Terça, 5 de maio de 2012
Da Agência Brasil
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
Em um depoimento conturbado, cheio de contradições, o
empresário Walter Paulo Santiago, dono da Faculdade Padrão, negou hoje
(5) ter feito negócios com o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida
Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e disse que pagou R$ 1,4 milhão pela casa
onde o empresário foi preso. De acordo com Santiago, que prestou
depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do
Cachoeira, esse valor foi pago em "pacotinhos" de notas de R$ 50 e R$
100 emprestados. No entanto, ele disse não saber quem emprestou o
dinheiro.
Santiago é apontado pela Polícia Federal (PF) como intermediário na
compra da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo. Ele negou ter
vendido a casa para Cachoeira. O empresário disse que o pagamento pela
casa foi entregue a Lúcio Gouthier Fiúza, assessor do governador
Perillo, e ao ex-vereador Wladimir Garcez, apontado como um dos
principais assessores de Cachoeira. "Não paguei com cheque. Paguei com
notas exclusivas de R$ 50 e R$ 100. Entreguei o dinheiro ao senhor
Wladimir Garcez e ao senhor Fiúza", relatou.
De acordo com Santiago, a casa foi comprada por ele, em nome da Empresa
Mestra, pertencente a Écio Ribeiro. Ele teria atuado como administrador
da empresa, proprietária legal do imóvel, durante a negociação da casa.
Santiago disse que tinha a intenção de dar a casa de presente à filha
quando ela casasse e que faria isso quando conseguisse pagar o valor do
imóvel para a empresa Mestra.
"O imóvel foi adquirido como investimento para a empresa. E,
futuramente, quando minha filha fosse se casar, o imóvel, eu poderia dar
a ela como presente de casamento, acertando a dívida com a empresa."
A versão apresentada por Santiago de que pagou a casa com dinheiro
contraria a versão apresentada pelo governador Marconi Perillo, que
vendeu o imóvel. O governador informou ter recebido o pagamento em
cheques. “Não paguei com cheque, paguei em dinheiro, em moeda corrente,
notas exclusivamente de R$ 50 e de R$ 100", reafirmou, contestando a
informação de Perillo.
Na casa, morava o empresário Carlinhos Cachoeira. Foi nessa casa que Cachoeira foi preso no dia 29 de fevereiro, pela PF.
O depoimento de Santiago também contradiz as informações prestadas pelo
ex-vereador Wladimir Garcez. Em depoimento à comissão, no dia 24 de
maio, Garcez disse que ele próprio comprou a casa e, posteriormente, a
revendeu a Walter. "Eu comprei a casa do governador Marconi Perillo. Ele
[Garcez] me disse que a casa era do governador. Ele, inclusive, durante
o tempo que estava lá, falava ao telefone, dizendo que era com o
governador".
Já o inquérito da PF aponta que a casa foi paga com três cheques
assinados por Leonardo Almeida Ramos, sobrinho de Carlinhos Cachoeira.
Santiago negou conhecer Leonardo Ramos. "Não conheço essa pessoa, nunca a
vi, até o nome nunca ouvi.”
De acordo com as informações prestadas por Santiago, a casa ficou sob
responsabilidade de Garcez até o final de 2011. "Ele pediu a casa para
emprestar para uma amiga. Eu nunca vi essa pessoa."