Terça,
14 de julho de 2015
Andre Richter – Repórter da Agência Brasil
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras
Paulo Roberto Costa disse hoje (13) em depoimento à Justiça Federal que o
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tinha um “representante” que
negociou propina com ele. Costa assinou acordo de delação premiada e depôs ao
juiz federal Sergio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato
na primeira instância da Justiça.
Calheiros foi citado pelo ex-diretor após uma
pergunta feita por um dos advogados de executivos ligados à empreiteira OAS,
réus na ação penal. Costa afirmou que se mantinha no cargo com
sustentação política do PP e PMDB.
"O senador Renan Calheiros era um dos que
dava sustentação política. Com ele [Renan], não [negociou propina]. Mas ele
tinha um representante, um deputado, Aníbal Gomes, que, em algumas vezes,
negociou comigo. O senador Renan Calheiros nunca participou de nenhuma reunião
com empreiteiros, mas o Aníbal Gomes, sim”, declarou.
Gomes e Calheiros são investigados em um
inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), aberto a partir das
informações do ex-diretor, fornecidas em acordos de delação premiada.
Em nota, o presidente do Senado refutou as
acusações do ex-diretor e declarou que suas relações com diretores de
instituições públicas nunca ultrapassaram os limites institucionais. “Da mesma
forma reafirma que jamais autorizou o deputado Aníbal Gomes ou qualquer outra
pessoa a falar em seu nome. Digno de registro também é a contradição, já que
nos depoimentos anteriores o delator sempre negou ter tratado de
projetos e valores com o senador Renan Calheiros”.
A Agência Brasil não conseguiu contato com
o deputado Aníbal Gomes até a publicação da matéria.
