Quarta, 6 de fevereiro de 2013
A dívida pública brasileira já ultrapassou R$ 3 trilhões desde 2011, conforme dados oficiais:
- a dívida pública federal interna já atingiu R$ 2,823 trilhões no final do ano passado, conforme Tabela do Banco Central (Quadro 36);
- a dívida externa bruta atingiu US$ 441,757 bilhões no final do ano passado, conforme Tabela do Banco Central (Quadros 51 e 51-A)
No entanto, os jornais de hoje [5/1] comentam que a dívida teria ultrapassado os R$ 2 trilhões no final do ano passado, indicando tabela do Tesouro Nacional
(quadro 2.1), que não reflete o montante da dívida bruta brasileira,
uma vez que a mesma mostra apenas parte da dívida – a que se encontra
“em poder do público”, excluindo os mais de R$ 900 bilhões de títulos
que foram repassados ao Banco Central, dos quais grande parte é entregue
ao mercado.
Trata-se de um mero artifício para não mostrar o verdadeiro montante
da dívida pública brasileira, pois o Tesouro emite os títulos da dívida
mobiliária e os entrega ao Banco Central que, por sua vez, repassa-os
aos bancos por meio das “Operações de Mercado Aberto”. Portanto, a maior
parte dos títulos da dívida não fica em poder do BC, mas é efetivamente
repassada aos bancos. Portanto, não se trata de dívida entre setores do
mesmo governo, tendo em vista que os títulos foram repassados pelo BC
aos bancos, conforme explicação contida no texto “Os Números da Dívida”.
Parte dos títulos que fica com o BC é utilizada para que o Tesouro
cubra os constantes prejuízos do BC com a manutenção das reservas
internacionais (em benefício do mesmo setor financeiro privado), dado
que nos últimos anos o dólar tem se desvalorizado frente ao real.
Adicionalmente, estejam os títulos em poder de quem seja, os mesmos
correspondem a títulos efetivamente emitidos e sobre estes terão que ser
pagos os juros nominais a cada período (de acordo com o prazo de cada
emissão) e ao final terão que ser resgatados. Dessa forma, trata-se
efetivamente de dívida pública e a omissão de quaisquer parcelas fere o
princípio da transparência.
Por isso devemos tomar em conta – sempre – o montante da dívida bruta.
Os dados oficiais mostram que a dívida interna cresceu R$ 288 bilhões
no ano passado, principalmente devido aos altíssimos juros. Apesar do
discurso oficial de que as taxas de juros teriam caído para 7,25% ao ano
(Taxa Selic), o custo médio da dívida pública federal interna atingiu
11,72% ao ano, em dezembro de 2012 (Tabela do Tesouro Nacional,
Quadro 4.1). Isto ocorre pois a maior parte dos títulos da dívida
interna não é mais indexada à Taxa Selic, mas a outras taxas, bem
maiores.
As emissões de títulos para a obtenção de recursos para bancos
públicos (BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) também
inflaram a dívida em R$ 66 bilhões no ano passado.