antonio Lopes Ribeiro, presidente da Famfs, é
parceiro antigo do Ministério do Esporte. Nos últimos oito anos, levou
R$ 60 milhões da pasta em convênios dos programas Segundo Tempo e
Pintando a Liberdade/Cidadania. Ele é personagem de dois inquéritos no
Ministério Público por irregularidades no uso do dinheiro da pasta.
Com o discurso da sustentabilidade, o professor se ofereceu para
receber dinheiro do Esporte pela produção, nas dependências de sua
entidade, de pistas de atletismo com placas de resíduos de borracha. O
ministério topou e, desde 2007, começou a repassar verba para o projeto.
Em 2009, surgiu uma novidade: a fundação recebeu R$ 753 mil para
fazer uma pista de atletismo móvel, a “primeira oficial do mundo”,
segundo palavras do professor Lopes e do site do ministério, e mais
outras quatro fixas, todas com pneus velhos. O contrato foi assinado
pelo hoje secretário nacional de Esporte Educacional, Wadson Ribeiro.
